sábado, 5 de setembro de 2009

GOA

Quando pela primeira vez estive em Goa, senti-me como se estivesse no Brasil, em pleno coração da Índia. Ali estiveram os portugueses, deixando sua presença nas construções barrocas, na língua e nos costumes do povo. Nas aldeias goesas, existe a tradição de se cantar serenatas como em Diamantina.
Em Goa, eu me sentia em casa. As pessoas são amáveis, acompanham os visitantes, convidam-nos para jantar, levam-nos aos concertos e recepções.
Fiquei conhecendo de perto a vida de uma aldeia goesa. O governo de Goa, naquela época, era socialista e a divisão de terras propiciava muitas desavenças. O sistema de castas, de origem hindu, prevalecia até nas famílias católicas.
O Dr. Antonio de Menezes, um renomado historiador indiano, me contava a história de Goa e da Índia. Aprendi muito sobre a música indiana e a sua relação com o canto gregoriano dos cristãos, que se originaram de uma fonte comum. Ambos se expressam de forma circular, repetitiva, elevando as vibrações para um plano mais sutil. Todas as tardes, ele me ensinava um pouco da historia de Goa e eu fazia a ponte com a historia do Brasil. Através desse dialogo soube que um dos maiores arquivos da historia colonial do Brasil encontra-se em Panjim, a capital de Goa. Segundo o historiador, quando Afonso de Albuquerque chegou a Goa, encontrou o ensino elementar ministrado à sombra de árvores. Para efeito de maior expansão do Cristianismo e da cultura portuguesa, o conquistador português incentivou a criação de escolas para crianças e adultos. As cartilhas escolares vinham da metrópole e o ensino foi confiado aos religiosos.
A influência de Portugal na cultura goesa durou quatro séculos e meio, de 1510 a 1961. Ali foi criada a primeira imprensa do Oriente com o objetivo de expandir o Cristianismo. Por outro lado a imprensa divulgou a espiritualidade da Índia na Europa. Depois da retomada de Goa pelo governo da Índia, em 1961, os portugueses regressaram a Portugal e a ex-colônia perdeu o intercâmbio com o continente europeu.
As pessoas acima de 60 anos ainda falam o português, mas os jovens já perderam o contato com essa língua, desde que o governo da Índia decretou a sua substituição pela língua local.

terça-feira, 1 de setembro de 2009


PINCELADAS

A exposição de Vik Muniz no Museu Inimá de Paula, nos faz perceber o cotidiano de forma criativa. Usando calda de chocolate, pigmentos, areia, lixo, ele vai conduzindo o espectador a descondicionamentos mentais.
“Você só é jovem uma vez, mas isso pode durar a vida inteira”, nos diz ele em seu depoimento. Parabéns, Vick, por esta lição de vida.

A maratona de Jazz da Savassi inaugura a sua programação no dia 3 de setembro, dando continuidade ao excelente resultado dos anos anteriores. Serão 34 shows focalizando 130 artistas

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

KALAKSHETRA, UMA ESCOLA DE DANÇA

Em Madras, sul da Índia, entramos em contato com a famosa escola de dança, Kalakshetra.

A dança na Índia expressa simbolicamente o desejo da alma individual de alcançar a Unidade com o infinito, ou a Alma do Universo. Através da música e da dança esse objetivo é alcançado e o estado de Ananda, ou Bem-aventurança, vivenciado pelo dançarino ou o músico, é transmitido à platéia. Os yogues se tornam Um com o universo através da meditação. Os músicos e dançarinos também realizam essa união, conjugando o movimento do corpo com a vibração do som.

Antigamente os espetáculos de dança não se realizavam em teatro, mas nos templos, porque a dança era a mais bela forma de reverência aos deuses.

Rukmini Devi, criando a Kalakhetra, buscou reviver o espírito dos antigos rituais onde as cenas do Mahabharata eram interpretadas em forma de dança e música no interior dos templos.

O Kalakhetra foi criado para expandir essa energia e todo ambiente dessa famosa escola de dança convidava o visitante a penetrar no universo mágico da arte. O impacto dos cânticos matinais debaixo da Bannyam tree, com a presença iluminada de Shankar Menon, já nos dava o primeiro toque. Shankar Menon, por muitos anos, acompanhou Rukmini Devi, dando ao Kalakhetra a orientação espiritual necessária à compreensão da síntese Arte-Yoga.

Moças com sáris coloridos, tranças nos cabelos e rapazes vestidos de dhotis brancos cantavam juntos em homenagem a todos os mestres e todas as religiões.

Kalakhetra significa lugar sagrado de arte, e a reverência pelo sagrado é sempre lembrada pelos professores.

Nas diversas cabanas cobertas de sapé com chão de cimento, os jovens iniciavam-se nas artes da dança e da música.

“Deixem do lado de fora os sapatos e com eles todas as suas tensões”, advertia o professor aos alunos.

Enquanto percorríamos as alamedas do Kalakhetra escutávamos batidas de percussão dentro de uma cabana de palha. Dez alunos buscavam interpretar os personagens mitológicos. O corpo teria de se afinar como um instrumento de música e responder aos sons com precisão e disciplina. Noutra cabana, um velho professor ensinava flauta para um pequeno grupo de jovens. Assentados à moda indiana, em cima de esteiras, eles escutavam atentamente os ensinamentos do músico.
A pessoa idosa na Índia é reverenciada como alguém que já encontrou a sabedoria.

O Kalakhetra foi criado para atender pessoas, desde o jardim de infância até a mais avançada idade. Crianças, adolescentes, jovens e velhos convivem no mesmo espaço e são instruídos, ou dão instruções, de acordo com a idade.

Há o momento de estudar, de seguir a rígida disciplina do músico e do dançarino; há o momento de interpretar, participar das coreografias, viajar, correr o mundo e se tornar um profissional da dança. De acordo com a idade, aquele que foi dançarino torna-se professor ou acompanha os grupos para o exterior. Mais tarde, de acordo com suas tendências naturais, ele ainda continua atuante e prestando serviços como relações públicas, recebendo os visitantes, dando entrevistas e informações sobre a história da escola. Rukmini Devi não descuidou de nada na criação de sua escola de arte e hoje, após sua morte ocorrida em 1986, sua obra continua viva na memória daqueles que tiveram a possibilidade de conhecê-la pessoalmente. O teatro criado por ela tem forma de templo e lá dentro o espectador participa dos eventos e penetra na verdadeira essência da arte, que é a de libertar a mente das tensões e conflitos e penetrar no recinto do sagrado.



PINCELADA

Buscando um local mais poético para a construção de ateliers de artes, vários artistas deixaram a cidade e se transferiram para esta região das montanhas onde o céu e a terra se encontram. Refletindo sobre isto, vejo com alegria a inauguração de um circuito de arte na região sul de Belo Horizonte denominado “Caminho das Artes”.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

MEU CAMINHO DA ÍNDIA

Minha experiência com a arte teria de expandir-se para um campo maior. Incentivada por meu marido, que sempre me deu apoio nas minha iniciativas, embarquei em 1970 rumo ao Oriente. Visitei o Japão, a China, a Tailândia e a Índia, integrando um grupo turístico que se dirigia à Expo 70.
Chegando à Índia, fui convidada pelo então embaixador do Brasil, Wladimir Murtinho, para permanecer em Nova Delhi. A Índia deixou de ser um ponto a mais no meu roteiro turístico. Alguma coisa me atraía àquele país como se fosse um reencontro com um passado longínquo. Visitei um templo em Delhi e um monge percebeu o meu interesse, presenteando-me com uma pilha de livros de Ramakrisna e Vivekananda, que me desvendaram pela primeira vez o mistério dos Yogues. Entre eles estava um pequeno exemplar do Bhagavad Gita, livro sagrado da Índia.
Voltando ao Brasil, ingressei no curso de Yoga do Professor George Kritikos e freqüentei seu grupo de meditação. Mergulhei na leitura dos mais variados livros de filosofia oriental, do Zen Budismo aos mestres de Vedanta, da Teosofia a Krishnamurti. Tomei consciência de que realmente pertencemos a um Todo, que viemos de uma Essência e a Ela vamos retornar.
A partir de 1977, comecei a visitar a Índia, procurando desenvolver pesquisas no campo da arte, da educação e da história, com base na filosofia oriental. “Deixa o senhor cuidar de ti”. Essa frase, escutada no silêncio de uma madrugada, foi de certo modo a minha bússola durante as diversas viagens. Procurei seguir a intuição sem traçar planos. Visitei escolas, comunidades, anotando, em forma de diário, as minhas impressões e experiências. Meu caminho da Índia é uma reconquista da sabedoria que perdemos pelo excesso de materialismo. Aprendi escutando a voz do povo, participando de congressos, pronunciando palestras, realizando estudos comparativos entre o Brasil e a Índia e observando os diferentes costumes das diversas regiões por onde passei.
Os ensinamentos orientais não me acenavam como uma nova religião, mas significavam a redescoberta de conhecimentos que já existiam dentro de mim. Esses ensinamentos não são privilégio de um só país ou de uma só raça. Eles existem dentro de todo ser humano e estão guardados no silêncio de nossa consciência. O meu objetivo era redescobri-los através da minha própria experiência de vida.
O encontro das diversas mensagens nos campos da arte, da filosofia, da religião e da ciência, soava nos meus ouvidos como uma única voz. O oriental busca, antes de tudo, através da meditação, experimentar dentro de si mesmo sua Realidade Interna, que ultrapassa os conceitos da mente. Ao percorrer várias comunidades espiritualistas, desde os monges budistas no alto dos Himalaias até os mais variados ashrams da Índia, sentia a mesma verdade fluindo de diversas formas. Existem inúmeros mestres e caminhos, mas a minha abordagem focaliza apenas os que tive a oportunidade de conhecer de perto ou que me tocaram através de seus ensinamentos.




PINCELADAS

A arte cada vez mais desce dos museus e galerias para ajudar o ser humano a se harmonizar. As empresas convocam artistas para trabalhar com a criatividade de seus componentes, com funcionários e gerentes participando do mesmo evento. Um exemplo disso é a empresa Amana-key, em São Paulo, dirigida por Oscar Motomura.

Frei Beto participará do Festival de Literatura de São João Del Rey, fazendo parte da mesa “Panorama de uma década”

A produção cinematográfica de Minas está em destaque na programação do Cine Sesi Cultural de 2009. O público vai assistir, além de curtas metragens, à exibição do filme “Pequenas Histórias”, dirigido pelo mineiro Helvécio Ratton.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MINHA TRAJETÓRIA ARTÍSTICA: TERRA, ÁGUA, FOGO, AR E ÉTER

Em todos esses anos de arte pude constatar várias fases, partindo da realidade exterior para uma realidade interior do imaginário, do desconhecido. Vivenciei, ao longo de minha trajetória artística os 5 elementos da matéria: terra, água, fogo, ar e éter. A fase da terra começou com temas do cotidiano, meu mundo de família, crianças, cenas da fazenda, paisagens de Belo Horizonte, quase tudo dentro de um certo lirismo herdado de Guignard. Saía para o campo munida de pranchetas e aquarelas, afim de captar diretamente da natureza sugestões para a minha pintura. Os filhos estavam em volta, também desenhando, meu marido ajudava-me no preparo das telas. Considero pertencente a esta fase, também os quadros concretistas, que são “cidades iluminadas” e aqueles que têm uma referência a temas bíblicos, inclusive o símbolo da cruz.
O elemento terra cedeu lugar ao elemento água, mas o símbolo da cruz ainda continuou nos mastros dos veleiros. A forma já não era estática e geométrica, sugeria o movimento e transparências. Os veleiros anunciaram-me as primeiras viagens internacionais, numa necessidade de conhecer o mundo, de conscientizar-me de novos caminhos, novas experiências. Conheci nos EUA um grupo da Action Painting. Experimentei a espontaneidade da pintura gestual, ligada ao Zen budismo, a forma direta de se perceber o “aqui e agora”.
O terceiro elemento da matéria, o fogo, explodiu em 1965, na Fase de Guerra, representando a destruição e a purificação pelo fogo, para atingir novos planos mais elevados. Os mastros dos navios tornaram-se agressivos, ponteagudos, e a fase de guerra, em preto e branco, motivada pela tensão política da época, durou um ano. Foi uma denúncia à violência, opressão e ao medo. Daí veio a necessidade de paz, a própria agressividade da fase de guerra, influenciando as primeiras madonas barrocas, num retorno ao nosso barroco de Minas Gerais. As primeiras madonas eram agressivas, guerreiras, para depois tomarem a direção dos céus, anunciando a fase dos astronautas. As madonas barrocas, ligadas à nossa tradição, foram uma porta entre a Terra e o Céu, entre a Guerra e a Paz. Elas me conduziram para novos caminhos.
O quarto elemento da matéria, o ar, manifestou-se em 1966 com a série de naves interplanetárias. Veio a conquista do espaço, a tecnologia humana vencendo as barreiras e desvendando o cosmos. Os quadros desta fase chegaram ao Rio, numa exposição no Copacabana Palace, ao mesmo tempo que o homem pisava na Lua pela primeira vez.
O quinto elemento, o éter, é representado na minha trajetória com a forma circular da Mandala, que em termos orientais, corresponde a uma necessidade de integração, de criar uma gestalt, uma forma inteira, onde todos os lados são iguais. A partir de então comecei a me interessar pelas filosofias orientais e por estudos comparativos entre as culturas do Oriente e do Ocidente.




PINCELADAS

A casa Fiat de Cultura está possibilitando ao público de Belo Horizonte o acesso a grandes exposições internacionais. Parabéns pela exposição de Marc Chagall, um dos maiores pintores do século XX!

Foi um sucesso o fórum sobre aquecimento global realizado em Belo Horizonte, preparando para 2020. O Brasil está tendo uma participação fundamental nas questões ambientais.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PRIMEIRAS VIAGENS PARA ENTRE RIOS: MEU ATELIER RURAL

Na década de 50, para chegarmos a Entre Rios de Minas, tínhamos de tomar um trem. Com as crianças ainda pequenas, eu me ajeitava no vagão carregando malas e mamadeiras. A contemplação da paisagem, o barulho das rodas nos trilhos, o apito nas curvas e o cheiro de fumaça embalavam os passageiros. Alguns chegavam até a dormir.
Lá fora as cenas se sucediam com rapidez, verdes e mais verdes, gado pastando na relva, casinhas, igrejinhas, um verdadeiro presépio em movimento. Depois de uma hora de viagem descíamos em Jeceaba. Ali o Chico Marzano nos esperava de jardineira e, durante a viagem até Entre Rios, já estávamos sabendo das novidades.
Na cidade, em frente ao casarão, os cavalos já nos esperavam para uma nova viagem. Tínhamos de trocar de roupas, tirá-las das malas e ajeitar nos pecuás. Alguns pertences poderiam ser colocados a tiracolo, nos embornais.
Lembro-me da primeira vez que viajei a cavalo para a fazenda. Levei um tombo e virei notícia na cidade.
Mais tarde, inaugurada a estrada de rodagem, viajávamos de carro de Belo Horizonte para Entre Rios dentro de uma perua: seguia a família com latas de leite, sacos de laranjas, as crianças cantavam o tempo todo.
Eu levava um bloquinho e ia desenhando os postes de luz cortando a paisagem com suas estruturas metálicas. Uma nova série de desenhos e pinturas nasceu daquelas viagens pelas estradas de Minas. As “cidades iluminadas” que hoje figuram nos museus e colecionadores, tiveram suas origens naqueles desenhos rabiscados em blocos de rascunho, onde a estrutura dos postes era uma constante.
Na fazenda da Barrinha organizamos um atelier de pintura. Quadros enormes ali foram feitos.
Durante essas temporadas, longe da agitação da cidade, eu tinha tempo para estudar. Aproveitava o silêncio para ler e escrever. Dali saíram as primeiros textos de “Vivência e Arte” incentivados por minha cunhada Lourdes Andrés Resende. Naquela época eu já me interessava pelo lado interno da arte, aliando o conhecimento teórico à experiência de vida. Buscava analisar o fenômeno artístico apoiando-me em críticos, filósofos e pensadores. Líamos juntas e discutíamos o pensamento de Jacques Maritain, Tristão de Athayde, Maurice Dennis, Mário Pedrosa, D. Marcos Barboza, Rainer Maria Rilke e muitos outros. Os primeiros estudos do livro “Vivência e Arte”, prefaciado por Alceu Amoroso Lima e editado pela Agir Editora no Rio de Janeiro, foram feitos ali, na região do Campo das Vertentes.
O quadro “Casamento na Roça” criado nessa época, testemunha os costumes regionais.
Mais tarde, em 2004, surgiu em Entre Rios de Minas o IMHA (Instituto Maria Helena Andrés), com a finalidade de proporcionar à população o despertar de novos valores e o resgate das antigas tradições.
Através dele, foram realizados três Festivais de Inverno, que divulgaram a arte contemporânea e estimularam novas vocações no campo das artes.
O Campo das Vertentes cresceu culturalmente. Novas ONGS foram criadas e as manifestações folclóricas da região tiveram maior visibilidade.
Em 2009, devido à crise econômica global, o festival não aconteceu. No entanto, a população se organizou espontaneamente, criando um “Mutirão de Arte”: “O movimento cultural de Minas veio para ficar”, disse Paulo Brant, atual Secretário Estadual de Cultura.

PINCELADAS

Belo Horizonte foi a cidade escolhida para um importante fórum internacional de Meio Ambiente, cuja abertura aconteceu no Grande Teatro do Palácio das Artes no dia 4 de agosto. O público assistiu e participou das apresentações de várias personalidades, preocupadas com as mudanças climáticas do Planeta e com a destruição acelerada da natureza.
Todas as energias terão de estar juntas neste objetivo comum que é a sobrevivência do Globo. Ninguém escapará aos desastres ecológicos. Agradecemos à Emília Queiroga a iniciativa de coordenar este evento.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

MUTIRÃO CULTURAL DE ENTRE RIOS DE MINAS . uma experiência de solidariedade na arte

O movimento cultural de Entre Rios de Minas veio pra ficar” – Secretário de Estado de Cultura, Paulo Brant.

Como é que vocês organizaram isso? Quero fazer o mesmo na minha cidade!” –Secretário de Cultura de uma cidade próxima a Entre Rios de Minas.

Vocês estão me devolvendo a juventude” – Moradora da comunidade do Distrito Serra do Camapuã.

O Mutirão Cultural de Entre Rios de Minas é um exemplo da arte que se inicia no século XXI, a arte contemporânea espontânea. Assim como o canto dos pássaros que celebram a natureza e como tudo o que vi e senti se expressar na comunidade entrerriana na última semana: “temos a necessidade da arte para evoluir neste planeta”. O Mutirão nasceu das sementes plantadas nos três últimos festivais de inverno, promovidos pelo Instituto Maria Helena Andrés, e se desenvolveu com o trabalho de cerca de 150 voluntários e amigos da cultura, que, juntos, planejaram e realizaram diversos eventos e oficinas.

Existe uma energia universal positiva sempre presente nos movimentos voluntários de solidariedade e todos nós estamos incluídos nela. Palestras, oficinas, apresentações musicais e teatrais, mesa redonda, lançamento de livro, desfiles e exposições de fotos, filmes, artesanatos e quitandas fizeram parte desse movimento.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

TEATRO COMO EXTENSÃO DE VIDA

Em 1979, vistamos um grupo de teatro amador em Bangalore, no sul da Índia. Os ensaios eram sempre à noite, pois os artistas trabalhavam durante o dia.

No pequeno teatro de Bangalore os atores realizavam a arte como extensão de sua própria vida. Entrevistamos um dos participantes do grupo, Vijai Padaki. Ele trabalhava durante o dia como psicólogo do Instituto de Administração, e durante a noite, invariavelmente, podíamos encontrá-lo colaborando com seu grupo de artistas dentro e fora do palco.

-“Hoje estou de baby sitter”, nos disse ele.

Enquanto os pais da criança ensaiavam uma cena, ele mostrava as vitrines coloridas a um garotinha de uns 4 anos.

-“Nós nos revezamos em todas as atividades. Quando não estamos participando do espetáculo atuamos fora de outra maneira. Nossa atividade artística é o teatro, mas ela se estende também para a vida. Vivemos de forma comunitária sem a necessidade de morar dentro do mesmo espaço. Organizamos uma espécie de cooperativa constituída por um pequeno grupo de artistas. A arte para nós é um complemento indispensável à vida. Durante o dia somos profissionais liberais, engenheiros, advogados, médicos ou psicólogos. Trabalhamos normalmente como qualquer indiano de classe média, em repartições públicas ou em firma particulares. Das 6 horas da tarde em diante nos reunimos para o trabalho comunitário em torno do teatro. Na Índia nosso grupo é um dos mais antigos. Somos amadores porque temos ocupações diferentes durante o dia, mas no final, acabamos sendo considerados do mesmo nível dos grupos profissionais, levando até certa vantagem sobre eles. Não temos os problemas que enfrentam esses grupos: preocupações com o ganho material, o sucesso, os intermediários, com a competição e o estrelismo. Somos livres e sentimos que uma comunidade só pode ser forte quando mantém com clareza certos princípios. Ao iniciar nossas atividades, há 18 anos atrás, estabelecemos como principio que cada pessoa tem o seu próprio valor e este deve ser respeitado e estimulado. Não existe uma hierarquia dentro do grupo, nem alguém que se sobressaia sobre os outros. Ninguém se torna a estrela principal do grupo. Algumas vezes representamos o papel principal e noutras peças fazemos o papel secundário. Isso nos ajuda a quebrar o ego. Nosso grupo tem por princípio quebrar o estrelismo. Entendemos que todos os papeis tem igual valor. Representamos diversos papéis artísticos e burocráticos e experimentamos uma variedade de situações. Consideramos as atividades técnicas tão importantes quanto as artísticas. Até mesmo os eletricistas e os cenógrafos participam de nosso grupo e muitas vezes são artistas também. Temos 150 membros, desde jovens até idosos...”

-“Nossos estudantes são treinados por nós mesmos. Às vezes, assumimos o papel de professores de acordo com a nossa capacidade individual. Cada um contribui com aquilo que sabe. Temos um membro que mora numa aldeia próxima e costuma fazer algumas cenas em seu próprio meio ambiente. Fazemos experiências denominadas trabalho de laboratório para um pequeno público mais íntimo e apresentamos ao grande público umas três ou quatro peças ao ano. Temos um comitê com presidente, secretário, dentre outros, composto por dez pessoas, que decidem o que será apresentado”.

Terminamos a entrevista com um almoço apimentado, à moda indiana, ouvindo música ocidental. A mãe servia a mesa e as crianças comiam sentadas no chão. O teatro para essa família era uma forma de crescimento e equilíbrio psíquico, mas não perdia o seu valor artístico.

Tive também a oportunidade de assistir a uma representação do grupo no palácio do governo de Bangalore, com a presença das autoridades e da sociedade local. Há um grande incentivo da parte do governo em torno das atividades artísticas nas diversas áreas. O teatro no final é a própria vida, com seus contrastes e suas mutações, estabelecendo o equilíbrio entre o trabalho e o lazer.





PINCELADAS

O público que vê um espetáculo no palco não imagina a infinidade de providências que precisam ser tomadas nos bastidores, antes, durante e depois daquele breve período em que o artista está em cena. Leia o livro de Rômulo Avelar a ser lançado "O Avesso da cena".

Acontecerá na cidade de Entre Rios de Minas um mutirão cultural entre os dias 17 e 21 de julho de 2009. Incentivado pelo sucesso dos outros festivais o povo se uniu em torno da arte.

A voz de Milton Nascimento ecoou pelas montanhas prestigiando o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana. Nosso mineiro internacional não esquece suas raizes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

MUSEU DE TECNOLOGIA DE BANGALORE



O museu de industria e tecnologia de Bangalore pode ser considerado como um dos mais importantes exemplos de educação livre na Índia. Diariamente é visitado por colégios e pelo povo em geral. Paga-se cinqüenta centavos de entrada para permanecer lá o dia inteiro, percorrendo as galerias e estudando a evolução do homem através da ciência. Há filmes instrutivos às duas horas da tarde, sessões cinematográficas mostrando o caminho feito pelos astronautas ou as conquistas da arte cinética de algum pintor moderno ocidental. Na entrada, uma frase de Nehru: “O verdadeiro cientista é o sábio desapegado da vida e dos frutos da ação, sempre buscando a verdade e sendo conduzido por ela”.
O diretor do museu é jovem e entusiasta do sistema de educação livre. “Aqui as pessoas aprendem sem a compulsão de passarem por exames. Aprendem brincando, participando. Levamos a historia da ciência e tecnologia às vilas, pois na Índia, a maioria da população está nas vilas”. Há dois ônibus especiais enormes, conduzindo os ensinamentos para o interior do país, em sistema de teatros de marionetes. Bonequinhos que se movimentam e mostram como todas as coisas vivas contem água, como se tira água do solo, a purificação da água potável e a composição da água. O ônibus é intitulado “Água, fonte de vida” e as diversas cenas são mostradas pelas janelas à população.
Arte e ciência se completam nas salas do museu e a forma estética é posta a serviço do conteúdo cientifico. A apresentação de um museu de ciência e tecnologia exige a presença de um artista para dispor as salas, arranjar as vitrines, imaginar painéis de forma agradável e interessante. A participação do espectador, hoje tão comum nas propostas de arte do ocidente, é usada para despertar maior interesse lúdico e criativo. Apertamos botões e estamos diante do homem das cavernas descobrindo e transformando os elementos naturais: vemos a energia solar sendo transformada em fogo através do uso de lentes especiais, as chuvas caindo sobre a terra e produzindo vegetação e alimento, o vento tocando os moinhos, a água transmutada em energia nas represas e usinas, o uso do vapor, o trem de ferro e o foguete para a lua. Num só painel o resumo da historia da ciência e física. Mocinhas param em frente ao painel que mostra o sistema de pesos e medidas dos egípcios. Crianças apertam botões e vêem os moinhos rodarem. Velhinhas acompanhadas dos filhos, noras, netos e toda a “joint family” aprendem brincando, de forma lúdica. Paramos em frente às câmaras de uma tevê mostrando como a imagem é transmitida e como é recebida.
Há outro painel com duas enormes figuras falando ao telefone. Ao lado, um telefone de verdade, onde podemos discar e ver o movimento das ondas sonoras, do transmissor ao receptor. “Veja sua própria voz” é o anuncio da próxima atração. Um olho dentro de uma caixa tendo ao lado um microfone. Podemos ver o gráfico de nossa apropria voz, do sussurro ao grito e a intensidade do som produzindo vibrações sutis ou violentas. As formas variam de acordo com a voz, tornam-se lentas, suaves, quando emitimos sons harmoniosos, nervosas e agressivas quando a voz se altera. Noutra sala as rodas giram como fantásticas mandalas. “A roda é o símbolo do desenvolvimento técnico do homem. Ela existe em toda a parte na natureza. Sua invenção foi a primeira explosão técnica”. O homem percorre distâncias com a roda, ela está em todas as maquinas e em todos os meios de transporte. Na Índia, a roda é usada de formas variadas no transporte da população. Rodas de bicicleta, rodas de riquixá, rodas de carro de boi, de trem de ferro, rodinhas, rodas enormes, a energia conjugada, homem, animal, roda.
O museu está situado dentro de um parque. Ele oferece cursos, seminários e bolsas de estudo de três meses para as pessoas interessadas.



PINCELADAS

Parabéns pelos organizadores da exposição “Entre Salões” atualmente em mostra no Museu de Arte da Pampulha. Revela uma pesquisa histórica sobre o museu.

Será inaugurado em setembro próximo o primeiro módulo do circuito cultural da Praça da Liberdade, tendo como patrocinadores a UFMG e a TIM. Será chamado Espaço do Conhecimento.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mahatma Gandhi



Para entrar no Memorial de Gandhi em Delhi, o visitante deve tirar os sapatos, em sinal de reverência. Vem gente do mundo inteiro prestar homenagem ao grande líder indiano. O fogo aceso dia e noite dentro de um receptáculo de metal, anuncia a presença do mestre.

A figura de Gandhi é a grande referência que temos da Índia no mundo ocidental. Sua coragem de conduzir todo um povo, segurando como estandarte o ideal de Paz e Não-Violência, é um exemplo vivo que não pode ser esquecido. Gandhi nasceu em 1869, no estado de Gujarat, no oeste da Índia.

Gandhi estudou Direito em Londres e formou-se em 1891. Na África do Sul, para onde se transferiu no início de sua carreira, dedicou-se de corpo e alma à defesa dos imigrantes indianos. Ali desenvolveu o seu trabalho de resistência pacífica contra a injustiça social, gerada pelos colonizadores. A todos os atos de violência armada respondia com jejuns até que a luta terminasse. Os jornais noticiavam o sacrifício de Gandhi por seu país e o mundo inteiro comovia-se com seu exemplo. Através da resistência pacífica, Gandhi libertou a Índia do Império Britânico. Em janeiro de 1948, aos 79 anos, Gandhi foi morto por um fanático hindu quando se dirigia ao templo para rezar.

“Não sou um visionário”, dizia Gandhi. “considero-me um idealista pragmático. A religião da não violência não se destina exclusivamente aos rishis e aos santos. Está destinada também às pessoas comuns. A não violência é a lei da nossa espécie, assim como a violência é a lei dos brutos. O espírito está adormecido nos brutos e ele não conhece qualquer outra lei que não a da força física. A dignidade do homem exige a obediência a uma lei superior...a força do espírito”.


PINCELADAS

O município de Entre Rios de Minas foi considerado "Ponto de Cultura" com o projeto "Música na escola". Parabéns a todos.

Dia 29 de junho no Palácio das Artes, 2 grupos musicais de Entre Rios, Seresta Rios ao Luar e Samba do Bem se apresentaram com o maior sucesso.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O yogue e o fotógrafo


Ganges é o rio sagrado da India. Nascendo nos Himalaias, suas águas percorrem cidades, vales e campos. Sua história está ligada às antigas culturas da India, com seus deuses e mitos. Anos atrás, os tigres desciam da floresta para beber água no Ganges.

Antes da chegada dos ingleses, aquela região era povoada pelos sadhus. Sadhu em sânscrito significa pessoa boa, santa, inofensiva que dedica sua vida ao estudo dos vedas, a meditação, a repetição de mantras e ao desapego das coisas materiais. Peregrinam de cidade em cidade, vivendo o momento presente, sem guardar nada para o futuro. A tradição hindu respeita o renunciante, oferecendo-lhe apoio para subsistência. Os ingleses, também respeitando o tipo de vida dos sadhus legalizaram a permanência deles na região. Hoje, Rishikesh, (região onde passa o rio Ganges) está povoada de ashrams (comunidades espiritualistas), cada um procurando divulgar a sua própria mensagem. As pessoas costumam banhar-se no rio sagrado como purificação da alma e do corpo. “O rio é a imagem de nossa própria vida”, escrevi um dia em meu diário.

O rio Ganges corre por detrás do Dayananda Ashram em Rishkesh, numa região que antigamente era uma floresta. Do outro lado do rio pode-se ver a montanha coberta de florestas onde se escondem mosteiros e praias de areia duras cobertas de pedras.

O barulho das águas vai conduzindo a mente para um estado de quietude e paz. Um yogue vestido de branco permanece estático em estado de êxtase. Os yogues buscam esse estado de união com o universo todo através da meditação, dos rituais, da entrega e do auto conhecimento. Sentir a própria vida passando como um filme, oferece-la ao Deus onipotente e onipresente era a experiência que o Ganges nos oferecia.

Nas águas do Ganges as imagens se refletiam como num espelho; observei um sadhu concentrado em suas práticas; junto um fotógrafo, máquina a tiracolo registrava a paisagem através das lentes.

As lentes do fotografo descobriam texturas nas pedras, reflexos nas águas trazendo à tona sua vivência do momento. Seu objetivo era documentar o aqui e o agora. O sadhu buscava em silencio, um mergulho no seu mundo interno. Ele abandonara a família, deixara crescer os cabelos e usava roupas exóticas. No ocidente seria taxado de doido, mas na India os Sadhus são respeitados.

Naquele momento muitos sadhus estavam concentrados na cidade de Haridwar, morando debaixo de tendas, sobre a proteção do governo, ali celebrando o festival de Kumba Mela. O fotografo não perdia as cenas : “Olha aqueles patos em cima da pedra!” Patos amarelos, com a cabeça escondida debaixo das asas, também pareciam meditar. Enquanto isso, os esquilos subiam em uma árvore bem perto de nós. Eles não se assustam com o ser humano, pois sabem por instinto que naquele lugar não se matam animais.

Do outro lado do rio, pequenas choupanas em forma de iglus , pareciam escondidas no meio das árvores. Ali viveram os Beatles acompanhando seu guru Maharish Mahesh yogue. Naquele lugar suas composições de caráter internacional, uniram-se aos sons do oriente, numa síntese oriente- ocidente através da música. À partir da experiência na India, George Harrison realizou o concerto de Bangladesh e Paul MacCartney se tornou vegetariano. John Lennon conscientizou o mundo sobre os problemas da violência e da guerra.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

VISITA AO ASHRAM DE RAMANA MAHARISHI


O ashram de Ramana Maharshi, um dos maiores mestres da Índia, foi construído aos pés da montanha de Arunachala, deixando uma área central para as salas de meditação, o templo, as celebrações e os cânticos dos Vedas. As acomodações reservadas aos hóspedes são cabanas com dois quartos, banheiro e varanda. O refeitório fica junto da área central, e quando chegamos já era hora do jantar. Comemos assentados no chão de lajota, arroz muito apimentado servido em folhas costuradas em forma de prato. Usamos a mão direita para comer, segundo antigos costumes da Índia. Ali não existiam garfos nem colheres. Do lado de fora da sala de refeições, um grupo de macacos disputava os pedaços de chapati que sobravam dos pratos. Agarravam-se às grades das janelas e ficavam esperando que sobrasse alguma coisa para eles.
As construções na Índia dão muito valor ao espaço. Há sempre jardins com árvores ladeando os templos, as escolas ou os edifícios públicos.
Recuando para um pequeno muro de pedra podíamos ver o ashram com suas palmeiras, o lago onde os indianos vinham banhar-se e os pavões coloridos, tranquilamente sentados sobre os telhados. As vacas atravessavam as ruas em passos vagarosos, e os carros paravam para deixá-las passar. “Please horn” (por favor, buzine). A buzina também fazia parte do burburinho da Índia. Dentro do ashram, pés descalços, fizemos silêncio. Esse silêncio era necessário para entrarmos em nosso espaço interno.
Os swamis passavam espontaneamente os ensinamentos de Ramana para o visitante. Levaram-me à presença de um swami de 80 anos de idade. Sentei-me em frente a um homem de pele morena e cabelos brancos. Durante uma hora ele não disse uma só palavra, mas a sua Luz irradiava Paz e Sabedoria. O silêncio ensina mais do que as palavras. Os monges trapistas cristãos fazem voto de silêncio e as carmelitas também.
Lembrei-me da mensagem de uma carmelita francesa transmitida em seu pequeno livro intitulado “Os doze graus do Silêncio”:
“A vida interior poderia constituir nesta única palavra : Silêncio”. Essa mensagem me fez refletir sobre a Unidade existente entre os monges cristãos, mergulhados na contemplação e os yogues, recolhidos em meditação. Dentro de nós há uma energia, uma Luz que independe da forma externa. Quando nos ligamos a ela, ou nos perdemos nela, saímos fora do tempo e do espaço. Ela simplesmente existe. A Paz, a Beleza e o Amor, estão dentro e fora de nós.
Ramana estimulava o auto conhecimento e dava como mantra a ser repetido a indagação:

QUEM SOU EU?

Extraído do livro “Encontro com Mestres no Oriente” de Maria Helena Andrés, Editora Luz Azul, BH, 1993

Pinceladas

Um sucesso a apresentação da Orquestra Infantil de São Brás do Suaçuí no dia 12 de Junho na matriz da cidade.
A peça infantil, Bicho de Goiaba, de autoria de Ivana Andrés, ganhou montagem nova no Paraná.
Está acontecendo a exposição sobre os Salões de Arte Contemporânea de Belo Horizonte no Museu de Arte da Pampulha. Vale a pena conferir!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PEPEDRO NOS CAMINHOS DA ÍNDIA


Para ilustrar o livro “Pepedro nos caminhos da Índia”, viajei pela Índia durante quase um ano, em companhia de Maurício, Aparecida e do meu neto Joaquim Pedro, que para ali se deslocaram motivados por uma bolsa de estudos do Maurício no Indian Institute of Managemanet de Bangalore.
Durante esse tempo percebi ao vivo, por experiência própria as diferenças e semelhanças entre as duas culturas, separadas por muitos mares. Isso me possibilitou receber com muita alegria os textos do livro “Pepedro nos Caminhos da Índia”, escrito por minha nora Aparecida. Aquele roteiro me possibilitava transformar em imagens coloridas o que estava vivendo no momento. Comecei a desenhar nas praças, nos parques, nos templos, nos teatros, muitas vezes cercada por uma multidão de crianças curiosas que ambicionavam as minhas canetas hidrográficas. E muitas vezes as canetas ficavam com as crianças.
O livro do Pepedro foi um testemunho de vida de um novo mundo que que se abria para mim. Naquela época (década de 70), em que não existiam computadores nem comunicação via internet, a Índia era um lugar distante, as cartas levavam às vezes 2 meses para chegar ao seu destino.
Mas assim mesmo era necessário escrever. Aqui vão alguns textos da época, recolhidos de cartas para a família:

“Queridos filhos:

Estamos neste hotel há 3 dias e já muita coisa se modificou. Cheguei amedrontada em Delhi, ainda com um pouco das tensões dos últimos tempos, mas agora já estou bem melhor. Preferi ficar sozinha para escrever, pintar se tiver vontade, ler e meditar. Visitamos os pontos turísticos da cidade, o Grande Forte, o Zoológico, mas resolvi também me virar sozinha. Procurei um templo lindíssimo que já visitara da outra vez. Está situado num bairro só de templos, contendo em grande harmonia e comunicação o templo Budista, Hinduísta e Islâmico. Assisti no templo central , todo de mármore e espelhos paralelos um concerto espontâneo de Ragas Hindus. Um velhinho tocava um instrumento pequeno, um som de harmônio. Quatro rapazes sentados o acompanhavam na tabla. O som das cordas e o ritmo das tablas ecoava por todo o imenso salão de mármore. Fiquei parada muito tempo escutando (aliás estou agora treinando a arte de ouvir em silêncio). Aqui na Índia, apesar do passaporte, não me considero turista, mas observadora ou peregrina, como diz o “I Ching”. Enquanto uma turma de turistas passa rápido absorvendo por golpes de olhar o que vêm, eu resolvi parar e sentir cada coisa que me atrai. Diante de uma imagem de Shiva em meditação, parei tanto tempo que nem cheguei a perceber um monge me coroando de flores amarelas. “Welcome, madam” soou nos meus ouvidos de repente. Ele se levantou, pegou um pouco de cinza e colocou no meu terceiro olho. Voltei mais animada para casa. As cinzas de Shiva me deram coragem para sair sozinha, encontrar pessoas, confiar no desconhecido.”

Pinceladas

O livro “Pepedro nos caminhos da Índia, editado pela Civilização Brasileira e reeditado pela Editora C/Arte, está percorrendo o Brasil com lançamentos em Brasília, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Entre Rios de Minas.
O presidente do IMHA Euler Andrés e sua esposa Iara acabam de chegar de Buenos Aires onde foram trocar idéias culturais com o diretor do BID Daniel Oliveira.
Kátia Santana está com exposição de pinturas na galeria de arte, no prédio da biblioteca, da PUC Coração Eucarístico.
Fomos convidados para um experimento cênico audiovisual com Luiz Sartori do Vale, Sanna Vellava e André Mintz, no dia 10 de Junho às 20:30h no Vale do Sol.
Circuito Colecionador é o livro de Delcir e Regina Costa, a ser lançado no dia 10 de junho de 2009 no museu Inimá de Paula, rua da Bahia, 1201

segunda-feira, 1 de junho de 2009

TAJ MAHAL




Um guia à frente indicava o caminho, contando fatos históricos, mas eu preferia observar sozinha o trabalho do mármore. Parece incrível que mãos humanas tenham esculpido e vazado a pedra dura, até formá-la numa janela de renda! Enxerga-se por entre as frestas, a paisagem, lá fora, os jardins e lagos que circundam o prédio.

Estávamos no Taj Mahal, uma das maravilhas do mundo. O Taj Mahal é um grande mausoléu em mármore branco, construído pelo imperador Shah Jahan em homenagem à sua amada esposa Muntaz Mahal, falecida em 1630.

De repente um som estranho, cristalino encheu o recinto. Parecia o coro de muitas vozes, mas era a voz de um indiano magro, que entoava o canto sagrado dos hindus. A grande torre circular parecia captar o som e devolve-lo em forma de eco, e o mantra OM, subia em espiral como uma revoada de pássaros e trombetas tocando. Meus ouvidos continuaram escutando por muito tempo esse canto estranho e suas vibrações se expandiam através das janelas de mármore rendado. OM é a palavra sagrada dos yogues, e segundo acreditam, tem repercussão cósmica. Entoado dentro do Taj Mahal, ele ressoava com a força de uma orquestra misteriosa, cujos acordes se perdiam no infinito. A música, de todas as artes, é realmente a que mais emociona. Atinge imediatamente a alma, provocando adesão instantânea. Sua comunicação é rápida: sensibiliza e conduz à ação. Desperta no homem o sentimento de amor ou de violência, de serenidade ou agressividade, de pureza ou erotismo. Ela dá impulso e faz mover o mundo. A intensidade mística do OM, rompendo o silêncio do Taj Mahal, puseram-me imediatamente em contato com a espiritualidade dos yogues. Neste momento, percebo claramente o papel da arte como purificadora da humanidade que se massifica. A música é a forma de expressar a saudade que temos do absoluto. Ela nos eleva a um plano superior, além das coisas criadas, iluminando-nos com a pureza dos santos e a alegria das crianças. Devolve-nos o sentimento de Amor Universal, integrando-nos ao mundo e ao cosmos.

Pinceladas

A historiadora Marília Andrés Ribeiro, apresentará em Campinas um trabalho sobre a situação das Neo Vanguardas Brasileiras, em um colóquio sobre Modernidade que vai acontecer na UNICAMP, entre 3 e 5 de Junho.
O grupo UAKTI acaba de chegar de São Paulo, tendo se apresentado com o sucesso de sempre no SESC da Vila Mariana.
O escritor José Saramago tem um blog na internet para que seus artigos possam ser lidos à distância.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Encontro com Mestres no Oriente


Oriente - uma visão cósmica

Uma das características mais pronunciadas da civilização oriental é a busca de uma realidade Interior, de um plano espiritual de vida que reúne todas as coisas numa Totalidade.
O oriental procura através da religião, da filosofia ou da arte, a integração do homem à natureza e ao cosmos, buscando encontrar além do tempo e do espaço o valor intrínseco das coisas. Para isto serve-se de guias, mestres e filósofos. Alguns renunciam à vida familiar, recolhendo-se às comunidades espiritualistas ou ashrams. Outros aproximam-se da natureza, buscando no silêncio das florestas ou no interior de grutas afastadas a resposta para suas indagações. Há também aqueles que se aperfeiçoam como chefes de família, transmitindo aos filhos os ensinamentos dos mestres.
Buscam o encontro com o Ser Interno através da meditação e do auto-conhecimento. Essa realidade interna quando reconhecida liberta a mente das inquietações provocadas pela agitação do mundo. A tranqüilidade mental, visada por toda a filosofia do Oriente, não conduz à apatia, mas à serenidade do homem superior.



*

O homem realmente integrado é aquele que se liberta não somente do conforto material, mas também da ambição, egoísmo, inveja, ciúme e todos os impulsos negativos que encobrem a Realidade Interna. Para nós, ocidentais, acostumados ao progresso material, à concorrência e à competição, essa atitude nos parece estranha e profundamente apática. No entanto, ela nos desperta para outros aspectos da vida e nos mostra o caminho aberto a um progresso necessário ao equilíbrio do homem do século XXI: o progresso espiritual e a redescoberta da nossa origem Divina.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Homenagem à Maria Ângela Magalhães


Maria Ângela Magalhães foi uma grande amiga que tive a felicidade de conhecer em vida.

Éramos primas duas vezes e tínhamos grande afinidade não só na arte, como na maneira de pensar.

Na década de 60,experimentamos pela primeira vez uma parceria na arte,eu desenhava pequenos projetos em pastel e ela,com sua equipe,executava a tapeçaria.

Trabalhamos juntas durante muito tempo.Ângela tinha uma sensibilidade extraordinária para transportar para o bordado o que eu desenhava no papel.

As cores ganhavam formas, matizes, relevos, tudo isto realizado por bordadeiras eficientes,algumas tendo de se deslocar de Niterói até o Rio.

As três tapeçarias da Igreja de Nossa Senhora de Copacabana atravessaram a Baia de Guanabara várias vezes.

Ângela marcava os pontos, tingia as lãs, ensinava os matizes e nuances.

Trabalhar com Ângela foi para mim uma experiência rara. Além de sermos muito amigas tínhamos também uma comunicação através de sensibilidades semelhantes.

Ângela respondia positivamente ao que eu estava necessitando no momento exato. As tapeçarias de N.Senhora de Copacabana mobilizaram a minha primeira grande viagem à Índia.

Eu havia perdido o meu marido e buscava obter recursos através do meu trabalho para me ausentar do país. Foi quando recebi um telefonema de Ângela: “Helena, o cardeal não concordou com o fato de você doar gratuitamente o seu trabalho. O cheque destinado à você dá para pagar a sua viagem ao oriente...”

Agradeço ao cardeal, à Ângela e às bordadeiras esta oportunidade de realizar outros trabalhos do outro lado do mundo. Foi nesta viagem que desenhei o livro “Pepedro nos caminhos da Índia”.

domingo, 10 de maio de 2009

Maria Ângela Magalhães

As luas, os mastros, os mistérios,
as velas que pretendem voar!
E, no entanto, prendê-las à terra.
Amarrá-las ao concreto e limitado da lã.
O desenho não nasceu somente para ser tapête.
Houve que surpreendê-lo,
mostrando-lhes possibilidades
ocultas.
E, nisto a busca apaixonada
da verdade, de cada forma,
de cada côr,
de cada desejo.
Percorremos, meses a fio,
a larga estrada
que nos levou da ambição
do que nos propusemos,
ao que, realmente, conseguimos.
Dar ao desenho de Maria Helena Andrés,
outra face,
numa outra matéria.

Maria Ângela Magalhães (Texto para uma exposição de Tapeçaria, na Galeria Guignard, Belo Horizonte, década de 60).

terça-feira, 28 de abril de 2009

INAUGURAÇÃO DO ACERVO DE GUIGNARD

ESCOLA GUIGNARD MANGABEIRAS

ESCOLA DE BELAS ARTES NO PARQUE MUNICIPAL - BH (1944)




A escola de Belas Artes Guignard, situada no bairro Mangabeiras, aos pés da Serra do Curral, tomou no momento um visual majestoso: escadarias, salões, salas envidraçadas e um imenso pátio onde os jovens se encontram e trocam idéias.
Adequada à contemporaneidade, a escola continua a ser ponto de encontro de ações criativas.
Dia 14 de abril foi inaugurado o acervo de papéis antigos do mestre Guignard: cartas, documentos oficiais, rascunhos de aula, desenhos e fotos da época.
Este acervo afetivo – cultural está sendo colocado à mostra no grande Salão de Exposições da escola.
Alguns ex-alunos foram convidados a prestarem depoimentos. Éramos sete convidados, cada um representando a sua época, mas unidos pelo mesmo fio condutor que impulsionou o ensino de arte em Minas. Naquela ocasião (década de 40), a escola foi considerada pelo grande artista Portinari como a melhor escola do Brasil.
Foi emocionante a espontaneidade dos depoimentos. Quando um de nós terminava a sua fala, o outro dava continuidade, focalizando novos aspectos. Lembramos o passado cheio de lutas e quase sufocado pela falta de recursos econômicos (em 1965 a escola esteve a beira de ser fechada, mas os ex alunos imediatamente se prontificaram a trabalhar de graça até que a escola se estruturasse), todos tínhamos à frente como bandeira a chama de entusiasmo iniciada por Guignard.

Observou-se que cada aluno ali presente seguira o seu próprio caminho, sem se prender ao estilo do mestre. Isso veio testemunhar o respeito que Guignard tinha pela individualidade e expressão artística de seus alunos.
Testemunhamos a ênfase dada pelo mestre ao desenho como fundamento de todas as artes plásticas. Conquistava-se a disciplina no desenho de observação feito com lápis duro, e a liberdade nos croquis rápidos, que buscavam a essência do movimento e da forma.
Esses dois fatores contribuíram para o nosso desenvolvimento nos caminhos da arte.
Considero de grande importância esse encontro de gerações, pois é através do depoimento das gerações anteriores que se pode compreender o caminho percorrido e o seu resultado no presente.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Alexandre Andrés e Danilo Caymmi (presidente do juri)


O Despertar dos Sons

Alexandre, meu neto, é compositor e a música brota para ele como água de fonte, muito límpida, pura.
Assisti a um despertar de sons. O jovem músico faz vibrar o violão e de seus dedos vão surgindo os primeiros acordes.
O processo é semelhante ao do pintor que se encontra diante de uma tela vazia.
Para Alexandre, o violão realiza o encontro dos sons que vão surgindo espontâneos, sem interferência da mente, com a sua própria voz, cantando sem palavras, sem objetivos determinados ou títulos, apenas cantarolando.
O canto se une ao som do violão, e a nova música vai surgindo, como uma viagem por um mar desconhecido.
A fonte da criatividade é uma só, e para alcançá-la é importante se despojar dos conceitos. Deixar fluir em 1º lugar a emoção criadora, sem bloqueios, seguindo uma ordem interna, para depois direcioná-la para uma ordem externa – primeiro a intuição, depois o raciocínio.
A intuição vem do vazio, esse vazio é necessário, e também o silêncio em torno. Algumas vezes a intuição criadora surge no meio do barulho, da confusão, o que é necessário é o vazio interno, um despojamento do excesso de informações.
“Vó sempre começo da melodia, hoje comecei da harmonia”.
Deixei-o sozinho na sala e ele ficou, pela noite adentro, compondo uma nova música. A base já estava pronta, faltavam detalhes, colocação de outros instrumentos: flauta, piano, percussão...
O letrista é convocado para dar a palavra certa para cada nota.
Outros músicos são chamados, alguns jovens como Alexandre outros companheiros de Artur, seu pai.
A idéia inicial continua viva, mas se enriquece com novas idéias, cuja finalidade é ampliar o campo auditivo.
Dentro deste ambiente harmonioso onde a colaboração constituía um fator primordial, nasceu o CD que foi lançado em outubro de 2008 em Belo Horizonte.
O título do CD, “Águaluz”, é poético e trás a energia positiva de sua relação com planos superiores.
Música brasileira, nascida da Terra, mas sempre mantendo o seu caráter universal e transcendente.
É música para se escutar e sentir seus benefícios no próprio corpo.
Música que ultrapassa as fronteiras do conhecido, para mergulhar num universo que só pode ser atingido quando nos despojamos das coisas supérfluas buscando nossa própria essência.
A carreira musical de Alexandre já se inicia com um extraordinário sucesso. Em 19 de abril passado, ele recebeu dois primeiros prêmios do BDMG-Instrumental, como melhor compositor e melhor arranjador. O concurso ocorreu no Teatro do Sesiminas onde o jovem e talentoso músico, de apenas 19 anos, apresentou suas composições de altíssima qualidade tendo sido aplaudido de pé pela platéia que lotava aquele teatro.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Domingo de Pascoa no Retiro


Um dos recantos mais bonitos do Condomínio Retiro das Pedras é o caminho que conduz à capela. Ali, costumo fazer minhas caminhadas. Enquanto ando, vou também percebendo a paisagem das montanhas se estendendo a perder de vista. As pedras parecem esculturas rebuscadas, buriladas pelos ventos. Existem há milênios e nos contam histórias de um passado longínquo, de índios gurreiros e animais silvestres. A Serra da Calçada está sendo considerada patrimônio da Unesco, com animais e plantas raras, algumas ainda não estudadas pelos pesquisadores. Nesse ambiente de paz e poesia sentimos profundamente a nossa unidade com a natureza. Ali foi realizada uma comemoração coletiva da comunidade no domingo de Páscoa. As cidades históricas de Minas têm a tradição de, durante os festejos da Semana Santa reunir a população para a realização de um trabalho coletivo de Artechão.

Aqui, no Retiro das Pedras, seguindo a tradição mineira, jovens, adultos e crianças participaram voluntariamente da criação de um grande tapete confeccionado com serragem colorida, por onde passaria o círio pascal. Todo o processo criativo foi acompanhado por música, unindo a energia dos sons às cores daquela "Artechão". Essa primeira iniciativa da nova gestão, foi impulsionada por um entusiasmo que vem trazer luz para este espaço abençoado. Entusiasmo significa "Deus dentro" e temos certeza de que foi conduzida por uma forte energia espiritual.






quarta-feira, 1 de abril de 2009

ateliê "retiro das pedras"



Procuro a forma mais simples dentro do gestual.

O Caminho




Comecei a estudar pintura muito cedo, ainda adolescente. Desenhava retratos e caricaturas de meus familiares, nas festas de aniversário. Uma irmã do Colégio Sacre Coeur de Marie chamou um dia meus pais e recomendou: “Esta menina precisa estudar pintura”. Entrei para o curso de Carlos Chambelland, no Rio, onde tive uma formação acadêmica, copiando modelos de gessos e modelos vivos. Em 1944, Quando Alberto da Veiga Guignard foi convidado pelo então prefeito Juscelino Kubitscheck para liderar a Escola do Parque Municipal em Belo Horizonte, fui uma das primeiras a me inscrever no curso.
Guignard significou para mim a abertura para o novo, o despertar da minha energia de criatividade. Precisava largar a iniciação acadêmica e partir em busca de maior liberdade dentro da arte. Encontrei-a no convívio com os colegas, no ambiente do Parque Municipal, na poesia da natureza. Guignard abria a percepção e a sensibilidade dos alunos mostrando anjos e guerreiros nos muros velhos, mandalas nas águas do lago, e as formas abstratas que se formavam nas nuvens. “Reparem os céus de Minas Gerais, são de um azul metálico, brilhante...” Assim íamos seguindo o mestre e nos desenvolvemos à luz do seu entusiasmo. Abrir a percepção, descobrir a peculiaridade de cada aluno era seu lema constante. Guignard tinha como assistente Edith Bhering, sua ex-aluna, vinda do Rio. Entre os colegas que participaram desta primeira turma, estavam artistas hoje conceituados na arte brasileira, tais como, Mário Silésio, Amílcar de Castro, Solange Botelho, Marília Gianetti, Mary Vieira, Holmes Neves, Chanina, Wilde Lacerda, Nelly Frade, Ione Fonseca e Célia Laborne (hoje conhecida como jornalista). Permaneci na Escola Guignard somente três anos. Em 1947, casei-me com o médico Dr. Luiz Andrés Ribeiro de Oliveira, e apesar de ter uma vida de dona de casa e mãe de seis filhos, nunca parei de me dedicar a arte. Enquanto meu marido estudava e fazia concursos, constituindo a sua carreira como médico, eu elaborava também a minha como artista plástica.