segunda-feira, 15 de outubro de 2018


ARTE NA CONTRA CULTURA I


Em 2003 publiquei o artigo abaixo no jornal “O Estado de Minas”, seção “Pensar”.

Uma exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, acenava com um grande cartaz: “Fluxus”. Caminhei despreocupada em sua direção, sem ter programado com antecedência. À porta, comprei uma camisa com uma enorme seta e a legenda “Fluxus”. Afinal, pensei, já vestida com a camisa, o que será “Fluxus”? Lá dentro, meninas vestidas de preto com botas alaranjadas conduziam grupos, explicando o significado das obras. “Então, qualquer um de nós pode ser artista?”, indagou uma senhora, entusiasmada com a ideia.

Acompanhei com curiosidade os debates, sem me apresentar. Aquelas ideias me tocavam de perto, lembravam meu próprio posicionamento sobre a comercialização da arte, os happenings dos anos 60, os domingos de criação que possibilitavam a todos a oportunidade de criar. Aos poucos fui me sintonizando com as ideias do grupo, refletindo sobre o que já havia escrito na década de 70 no meu livro “Os Caminhos da Arte”:

“Quadros não são feitos para combinar com tapetes e cortinas, nem para ser colocados como títulos na bolsa de valores do mercado de arte. A preocupação comercial leva o artista a concessões imperdoáveis, que o fazem esquecer a razão de ser da arte como força vital da civilização, para colocá-la no plano da especulação comercial. O valor de um trabalho artístico, suas qualidades expressivas, não se limita a números e cifrões, mas alcança lugar que lhe assegura realmente a permanência no tempo e sua equiparação com as demais artes.

Assim como a música e a poesia, também o quadro que vemos numa exposição contém toda uma vida de lutas e experiências. Não se podem separar as inquietações da alma humana, seus momentos de sofrimento ou alegria, de violência ou de paz, de revolta ou de submissão, daquela forma que espontânea e diretamente lhe sai das mãos.

A Arte é a mais pura manifestação da liberdade, hoje tão limitada à mecanicidade do mundo moderno. Toda e qualquer forma de imposição, ao atingir o domínio da arte, impede-lhe o progresso e a conduz à mediocridade. O sentido de liberdade é expresso com grande veemência por meio da arte, porque ela se fundamenta e nasce num clima no qual a opressão não tem lugar. Pode-se proibir o homem de falar, mas nunca de sentir. A arte é a expressão do sentimento humano, desse sentimento tantas vezes bloqueado por slogans e rótulos, mas que desperta quando se desenvolve a capacidade de inventar, de renovar, de contatar a essência do próprio ser. O verdadeiro humanismo brota das mãos dos artistas e da alma dos poetas, dos cineastas, dos escritores, dos músicos, que proclamam espontaneamente a compreensão entre os povos. O humanismo autêntico tem suas raízes no sentimento, e não na razão.”

No Brasil, o artista pernambucano Paulo Brusky, integra o movimento “Fluxus” com suas instalações e performances de contracultura.

*Fotos da internet

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terça-feira, 9 de outubro de 2018


AS PEDRAS DE VIRGINIA WOOLF


Recebi de Ivana Andrés o texto abaixo, sobre o espetáculo “As pedras de Virgínia Woolf”, encenado no Teatro da Cidade, integrando o Festival de Teatro Mínimo. Nesta peça, Ivana faz o papel da própria Virgínia.

 A complexidade e riqueza da vida e da obra de Virgínia Woolf possibilita a escolha de  diferentes caminhos, conduzidos por diferentes motivações. Após a leitura de alguns livros da autora e também sobre ela, (inclusive roteiros cinematográficos), é possível apresentar algumas motivações ligadas à questões essenciais de qualquer ser humano. Questões que acontecem em qualquer época e lugar. Semelhanças ou coincidências?
Um espetáculo teatral, seguido de debates e vivências motivadoras sobre o tema do feminismo, da diversidade de gênero, do amor pela literatura,  do sofrimento infligido às pessoas pela guerra e pelo fascismo e também sobre a morte por escolha própria, o suicídio. E o renascimento, como pessoas ou personagens de um livro ainda por ser escrito.

Um encontro imaginário de Virgínia Woolf com Leonard Woolf, seu marido  e com personagens de suas obras, no fundo de um rio, onde a escritora se afogou, usando pedras nos bolsos do casaco.  As pedras, na concepção deste espetáculo são seus próprios livros, que revolucionaram a escrita de sua época, a primeira metade do século XX. Personagens de alguns de seus livros deveriam aparecer como elementos materializados de sua própria consciência, criarem vida própria e questionarem a sua própria existência, a razão de terem sido criados pela autora. Virgínia deveria lhes responder revelando sua própria vida, suas angústias, revoltas e anseios e de como o seu trabalho era a forma quase exclusiva de superação. Mas isso não acontece. É mais importante levantar outras questões e envolver a platéia, as pessoas que vivem agora, com os atores, as atrizes, com a realidade que espera por todos nós lá fora. E isto quem faz é o diretor. Não há tempo para descrever, contar histórias, distrair a atenção para o mais importante: a volta da direita em âmbito mundial. E os personagens, líricos, apaixonados, voltam para seus livros, para serem abertos, quem sabe, pelo espectador, curioso em desvendar suas histórias?

Resta a sua vida, real, vivida com personagens reais, pessoas físicas, encarnadas em Leonard Woolf, seu marido. E o encontro acontece também no fundo do rio. Existe a vida pessoal de ambos, as depressões de Virgínia, os surtos. Existe nela a revolta contra o machismo e o patriarcado, e seu amor pelas mulheres. E existe a descoberta de si mesma como ser andrógino, homem e mulher ao mesmo tempo. É o feminismo metafísico, quando a mente é fertilizada e usa todas as suas possibilidades.
Juntos relembram os tempos de juventude, a criação do Grupo dos Bloomsbery, que marcou presença na Cultura Inglesa do início do século XX, estendendo-se por décadas e criando uma nova estética e uma nova ética. É  a revolução dos costumes, reação à moral vitoriana, que encontraria seu apogeu nos anos 60, com a revolução Hippie.

 Virginia revela seu amor pela literatura e sua frustração por não ter mais um público que lhe dava alimento para o trabalho e razão de ser para sua existência. E ambos “morrem” novamente, para imediatamente renascerem como outras pessoas e outros personagens, duas meninas com traços de outras existências, mas com uma imensa vontade de compreenderem juntas a  razão e sentido da vida humana, com esperança de reescreverem  suas próprias vidas.

Todos os personagens de seus livros e o próprio Leonard são interpretados por uma única atriz, Vânia Campos, que faz tanto papéis femininos quanto  masculinos.
A concepção cenográfica revela um lugar escuro invadido por uma enchente. Tanto pode ser o fundo de um rio, quanto o “umbral”, lugar sombrio descrito pelos espíritas, como aquele conduzido pela consciência dos suicidas. Lá Virgínia lê a conhecida carta de despedida dirigida a Leonard, deixada por ela, enquanto é descrito um trecho do livro “Orlando” sobre um degelo ou enchente. Sobre uma catástrofe, imagem simbólica da sua própria tragédia.

*Fotos de Kátia Assis

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

terça-feira, 2 de outubro de 2018





FASE ESPACIAL I

Em 1969, por ocasião de uma exposição realizada em Belo Horizonte, solicitei ao poeta e diretor da Imprensa Oficial, Paulo Campos Guimarães, um texto para o catálogo, que transcrevo abaixo.

 “O melhor retrato do artista é a sua obra, porque nela se surpreende uma fisionomia moral. Por isso é que qualquer obra de arte, além de ser o testemunho da capacidade puramente intelectual do artista, é, sobretudo, a projeção de sua personalidade. Daí o acerto de Tolstoi, quando define a arte como a emoção relembrada. Nela corre o rio da comunicação estética de uma vivência.

         Maria Helena Andrés, na sua pintura de fuga à realidade bruta do mundo, procurando a estrela polar da paz, aparece de corpo moral inteiro, mostrando sua extraordinária vocação artística, com a graça divina do chamamento para esse recanto do mundo.

         Sua pintura é ela própria, nas suas concepções, na sensibilidade, no apurado sentimento de humanidade, na eterna fuga das coisas sem alma e dos fantasmas de toda espécie que povoam o profundo deserto da vida.

         A afirmação de sua forte personalidade e a impressionante unidade de sua obra artística emergem das cores vivas, mas transparentes, dos traços negros e incisivos, mas metálicos, de seus quadros. É que a realidade, circunscrita ao mundo material, não lhe basta. Ela, nas cores transparentes, quer ver além dos objetos e dos corpos. Nos traços metálicos, pretende iluminar essas realidades, com o brilho do espírito e da sensibilidade.

         Ainda, como Tolstoi, sua luta no campo da pintura é um romance de poesia no clima da guerra e da paz. Os capítulos épicos de seu ideário artístico são as próprias fases do seu trabalho criador. Começou pela figurativa, em que se aproxima de Guignard, distanciando-se da agressividade das coisas, através de retratos e paisagens do Parque. A angústia da artista dentro do mundo criou-lhe a revolta, na fase de deformação da figura humana. A guerra contra o lado mau do homem levou-a ao inevitável do abstracionismo, mas em atmosfera da busca desesperada de paz, na fase geométrica, pela pintura de cidades iluminadas, vistas de longe, e, na fase dos barcos, pelos quadros de viagem para o mar. O oceano, no entanto, não lhe deu a necessária tranqüilidade, que a artista só encontra na realização do seu sentimento do mundo. Nasceu, então, a rebelião do anjo da arte, traduzida nos quadros de guerra, definindo sua repulsa à destruição, porque, para ela, a civilização é a vitória da humanidade sobre a animalidade. A pintura de guerra feriu de tal forma a sua delicada sensibilidade que procurou refugiar-se na história, criando o misticismo das madonas barrocas, que parecem santas, com a conquista, pelo menos, da paz no passado. Esgotados os recursos da artista, na aventurosa pintura de guerra e paz, partiu para o quixotismo espacial. Não encontrando repouso na terra, habita hoje o mundo interplanetário, levando, em busca de paz, para longe da guerra permanente, os homens e as mulheres, na “Viagem Interplanetária”, o teatro, no “Espaço Azul”, o cinema, na “Projeção Espacial”, o navio, na “Barca Espacial”, e o avião, na “Nave Espacial”.

         Sua ansiedade diante do mundo adverso fez com que ela retratasse até a travessia da barreira do som. A luta que empreende na arte confunde-se, portanto, com a própria luta pela poesia do caráter. A artista Maria Helena Andrés tem, assim, o seu destino de luta na expressão da emoção e da comunicação da beleza muito parecido com o movimento angustioso da flor que nasce entre pedras.”

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 25 de setembro de 2018


CRÍTICAS DA DÉCADA DE 60 IV


Nesta postagem, dou continuidade às críticas sobre a minha obra, da década de 60.

MADONAS

Esta exposição de Maria Helena Andrés deve ser encarada como uma face de sua arte e, não, como uma fase. Os trabalhos apresentados deixam transparecer a mesma identidade de impulso criador que originou a temática dos barcos veleiros, da guerra e das máquinas. Tratamento e tema variam, mas a dinâmica do traço ( e, por extensão, a dos tons e das cores) alimenta-se da mesma seiva de inconformismo às fórmulas mágicas, de incessante pesquisa no terreno da abstração ordenadora.
         Seria fácil dizer-se que Maria Helena Andrés encontra-se na fase das madonas. Há, mesmo, uma tentação nesse sentido, que seria o de ruptura. Acontece, porém, que os trabalhos imediatamente anteriores da artista - veleiros, guerra, máquinas - ligam-se aos atuais pelo mesmo processo de ordenação e simplificação do campo do visível e do intuitível. Variam, sim, o tratamento, os materiais e os temas. Prossegue, entretanto, o sentido da linha na procura de uma expressão cada vez mais enriquecida.
         Nesta face, ganha relevo o fato de que existe em cada quadro um núcleo figurativo audaz. Em torno dele, as linhas se desenvolvem no sentido de compor uma atmosfera própria, um clima barroco. E não apenas as linhas, mas também os tons, as cores (e a luz) funcionam nessa direção, formando tudo uma unidade cerrada causadora de uma só e forte impressão formal.
         Cada quadro desta exposição, por força até das raízes comuns àquilo que seria a fase mais longa, cumpre com maestria uma função orgânica no sentido estético. Elementos claramente distintos uns dos outros, todos necessários, se conjugam para uma conclusão de referências e de nexos de grande valor plástico.
         É de se ressaltar ainda nesta face de Maria Helena Andrés um de seus detalhes técnicos transbordante de espírito barroco. É o da repetição dos elementos gráficos, também chamado recorrência. O alinhamento repetitivo, a partir centro nucleado, conduz a um resultado muito eficaz, dando significado ao que, de outro modo, não a teria. Os artistas mineiros do século XVII sentiram, ou intuíram, as possibilidades da conjugação dos elementos soltos, isolados para o resultado de uma impressão global. Maria Helena Andrés retoma a experiência em plano atualizado, recriando-a em sua essencialidade. Funde, assim, sentido de tempo a algo que permaneceria restrito a sentido de espaço. E alcança a unidade não procurada na variedade que soube alcançar pelo talento e pelo exercício.”

         José Guimarães Alves
         Catálogo da exposição realizada na Galeria Grupiara, Belo Horizonte, agosto de 1966


  “(...)o barroco se caracteriza pelo claro/escuro, e não por um contraste radical entre as cores. Esse clima da nuância, do matiz, portanto, entre na poesia de Drummond, na arte de Maria Helena Andrés, de Sara Ávila, e tantos outros, onde percebemos um elemento de ambigüidade que é francamente barroco. Ainda mais, depois que Guignard colocou atmosfera nas nossas cores, e este atmosferizar dá um sentido de penumbra, de nuância e de matiz, que está em todos os artistas que herdaram do barroco, via Alberto da Veiga Guignard.”

         Moacyr Laterza
         Trecho da entrevista dada a Carlos Herculano Lopes. Estado de Minas, Belo Horizonte, 21 de setembro de 1997.

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018


CRÍTICAS DA DÉCADA DE 60 III


FASE DE GUERRA

            “Na sutileza das transparências, no exagero da sensibilidade, na leveza dos tons, as emoções relembradas por Maria Helena, seja nos óleos ou nas aguadas, são apenas do lado bom da vida. Mesmo quando sua temática se voltou para os aspectos da guerra, motivada por uma época trágica, a artista sempre deixou evidente em seus quadros, ao lado das formas destruídas aparentemente, a impressão de beleza e o desejo de paz na comunicação da arte.”

            Mari’Stella Tristão, Estado de Minas - 1970

  “Ao dinamismo bastante espontâneo e lírico dos desenhos e pinturas anteriores, quase todos com reminiscências de barcos, e velas, sucede agora por necessidade de complementação, a fase em que o espontâneo é controlado pelos elementos da colagem. Os recortes figurativos de rodas, estruturas, máquinas, engrenagens, são entrosadas à composição inicial estruturando a um modo mais firme e violento. Não houve um salto de uma fase para outra, mas a continuação de pesquisas anteriores em que acrescentou a colagem. Os trabalhos atuais lembram o movimento da vida moderna, o dinamismo do mundo em que vivemos e do homem profundamente ligado à máquina.”

            Jayme Maurício. Correio da Manhã, 1965.

  “Há uma forma que se pode dizer constante na obra de Maria Helena: os barcos. Os barcos, sugeridos muitas vezes por entre formas abstratas e nos quadros dados como informais, podem levar-nos a uma série de interpretações. Maria Helena admite uma necessidade de viagem, de descobrir novos mundos, que ela sempre alimentou. Há uma longa fase de sua pintura em que os barcos, navios, se tornaram bastante visíveis. Depois, por volta de 1964, ela passou a figurar máquinas voadoras hoje cristalizadas numa pintura que se pode chamar de “figuração científica”, pois refletem a preocupação da artista pelos últimos acontecimentos da “era espacial”: os cosmonautas chegando à lua. Toda esta pintura reflete um temperamento sonhador, talvez um tanto romântico, com projeção de estados oníricos. Mas houve uma fase dramática em que a artista, consciente de seu tempo, documenta a guerra com muitas de suas implicações. Esta pintura se torna mais dramática porque, junto a formas abstratas, ela usou de colagens realistas, marcando fortemente esta atmosfera de caos e tragédia em que vivemos.

            Márcio Sampaio
            Maria Helena Andrés: Arte vivida dia a dia”, Revista Minas Gerais - Ano 1, nº 1, Belo Horizonte, março/abril de 1969

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018


O PODER DA MÚSICA


Por ocasião do Encontro entre Culturas Brasil- Índia, na inauguração da Casa do Butão, foi lido o texto abaixo de minha autoria, que focaliza a música, os sons da natureza e a busca da harmonia do ser humano por meio da harmonia dos sons.

Se observarmos com atenção, verificaremos que a música se manifesta em tudo aquilo que tem vida: no sopro do vento, no som do mar, no estrondo do trovão, no canto dos pássaros, no zumbido dos insetos. Toda a natureza é música constante. Fazemos parte também dessa grande orquestra universal. Nos momentos de silêncio, quando escutamos as pulsações do nosso corpo, começamos a observar que elas fazem coro com as pulsações da natureza. Nossa respiração é ritmo e harmoniza-se com as batidas do coração, pulso e cabeça. Diante de nós a natureza está pulsando em som ritmado. Todo o espaço está cheio de sons.

Podemos ver nas diversas religiões, a busca da harmonia do ser humano por meio da harmonia dos sons. Na Bíblia, David conseguiu amenizar com uma harpa a cólera do rei Saul. Ao som de uma lira, Pitágoras transmutava as vibrações dos seus discípulos. Na mitologia grega, os primeiros grandes músicos foram os deuses. Apolo, deus da Beleza e da Arte, é conhecido como o músico que, ao tocar a lira, encantava os deuses do Olimpo. Pã inventou a flauta de cana e ao som de sua música se irmanava com os pássaros e com toda a natureza.

Entre os mortais descendentes dos deuses gregos destacava-se Orfeu, que, sob a magia de sua música, fazia mover os rochedos, os montes e o curso dos rios.
Na Índia, a mitologia não significa apenas uma lembrança do passado, mas está viva no cotidiano das pessoas.  A figura de Krishna, deus do Amor, tocando sua flauta, atrai as Gopis (jovens camponesas). A atração delas por Krishna simboliza a aspiração humana de união com o Criador.

A tradição hinduísta dá ao mantra, ou som místico, um significado profundo dentro de sua religião. Trata-se de um recurso para o yogue atingir o som inaudível e não manifesto. Por meio do som ele busca alcançar a Realidade Última. De acordo com o Yoga, cada objeto tem um som natural, que pode ser captado, modificado e sintonizado com a música universal. Para os Sufis, “aquele que conhece o mistério do som sabe o mistério de todo universo”.

Nós não conseguimos ouvir o som abstrato que nos circunda e envolve, porque estamos com a consciência centralizada em nós mesmos, em nossos problemas e na vida material. Mas, segundo eles, aquele que tiver a capacidade de sintonizar-se com esse som conhecerá o presente, o passado e o futuro.

Também os cristãos referem-se de modo semelhante a essa música interior. Sertillanges, um dos maiores pensadores católicos, refere-se à interpenetração entre essa música interna e todo o universo, mostrando-nos como a harmonia das esferas, da qual falavam os antigos, corresponde a uma vibração de almas que cada um de nós escutaria se descesse profundamente dentro de si mesmo. Dela participam bons e maus, grandes e pequenos, poderosos e humildes. Ninguém estaria excluído desse conjunto, que visa a unidade na multiplicidade.

*Fotos de Maurício Andrés

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terça-feira, 4 de setembro de 2018


TEXTOS CRÍTICOS DA DÉCADA DE 60 II


Dando continuidade aos textos críticos da década de 60, transcrevo,dentre outros autores, textos em inglês, escritos por ocasião de exposição nos EUA.

“Miss Andres’ pastels in the ground floor lounge are beautifully executed abstractions, dynamic arrangements of many diaphonous strokes (as if done with the side of the chalk) reinforced with heavier areas of similar shapes of considerable variety, most of the paintings in black, white and grays, deep blue and a few other colors. In strong contrast with their light backgrounds, these compositions in some instances suggest sailing vessels in full rig”

Os pastéis de Maria Helena Andrés são abstrações magnificamente executados, arranjos dinâmicos de traços diáfanos, com áreas mais fortes, em considerável variedade de valores, a maioria dos trabalhos em preto, branco, cinza e azul profundo. Fazendo contraste com o fundo claro, suas composições sugerem navios a vela em grande velocidade.”

         Florence S. Berryman
         The Sunday Star, Washington D.C., U.S.A., April 2, 1961


         “There is a quasi-explosive quality to Andrés works dominated by swirling, fleeting rhythmic units that pervade all he abstractions. The nonrepresentational movements result in a symphony which, less structural than Tintoretto or Rubens, results in a creative charm in the variety and activity of her color and linear effects. The manner of application of color, by which a minimum of pigment yields a maximum of color effect, is a triumph as an economy of means.
         In her sense for compositional relation of masses, both in two and three dimensional treatment, Andrés ranks high as an artist. Her light is well used to diversify her designs with modelling and space relations subdued and at times eliminated entirely emphasize the decorative aspects of her drawings. Line and color are used with such a degree of sensitivity that she renders and emotional impact upon the observer.”

         P. Matticole
         Written during the exibition of the artist on Pan American Union, Washington D.C., U.S.A., March 1961


         “Suas composições nos apresenta uma clara, nítida canção gráfica, delicadamente recamada em tonalidades suaves. Além da constante negra, os azuis, os terras, até brancos, intervêm nos desdobramentos de seu lirismo informal, em que encontramos, permanentemente, uma nucleação, ainda quando esta pareça fragmentada. Há uma determinada fragilidade que apreciaríamos ver compensada por qualquer elemento, nesses vôos espaciais de folhas quebradas, de hastes, de enrocamentos, levemente indicados, de cristais partidos, de murmurações de ramas de sonho. Há uma grande unidade conceptiva e de execução na arte do desenho de Maria Helena”

         José Geraldo Vieira
         “Tendências diversas em três desenhistas”, Estado de São Paulo, São Paulo, abril de 1962

        
“Já sua pintura se encontra enriquecida pela notável sensibilidade para as cores: são elas, em seu clima geral, em suas muitíssimas nuances, que evocam as atmosferas sugeridas pelos títulos, certamente colocados a posteriori..”

         Olívio Tavares de Araújo
         “Forma e Cor: Maria Helena Andrés”. Texto escrito por ocasião da exposição realizada na Galeria Grupiara, BH. Estado de Minas, Belo Horizonte, outubro de 1963.         

        
“Nos anos 50 sua obra aproxima-se do Concretismo, mas é na década de 60 que ela realmente assume a liberdade introspectiva da pintura informal, na vertente do abstracionismo lírico.”

         Casimiro Xavier de Mendonça
         Texto do catálogo Pintura Abstrata Efeito “Bienal” 1954-1963 da XX Bienal Internacional de São Paulo - Parque Ibirapuera, São Paulo

        
“Abandonando-se à imaginação, compondo à medida que trabalha, Maria Helena revela grande segurança em seus traços negros, que são como a trama em torno da qual se desdobra a festa de cores.”

         Vera Pacheco Jordão, 1960.

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018


TEXTOS CRÍTICOS DA DÉCADA DE 60 I


Na década de 1960, quando foi lançado o livro VIVÊNCIA E ARTE, eu presenteei um exemplar para o crítico Clarival do Prado Valadares.
Eu estava expondo na Petit Galerie, no Rio de Janeiro, uma exposição sobre a minha fase de guerra. Pedi ao Clarival que escrevesse a introdução do catálogo.
Abaixo está o texto que ele me escreveu:

“Não se exige de um artista plástico o talento de redigir com clareza o que ocorre em seu mundo interior de vivência estética. Às vezes, entretanto, acontece esta maravilhosa casualidade, este dualismo, do pintor ser também escritor. Então eles nos legam textos que se tornam preciosos porque iluminam direções e espaços, motivos e razões, anseios e reflexões que não são os nossos.
Maria Helena Andrés publicará, dentro de alguns meses, um livro de ensaio e meditações, a que denominou, com propriedade, de Vivência e Arte, cuja matéria ensejou a Alceu Amoroso Lima um prefácio em que admite a tese e lhe aplaude o modo claro e simples de comunicar-se.
Em março do corrente ano vi, em Belo Horizonte, a série de pintura – colagem que ela desenvolvia incorporando uma unidade realística (recorte fotográfico) a uma construção pictórica (composição abstrata) procurando unir forma e ideia.
Mais recentemente Maria Helena Andrés reassumiu a figura humana, dramaticamente, mas não por intuito narrativo. A figura volta a ser usada não mais como ilusão, e sim como centro de ideia.
Esta exposição que a Galeria Goeldi organizou para o público da Guanabara pretende mostrar o trabalho de uma artista que ao mesmo tempo analisa e escreve sobre a expressividade de sua data. Não se trata de ilustrações das ideias, embora ambas estejam implicadas no mesmo propósito estético.
Tomei a iniciativa de selecionar fragmentos de texto do livro de Maria Helena Andrés, Vivência e Arte, a fim de oferecer ao visitante desta exposição uma participação mais direta com o pensamento da autora.
É próprio da curiosidade do público indagar o que a arte quer dizer. E é muito difícil ao crítico e ao artista traduzi-la a contento. No caso de Maria Helena Andrés, as frases soltas de seu livro permitem a visão do pensamento do artista que se reflete tanto na imagem escrita de suas meditações como na imagem pictórica de seus quadros.
Que se veja, pois, no texto selecionado da autora o roteiro natural de sua exposição de pintura.
 “A ideia criadora é uma iluminação intuitiva e repentina.”
 “Durante o curso do trabalho ou do simples esboço, a ideia ainda virgem reveste-se de cores e formas, de linhas e massas, para formar um objeto novo, autônomo, independente e livre dos modelos tomados como sugestão.”
“Ao escolher uma cor ou preferir uma linha, o artista revela parte de sua vida.”
“A mão que traça uma linha e mistura uma cor não estará praticando um gesto vazio de sentido, mas realizando o que sua experiência exigiu de um modo particular e sincero.”
“A obsessão, esta vontade tirânica de se expressar em detrimento de todas as outras formas de vida, constitui a condição necessária para que o artista siga um caminho verdadeiro e sincero.”
“E é justamente realizando as coisas inúteis aos olhos do mundo que o homem se eleva e se aproxima de Deus.”
“... a verdadeira arte não envelhece, mas permanece, ao lado de nossa vida efêmera.”
“A forma é a expressão exterior de uma verdade interior.”
“Poucas coisas permanecem tão vivas quanto a arte, para identificar cada geração.”
“As frases de um artista são espontâneas... Sua duração é a própria duração de um clima interior.”
“A colagem, quando usada com habilidade e gosto, proporciona um equilíbrio de formas bastante intelectual e sugestivo à composição inicial do artista.”
 “No meio da tensão em que vivemos, surgiu uma arte agressiva, pouco agradável à vista, traduzindo um expressionismo brutal nascido do impacto de uma revolta.”
“O esforço humano nunca é um gesto isolado...” “A arte é a síntese, a interpretação das experiências do artista, de suas descobertas e derrotas, com as descobertas e derrotas de uma civilização.”

Clarival do Prado Valladares


*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018


TEXTOS CRÍTICOS SOBRE A MINHA PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO CONSTRUTIVISTA DA DÉCADA DE 50 II


“Maria Helena Andrés parte sempre, mesmo nos quadros de puro jogo formal de cores e planos, de dados observados diretamente da realidade, extraindo deles oculta beleza e submetendo-os aos ritmos próprios de sua composição. Nesta fase , última, atinge a pintora mineira um dos pontos altos de uma carreira que apenas se inicia.
         Profundamente ligada à sua terra e à sua gente, com um raro conhecimento  artesanal, delicada e sensível, Maria Helena Andrés é um dos valores novos de Minas, uma pintora de invulgar talento que se vai projetando firme e poderosamente como uma das expressões plásticas do Brasil.”

         Jacques do Prado Brandão
         “Maria Helena Andrés vista por Jacques do Prado Brandão”. Correio do Dia, Belo Horizonte, 20 de setembro de 


 “Já falei, em outra nota, dessa jovem artista mineira que expõe presentemente na galeria do Instituto Brasil - Estados Unidos, na rua Senador Vergueiro número 103.
         O mérito maior que revelam seu quadros, principalmente os da última fase, reside no fato da pintora ter marchado por si mesma para a arte não representativa, na cidade de Belo Horizonte, onde, além de raras incompletas exposições, não há museus, gabinetes de estampas ou coleções privadas em que se encontrem quadros dessa tendência. Marchou para a abstração levada mais pelo espírito de aventura e de pesquisa de um meio novo de expressão - do que propriamente por  uma imposição do ambiente ou por simples conformismo.
         Tendo começado a fazer abstrações ou formas baseadas na realidade, como se vê de sua tela representando um rebanho no pasto, em breve Maria Helena Andrés se encontrava diante dos problemas específicos da pintura não-objetiva.
         Seus últimos quadros já denotam um progresso sensível, mostrando que a artista começa a manejar a linguagem abstrata, livremente, por si mesma, sem recorrer à gramática dos abstratos suíços ou dos concretos, em seu exercícios intermináveis de círculos, quadrados, triângulos, “confettis” multicores, feixes de linhas, tudo isso arranjado, com maior ou menor habilidade dentro do espaço pictórico.
         A artista procura agora estruturar suas composições dentro de ritmos ou de combinações de forças e cores menos estereotipadas que  as concretas já conhecidas. E sabe desenhar com segurança, como se pode verificar pela série da “Via Sacra”. Alguns desses desenhos possuem uma grande pureza linear. E são, ao mesmo tempo, de uma qualidade arquitetônica irrecusável. Lembram esculturas de fio de ferro, pela nitidez com que se erguem no espaço, parecendo feitas para uma vida mais transcendente que a do simples desenho em preto e branco.”

         Antônio Bento
         Diário Carioca, Rio de Janeiro, 7 de setembro de 1953, p. 6.

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 14 de agosto de 2018


TEXTOS CRÍTICOS SOBRE A MINHA PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO CONSTRUTIVISTA DA DÉCADA DE 50 I


Relembrar o construtivismo é relembrar os caminhos por onde passamos.
No momento em que o construtivismo está em pauta e está sendo estudado, não somente no Brasil, mas também na Europa, relacionei textos de críticos da época, que se manifestaram na ocasião.
Transcrevo nas próximas postagens, o que me foi possível guardar dos jornais da época, no auge do movimento construtivista no Brasil.

“Maria Helena Andrés é uma das mais talentosas e inteligentes artistas que surgiram em Minas desde os anos 40, dotada que é de uma inata sensibilidade e bom gosto. Com Mário Silésio e Marília Gianetti - não mencionando Guignard que já tem sua fama e sua arte reconhecida além-fronteiras - representa a vanguarda das artes plásticas em Minas Gerais, compondo com suas experiências e pesquisas, o que de melhor, mais sério e ousado se faz aqui no campo da arte moderna, e, particularmente, a arte abstrata. Saliente-se que, as realizações abstratas de Maria Helena Andrés são bastante recentes e por isso ainda guardam reminiscências figurativas. Talvez ela volte um dia à figura, não sei, porque está sempre pesquisando, procurando antes de tudo o fazer - condição vital de sua arte - , e nunca repetir-se monotonamente em fórmulas e esquemas. E depois, talvez, retorne outra vez à abstração. Mas ser figurativa ou abstrata, importa pouco, para ela, o fundamental é manter a qualidade de sua arte. O fundamental é a pesquisa constante, é procurar  renovar-se a cada dia, buscando novos temas, materiais, novas maneiras de dominar o espaço pictórico ou gráfico. Maria Helena não pára: desenha muito, raciocina bastante sobre os problemas de sua arte. À espontaneidade e à intuição, acrescenta o domínio da razão e da reflexão, isto é, medita sobre a história da arte antiga e contemporânea, sobre a filosofia da arte e a estética. Em sua criação não há nem o domínio puro e simples da intuição , nem o excesso de racionalização e cerebralismo. Sua arte consegue, assim, ser deliciosamente espontânea e sabiamente meditada. Desta síntese, sobressai em seus temas e composições, um lirismo que é exclusivamente seu e que pode ser visto, ora num retrato ou numa paisagem de sua fase mais guignardiana, ora na fase dos balões e das colagens, ou mais recentemente, em suas esplêndidas “cidades iluminadas” nas quais a abstração se intensifica.”

         Frederico Morais        
         Diário de Minas, Belo Horizonte, 9 de março de 1958
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“As últimas composições da artista denotam uma segurança que não se encontra em muitos dos nossos abstratos de maior experiência. E revelam também uma sensibilidade apurada. Sente-se que a pintora tem alguma coisa a dizer na plástica abstrata, trazendo a sua contribuição a uma arte que requer autenticidade, pois do contrário não passará de um simples exercício acadêmico”
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         Antônio Bento
         Diário Carioca, Rio de Janeiro, setembro de 1953
         Por ocasião da exposição realizada na Galeria do Instituto Cultural Brasil - Estados Unidos, no Rio de Janeiro
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“Do grupo de Belo Horizonte, Maria Helena Andrés se destaca pelo progresso que vem fazendo e pela supremacia linear que dá às suas composições.”

         Mario Pedrosa
         “O último esquadrão de pintores”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
12 de julho de 1958
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“Maria Helena, ao que me parece, está em um período de fixação que seria imprudente declarar definitivo. Sua pintura situa-se entre Mondrian e Juan Miró. De Mondrian tem a segurança da composição quase geométrica, a maestria no emprego das cores. De Miró, a graça infantil e travessa que vemos em “Figuras” ou em “Boizinhos”. Maria Helena experimenta cores, experimenta ritmos, com segura mão.”
        
         Miranda Netto
         “A herança de Guignard”, Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 1º de
julho de 1962
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*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 6 de agosto de 2018


MARCELO XAVIER, OTIMISTA INCORRIGÍVEL


Hoje vou escrever um  texto sobre Marcelo Xavier, um grande amigo que frequenta a Asa de Papel. Está sempre alegre, comunicativo, disposto a ajudar as pessoas. É artista, de múltiplas facetas, trabalha com livros infantis a partir de ilustrações feitas com  massas coloridas. As crianças adoram ouvir histórias daquele artista que, sentado em  sua cadeira de rodas, se torna também uma criança, da mesma altura delas.  Anda pelas ruas da cidade, no meio do trânsito, sempre sorrindo, feliz. Antes de ser cadeirante, descobriu a arte.

“É formado em Publicidade pela PUC Minas e artista plástico autodidata. Já fez muitas coisas na vida. Ilustrou livros, criou e realizou inúmeros projetos gráficos, produziu e dirigiu programas para a televisão, trabalhou em publicidade, com cenografias, figurinos e adereços para espetáculos de teatro, música, dança, carnaval e programas de TV.

São palavras dele: “Num belo dia de 1986, uma bola de massinha caiu do céu e me atingiu em cheio. Misturei-me a ela e saímos rolando pelo mundo das histórias infantis, das ilustrações tridimensionais e exposições. Essa bola cresceu e, hoje, rola pelo Brasil em oficinas de modelagem e, fora do país, nas traduções de alguns títulos em inglês, espanhol e japonês. Entre suas obras estão “Tem  de tudo nesta rua“, “Asa de papel”, “TOT”, “Se criança governasse o mundo”, que tornaram-se bastante conhecidas do público e receberam  importantes premiações.”

Olho com grande admiração este artista possuidor de tantos prêmios.  Marcelo Xavier, em seus textos de muita criatividade, nos conduz ao seu mundo de forma  positiva.
“Foi num domingo, rodando em minha cadeira de rodas, por ruas vazias do bairro , que percebi estar ali o transporte do futuro, a solução para o insuportável trânsito nas cidades, enfim – silencioso, limpo, econômico e numa escala humana.

Enquanto o motorista de um carro sai arrastando pela cidade um  monte de aço, de combustível caro e espaço ocioso, envolto pela irritante trilha sonora do motor e uma nuvem de gases poluentes, a cadeira motorizada desliza silenciosamente, a uma velocidade segura por locais em que transitam pessoas de todas as idades e condições de locomoção.”

 “Sou, sim, um otimista incorrigível
Um bem-humorado irritante.
Como assim? Esse cara que não
Anda, portador de uma doença
Degenerativa sem cura, rindo
Desse jeito?
Sinto decepcioná-los, queridos
Pessimistas, mal-humorados
E fatalistas à minha volta.”

“Todo mundo cabe no mundo” é o título de um bloco carnavalesco criado por ele, que atrai as pessoas pela sua proposta de contemplar a inclusão e a diversidade.”
 (Postagem com trechos do livro “A estranha”, de Marcelo Xavier)

*Fotos da internet

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