segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


LANÇAMENTO DO CD RÃ


Interrompemos as postagens do "Livro sobre a água", afim de divulgar o lançamento do CD "Rã". O  "Livro sobre a água" será retomado na próxima semana..

Assisti ao lançamento do CD “Rã”, de autoria de Alexandre Andrés (voz, violão e flautas), André Mehmari (piano, synthi e voz) e Bernardo Maranhão (poesias e voz). O trio foi acompanhado por Artur Andrés, ex flautista do Grupo Uakti, pela percussionista Natália Mitre e pelo multi-instrumentista  Felipe José.
No palco iluminado, os músicos iniciaram o concerto. Havia uma grande sintonia entre o público e os artistas, como se todos fossemos parte de um todo harmonioso. As artes cada vez mais caminham para a realização da Unidade, a consciência de que todos somos Um. Existe um lugar de paz dentro de cada um de nós, no nosso espaço vazio interior. É deste espaço que nascem todas as ideias artísticas, científicas, religiosas e filosóficas.
A música, de todas as artes, é aquela que mais rapidamente nos conduz a este momento de paz e harmonia com todos os seres. Ela pode nos por em contato direto com a natureza, como se as plantas e os animais, as montanhas, rios e mares estivessem escutando os acordes musicais. Quando nos comunicamos com a natureza ela responde e também se comunica conosco.
Ouvir o som do coaxar dos sapos na lagoa, o zumbido dos insetos, o canto dos pássaros é o grande benefício que recebemos quando nos esvaziamos de todos os conceitos e fórmulas, para penetrar no nosso mundo interno. Alexandre tem o seu estúdio rural na Fazenda das Macieiras, em Entre Rios de Minas. Ali construiu seu lugar de imersão musical. André Mehmari tem o seu estúdio na Serra da Cantareira, próximo a São Paulo. Lá ele também encontrou o seu lugar de criação, junto a Natureza, as mais diversas plantas e animais. Em ambos os estúdios, onde o disco “Rã” foi concebido, os artistas podem interagir diretamente, através das janelas acústicas, com a natureza ao redor. Uma energia de paz, proveniente da experiência da Unidade com a natureza, é revelada na música dos artistas.
Do outro lado do mundo, no Japão, o CD “Rã” foi premiado como o “melhor álbum de música brasileira de 2019”, pela revista especializada em música latina, “Latina Magazine”. O povo Japonês tem uma conexão muito forte com a música brasileira e uma reverência muito grande com a natureza. Eles valorizam uma nova geração de músicos, responsáveis pela continuidade do trabalho de artistas como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Rita Lee, Toninho Horta e o Clube da Esquina, Baden Powell, Joyce, Gilberto Gil, Caetano Veloso, etc.
Em 2017 Alexandre esteve em turnê pelo Japão, tendo lançado o disco “Haru”, em parceria com Rafael Martini, tendo tocado em Kyoto, Okayama e Tokyo. André Mehmari toca anualmente em terras nipônicas. Os japoneses têm a sensibilidade para compreender profundamente a nossa música e estão valorizando, cada vez mais, as criações vindas de diversos grupos de todo o Brasil.
Por fim, “Rã” é a união da música com os ritmos da natureza, uma conexão entre o Oriente e o Ocidente por meio dos sons. Acompanhem o trabalho de Alexandre, Bernardo e André pelas redes sociais. O disco está disponível nas principais plataformas digitais, tais como Spotyfi, Deezer, youtube, dentre várias outras.

*FOTOS DE GLENIO CAMPREGHER

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

LIVRO SOBRE A ÁGUA VII


Dando continuidade ao Livro sobre a Água, de autoria de Maurício e Aparecida Andrés, transcrevo o trecho abaixo:

Nadar,
remar,
velejar,
mergulhar nas ondas
é tão bom!


Mas é preciso atenção:
a um pequeno descuido,
alguém pode se afogar!


Nos  chuveiros e banheiras, 
eu escorro pelos corpos
nus como vieram ao mundo.

Quando limpa, cristalina,
sou sem cor, cheiro e sabor.
Posso lavar e limpar,
removendo a sujeira
Se estou suja,
vêm comigo
as bactérias e outros germens
causadores de doenças.

As febres e infecções,
Quando não são bem tratadas,
se espalham entre as pessoas.

Mosquitos que trazem a dengue
gostam de pôr os seus ovos
em poças de água parada,
como nos pratos dos vasos de planta,
nos pneus e latas velhas.
É preciso vigiar!

Se  as pessoas adoecem
e ficam desidratadas,
elas ficam tão fraquinhas
 que podem vir a morrer! 
Para restaurar a saúde,
sou bebida gota a gota,
com um pouquinho de sal
e  um bocadinho de açúcar.

Quando na forma de soro,
também podem me injetar diretamente na veia.

Quando alguém me bebe,
no interior de seu corpo
ocorre uma transformação:
misturada a elementos,
posso tornar-me sangue,
virar  saliva ou urina.



Estou no leite das mães
que amamentam seus bebês.
E na linfa protetora,
que transporta vitaminas,
gorduras  e outros nutrientes
até que passem para o sangue.
A linfa também funciona
ajudando na defesa
do corpo contra as doenças
pois também leva os micróbios
até o sistema de filtros
onde eles ficam retidos,
até que sejam expelidos.

Nos campeonatos de cuspe,
as crianças me arremessam
- quanto mais longe, melhor!
E me expulsam de seus corpos
também quando tossem ou espirram
e quando fazem xixi. 


 Se elas caem e se machucam,
já me perco pelo sangue
que escorre de suas feridas.

Saio em gotas de suor
da pele dos corpos cansados
de quem trabalha ao sol.




Os tuaregues são homens
que vivem pelos desertos;
precisam ficar bem quietos,
retendo a umidade do corpo
se quiserem ficar vivos.

Eles enxergam miragens
de belos lagos tranqüilos,
que vão fugindo, fugindo,
pra bem longe, no horizonte.
Sonham sempre com os oásis,
de tanto calor que sentem!
E viajam de camelo,
em fila, pelos desertos.



Sou as lágrimas do choro
das crianças que estão tristes
e de todos os que sofrem
com os problemas dessa vida.

Sabia que os esquimós
não podem chorar ao ar livre?
É que no frio intenso,
as lágrimas em seus olhos
viram continhas de gelo...

Quando as pessoas morrem
e depois, são enterradas,
eu abandono seus corpos,
e vou para dentro da terra.
   
  Se os corpos forem cremados,
  restam só cinzas e  pó.
 A morte é seca.

*ILUSTRAÇÕES DE MARIA HELENA ANDRÉS

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

LIVRO SOBRE A ÁGUA VI


Dando continuidade ao Livro sobre a Água, de autoria de Maurício e Aparecida Andrés, transcrevo o trecho abaixo:



3. Nos corpos vivos

Por dentro dos corpos vivos 
- vegetais e animais - 
realizo todo dia
viagens extraordinárias.

Sugada pelas raízes,
e misturada na seiva,
vou subindo pelos troncos,
pelos galhos, flores, folhas.
Transporto os sais minerais
que vêm de dentro da terra.

Assim, bem alimentadas,
as plantas crescem, vigorosas!

No caule das bananeiras,
no chuchu, na abobrinha,
nos tomates e verduras,
no abacaxi, na laranja,
nas uvas, na melancia,
em todas as frutas saborosas,
você pode me encontrar.

Nos desertos do planeta,
todos buscam os oásis,
todos precisam de mim:
para matarem a sede,
para depois descansarem
à sombra dos coqueirais.


De dia, as plantas transpiram.
Eu me transformo em vapor
crio as cores do arco-íris
ou vou subindo para o alto,
para formar muitas nuvens
de formatos variados:
carneirinhos, espirais,
grandes flocos de algodão
ou muitas massas escuras,
que se desmancham em chuva.

A lua cheia me atrai
e eu subo e desço,
com força,
no ir e vir das marés.

Altero o jeito dos bichos,
e os humores das pessoas.

Sem mim não há quem consiga
sobreviver no planeta.
Nem gente, bicho ou planta
pode viver tendo sede.

Será que você sabia
que 70% do peso das pessoas
corresponde  à quantidade de água
escondida em seus corpos? 

Circulo dentro do corpo:
nas veias, no coração,
e por dentro da cabeça.
Eu deixo a pele bonita,
integro todos os músculos.
Venho aqui, vou acolá,
passo no estômago, no fígado,
pelo intestino e nos rins,
sou filtrada e sigo adiante,
até sair cá pra fora.
 Estou aqui, escondida,
na mão que folheia o livro
e estou sempre presente
no início das novas vidas.
Envolvo e protejo os bebês
que se formam
dentro das mães.

Estou nos ovos das aves,
dos peixes,
das tartarugas.

Se há calor e eu existo,
a vida brota,  germina.


É o que ocorre com os pingüins:
com o  calor de seus corpos,
protegem seus ovos  no inverno
até que possam se abrir,
para que saiam os filhotes!

Faço parte dos alimentos
que nutrem  os corpos vivos.

Você irá me encontrar
no café com leite, no chá,
 no suco e no refrigerante,
nos licores e nas sopas,
nos caldos, molhos  e mingaus;
nos sorvetes e nos doces,
e ainda na cerveja,
na pinga, no vinho, no uísque.                            
 Todos me bebem,
me sorvem,
e sempre dizem:
delícia!

E assim vou viajando
nas corredeiras dos rios,
nas quedas das cachoeiras,

nas profundezas dos lagos,
nas belas ondas do mar,
alegrando as pessoas,
encantando os turistas.
Ilustrações de Maria Helena Andrés

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

LIVRO SOBRE A ÁGUA V


Dando continuidade ao Livro sobre a Água, de autoria de Maurício e Aparecida Andrés, transcrevo o trecho abaixo:


Sob a terra, entro em cavernas
onde estranhos habitantes
vão levando a sua vida.

Nas paredes das grutas,
pingando durante séculos,
formam-se lindas estruturas
de estalactites e estalagmites.


Por passagens entre as rochas,
 formo lençóis sob a terra.



Até que num dia qualquer,
cansada da escuridão,
resolvo brotar nas nascentes,
numa fonte límpida,
num pântano
ou num charco empapado.



Onde eu saio para a luz,
Dou nova vida a fontes,
renovo os mananciais.

E ali brota a vida, florida
em lótus e vitórias-régias.



Mosquitos voam e deslizam
na superfície das águas,
sapos,  girinos e peixes 
fazem  festa nas nascentes.


E os riachos, córregos e ribeirões,
igarapés e paranás,
formam rios e lagoas,
onde se abriga
todo um mundo de seres
como as cobras e os jacarés.    

Nas madrugadas, uma bruma
de vapor d`água vai se formando.
O sol surge, eu evaporo,
crio umidade no ar. 


Na névoa e no orvalho
posso brilhar e refletir
a luz da lua e do sol
nas lagoas e nos mares.



 Da umidade do solo,
as plantas vêm me sugar
quando vão se  alimentar.




Na estiagem, o sol esquenta,
as nuvens se vão e não chove.
O chão racha e endurece,
a vegetação resseca e morre,
a paisagem amarelece
e a aridez toma conta
dos desertos e areais.

Os sertanejos vão  para longe


E a vida seca.

*Ilustrações de Maria Helena Andrés

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domingo, 19 de janeiro de 2020

LIVRO SOBRE A ÁGUA IV


Dando continuidade ao Livro sobre a Água, de autoria de Maurício e Aparecida Andrés, transcrevo o trecho abaixo:

2.      Em movimento

Quando o clima está bem frio,
das nuvens claras que flutuam,
posso cair como  granizo,
chuva de pedras,
flocos de neve,
leves.

As crianças me viram e reviram,
brincando comigo.
  
O calor do sol me derrete.
Liquefeita,
posso evaporar no ar.

No meio das nuvens escuras,
 raios e trovões me abrem caminho.
E eu me entorno em gotas
que derramam do céu
em aguaceiros e trombas d`água,
garoa  fina, chuviscos.

Chovendo sobre os telhados,
embalo o sono da noite,
com um barulho ritmado,
que é muito bom de se ouvir.
Na vidraça das janelas,
as gotinhas vão, juntinhas,
em filetes desenhados,
escorrendo até o chão.




As copas das grandes árvores
amortecem meu impacto.

Escorrego pelos galhos
e troncos dos jacarandás,
dos paus d’óleo,
das canelas e angicos,
dos perfumados sassafrás,
das bananeiras e limoeiros,
e das mangueiras da Índia.
Dos eucaliptos da Austrália,
dos bambuzais vindos da China,
dos flamboaiãs de Madagascar.
E me misturo, embaraçada,
às moitas de capim da África. 

 As árvores e matas, nos morros
e ao redor das nascentes,
me ajudam a entrar terra adentro.


Se caio em lagos e poças,
formam-se ondas em círculos.


Quando  o tempo  se acalma,
sou  espelho cristalino
que reflete a paisagem.

 Se não há vegetação,
eu me esborracho no chão
e ali desloco  a terra.
A erosão, então, se forma 
e junto com outras gotas,
vamos levando conosco
muita terra, pedras, paus.
Ao empaparmos o solo,
ocorrem deslizamentos.

Descontroladas, selvagens,
jorramos de grandes alturas
nas quedas das cachoeiras
inundando tudo.

As enchentes, transbordando,
fertilizam as margens dos rios.


 
Com os torós sobre as cidades,
Também há  inundações.
Enxurradas volumosas
vão formando espirais,
ao entrarem nos bueiros,
mergulharem nas bocas-de-lobo
das redes de drenagem.
 

Quando  penetro  no solo,
 eu umedeço a terra.

Vou entrando devagar,
me infiltrando lentamente,
por dias, meses e  anos.

Pelo reino das minhocas,
pelas tocas dos tatus,
pelos ninhos das formigas,
pelos buracos das cobras,
vou passando cá e lá,
 por cima e por baixo das raízes,
num tecer a teia líquida
nos subsolos escondida.

*Ilustrações de Maria Helena Andrés

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