segunda-feira, 20 de maio de 2019


SRI AUROBINDO E VISÕES CONTEMPORÂNEAS SOBRE ESPIRITUALIDADE I


Nesta época controvertida em que vivemos, o advento de uma era espiritual começa a se fazer sentir como uma luz que aponta direções. Principalmente uma reflexão sobre a Ecologia, se torna prioritária, em relação a outras formas do saber. Transcrevo abaixo o depoimento de Maurício Andrés Ribeiro, estudioso de Sri Aurobindo, o grande pensador indiano que, no início do Século XX, apontou direções para  a evolução da humanidade.

“Nessa grande transição e mudança de eras em que nos encontramos, nesse estágio terminal da era cenozoica, a era dos mamíferos, vários pensadores propõem designações para qual será a próxima era. Entre eles, destaca-se Sri Aurobindo  que falou do advento de uma era subjetiva e de uma era espiritual, movida por indivíduos e que se dissemina na coletividade: “A vinda da era espiritual deve ser precedida pelo aparecimento de um número crescente de indivíduos que não estão mais satisfeitos com a existência intelectual, vital e física do homem, mas percebem que uma evolução maior é a verdadeira meta da humanidade e tentam efetuá-la em si mesmos, guiar outros para ela e fazer dela o objetivo reconhecido da espécie.”   Ele falava da crise da evolução e do ser humano como um ser em transição: “« Uma evolução espiritual, uma evolução da consciência na Matéria, cuja autoformação está constantemente em desenvolvimento até a forma revelar o espírito que a habita, é então a chave, o motivo central e significativo da existência terrena”.

Sobre a importância  do espírito ele observa que  “O destino da raça nesta era de crises e revolução dependerá muito mais do espírito que somos do que da maquinaria que usaremos.” E que “Quando se perde a espiritualidade, perde-se tudo.”
Sri Aurobindo escreveu bastante sobre esse tema. Ainda que ele não se refira em nenhum momento de sua obra às questões ecológicas, seu pensamento foi ecologicamente pioneiro pois, dezenas de anos depois de seus escritos, emergem visões contemporâneas em estreita afinidade com eles  nas artes, na filosofia, e em campos emergentes das ciências tais como  na ecologia espiritual, na ecologia integral, na ecologia transpessoal, na ecologia cósmica, na espiritualidade integral, na inteligência espiritual. Essas ainda não são visões dominantes no mundo atual, mas são como sementes que germinam aqui e ali e que podem vir a ocupar o lugar das visões hegemônicas que ainda hoje prevalecem.

Para Sri Aurobindo, “O primeiro e mais baixo uso da Arte é puramente estético; o segundo é intelectual ou educativo; o terceiro e mais alto é espiritual.”Nas artes plásticas destaca-se a visão e a prática da arte abstrata que buscava a essência para além das aparências,  de Kandinsky, que escreveu o livro " Do espiritual na arte"  e da vanguarda russa.” (Depoimento de Maurício Andrés Ribeiro)

*Fotos de arquivo

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domingo, 12 de maio de 2019




GIOVANI FANTAUZZI, ARTISTA E ARTESÃO


“A exposição de Giovani Fantauzzi, no Museu de Congonhas, nos leva a fazer elos com o barroco mineiro.
Giovani molda o ferro com as mãos, assim como os artistas e artesãos da colônia portuguesa esculpiam a pedra e entalhavam a madeira. Há uma ideia que se concretiza nas mãos do artista/artesão, transformando-se em figuras de santos, anjos e profetas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, ou em esculturas musicais de Giovani Fantauzzi. Em ambos, o pensamento e o fazer artístico criam formas sinuosas, elegantes e ascendentes que buscam um diálogo entre o céu e a terra.
Nas esculturas de Giovani esse diálogo acontece com a presença da luz e da sombra, configurando imagens musicais que dançam no espaço. As formas elegantes e sinuosas projetadas no chão e nas paredes do jardim de esculturas apresentam uma coreografia que dialoga com o cenário dos profetas de Aleijadinho, no adro do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas.
Mas, na igreja barroca a relação entre o público e as imagens é permeada pela fé, a religiosidade e a contemplação dos objetos devocionais, levando o fiel à relação espiritual com a entidade transcendental. Já no jardim de esculturas do artista contemporâneo, o expectador/participante envolve-se num jogo lúdico e sensorial com os objetos e as imagens projetadas. Este jogo forma desenhos construtivos, e toma diferentes configurações a partir do movimento do participante dentro da obra.
As perspectivas mudam, e o artista/artesão transforma-se no propositor de uma obra aberta à participação do público, em sintonia com a proposta interativa do Museu de Congonhas, que busca conduzir o visitante a “uma experiência de fruição estética, sensorial e intelectual”.
Marília Andrés Ribeiro
GIOVANI FANTAUZZI

Caminhei pela exposição
De Giovani Fantauzzi
Seguindo o roteiro de
Marília Andrés e
Sérgio Rodrigo Reis.
Ambos nos deram
Uma visão clara
Da obra de Giovani.
Perceber o todo,
Sentir a presença
Do expectador nas
Pessoas que passavam
E nas crianças que
Se entusiasmaram
Brincando com as esculturas
Entrando dentro delas.
Sua obra possibilita
A participação do espectador.
Na espontaneidade
Do menino que brincou
Com uma escultura
Gigante, nas sombras
Que as peças esculturais
Projetavam na parede
E criavam desenhos e
Luzes.
 Participar é
Sentir e ver a escultura
Com o corpo todo, entrando
Dentro dela, brincando de
Esconde - esconde, escorregando
Nas rampas.
Giovani soube
Sentir de perto o
Público jovem que
Percorre uma exposição
E a transforma no lúdico
Na brincadeira.
Maria Helena Andrés


*Fotos de Marília Andrés e Maria Helena Andrés.

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terça-feira, 7 de maio de 2019


UMA ENTREVISTA COM ÂNGELA GIANNETTI


 Ângela Giannetti é minha vizinha no Retiro das Pedras.  Desde 2007 começou a pesquisar as plantas dos campos rupestres da Serra do Espinhaço.

Na entrevista que fizemos com ela conversamos sobre o seu trabalho e Ângela nos informou:

“Comecei a trabalhar no Centro de Biodiversidade, em Sabará, ilustrando as plantas das serras mineiras. Entusiasmei-me com o trabalho e dei continuidade a essa pesquisa percorrendo as montanhas de nosso entorno. Segundo o parecer de um botânico, que por aqui passou,   os campos desta altitude são tão fascinantes que podem ser comparados com as crianças em frente às guloseimas. Quanto a mim, considero estes campos como uma floresta anã, tal a diversidade de plantas existentes. Depois das chuvas, elas surgem exuberantes, cobrindo a terra de cores variadas”. (Entrevista realizada com Ângela Giannetti no Instituto Maria Helena Andrés, em 07/abril/2019)

Este depoimento da artista, que é ilustradora botânica de técnica de aquarela, poderá ser enriquecido com o texto que ela escreveu para a exposição que realizou na Casa Guignard, em Ouro Preto.

“As plantas que ilustrei estão situadas na biosfera da serra do Espinhaço acima de 800 metros de altitude e localizadas principalmente no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais. Muitas delas são endêmicas da região e de importância para o eco sistema pois dependem dessas plantas vários insetos polinizadores os quais só sobrevivem neste ambiente, como répteis, libélulas, colibris, calangos e outros. Todos fazem parte dos chamados “campos rupestres ou de altitude”. Este bioma está ligado com o cerrado e a mata atlântica mas tem uma vegetação única e singular de grande importância também”.

Ainda segundo Ângela Giannetti: “Todos os naturalistas que passaram pelo Brasil no século 19 ficaram encantados com esta vegetação e suas descrições traduzem essa beleza e importância. Os naturalistas Spix e Martius chegando na serra de Ouro Branco escreveram: 
‘O caminho segue por essas belas montanhas sempre acima e desenrola aos olhos do viajante a cada passo, objetos do maior interesse. As variadas vistas dos vales nos quais as quintas espalhadas aparecem com maior frequência e se alternam quanto mais perto se vai chegando a Vila Rica. Ficamos porem especialmente maravilhados quando subimos o íngreme morro do Gravier, continuação da serra de Ouro Branco, ao avistarmos os lírios arbóreos, cujos caules fortes e nus bifurcados nuns poucos galhos, muitas vezes terminados com um tufo de folhas compridas com as queimadas dos campos: carbonizados na superfície, são uma das mais maravilhosas formas do mundo das plantas’. (Do livro Viagem ao Brasil, Volume 1)

Ângela Giannetti nos deu uma verdadeira aula de botânica e nos apresentou aquarelas de grande sensibilidade e beleza.

*Fotos de Maria Helena Andrés e do arquivo de Ângela Giannetti

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quarta-feira, 1 de maio de 2019


LOBOSTOCK


Em agosto de 1969, aconteceu o Festival de Woodstock, nos EUA.
O festival exemplificou a era da contracultura do final da década de 1960 e começo de 70. Trinta e dois dos mais conhecidos músicos da época apresentaram-se durante um fim de semana por vezes chuvoso, para 400 mil espectadores. O evento original provou ser único e lendário, reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular.
Mesmo contando com uma qualidade musical excepcional, o destaque do festival foi mesmo o retrato comportamental exibido pela harmonia social e a atitude de seu imenso público. (Retirado da internet)

Inspirado no Woodstock, um grupo de jovens músicos mineiros se reuniram numa fazenda em Entre Rios de Minas, situado no Campo das Vertentes. Tivemos a oportunidade de assistir  à segunda edição do “Lobostock”. O poema abaixo é uma homenagem à esta iniciativa, que obteve um excelente resultado.

LOBOSTOCK

Fomos convidados
Para o Lobostock
No Campo das Vertentes
Entre Rios de Minas
Onde nasceu o IMHA.
Nasce agora
Um grupo de jovens
Movimento pacífico
De jovens guerreiros
De uma claridade
Que está surgindo.
Ela está presente
Nos olhos brilhantes
Na voz que ressoou
Pelas montanhas.
Minas é terra de
Muita luz.
A arte abre
Caminho
Para o futuro.
Faz escuro mas
Eu canto
Dizia o poeta
Tiago de Melo
Nos tempos da
Ditadura.
Faz escuro no
Entorno mas
Um novo canto
Surge vindo
Das vertentes
Mostrando
Que a esperança
Está nos jovens
Assentados
No gramado.
No tablado
Em frente
Há música
De qualidade.
Vozes que já
Ecoaram
Pelo mundo
Afora
Agora se
Reúnem
Neste palco.
Vozes da América
Latina
Que ressurgem
Como um canto
De paz
Tirando música
Da natureza
Do canto dos
Pássaros
Da percussão
Das rãs
Que chacoalham.
O sol desaparece
E a lua cheia
Surge brilhante
Sobre os campos
Das vertentes.

Parabéns à esta iniciativa, que teve incentivo constante de Cláudia Duarte, a fotógrafa do grupo! Na equipe do festival, além de Cláudia, os seus filhos  Tomaz Duarte Lobo, Pedro Duarte Lobo, além de Estevão Mascarenhas, David Mascarenhas, Filipe e Alexandre Andrés.

Foi um dia inteiro de apresentações, no Vale dos Lobos (fazenda de Cláudia Duarte)! O dia começou com artistas realizando atividades como slackline, slackwater (pessoas se equilibravam em um elástico entre árvores e sobre uma lagoa), livepanting, tenda da cura e muito mais. Às 16:30 começaram os shows! A abertura foi de Flávio Tris,cantautor de São Paulo, na sequência ‘Haru’ (Alexandre Andrés e Rafael Martini), Maíra Baldaia, Rosa Neon e Pequena Morte. As DJs Naroca e Sandri discotecaram entre os shows e fizeram uma apresentação para fechar a festa.

Além de todas as atrações pudemos contemplar o palhaço Maisena, suas trapalhadas e malabarismos e uma linda exposição de fotografias, com vários fotógrafos envolvidos.
 Naquela fazenda estivemos com cerca de 150 pessoas, dentre elas a ilustre presença de Áurea Carolina. Eleita deputada federal em MG, veio de Brasília prestigiar os espetáculos.

A esperança vem destes grupos pequenos que atuam em conjunto dispensando leis de incentivo.É a própria energia coletiva que está produzindo um som novo, um novo caminho, uma política nova.

Áurea Carolina é jovem, foi eleita deputada federal com o entusiasmo dos jovens. Está em Brasília defendendo nossas montanhas, a cultura e a educação brasileira, além do direito das mulheres!

*Fotos de arquivo e da internet

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terça-feira, 23 de abril de 2019



SUITE BURLESCA DOM QUIXOTE DE LA MANCHA


A apresentação da Suíte Burlesca Dom Quixote no Teatro da Assembléia de BH, promoveu um encontro entusiástico entre as formas de arte – música de alto nível, desenho, teatro, marionetes, intercalados pela interpretação do Luciano e a performance de Ivana.
A Orquestra 415 de Música Barroca é uma referência para quem gosta de música erudita. Inaugurada em 2012, consegue se manter até hoje sem patrocínio de leis de incentivo. Sua lei de incentivo vem de dentro, do jovem guerreiro das artes, André Salles Coelho, flautista e diretor da Orquestra. André vem pesquisando a música barroca há muito tempo, desde a adolescência e agora realiza concertos com grande sucesso , buscando a integração de outras formas de arte.
Sentada na primeira fila, pude apreciar de perto o espetáculo que reuniu música, artes plásticas, poesia, literatura e teatro de marionetes. Dom Quixote inspirou a criação da peça e dos desenhos realizados ao vivo.
Seus intérpretes são também quixotescos, porque não enxergam obstáculos  para realizar aquilo que acreditam.
E, nesta atitude quixotesca vão em frente, reunindo em torno de si a simpatia e a admiração da plateia.
Dom Quixote era uma figura inesquecível da Idade Média na Europa, que até hoje continua sendo um símbolo para aqueles que desvendam o mundo e ultrapassam com atrevimento, ousadia e coragem todos as dificuldades.

Abaixo transcrevo o texto de André Salles Coelho, sobre o espetáculo e sobre a Orquestra 415:

“Dom Quixote é um espetáculo cênico-musical baseado na suíte burlesca de Dom Quixote de G. P. Telemann e com textos originais da obra de Miguel de Cervantes. No palco os atores Luciano Luppi e Ivana Andrés misturam atuação, bonecos, sombras e desenhos realizados em tempo real com as músicas executadas ao vivo pela Orquestra 415, sob a regência do maestro Eduardo Fonseca.

Iniciar mais um ano de temporada é sempre uma alegria enorme e um desafio severo. Estamos caminhando para nossa quinta temporada de sucesso provando que podemos realizar uma programação anual sem nenhum patrocínio, sem nenhuma ligação institucional, apenas com o respaldo do público. Agora queremos ir além, com apresentações mais ousadas. Este ano teremos vários concertos diversificados, com maestros convidados, solistas, corais e espetáculos cênico-musicais. A Orquestra 415 de Música Barroca é hoje a única orquestra do Brasil especializada em música barroca com instrumentos de época (cópias fieis de instrumentos originais do período) a realizar concertos mensais, regulares, com repertórios variados.
Os desafios de levar uma temporada assim são imensos, já que uma orquestra tem muitas demandas e, no nosso caso, são maiores ainda, pois tudo, instrumentos, partituras, interpretação, formação da orquestra, é tudo muito particular, especial, artesanal, o que exigiria muito investimento. E como não temos nenhum apoio, temos que fazer tudo na raça, na garra".


SOBRE A ORQUESTRA 415 DE MÚSICA ANTIGA

            A Orquestra 415 de Música Antiga foi criada em 2012 com o objetivo de oferecer ao público um espetáculo único: executar as obras dos grandes gênios barrocos de uma maneira singular. Iniciativa pioneira em Minas Gerais, a Orquestra 415 de Música Antiga tem como seu diferencial a utilização de instrumentos como o traverso, a viola da gamba, o violino barroco, a flauta doce, o violoncelo barroco, a guitarra barroca, o alaúde e a espineta. Todos réplicas dos instrumentos utilizados nessa época. Essa particularidade e o requinte na interpretação das músicas recriam uma sonoridade única, muito próxima àquelas que as pessoas da época ouviam.
Em suas apresentações, a Orquestra recria uma oportunidade bastante peculiar: ouvir uma obra barroca de um grande compositor do período, tocada por instrumentos para os quais as músicas foram compostas. Provocando, assim, uma experiência única e rara, como uma viagem no tempo através de um espetáculo singular, agradável e transcendente.”

*Fotos de Ivana Andrés e Cely Barral

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terça-feira, 16 de abril de 2019


EXPOSIÇÃO DE WEI WEI NO CCBB


Existem exposições que nos causam impacto. Uma delas foi a mostra “Raiz”, do artista chinês Wei wei, no CCBB em BH. Percorrendo a exposição, pude perceber a presença de um grande artista, que consegue expressar em suas instalações o drama de nossa civilização. Além de ser um grande artista, Wei wei se expressa através da palavra. Anotamos algumas de suas frases, que transcrevo abaixo.

“Os artistas não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais humanos”
“Se uma nação não pode enfrentar seu passado, não tem futuro”
“Eles sabem de muitas coisas que não deveriam saber e não sabem algumas coisas que precisam saber.”
“A criatividade faz parte da natureza humana. Só pode ser desaprendida.”
“Não estou interessado em uma região específica ou uma pessoa ou uma história. Estou muitíssimo interessado na situação global”.
“Eu não diria que eu me tornei mais radical: eu nasci radical.”
“Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos.”
“Nacionalidade e fronteiras são barreiras à nossa inteligência, à nossa imaginação e a toda sorte de possibilidades”.
“Eu quero que as pessoas enxerguem o seu próprio poder”.
“Os seres humanos não dominam o universo. Somos passageiros temporários.”

Para este artista, com quem eu me identifiquei, ofereço o poema abaixo:

Wei Wei assume
A dor dos oprimidos.
Fugitivos
Refugiados.
A dor coletiva
Daqueles que
Se unem na
Mesma energia
Buscando
Uma vida melhor.
Atravessam
Fronteiras
E mares
E, muitas
Vezes não
Chegam
Ao seu destino.
A dor dos oprimidos
É expressa
Com grande intensidade
Nas instalações
De Wei Wei.
Artista e ativista
Ele sabe transmitir
Um cenário de angústia
E morte coletiva.
Wei Wei
Sente a dor
Desses momentos
Cruciais da
Existência
Humana.
Sua instalação
“Imigrantes” é
O grande impacto
Da mostra.
Ficamos mudos
Diante deste
Ajuntamento
De pessoas
Que se irmanaram
Na dor e morrem
No caminho.
Nas águas do Mediterrâneo
Na lama de Brumadinho
O impacto é o mesmo.

*Fotos de Ivana Andrés

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segunda-feira, 8 de abril de 2019


EXPOSIÇÃO SOTURNOS NOTURNOS


 Thais Helt e Allen Roscoe moram nas montanhas de Minas Gerais, próximo a Belo Horizonte. Eles procuraram um lugar tranquilo para construir seu atelier, longe do burburinho da cidade.

Ali eles puderam se irmanar com a natureza, escutar o canto dos pássaros, a chegada dos macaquinhos em busca de alimento.

Muitas vezes fui visitá-los em sua residência. Thais Helt e Allen Roscoe são pessoas importantes no cenário artístico de Minas, seja na impressão de gravuras, ou na realização de esculturas. Tanto Thais quanto Allen, realizaram projetos de minha autoria. No momento, Thais se dedica ao seu próprio trabalho.

A exposição “Soturnos noturnos” foi inaugurada na Galeria Lemos de Sá, no Jardim Canadá. Senti um grande impacto quando visitei a exposição.

É um grito de alerta para todos nós. Descreve de forma não verbal, experiências e conflitos de toda uma região agredida em nome do progresso. É a fuga, a travessia, o medo da morte. Para Thais Helt, dedico o poema abaixo.

 SOTURNOS NOTURNOS
O papel prensado
De preto se enrosca
Em curvas
Como montanhas
Sacrificadas.
O papel prensado
É um grito
De dor.
É a angústia
Dos oprimidos
 Dos retirantes
Dos fugitivos.
 O papel prensado
De negro
Papel japonês
É a matéria
Escolhida
Para um
Significado
De luto
E de dor.

*Fotos de Eliana Andrés e da internet

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terça-feira, 2 de abril de 2019


PAULO MENDES, ARTISTA ENGENHEIRO


Fui ver a exposição Urbanasde Paulo Mendes na Asa de Papel Café& Arte.

O tema principal de suas pinturas é o aglomerado de pessoas, homens, mulheres e crianças, o ser humano que palpita e está presente nas grandes cidades, nos ônibus, nos cafés.Lembra um pouco Montmartre em Paris, quando os primeiros impressionistas se encontravam para a grande aventura de renovação das artes.Paulo faz um retorno à figura humana como principal elemento de seus quadros. As figuras passam a ser motivação para suas composições, sempre nos tons baixos, sem contrastes.
Elas emergem de um sonho, de uma nuvem cinza, branco, rosa...Sem contar uma história, elas têm sua vida própria.

Paulo tem uma empresa de construção metálica, situada em Rio Acima, nas montanhas de Minas. À sua formação técnica como engenheiro, ele soube acrescentar a sensibilidade do artista plástico.Com grande experiência em estruturas metálicas, tornou-se apto a construir também esculturas de aço, tendo realizado com segurança uma obra de minha autoria para a minha casano Retiro das Pedras . A escultura foi colocada no gramado e lá está curtindo a paisagem das montanhas.

Abaixo,segue a apresentaçãode Marília Andrés para a exposição “Metrô”, que aconteceu em 2018, também na Asa de Papel Café & Arte:

“Paulo Mendes estreia na cena artística de Belo Horizonte com a exposição Metrô” que está em cartaz na Asa de Papel Café&Arte. Autodidata, o artista, que é também construtor e músico, apresenta pinturas em acrílica sobre papel, revelando cenas urbanas que acontecem no interior dos metrôs. Ali se mesclam pessoas humanas e não humanas, “os porquinhos”, no movimento dos trens que transitam em alta velocidade.Mas, essas cenas tornam-se cada vez mais abstratas, revelando o movimento interior que se expressa na emoção do artista. Como ele fala em seu depoimento, a emoção está sempre presente no seu processo criativo: “Entro em transe e pinto a catarse. Jogo a tinta no quadro e surge uma cena explosiva”.Dessa forma, Paulo Mendes nos mostra uma nova pintura, expressiva, vigorosa e divertida, que revela a sua maneira de ser no mundo. (Marília Andrés Ribeiro, fevereiro de 2018) ”

Segue também um depoimento do próprio artista, Paulo Mendes:

“Embora seja um apaixonado pela natureza é no cotidiano urbano que encontro motivação para minhas pinturas. Em especial nos metrôs, nas filas de supermercados e em outras situações rotineiras encontro a matéria prima e a inspiração para meus trabalhos. São situações diversas compostas de stress, ternura, compaixão, correria, enfim uma profusão de sensações causadas pelas pessoas no seu dia a dia.  Aquilo que é comum revela-se extremamente rico quando visto com atenção através dos olhos do observador. Nesse contexto, cenas banais e corriqueiras tornam-se gigantes e extremamente cheias de significados. Em outras situações, quando assisto a um espetáculo que envolva música e dança, também percebo o público como um “coadjuvante”, o que o torna uma figura de grande importância na composição daquele momento. Por isso introduzi a música e a dança nas cenas urbanas. Sou um observador contumaz do diálogo entre o artista e o público”. (Paulo Mendes, março de 2019)

Parabéns Paulo, por sua competência e sua feliz introdução no caminho das artes visuais.

*Fotos de Fred Pinheiro

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