domingo, 30 de junho de 2013


MEIO AMBIENTE E CIDADANIA

No 11º Seminário Meio Ambiente e Cidadania promovido pelo jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte, em 12 de junho, Maurício Andrés participou de mesa redonda sobre “O desafios das mudanças climáticas – energias limpas para um planeta sustentável”.
Ali ele disse que nos encontramos num momento crucial, no qual ocorre a 6ª grande extinção de espécies. Nas extinções anteriores, foram eventos externos que as provocaram, tais como erupções vulcânicas gigantescas ou o choque de corpo celeste que extinguiu os dinossauros ao mudar o clima e suas condições de sobrevivência. Desta vez, o homo sapiens é o grande transformador do clima e do ambiente. Disse concordar com o pesquisador americano Amory Lovins quando afirma que a energia mais limpa é a que se deixa de usar. Tudo o que pudermos fazer para minimizar o uso de energia é benéfico para o ambiente: reduzir desperdícios nas atitudes e hábitos cotidianos, reduzir o consumismo (o que inclui reduzir o viajismo, o consumismo em viagens); adotar hábitos alimentares mais eficientes do ponto de vista da ecologia energética, reduzindo o consumo de carne etc.(isso ajuda a proteger as florestas e evitar o desmatamento, entre outros benefícios).
Também é muito relevante, especialmente para os engenheiros, arquitetos e designers, projetar bens que façam o menor uso de materiais e de energia para proporcionar o máximo de conforto. (Buckminster Fuller foi um mestre nesse campo do ecodesign, com seus domos geodésicos).
A biomassa é uma forma de uso eficiente da energia solar, feita naturalmente pelas plantas a partir da fotossíntese. No Brasil, é uma fonte relevante de energia, pois somos um país tropical com muita incidência solar.
Outras formas de uso da energia solar - como, por exemplo, por meio de painéis fotovoltaicos, também são adequadas em cidades, para aquecimento de água e para evitar o uso de chuveiros elétricos em horas de pico de demanda.
Da mesma forma, na mobilidade urbana, privilegiar o uso da energia humana, por meio de ciclovias e de ruas de pedestres, pode ajudar a limpar o ar das cidades, poluído pelo trânsito motorizado. Citou o premio Sasakawa recebido por Belo Horizonte, por ter criado maneira  de agir em cooperação entre moradores, empresas de serviços públicos e empresas privadas na inspeção dos 80 pontos de perigo de inundações e áreas de risco de deslizamento, zonas de desastre em potencial existentes na cidade.
Mauricio enfatizou que, além de usar energias limpas e renováveis, de mudar hábitos de consumo, ressaltando os hábitos alimentares, e de medidas de adaptação aos eventos climáticos extremos, a mais importante energia limpa e renovável é a energia da consciência humana. Ela pode imaginar e criar maneiras de lidar criativamente com as mudanças climáticas.
O seminário contou com a palestra do navegador Amyr Klink, que falou de suas experiências na Antártica e com a arquitetura naval.
Fotos da internet
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terça-feira, 18 de junho de 2013

ARTES VISUAIS EM MINAS GERAIS

A historiadora Marília Andrés Ribeiro acaba de lançar um novo livro Introdução às artes visuais em Minas Gerais onde aborda um panorama da arte mineira moderna e contemporânea desde a implantação da Escola Guignard até os projetos atuais. Marília discute o contexto histórico e o circuito artístico, e divide o livro em três momentos interligados: o modernismo (anos 1940/50), as neovanguardas (décadas de 1960/70) e a arte contemporânea (anos 1980 até o inicio do nosso milênio).
Em 1997, Marília publicou o livro Neovanguardas: Belo Horizonte, anos 60 que, segundo o crítico Frederico Morais “é uma referência bibliográfica obrigatória para todos os estudiosos da história da arte moderna e contemporânea brasileira, em um de seus capítulos mais atraentes”. No seu prefácio para o este novo livro, Frederico Morais continua: “Bastaria aquele livro sobre as neovanguardas em Belo Horizonte na década de 1960, para consagrar Marília Andrés Ribeiro”.
As neovanguardas ilustram uma passagem histórica de grande importância para a compreensão da arte como rompimento de estruturas arcaicas e incentivadora de novos caminhos. “Com efeito”, nos diz Frederico, “foi na capital mineira, entre 1964 e 1973, aproximadamente, que se levaram a cabo algumas das propostas mais arrojadas e polêmicas da plástica brasileira de vanguarda, apoiadas por uma crítica militante e criativa”.
O prefácio de Frederico, muito claro, vai mostrando os acontecimentos que impulsionaram os artistas a se manifestarem. Nos salões da Reitoria os artistas e os críticos se reuniam para combater o paisagismo repetitivo dos seguidores de Guignard, e, principalmente, a situação de extrema repressão que se instalou no Brasil com o regime militar. No itinerário das neovanguardas, Marília transmite a sua alma de política libertária.
Frederico Morais, escolhido pela autora para prefaciar seu livro, exerceu em Minas um grande papel, como incentivador de novos caminhos e defensor da liberdade de expressão. Ninguém melhor para prefaciar este livro sobre as artes visuais em Minas Gerais doque Frederico Morais, crítico e artista, radicado no Rio de Janeiro, mas grande conhecedor dos movimentos de arte que tumultuaram uma sociedade arraigada à tradição: a “tradicional família mineira”.
Neste livro atual, Marília analisa as artes visuais em Minas, acompanhando as diversas fases e mudanças que nos fizeram chegar até a arte contemporânea e a nossa mineiridade como uma energia sempre atuante fora do eixo Rio/São Paulo. De Minas para o mundo é o que eu sinto quando acompanho a nossa mutação, desde o esplendor do barroco mineiro até os dias atuais. Arte e vida sempre juntas, levantando bandeiras!
Lembramos aqui as palavras de Cecília Meirelles para o Romanceiro da Inconfidência:
“E a bandeira já está viva e sobe na noite imensa, mas seus tristes inventores já são réus pois se atreveram a falar de liberdade que ninguém sabe o que seja”.

*Fotos de Pedro Oswaldo Cruz, Maurício Andrés, Cecília Figueiredo, Elena Andrés Valle e de arquivo

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terça-feira, 4 de junho de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO NA ÍNDIA I

Recebi de Maurício Andrés, autor do livro TESOUROS DA ÍNDIA, o texto abaixo sobre Arte e Educação na Índia.

Civilização milenar, com rica tradição cultural e filosófica, a Índia sempre priorizou o conhecimento sobre a consciência e a educação. Os acúmulos ali produzidos são valiosos no mundo moderno em busca de sustentabilidade.
Anjum Sibia, em livro sobre uma escola pioneira, diz que “A historia e a filosofia da educação na Índia mostram que o tema recebeu alta prioridade desde a pré-história, os Vedas, Upanishads, a Gita, as escrituras budistas e jainistas, até o período medieval e de domínio britânico, chegando aos sistemas pós-coloniais de educação tradicional.” Os objetivos e métodos variaram: da transmissão da literatura sagrada por meio de memorização, acentuação e entonação corretas na transmissão oral; ao ensino sistemático de leitura, redação, língua e aritmética. “Estudantes eram instruídos quanto à conduta adequada, moralidade e noções de humildade e dever, numa pedagogia oral, repetitiva e baseada em exemplos.” Os colonizadores ingleses introduziram um sistema de educação desvinculada das experiências da criança indiana, no qual os estudantes eram forçados a memorizar a informação.  Os professores exerciam a autoridade e impunham a aquisição passiva de conhecimentos pela repetição. Havia sobrecarga de informação nos livros-texto. Análise e raciocínio, pensamentos de ordem superior, não eram estimulados.

1.     Filosofias da educação na Índia

A civilização indiana tem uma concepção generosa do que é o ser humano e a criança, considerada como uma alma em evolução. Ali se desenvolveram uma filosofia e uma psicologia refinadas (para cada termo de psicologia em inglês, há quatro em alemão e quarenta em sânscrito), e se estudaram a fundo a mente e as emoções. Ali se desenvolveram praticas de respiração para tornar a mente mais lúcida e clara (a pranayama na ioga) e se desenvolveram posturas corporais que facilitam a concentração da mente (as asanas). Desenvolveu-se o estudo da mente, do cérebro, dos tipos de temperamentos, das habilidades e capacidades para aprender, relacionadas com os variados tipos de indivíduos. Essa concepção integral do ser com o corpo, mente, emoções, o eu profundo e o espírito está na base do modelo mental ali desenvolvido e daí decorrem varias praticas e técnicas para a aprendizagem.
Sábios e pensadores, tais como Sri Aurobindo, Tagore, Krishnamurti, Vivekananda, Gandhi e outros pensaram sobre a educação e seus objetivos. Sibia nos relata que Gandhi acreditava que a educação deveria representar o ethos indiano e que os professores deveriam ser virtuosos.  Para Gandhi a educação é um processo “no qual o individuo desenvolve o seu caráter, treina suas faculdades e aprende a controlar suas paixões para o serviço à comunidade”. Tagore defendia uma educação que levasse a um “desenvolvimento integrado e multilateral da personalidade humana”, que deveria ser criativa e em contato com a vida econômica, intelectual, estética, social e espiritual das pessoas. Vivekananda enfatizava a realização da perfeição no ser humano e a educação como o revelar gradual das qualidades intrínsecas dos indivíduos; defendia que nenhum conhecimento vem de fora para dentro. A educação deve desenvolver a individualidade, o processo de revelar o que está implícito no individuo e desenvolver suas potencialidades latentes até que se realizem. É uma educação compreensiva, com o objetivo de desenvolver a personalidade total do individuo em harmonia com a sociedade e a natureza.Vivekananda dizia que sem concentração da mente nada pode ser aprendido.

(*) Autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia www.ecologizar.com.br


 *Fotos de Maurício Andrés e da internet

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sexta-feira, 24 de maio de 2013


PAUL MACCARTEY EM BELO HORIZONTE


Paul McCartey cantou em BH, inaugurando com grande sucesso o nosso estádio, reservado para jogos de futebol e grandes apresentações artísticas.
Paul veio de Londres e foi recebido com carinho por uma multidão de fãs. Trouxe consigo uma banda de alta qualidade e uma produção pirotécnica resplandecente. Os fogos de artifício davam um caráter mágico à apresentação e no meio de cores e luzes, as músicas dos Beatles foram tocadas com a participação calorosa de fãs vindos de várias partes do Brasil.
Paul McCartey chorou quando chegou ao palco e viu o quanto era amado por aquela multidão. Nas arquibancadas os celulares acesos pareciam em seu conjunto um céu estrelado.
Na noite serena e fria de maio, as estrelas também aplaudiam o show.
A missão de Paul neste nosso conturbado mundo ocidental não terminou com a separação do grupo e a morte de dois de seus  integrantes, John Lennon e George Harrisson.
Paul é grande apologista do vegetarianismo, defende os animais e acha que eles têm direito à vida.
O exemplo dos Beatles levou muitos jovens a largarem o conforto das famílias para caminharem, mochilas às costas, pelas estradas poeirentas da Índia.
Paz e Amor era o slogan que esses jovens pregavam como bandeira.
Lembro-me do “ashram” (comunidade espiritualista) onde os Beatles receberam suas iniciações, situado à beira do Ganges em Rishkesh, norte da Índia.
Muitos jovens aprenderam a meditar com o exemplo dos Beatles, e suas músicas se espalharam pelo mundo como uma grande mensagem de paz.
Até hoje os Beatles continuam trazendo para todos nós a proposta de não violência, não consumismo e vegetarianismo.
A música é, sem dúvida, de todas as artes a que mais emociona.
 Escreve Edgar Poe: "Nós somos devorados por uma sede inextinguível. Esta sede faz parte da imortalidade do homem. Ela é uma conseqüência e, ao mesmo tempo, um sinal de sua existência sem termo. Então, quando a poesia, ou a mais enervante das formas poéticas, a música, nos fazem cair em lágrimas, choramos, não por excesso de prazer, e sim em razão de uma melancolia positiva, impetuosa, impaciente, que experimentamos por causa da nossa incapacidade  de discernir, plenamente, aqui nesta terra, uma vez por todas, aquelas alegrias divinas de que, através do poema ou da música, não atingimos, senão vislumbramos."
Transcrevo aqui os depoimentos de Carlos Starling e Alexandre Andrés, que assistiram de perto a apresentação:
“O show do Paul... Viagem no tempo, encontro com um amigo que não te conhece, mas te emocionou a vida inteira. Poesia absoluta! Emoção absoluta!” (Carlos Starling)
“Milhares de pessoas assistindo e cantando músicas da época dos Beatles, dos Wings e novas canções dedicadas a John, ao George e às suas antigas e atuais mulheres. Ver o meu ídolo de pertinho me emocionou muito! Impressionante aquele senhor de 70 anos que continua compondo e cantando lindamente até hoje!!!” (Alexandre Andrés)

*Fotos da internet

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quarta-feira, 8 de maio de 2013


UMA VISITA AO MUSEU DE ARTE DO RIO


Sempre gostei de desenhar e pintar veleiros. Talvez seja pela estrutura dos mastros que energeticamente sustentam a fluidez das velas – navegantes do espaço. No momento me encontro no Museu do Rio de Janeiro, junto à baía da Guanabara. Do outro lado da baía, está Niterói, abrigando outro museu, obra famosa de Oscar Niemeyer. Deste museu onde estou observando os barcos em frente, imagino o túnel que está sendo criado para se chegar até lá, onde estão outras obras de arte.
O diretor do MAR, Museu de Arte do Rio, nos mostrou os diversos espaços destinados às obras do passado e do presente.
O MAR é um grande navio parado no porto, um navio ancorado e cheio de obras primas da arte brasileira. As obras vão desfilando aos nossos olhos, mostrando o Rio desde épocas remotas, quando ainda não havia a fotografia, um Rio de Janeiro sempre belo, desde a época do descobrimento até os dias de hoje. Começamos pela parte de cima, onde estão os paisagistas vindos de outras terras, até os andares de baixo com enormes salões. Neles a arte moderna e a arte contemporânea vão descortinando outra história, a do Brasil ventilado pelo sopro da Europa, brasileiros se unindo a outras terras, num abraço confraternizador. Isto porque o abraço feito através da arte é sempre confraternizador, ele nos lembra que somos todos irmãos e não existem diferenças. Colecionadores nos mostram o quanto de amor foi necessário para reunir obras em seu precioso acervo, cedido com generosidade ao público. Acervos bem escolhidos devem ser mostrados e, no momento, parabenizo o acervo da coleção Fadel, sobre o construtivismo brasileiro. As obras da exposição Vontade Construtiva têm uma seqüência, se harmonizam em qualidade e precisão. Ali estão os meus grandes amigos do passado, Volpi, Maria Leontina, Mário Silésio, Marília Giannetti, Franz Weissmann, Amilcar de Castro. Meu quadro está junto deles e vai me trazendo lembranças da época, quando o concretismo surgiu no Brasil, para nos conduzir à disciplina do traço, da linha, das cores chapadas, da valorização da forma por ela mesma, sem necessidade de significar algo. Um passeio pelo concretismo é uma caminhada até nossa própria origem indígena e a fusão harmoniosa desta origem com a mensagem vinda de fora, do continente europeu.
“Eu nunca te encontraria, se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos faz lembrar a razão pela qual o construtivismo vigorou com tanta energia no Brasil, que já estava há séculos preparado para recebê-lo.
A coleção construtivista de Fadel é uma jóia de arte que deve ser mostrada e, sobretudo, muito estudada.Os curadores revelaram uma vontade construtiva na forma harmoniosa como colocaram os quadros nas paredes.

Fui convidada para pronunciar uma palestra sobre o construtivismo em Minas. Recordei aspectos ainda não divulgados, do nosso pequeno grupo, que abraçou com entusiasmo as novas idéias vindas de São Paulo, da 1° Bienal e assimiladas e transformadas nas montanhas mineiras. Ali estavam presentes o diretor cultural do museu, os curadores Paulo Herkenhoff e Roberto Conduru. Ao final ficou decidido que eu voltaria em junho para repetir a palestra para um público maior.

*Fotos de Marília Andrés e Alice Andrés.

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quinta-feira, 25 de abril de 2013


ALEXANDRE ANDRÉS, O MÚSICO


Alexandre Andrés formou-se em música pela UFMG em dezembro de 2011. O tempo passou numa velocidade incrível. Lembro-me de Alexandre pequenino, tocando flauta no meu aniversário em casa de Marília. Tocou uma peça de Mozart, acompanhado por Artur,seu pai, diante de  uma platéia emocionada. “Este menino vai longe”, escutei alguém comentando.
Hoje Alexandre realiza concertos em várias cidades do Brasil e para sua formatura planejou uma programação de alta qualidade que, segundo Maurício Freire,diretor da escola de Música  e professor de Alexandre, poderia ser apresentada em qualquer teatro do Mundo.
Alexandre escolheu para seu repertório de formatura  compositores eruditos e também composições de sua autoria, algumas ainda inéditas. Participamos de uma viagem no tempo, do barroco de Vivaldi e Bach até as composições contemporâneas de sua própria autoria.
A flauta foi abrindo caminho por diversas épocas da história da música e nos conduzindo até os dias de hoje. Para a apresentação o jovem Alexandre reuniu uma equipe de jovens de 20 e poucos anos, que traduziram o momento em que vivemos: música contemporânea da melhor qualidade, permitindo mostrar a capacidade dos jovens de executar com a mesma espontaneidade tanto o barroco quanto os sons do século XXI. Eles nos mostraram cada vez mais a necessidade da música para a harmonização do planeta.
Um estúdio rural
Artur e Alexandre projetaram este pequeno estúdio, todo feito de bambu. O bambu foi usado na cobertura do imenso salão.  Agora vejo o bambu como isolante de sons, protegendo as paredes dos diversos módulos da gravação. Fui visitá-los para ver os músicos gravando o CD de músicas autorais de Leonora Weissman e Rafael Martins.
Nos três módulos, instrumentos musicais, microfones, computadores. Os jovens estavam atentos e silenciosos, olhos e ouvidos para os detalhes da música, nada passava desapercebido. Eu, como visitante, via cores que se acendiam e apagavam nos computadores, como telas concretistas em movimento.
Alexandre Andrés me deu o depoimento abaixo:
"Temos uma produção musical muito grande e precisamos  registrar essas músicas. Se dependermos de estúdios ou das leis de incentivo, os projetos não teriam continuidade. Aqui na fazenda foi construído um pequeno estúdio que preenche a necessidade de colocação de nossas músicas. Escolhemos este lugar por ser afastado dos movimentos da cidade. Há duas janelas acústicas dando para uma mata e nos intervalos das gravações, respiramos olhando o verde em frente e o lento caminhar das vaquinhas no campo. Há  também o coaxar dos  sapos que parecem escutar os ensaios". No meio das gravações, atendemos a um chamado aflito de Leonora:
“Uma vaca caiu no buraco!"
Todos pararam de gravar para retirar a vaquinha. Neste ambiente de integração com a natureza, Alexandre e Artur realizam um trabalho de grande originalidade.
A arte, nascida do encontro do homem consigo mesmo, em comunhão com a natureza, é uma arte universal, sem fronteiras. Ela nos  mostra o retorno às origens, em seus múltiplos aspectos, em diferentes regiões do planeta, uma unidade de essência que o tempo e a distância não conseguiram modificar.

*Fotos de Alexandre Andrés e Leonora Weissman

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segunda-feira, 1 de abril de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO II


Para nos compreendermos como uma síntese do universo, devemos começar com a educação de todas as potencialidades contidas em nosso corpo, de nossos movimentos e vibrações mais sutis. Somente correspondendo à grandeza do mecanismo de nosso próprio corpo, de nosso psiquismo e de nossa mente com todo o seu potencial, poderemos alcançar a realização de nós mesmos como seres humanos, vivos e habitantes de um planeta. A verdadeira paz “em escala planetária”  brota espontânea desse conhecimento de nós mesmos. Só então seremos livres e poderemos repetir como o oráculo de Delfos: “Conhece-te e sê livre”.
Muitas pessoas não sabem qual profissão seguir; as práticas de autoconhecimento, a reflexão e a observação constante dos “sinais da vida”, ou seja, estar atento ao fluir dos acontecimentos e às respostas que eles nos trazem, podem ser úteis nesta descoberta. Se aprofundarmos o nosso conhecimento profissional, melhoramos a qualidade do trabalho; mas, para que não sejamos “especialistas fragmentados”, poderíamos enriquecer nosso dia a dia também com atividades diversificadas. Essas, além de despertarem potencialidades dentro de nós, nos harmonizam, possibilitando até um maior rendimento no trabalho. Atualmente, os artistas estão compreendendo que o desenvolvimento de suas aptidões artísticas não se destina apenas a apresentações públicas e ao reforço do ego, mas ao trabalho muitas vezes anônimo de ajudar os outros a criar. A evidência de tais acontecimentos eleva o conceito da arte para um plano superior, onde ela encontra a reeducação do ser humano como princípio básico. Antes, as pessoas só procuravam cursos de arte quando pretendiam seguir uma carreira profissional. Hoje, essas atividades também são consideradas como forma de harmonização do ser humano, além de despertar o lúdico e a alegria de viver. Promovem não só o equilíbrio do indivíduo, mas também a melhoria de seu relacionamento com outras pessoas e com o mundo à sua volta.
A partir do momento em que as pessoas reconhecem seus dons e talentos e os desenvolvem partindo da própria essência, elas se realizam e passam a respeitar os outros e a admirar as diferenças que existem em cada uma delas. Isto contribui naturalmente para transformar atitudes de competição em cooperação e revalorização do trabalho em equipe.
Num mundo globalizado, onde os valores econômicos são colocados de forma prioritária, a arte pode parecer desnecessária. Porém cabe justamente a ela o grande papel de harmonizadora de conflitos internos, vindo a influir mais tarde nos conflitos externos da sociedade. Para haver a harmonização do ser humano, torna-se necessária a união dos opostos, razão e intuição, o equilíbrio do lado esquerdo e direito do cérebro. Também para a harmonização do planeta, torna-se necessário o equilíbrio dos seus lados esquerdo e direito, que correspondem à razão do mundo ocidental e à intuição do oriental.
A identificação do artista ou artesão com esse sentimento universal produziu, desde épocas remotas, obras de arte que permanecem no tempo, com a vitalidade do momento criador. Sentimos esta energia espiritual na arte dos povos primitivos, nas esculturas egípcias, na arte pré- colombiana, na arte cristã e na oriental. O gesto do artesão anônimo esculpindo a pedra ou trabalhando a madeira era cheio de temor diante do invisível. Sintonizando o movimento da mão com o movimento da alma, o artista ou artesão integrava-se ao universo, associando a criatividade ao impulso místico. Sua arte expressava o individual e a profundidade do sentimento universal. Acompanhando a evolução da arte ao longo da história, podemos ver a importância da espiritualidade estimulando a criação artística, desde as mais remotas civilizações. Lidando com a terra, a água e o fogo, os artesãos se aproximam da essência do ser humano, tocando, às vezes, os mesmos símbolos e arquétipos que inspiraram outros artesãos em diferentes partes do mundo.

Finalizando, podemos dizer que a arte estendida à vida é a resposta que diversos grupos de pessoas estão dando a um chamado cósmico de evolução do planeta.

Fotos de Ivana Andrés

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segunda-feira, 18 de março de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO I


Para considerarmos a arte como a grande construtora da paz no mundo, teremos de estudá-la sob o ponto de vista de seus valores educativos.
Herbert Read mostra-nos a influência do meio sobre o desenvolvimento da consciência do ser humano. Isso nos indicaria também a necessidade da arte na educação para despertar essa consciência. Uma educação que visa apenas ao acúmulo de conhecimentos ou à repetição de fórmulas do passado seria uma educação fragmentada. Não atingiria o desenvolvimento da criança sob todos os seus múltiplos aspectos. O acúmulo de conhecimentos teóricos, não vivenciados, permite apenas uma visão parcial. Para haver compreensão total, é necessário viver o aprendizado e percebê-lo de forma global. O papel de educador assume um caráter de constante humildade diante do novo que desperta. A criança tem sua própria individualidade e não pode ser moldada de acordo com normas. Desta forma, o desenvolvimento da consciência, feito com o auxílio da arte torna-se um processo natural de crescimento. O conhecimento do corpo nos faz conscientes de nossa realidade mais profunda. Sentimos que estamos unidos a tudo o que existe, percebemos o nosso relacionamento com os animais, as pessoas e a natureza. O corpo é o primeiro instrumento de conscientização. O movimento do corpo traria como conseqüência o movimento das mãos, que funcionam como intermediárias entre a mente, o físico e as emoções.
Na educação pela arte, as mãos ocupam um lugar de grande importância, pois permitem o extravasamento imediato dos símbolos do inconsciente, aflorados através de formas, cores e sinais gráficos. As projeções da criança, seus primeiros contatos com a família e a sociedade são revelados em sua arte. A criança não consegue se esconder em seus desenhos. Mostra-se totalmente, deixando-se expandir sem reservas; seja no desenho, na pintura, na modelagem ou na construção espacial, a criança está diretamente revelando o seu mundo. Todas as atividades não verbais estão em contato direto com as emoções, os sentimentos e o intelecto, o que permite trazer à tona alguma coisa daquilo que a palavra não pode atingir.
A educação pela arte desperta na criança, no adolescente e no adulto aquilo que ele tem de positivo e com isso contribui para o seu equilíbrio como pessoa humana.

*Fotos de Luiz Cruz

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sábado, 23 de fevereiro de 2013


FOLIA DE REIS, SRI AUROBINDO E EDUCAÇÃO INTEGRAL


No início de 2013 passei alguns dias em Brasília. Logo no nosso primeiro dia ali, tivemos a oportunidade de participar de um evento que se realizava na casa de Yara Magalhães, uma senhora do Ceará que se estabeleceu em Brasília na década de 90.
Sua casa, com uma sala ampla, apropriada para receber pessoas, está periodicamente aberta ao publico interessado em cultura, arte, folclore e educação. No dia 6 de janeiro, comemorou-se a Folia de Reis, ou Folia da Paz, da qual participam artistas dos Bordados Dumont, da Casa de Agostinho da Silva, dos Tambores do Paranoá e de Martinha do Coco. Esses grupos se reúnem para celebrar o Natal, Reis e Pentecostes, trazendo a mensagem de paz para os participantes.
Houve a alegria contagiante da dança de roda em torno da fogueira, com as pessoas de mãos dadas, cantando as canções mais conhecidas, tais como Calix Bento e outras canções de domínio público.
O calor era transmitido pelas mãos dadas e pela fogueira no centro da roda, que levantava estrelas de fogo sobre terreno de terra. Lá no alto, as estrelas também pareciam participar daquela energia coletiva de comunicação e paz.
A paz pode e deve ser transmitida em silêncio ou cantando uma canção coletiva, mãos dadas por onde percorre a mesma energia de solidariedade e amor.
“Isto não é uma festa como outra qualquer, é uma celebração, uma performance. Todos juntos celebramos a união dos povos e a paz do mundo” . Com esse pensamento eu pude perceber as pessoas e conhecer os cantores, os músicos, as bordadeiras, os tambores...
Foi a primeira impressão que tive de Brasília nesta viagem, uma impressão harmoniosa abençoada pela festa de Reis. A folia de Reis, lá no interior de Minas Gerais, é uma festa muito popular e reúne pessoas de diversos grupos sociais que ensaiam o ano todo para se apresentarem com as famílias, maridos, filhos, noras, sobrinhos. Saem de casa em casa cantando, como os trovadores de antigamente.
Em Brasília, vejo estandartes representando Jesus menino, anjos e outras figuras bíblicas. O catolicismo incentivou a criação desses grupos que vieram de uma tradição portuguesa e ainda vigoram até os nossos dias.
Yara abre as portas de seu mirante porque acredita na união das pessoas em torno da arte. Ela estuda as idéias de Sri Aurobindo e sempre está disponível para aprender e divulgar o grande pensador indiano e gostaria de saber melhor o trabalho de yoga integral de Sri Aurobindo. Forneci a ela dados sobre as minhas visitas às escolas de Sri Aurobindo não somente em Pondicherry, como em Auroville, (cidade Aurora) e em Delhi, no Sri Aurobindo Ashram.
Seguem aqui textos de Rolf Gelewsky, seguidor de Aurobindo e grande educador e dançarino: “Educar é revelar, trazer para fora, tornar patente o imenso potencial latente que aguarda as condições adequadas para se tornar manifesto. É, segundo Aurobindo, extrair de si o melhor e torna-lo perfeito para um uso nobre. Disso pode resultar uma vivencia tão autentica e de tal força que desperte uma identificação cada vez mais profunda do ser humano com seu caminho, um interesse cada vez mais total pela humanidade, pela condição humana, pelo objetivo e destino de todos nos.” Educar para o futuro, 1978 (adaptado).
Segundo Aurobindo, “educar, podemos dizer, significa ajudar a acordar, ajudar a encontrar no próprio ser o ímpeto, a vontade de movimentar-se e buscar e descobrir, de crescer, de progredir (...) significa também aprender a lutar, aprender a intensificar a existência e cumpri-la com decisão e consciência. Educar, basicamente é ajudar a assumir a vida; é levar o ser a procurar e a aspirar à verdade, a sentir e chamar a luz e a força encobertas nele mesmo;  faze-lo perceber a grande possibilidade que a vida é , o que com ela recebemos, e aprender, conscientemente, a querê-la, vive-la , dá-la.”
“Privar o ser humano do que lhe é próprio e característico, negar ou desconsiderar as oportunidades para a sua individuação é “causar-lhe um mal permanente, mutilar o seu crescimento e deformar sua perfeição. Isto é um ferimento à Nação que perde o benefício do melhor que um homem poderia ter-lhe dado e é forçada, em vez disto, a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, superficial e comum.”
 “Nós não somos apenas aquilo que sabemos de nós, mas um imenso MAIS que não sabemos; nossa momentânea personalidade é somente uma bolha sobre o oceano de nossa existência”.

*Fotos de Maurício Andrés e da internet

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


MEU ENCONTRO COM BENÉ FONTELES


Há muitos anos atrás, recebi um pedido vindo de Brasília, não sei se do Pierre Weil ou do Maurício, para hospedar um artista em minha casa no Retiro das Pedras. Esse artista é hoje o famoso Bené Fonteles, que naquele momento precisava visitar Belo Horizonte. Bené esteve em minha casa alguns dias, nem me lembro se foram semanas, mas, sua intensa criatividade ficou para sempre em minha memória. Bené, naquela época, além de escrever poemas, também recitava esses poemas para grupos pequenos, como nos antigos saraus.
Certo dia, voltando de Belo Horizonte onde estivera para acompanhar minha mãe, encontrei minha casa no Retiro toda iluminada e festiva. A sala estava cheia de amigos do Bené e ele, no centro da roda declamava suas poesias. Para mim foi surpresa e ao mesmo tempo admiração ver minha casa transformada em palco de teatro.
Hoje, vejo Bené em Brasília, na noite de Folia de Reis, acendendo a fogueira, carregando o estandarte, cantando e dançando. Continua a mesma pessoa, cheia de vida e grande ternura para com o ser humano. Bené é um artista de muitas facetas e tanto produziu obras nas tradicionais telas como todos nós pintores, como também transgrediu as normas e hoje realiza trabalhos no campo ampliado da arte contemporânea. Usa materiais diversos, peças de ferro, de carro de boi, corais sobre tecelagem indígena, couro de ovelhas, conchas, ferramentas, vasos, cerâmicas, esculturas de Buda e dos Orixás, coletados ao longo do tempo e organizados em forma de memória.
Bené ampliou seu campo para instalações e no centro dos objetos coletados declamava seus versos. No Museu de Arte de São Paulo, em cima de um tablado, todo vestido de branco, Bené declamava seus versos, como no tempo em que nos encontramos na minha casa, no alto das montanhas do Retiro das Pedras.
Reencontrar Bené em Brasília, cercado de amigos, foi um grande prazer e me foi possível constatar o fato de que o artista é e sempre será uma voz que clama muitas vezes no deserto, mas que sempre está abrindo caminho para o novo, o não dito, o ainda não experimentado. Ele transgride a sociedade sem agredi-la, pode se cercar de admiradores ou ser rejeitado, mas está sempre aberto para novas aventuras.
Abrir caminho para as gerações futuras mostra que a poesia, o teatro, a música, os tambores indígenas e os cocares coloridos são aspectos múltiplos da grande arte que se manifesta na vida, nos grupos folclóricos e nas rodas infantis. Tudo isto é vida e a vida para Bené merece ser vivida.

 *Fotos de Mila Petrielo e Maurício Andrés

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


ARTE ABSTRATA, COSMOS E ECOLOGIA


Recebi de Maurício um texto sobre a afinidade da arte abstrata com a realidade mostrada pela ciência contemporânea que reproduzo abaixo:
“Neste século XXI a humanidade se defronta com temas de grande abrangência nunca antes enfrentados. As mudanças climáticas trazem eventos extremos de secas, enchentes, furacões intensos e frequentes, com repercussões vitais para a segurança alimentar e a qualidade de vida. Há uma acelerada transformação do planeta que exige uma percepção sensível, conhecimento e capacidade de adaptação.
As tecnologias espaciais e de comunicação global permitem visualizar a Terra com a visão dos astronautas, que escaparam da biosfera e passeiam no cosmos. Com o apoio de telescópios potentes, tais como o Hubble, é possível estudar e conhecer as dimensões do universo e das galáxias.  O macro mundo dos astrônomos apresenta imagens abstratas. É outra dimensão da realidade, cósmica, dinâmica, com suas linhas curvas, espirais das galáxias, cores, as explosões do cosmos. Da mesma forma, na escala do micro mundo, os microscópios visualizam dimensões mínimas da realidade, que também apresentam formas abstratas. A física quântica mostra um universo distinto, não concreto, não sólido – fluido, abstrato, porém muito real. Trata-se de uma dimensão essencial da realidade, invisível a olho nu, perceptível por meio de instrumentos, tais como telescópios e microscópios, que permitem penetrar no âmago da matéria e escapar do mundo das aparências sensorialmente percebidas.
A arte abstrata está em sintonia com essa percepção contemporânea da ciência e transcende o realismo figurativo ou o mecanicismo concreto. Há várias formas de arte abstrata. O abstracionismo informal difere do realismo socialista, que focaliza a realidade visível a olho nu, a matéria percebida pelos sentidos e valoriza o aspecto social, a figura humana e o seu contexto. Também se diferencia da arte concreta, que valoriza a  geometria, a construção mental da realidade. O concretismo corresponde a uma etapa da civilização que valorizou as máquinas, a engenharia, um mundo que se urbaniza e industrializa rapidamente. Já o abstracionismo informal valoriza as configurações cósmicas e atmosféricas do macro universo e as configurações encontradas no micro mundo das células, átomos, bactérias.
O artista abstrato tem o grande mérito e a capacidade de buscar a essência da realidade e visualizar aspectos do micro e do macro universo, para além das aparências, difíceis de serem compreendidos pelo cidadão mediano, que percebe com seus sentidos a realidade imediata, mas que é pouco sensível a outras dimensões.
O abstracionismo lida com realidades presentes nas escalas micro e macro do universo.
O abstracionismo informal tem um significado especial nesse momento em que o universo é explorado e melhor conhecido, e a dimensão cósmica da realidade se torna mais próxima e visível. As paisagens aéreas das nuvens no céu, com suas formas fluidas e dinâmicas também são uma dimensão da realidade cada vez mais merecedora de atenção e de observação pelos cientistas, no mundo atual que se encontra às voltas com as mudanças climáticas. As variações de cores nos céus e a dinâmica das nuvens estão presentes nas paisagens atmosféricas dos céus de Minas, e também inspiram artistas abstratos.” (Maurício Andrés)
 
Fotos: Maurício Andrés, telescópio Hubble e Wikipedia

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