sexta-feira, 24 de maio de 2013


PAUL MACCARTEY EM BELO HORIZONTE


Paul McCartey cantou em BH, inaugurando com grande sucesso o nosso estádio, reservado para jogos de futebol e grandes apresentações artísticas.
Paul veio de Londres e foi recebido com carinho por uma multidão de fãs. Trouxe consigo uma banda de alta qualidade e uma produção pirotécnica resplandecente. Os fogos de artifício davam um caráter mágico à apresentação e no meio de cores e luzes, as músicas dos Beatles foram tocadas com a participação calorosa de fãs vindos de várias partes do Brasil.
Paul McCartey chorou quando chegou ao palco e viu o quanto era amado por aquela multidão. Nas arquibancadas os celulares acesos pareciam em seu conjunto um céu estrelado.
Na noite serena e fria de maio, as estrelas também aplaudiam o show.
A missão de Paul neste nosso conturbado mundo ocidental não terminou com a separação do grupo e a morte de dois de seus  integrantes, John Lennon e George Harrisson.
Paul é grande apologista do vegetarianismo, defende os animais e acha que eles têm direito à vida.
O exemplo dos Beatles levou muitos jovens a largarem o conforto das famílias para caminharem, mochilas às costas, pelas estradas poeirentas da Índia.
Paz e Amor era o slogan que esses jovens pregavam como bandeira.
Lembro-me do “ashram” (comunidade espiritualista) onde os Beatles receberam suas iniciações, situado à beira do Ganges em Rishkesh, norte da Índia.
Muitos jovens aprenderam a meditar com o exemplo dos Beatles, e suas músicas se espalharam pelo mundo como uma grande mensagem de paz.
Até hoje os Beatles continuam trazendo para todos nós a proposta de não violência, não consumismo e vegetarianismo.
A música é, sem dúvida, de todas as artes a que mais emociona.
 Escreve Edgar Poe: "Nós somos devorados por uma sede inextinguível. Esta sede faz parte da imortalidade do homem. Ela é uma conseqüência e, ao mesmo tempo, um sinal de sua existência sem termo. Então, quando a poesia, ou a mais enervante das formas poéticas, a música, nos fazem cair em lágrimas, choramos, não por excesso de prazer, e sim em razão de uma melancolia positiva, impetuosa, impaciente, que experimentamos por causa da nossa incapacidade  de discernir, plenamente, aqui nesta terra, uma vez por todas, aquelas alegrias divinas de que, através do poema ou da música, não atingimos, senão vislumbramos."
Transcrevo aqui os depoimentos de Carlos Starling e Alexandre Andrés, que assistiram de perto a apresentação:
“O show do Paul... Viagem no tempo, encontro com um amigo que não te conhece, mas te emocionou a vida inteira. Poesia absoluta! Emoção absoluta!” (Carlos Starling)
“Milhares de pessoas assistindo e cantando músicas da época dos Beatles, dos Wings e novas canções dedicadas a John, ao George e às suas antigas e atuais mulheres. Ver o meu ídolo de pertinho me emocionou muito! Impressionante aquele senhor de 70 anos que continua compondo e cantando lindamente até hoje!!!” (Alexandre Andrés)

*Fotos da internet

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quarta-feira, 8 de maio de 2013


UMA VISITA AO MUSEU DE ARTE DO RIO


Sempre gostei de desenhar e pintar veleiros. Talvez seja pela estrutura dos mastros que energeticamente sustentam a fluidez das velas – navegantes do espaço. No momento me encontro no Museu do Rio de Janeiro, junto à baía da Guanabara. Do outro lado da baía, está Niterói, abrigando outro museu, obra famosa de Oscar Niemeyer. Deste museu onde estou observando os barcos em frente, imagino o túnel que está sendo criado para se chegar até lá, onde estão outras obras de arte.
O diretor do MAR, Museu de Arte do Rio, nos mostrou os diversos espaços destinados às obras do passado e do presente.
O MAR é um grande navio parado no porto, um navio ancorado e cheio de obras primas da arte brasileira. As obras vão desfilando aos nossos olhos, mostrando o Rio desde épocas remotas, quando ainda não havia a fotografia, um Rio de Janeiro sempre belo, desde a época do descobrimento até os dias de hoje. Começamos pela parte de cima, onde estão os paisagistas vindos de outras terras, até os andares de baixo com enormes salões. Neles a arte moderna e a arte contemporânea vão descortinando outra história, a do Brasil ventilado pelo sopro da Europa, brasileiros se unindo a outras terras, num abraço confraternizador. Isto porque o abraço feito através da arte é sempre confraternizador, ele nos lembra que somos todos irmãos e não existem diferenças. Colecionadores nos mostram o quanto de amor foi necessário para reunir obras em seu precioso acervo, cedido com generosidade ao público. Acervos bem escolhidos devem ser mostrados e, no momento, parabenizo o acervo da coleção Fadel, sobre o construtivismo brasileiro. As obras da exposição Vontade Construtiva têm uma seqüência, se harmonizam em qualidade e precisão. Ali estão os meus grandes amigos do passado, Volpi, Maria Leontina, Mário Silésio, Marília Giannetti, Franz Weissmann, Amilcar de Castro. Meu quadro está junto deles e vai me trazendo lembranças da época, quando o concretismo surgiu no Brasil, para nos conduzir à disciplina do traço, da linha, das cores chapadas, da valorização da forma por ela mesma, sem necessidade de significar algo. Um passeio pelo concretismo é uma caminhada até nossa própria origem indígena e a fusão harmoniosa desta origem com a mensagem vinda de fora, do continente europeu.
“Eu nunca te encontraria, se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos faz lembrar a razão pela qual o construtivismo vigorou com tanta energia no Brasil, que já estava há séculos preparado para recebê-lo.
A coleção construtivista de Fadel é uma jóia de arte que deve ser mostrada e, sobretudo, muito estudada.Os curadores revelaram uma vontade construtiva na forma harmoniosa como colocaram os quadros nas paredes.

Fui convidada para pronunciar uma palestra sobre o construtivismo em Minas. Recordei aspectos ainda não divulgados, do nosso pequeno grupo, que abraçou com entusiasmo as novas idéias vindas de São Paulo, da 1° Bienal e assimiladas e transformadas nas montanhas mineiras. Ali estavam presentes o diretor cultural do museu, os curadores Paulo Herkenhoff e Roberto Conduru. Ao final ficou decidido que eu voltaria em junho para repetir a palestra para um público maior.

*Fotos de Marília Andrés e Alice Andrés.

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quinta-feira, 25 de abril de 2013


ALEXANDRE ANDRÉS, O MÚSICO


Alexandre Andrés formou-se em música pela UFMG em dezembro de 2011. O tempo passou numa velocidade incrível. Lembro-me de Alexandre pequenino, tocando flauta no meu aniversário em casa de Marília. Tocou uma peça de Mozart, acompanhado por Artur,seu pai, diante de  uma platéia emocionada. “Este menino vai longe”, escutei alguém comentando.
Hoje Alexandre realiza concertos em várias cidades do Brasil e para sua formatura planejou uma programação de alta qualidade que, segundo Maurício Freire,diretor da escola de Música  e professor de Alexandre, poderia ser apresentada em qualquer teatro do Mundo.
Alexandre escolheu para seu repertório de formatura  compositores eruditos e também composições de sua autoria, algumas ainda inéditas. Participamos de uma viagem no tempo, do barroco de Vivaldi e Bach até as composições contemporâneas de sua própria autoria.
A flauta foi abrindo caminho por diversas épocas da história da música e nos conduzindo até os dias de hoje. Para a apresentação o jovem Alexandre reuniu uma equipe de jovens de 20 e poucos anos, que traduziram o momento em que vivemos: música contemporânea da melhor qualidade, permitindo mostrar a capacidade dos jovens de executar com a mesma espontaneidade tanto o barroco quanto os sons do século XXI. Eles nos mostraram cada vez mais a necessidade da música para a harmonização do planeta.
Um estúdio rural
Artur e Alexandre projetaram este pequeno estúdio, todo feito de bambu. O bambu foi usado na cobertura do imenso salão.  Agora vejo o bambu como isolante de sons, protegendo as paredes dos diversos módulos da gravação. Fui visitá-los para ver os músicos gravando o CD de músicas autorais de Leonora Weissman e Rafael Martins.
Nos três módulos, instrumentos musicais, microfones, computadores. Os jovens estavam atentos e silenciosos, olhos e ouvidos para os detalhes da música, nada passava desapercebido. Eu, como visitante, via cores que se acendiam e apagavam nos computadores, como telas concretistas em movimento.
Alexandre Andrés me deu o depoimento abaixo:
"Temos uma produção musical muito grande e precisamos  registrar essas músicas. Se dependermos de estúdios ou das leis de incentivo, os projetos não teriam continuidade. Aqui na fazenda foi construído um pequeno estúdio que preenche a necessidade de colocação de nossas músicas. Escolhemos este lugar por ser afastado dos movimentos da cidade. Há duas janelas acústicas dando para uma mata e nos intervalos das gravações, respiramos olhando o verde em frente e o lento caminhar das vaquinhas no campo. Há  também o coaxar dos  sapos que parecem escutar os ensaios". No meio das gravações, atendemos a um chamado aflito de Leonora:
“Uma vaca caiu no buraco!"
Todos pararam de gravar para retirar a vaquinha. Neste ambiente de integração com a natureza, Alexandre e Artur realizam um trabalho de grande originalidade.
A arte, nascida do encontro do homem consigo mesmo, em comunhão com a natureza, é uma arte universal, sem fronteiras. Ela nos  mostra o retorno às origens, em seus múltiplos aspectos, em diferentes regiões do planeta, uma unidade de essência que o tempo e a distância não conseguiram modificar.

*Fotos de Alexandre Andrés e Leonora Weissman

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segunda-feira, 1 de abril de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO II


Para nos compreendermos como uma síntese do universo, devemos começar com a educação de todas as potencialidades contidas em nosso corpo, de nossos movimentos e vibrações mais sutis. Somente correspondendo à grandeza do mecanismo de nosso próprio corpo, de nosso psiquismo e de nossa mente com todo o seu potencial, poderemos alcançar a realização de nós mesmos como seres humanos, vivos e habitantes de um planeta. A verdadeira paz “em escala planetária”  brota espontânea desse conhecimento de nós mesmos. Só então seremos livres e poderemos repetir como o oráculo de Delfos: “Conhece-te e sê livre”.
Muitas pessoas não sabem qual profissão seguir; as práticas de autoconhecimento, a reflexão e a observação constante dos “sinais da vida”, ou seja, estar atento ao fluir dos acontecimentos e às respostas que eles nos trazem, podem ser úteis nesta descoberta. Se aprofundarmos o nosso conhecimento profissional, melhoramos a qualidade do trabalho; mas, para que não sejamos “especialistas fragmentados”, poderíamos enriquecer nosso dia a dia também com atividades diversificadas. Essas, além de despertarem potencialidades dentro de nós, nos harmonizam, possibilitando até um maior rendimento no trabalho. Atualmente, os artistas estão compreendendo que o desenvolvimento de suas aptidões artísticas não se destina apenas a apresentações públicas e ao reforço do ego, mas ao trabalho muitas vezes anônimo de ajudar os outros a criar. A evidência de tais acontecimentos eleva o conceito da arte para um plano superior, onde ela encontra a reeducação do ser humano como princípio básico. Antes, as pessoas só procuravam cursos de arte quando pretendiam seguir uma carreira profissional. Hoje, essas atividades também são consideradas como forma de harmonização do ser humano, além de despertar o lúdico e a alegria de viver. Promovem não só o equilíbrio do indivíduo, mas também a melhoria de seu relacionamento com outras pessoas e com o mundo à sua volta.
A partir do momento em que as pessoas reconhecem seus dons e talentos e os desenvolvem partindo da própria essência, elas se realizam e passam a respeitar os outros e a admirar as diferenças que existem em cada uma delas. Isto contribui naturalmente para transformar atitudes de competição em cooperação e revalorização do trabalho em equipe.
Num mundo globalizado, onde os valores econômicos são colocados de forma prioritária, a arte pode parecer desnecessária. Porém cabe justamente a ela o grande papel de harmonizadora de conflitos internos, vindo a influir mais tarde nos conflitos externos da sociedade. Para haver a harmonização do ser humano, torna-se necessária a união dos opostos, razão e intuição, o equilíbrio do lado esquerdo e direito do cérebro. Também para a harmonização do planeta, torna-se necessário o equilíbrio dos seus lados esquerdo e direito, que correspondem à razão do mundo ocidental e à intuição do oriental.
A identificação do artista ou artesão com esse sentimento universal produziu, desde épocas remotas, obras de arte que permanecem no tempo, com a vitalidade do momento criador. Sentimos esta energia espiritual na arte dos povos primitivos, nas esculturas egípcias, na arte pré- colombiana, na arte cristã e na oriental. O gesto do artesão anônimo esculpindo a pedra ou trabalhando a madeira era cheio de temor diante do invisível. Sintonizando o movimento da mão com o movimento da alma, o artista ou artesão integrava-se ao universo, associando a criatividade ao impulso místico. Sua arte expressava o individual e a profundidade do sentimento universal. Acompanhando a evolução da arte ao longo da história, podemos ver a importância da espiritualidade estimulando a criação artística, desde as mais remotas civilizações. Lidando com a terra, a água e o fogo, os artesãos se aproximam da essência do ser humano, tocando, às vezes, os mesmos símbolos e arquétipos que inspiraram outros artesãos em diferentes partes do mundo.

Finalizando, podemos dizer que a arte estendida à vida é a resposta que diversos grupos de pessoas estão dando a um chamado cósmico de evolução do planeta.

Fotos de Ivana Andrés

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segunda-feira, 18 de março de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO I


Para considerarmos a arte como a grande construtora da paz no mundo, teremos de estudá-la sob o ponto de vista de seus valores educativos.
Herbert Read mostra-nos a influência do meio sobre o desenvolvimento da consciência do ser humano. Isso nos indicaria também a necessidade da arte na educação para despertar essa consciência. Uma educação que visa apenas ao acúmulo de conhecimentos ou à repetição de fórmulas do passado seria uma educação fragmentada. Não atingiria o desenvolvimento da criança sob todos os seus múltiplos aspectos. O acúmulo de conhecimentos teóricos, não vivenciados, permite apenas uma visão parcial. Para haver compreensão total, é necessário viver o aprendizado e percebê-lo de forma global. O papel de educador assume um caráter de constante humildade diante do novo que desperta. A criança tem sua própria individualidade e não pode ser moldada de acordo com normas. Desta forma, o desenvolvimento da consciência, feito com o auxílio da arte torna-se um processo natural de crescimento. O conhecimento do corpo nos faz conscientes de nossa realidade mais profunda. Sentimos que estamos unidos a tudo o que existe, percebemos o nosso relacionamento com os animais, as pessoas e a natureza. O corpo é o primeiro instrumento de conscientização. O movimento do corpo traria como conseqüência o movimento das mãos, que funcionam como intermediárias entre a mente, o físico e as emoções.
Na educação pela arte, as mãos ocupam um lugar de grande importância, pois permitem o extravasamento imediato dos símbolos do inconsciente, aflorados através de formas, cores e sinais gráficos. As projeções da criança, seus primeiros contatos com a família e a sociedade são revelados em sua arte. A criança não consegue se esconder em seus desenhos. Mostra-se totalmente, deixando-se expandir sem reservas; seja no desenho, na pintura, na modelagem ou na construção espacial, a criança está diretamente revelando o seu mundo. Todas as atividades não verbais estão em contato direto com as emoções, os sentimentos e o intelecto, o que permite trazer à tona alguma coisa daquilo que a palavra não pode atingir.
A educação pela arte desperta na criança, no adolescente e no adulto aquilo que ele tem de positivo e com isso contribui para o seu equilíbrio como pessoa humana.

*Fotos de Luiz Cruz

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sábado, 23 de fevereiro de 2013


FOLIA DE REIS, SRI AUROBINDO E EDUCAÇÃO INTEGRAL


No início de 2013 passei alguns dias em Brasília. Logo no nosso primeiro dia ali, tivemos a oportunidade de participar de um evento que se realizava na casa de Yara Magalhães, uma senhora do Ceará que se estabeleceu em Brasília na década de 90.
Sua casa, com uma sala ampla, apropriada para receber pessoas, está periodicamente aberta ao publico interessado em cultura, arte, folclore e educação. No dia 6 de janeiro, comemorou-se a Folia de Reis, ou Folia da Paz, da qual participam artistas dos Bordados Dumont, da Casa de Agostinho da Silva, dos Tambores do Paranoá e de Martinha do Coco. Esses grupos se reúnem para celebrar o Natal, Reis e Pentecostes, trazendo a mensagem de paz para os participantes.
Houve a alegria contagiante da dança de roda em torno da fogueira, com as pessoas de mãos dadas, cantando as canções mais conhecidas, tais como Calix Bento e outras canções de domínio público.
O calor era transmitido pelas mãos dadas e pela fogueira no centro da roda, que levantava estrelas de fogo sobre terreno de terra. Lá no alto, as estrelas também pareciam participar daquela energia coletiva de comunicação e paz.
A paz pode e deve ser transmitida em silêncio ou cantando uma canção coletiva, mãos dadas por onde percorre a mesma energia de solidariedade e amor.
“Isto não é uma festa como outra qualquer, é uma celebração, uma performance. Todos juntos celebramos a união dos povos e a paz do mundo” . Com esse pensamento eu pude perceber as pessoas e conhecer os cantores, os músicos, as bordadeiras, os tambores...
Foi a primeira impressão que tive de Brasília nesta viagem, uma impressão harmoniosa abençoada pela festa de Reis. A folia de Reis, lá no interior de Minas Gerais, é uma festa muito popular e reúne pessoas de diversos grupos sociais que ensaiam o ano todo para se apresentarem com as famílias, maridos, filhos, noras, sobrinhos. Saem de casa em casa cantando, como os trovadores de antigamente.
Em Brasília, vejo estandartes representando Jesus menino, anjos e outras figuras bíblicas. O catolicismo incentivou a criação desses grupos que vieram de uma tradição portuguesa e ainda vigoram até os nossos dias.
Yara abre as portas de seu mirante porque acredita na união das pessoas em torno da arte. Ela estuda as idéias de Sri Aurobindo e sempre está disponível para aprender e divulgar o grande pensador indiano e gostaria de saber melhor o trabalho de yoga integral de Sri Aurobindo. Forneci a ela dados sobre as minhas visitas às escolas de Sri Aurobindo não somente em Pondicherry, como em Auroville, (cidade Aurora) e em Delhi, no Sri Aurobindo Ashram.
Seguem aqui textos de Rolf Gelewsky, seguidor de Aurobindo e grande educador e dançarino: “Educar é revelar, trazer para fora, tornar patente o imenso potencial latente que aguarda as condições adequadas para se tornar manifesto. É, segundo Aurobindo, extrair de si o melhor e torna-lo perfeito para um uso nobre. Disso pode resultar uma vivencia tão autentica e de tal força que desperte uma identificação cada vez mais profunda do ser humano com seu caminho, um interesse cada vez mais total pela humanidade, pela condição humana, pelo objetivo e destino de todos nos.” Educar para o futuro, 1978 (adaptado).
Segundo Aurobindo, “educar, podemos dizer, significa ajudar a acordar, ajudar a encontrar no próprio ser o ímpeto, a vontade de movimentar-se e buscar e descobrir, de crescer, de progredir (...) significa também aprender a lutar, aprender a intensificar a existência e cumpri-la com decisão e consciência. Educar, basicamente é ajudar a assumir a vida; é levar o ser a procurar e a aspirar à verdade, a sentir e chamar a luz e a força encobertas nele mesmo;  faze-lo perceber a grande possibilidade que a vida é , o que com ela recebemos, e aprender, conscientemente, a querê-la, vive-la , dá-la.”
“Privar o ser humano do que lhe é próprio e característico, negar ou desconsiderar as oportunidades para a sua individuação é “causar-lhe um mal permanente, mutilar o seu crescimento e deformar sua perfeição. Isto é um ferimento à Nação que perde o benefício do melhor que um homem poderia ter-lhe dado e é forçada, em vez disto, a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, superficial e comum.”
 “Nós não somos apenas aquilo que sabemos de nós, mas um imenso MAIS que não sabemos; nossa momentânea personalidade é somente uma bolha sobre o oceano de nossa existência”.

*Fotos de Maurício Andrés e da internet

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


MEU ENCONTRO COM BENÉ FONTELES


Há muitos anos atrás, recebi um pedido vindo de Brasília, não sei se do Pierre Weil ou do Maurício, para hospedar um artista em minha casa no Retiro das Pedras. Esse artista é hoje o famoso Bené Fonteles, que naquele momento precisava visitar Belo Horizonte. Bené esteve em minha casa alguns dias, nem me lembro se foram semanas, mas, sua intensa criatividade ficou para sempre em minha memória. Bené, naquela época, além de escrever poemas, também recitava esses poemas para grupos pequenos, como nos antigos saraus.
Certo dia, voltando de Belo Horizonte onde estivera para acompanhar minha mãe, encontrei minha casa no Retiro toda iluminada e festiva. A sala estava cheia de amigos do Bené e ele, no centro da roda declamava suas poesias. Para mim foi surpresa e ao mesmo tempo admiração ver minha casa transformada em palco de teatro.
Hoje, vejo Bené em Brasília, na noite de Folia de Reis, acendendo a fogueira, carregando o estandarte, cantando e dançando. Continua a mesma pessoa, cheia de vida e grande ternura para com o ser humano. Bené é um artista de muitas facetas e tanto produziu obras nas tradicionais telas como todos nós pintores, como também transgrediu as normas e hoje realiza trabalhos no campo ampliado da arte contemporânea. Usa materiais diversos, peças de ferro, de carro de boi, corais sobre tecelagem indígena, couro de ovelhas, conchas, ferramentas, vasos, cerâmicas, esculturas de Buda e dos Orixás, coletados ao longo do tempo e organizados em forma de memória.
Bené ampliou seu campo para instalações e no centro dos objetos coletados declamava seus versos. No Museu de Arte de São Paulo, em cima de um tablado, todo vestido de branco, Bené declamava seus versos, como no tempo em que nos encontramos na minha casa, no alto das montanhas do Retiro das Pedras.
Reencontrar Bené em Brasília, cercado de amigos, foi um grande prazer e me foi possível constatar o fato de que o artista é e sempre será uma voz que clama muitas vezes no deserto, mas que sempre está abrindo caminho para o novo, o não dito, o ainda não experimentado. Ele transgride a sociedade sem agredi-la, pode se cercar de admiradores ou ser rejeitado, mas está sempre aberto para novas aventuras.
Abrir caminho para as gerações futuras mostra que a poesia, o teatro, a música, os tambores indígenas e os cocares coloridos são aspectos múltiplos da grande arte que se manifesta na vida, nos grupos folclóricos e nas rodas infantis. Tudo isto é vida e a vida para Bené merece ser vivida.

 *Fotos de Mila Petrielo e Maurício Andrés

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


ARTE ABSTRATA, COSMOS E ECOLOGIA


Recebi de Maurício um texto sobre a afinidade da arte abstrata com a realidade mostrada pela ciência contemporânea que reproduzo abaixo:
“Neste século XXI a humanidade se defronta com temas de grande abrangência nunca antes enfrentados. As mudanças climáticas trazem eventos extremos de secas, enchentes, furacões intensos e frequentes, com repercussões vitais para a segurança alimentar e a qualidade de vida. Há uma acelerada transformação do planeta que exige uma percepção sensível, conhecimento e capacidade de adaptação.
As tecnologias espaciais e de comunicação global permitem visualizar a Terra com a visão dos astronautas, que escaparam da biosfera e passeiam no cosmos. Com o apoio de telescópios potentes, tais como o Hubble, é possível estudar e conhecer as dimensões do universo e das galáxias.  O macro mundo dos astrônomos apresenta imagens abstratas. É outra dimensão da realidade, cósmica, dinâmica, com suas linhas curvas, espirais das galáxias, cores, as explosões do cosmos. Da mesma forma, na escala do micro mundo, os microscópios visualizam dimensões mínimas da realidade, que também apresentam formas abstratas. A física quântica mostra um universo distinto, não concreto, não sólido – fluido, abstrato, porém muito real. Trata-se de uma dimensão essencial da realidade, invisível a olho nu, perceptível por meio de instrumentos, tais como telescópios e microscópios, que permitem penetrar no âmago da matéria e escapar do mundo das aparências sensorialmente percebidas.
A arte abstrata está em sintonia com essa percepção contemporânea da ciência e transcende o realismo figurativo ou o mecanicismo concreto. Há várias formas de arte abstrata. O abstracionismo informal difere do realismo socialista, que focaliza a realidade visível a olho nu, a matéria percebida pelos sentidos e valoriza o aspecto social, a figura humana e o seu contexto. Também se diferencia da arte concreta, que valoriza a  geometria, a construção mental da realidade. O concretismo corresponde a uma etapa da civilização que valorizou as máquinas, a engenharia, um mundo que se urbaniza e industrializa rapidamente. Já o abstracionismo informal valoriza as configurações cósmicas e atmosféricas do macro universo e as configurações encontradas no micro mundo das células, átomos, bactérias.
O artista abstrato tem o grande mérito e a capacidade de buscar a essência da realidade e visualizar aspectos do micro e do macro universo, para além das aparências, difíceis de serem compreendidos pelo cidadão mediano, que percebe com seus sentidos a realidade imediata, mas que é pouco sensível a outras dimensões.
O abstracionismo lida com realidades presentes nas escalas micro e macro do universo.
O abstracionismo informal tem um significado especial nesse momento em que o universo é explorado e melhor conhecido, e a dimensão cósmica da realidade se torna mais próxima e visível. As paisagens aéreas das nuvens no céu, com suas formas fluidas e dinâmicas também são uma dimensão da realidade cada vez mais merecedora de atenção e de observação pelos cientistas, no mundo atual que se encontra às voltas com as mudanças climáticas. As variações de cores nos céus e a dinâmica das nuvens estão presentes nas paisagens atmosféricas dos céus de Minas, e também inspiram artistas abstratos.” (Maurício Andrés)
 
Fotos: Maurício Andrés, telescópio Hubble e Wikipedia

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domingo, 30 de dezembro de 2012


BIENAL UNIVERSITÁRIA DE ARTE


A Bienal Universitária de Arte, organizada pela Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais e Escola Guignard, tendo como curadores o s professores Fabrício Fernandino, Benedikt Wierz e Marília Andrés Ribeiro, apresentou, durante o mês de novembro de 2012, no grande Espaço 104, na Praça da Estação em Belo Horizonte, uma mostra coletiva de trabalhos com a participação de estudantes universitários de diversos pontos do Brasil e da América Latina.
Visitamos a exposição num dia de chuva, penetramos devagarinho naquela catedral de arte, onde a nave central era circundada por diversos nichos, com manifestações artísticas das mais variadas tendências: fotografias, desenhos, pinturas, esculturas, cerâmicas, instalações e performances.
A arte contemporânea permite a apreciação de uma multiplicidade de tendências, linguagens e expressões artísticas. Não existe um conceito político ou religioso a ser defendido, apenas o direito de criar com liberdade e colocar para o público alguma experiência escondida nos subterrâneos da memória.
Procuramos nos aproximar dos artistas residentes, que vieram do Brasil e da Argentina, e ali estavam reunidos. Fomos colhendo depoimentos sobre os seus trabalhos.
Bruno Oliveira, que veio de Curitiba, nos dizia: “Trabalho com esculturas moles, de tecido, a partir das quais proponho uma reflexão sobre o espaço e o exercício de expor. O trabalho é norteado pelo pensamento sobre a relação entre a obra, o espaço e o público”.
Paul Setubal, que estuda na Universidade de Goiânia, fez o seguinte depoimento: “É uma série de trabalhos que evoca questões políticas e sociais da vida contemporânea através da história do Ciclo do Ouro em Minas Gerias. Criei uma série de “ouros falsos” e apliquei um golpe com marreta nas peças, simbolizando toda a violência daquele período e de hoje”.
Victoria Ruiz Diaz, pertencente à Universidad Del Litoral, na Argentina, construiu um livro de artista da série “De otros mundos” a partir de  desenhos de lâminas científicas e de mundos inventados. “Animais e plantas da fauna e flora do Brasil  se transformam em seres híbridos para criar um outro mundo que é plasmado num livro de pequeno formato”.
Leonardo Gauna, estudante da Universidad de La Plata, criou o projeto “Ventanas”, que são desenhos sobre os vidros das janelas. “O projeto busca resignificar o espaço cotidiano, urbano e arquitetônico, com as ilustrações”.
Ana Clara D’Amico, também da Universidad de La Plata, inventou o projeto “Sabrosa Diversidad”, que consta de uma instalação feita com moldes de pequenas esculturas criadas a partir das impressões bucais das línguas das pessoas de Belo Horizonte e da Argentina. “O trabalho tem a intenção de refletir sobre a identidade sexual e a anomalia que se apresenta como resultado de uma construção social. Ele se refere também à comunicação e à dificuldade de expressão, gerando uma mescla de culturas, sexos, idiomas, desejos e gêneros, numa eterna construção”.
Naquele espaço de criação que se transformou o Espaço 104, durante a Bienal Universitária, os estudantes criaram suas obras, experimentaram o entorno, trocaram experiências, colheram impressões e dialogaram com os colegas, os curadores e o público visitante.  Foi uma oportunidade de trabalharem a criação e a exposição da obra durante o evento. A Bienal Universitária, por seu caráter inovador na formação dos estudantes, tornou-se um marco na extensão universitária brasileira.

*Fotos de Marília Andrés

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012


UAKTI E BEATLES


Nas décadas de 1970 e 80, eu tinha meu atelier em BH na garagem da casa de minha mãe. Ao lado, no porão da mesma casa, o grupo UAKTI ensaiava suas músicas. Eu escutava os acordes, me embalava naqueles sons criativos, que muitas vezes me conduziam a vôos mais altos na pintura. Naquela ocasião eu pesquisava o cosmos e me abria para as filosofias da Índia. Encantava-me  perceber a ligação da pintura com a música e sentir o papel da arte no despertar do século XXI, unindo oriente e ocidente.
Os Beatles, rompendo preconceitos, seguiram o caminho das Índias. Deixaram o conforto de Londres para se dirigirem ao Oriente, buscando uma linguagem mais abrangente para sua música. Meditando à beira do Ganges, perceberam a grandeza de sua proposta de paz e chegaram com uma renovação completa da música contemporânea.

A apresentação do CD UAKTI x BEATLES aconteceu no Palácio das Artes em Belo Horizonte, a platéia superlotada com os apreciadores dos dois grupos musicais, vindos de terras diferentes, mas unidos no mesmo objetivo de criação.
A melodia dos Beatles se entrosava perfeitamente com os tambores, flautas, marimbas, chocalhos, proporcionando um espetáculo de grande beleza e suspense.
Marco Antônio Guimarães subiu ao palco e apresentou sua trajetória e sua admiração pelos Beatles, desde a infância.
Os Beatles são ícones internacionais e estimularam a criatividade de muitos artistas. Eu mesma, num intervalo de muitas abstrações, dialoguei com os sons que me vinham da vizinhança do UAKTI e criei na minha fase de arte coletiva, um quadro a 4 mãos cujo tema era o famoso grupo inglês. Agora acompanho o espetáculo que se desenrola no grande teatro do Palácio das Artes, me emocionando a cada passo e a cada encontro. No final do espetáculo, que contou com a participação de Regina Amaral e Josefina Cerqueira, esposas de Artur e Paulo, uma surpresa: os filhos dos músicos foram chamados ao palco e se apresentaram cada um por sua vez. Alexandre e Artur criaram um duo sobre a canção "Black Bird".
Assistimos a apresentação da filha de Décio Ramos tocando percussão e da filha de Paulinho Santos cantando Yesterday.
Foi de grande importância a apresentação dos filhos dos músicos e veio constatar o fato de que a arte vai se prolongando  no tempo e criando novas mensagens e caminhos.
Lembro-me de uma homenagem a George Harrison com a presença do músico indiano Ravi Shankar. A jovem filha de Ravi regia a orquestra e o filho de George Harrison tocava guitarra. A arte promove cada vez mais este encontro de grupos diversos e etnias diferentes, nos grandes palcos do mundo e também nos pequenos repertórios. A grande síntese está acontecendo e pode ser vista em cada cena que se desenrola espontaneamente na criação dos artistas.
O caminho para a realização da unidade planetária e unidade cósmica ultrapassa países e raças para se manifestar de forma intensiva através de todas as artes, de modo especial a música.

Transcrevo aqui trechos da reportagem de Cinthya Oliveira do jornal HOJE EM DIA sobre o show UAKTI- BEATLES

“O desejo de registrar um trabalho de homenagem aos Beatles é algo natural para um músico, segundo o percursionista Paulo Sérgio Santos. “Todo mundo tem um momento de visitar a obra dos Beatles. É uma influência que todo músico teve em sua vida, seja melódica ou harmônica”, afirma Santos.
A idéia do projeto partiu do arranjador Marco Antônio Guimarães, um fã dos Beatles desde a juventude, quando chegou a ter uma banda cover dos ingleses.
Ele passou cerca de um ano trabalhando na adaptação das músicas para a peculiar sonoridade do Uakti. “Tive que respeitar bem a melodia porque, quando se adquire os direitos autorais, há uma exigência de que a música não pode ser muito modificada”, diz Guimarães, que selecionou as composições de que mais gostava e as que funcionavam melhor com os instrumentos do grupo.”

Fotos de Sylvio Coutinho e de arquivo

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012


NUNO RAMOS


Contemplo o trabalho do artista contemporâneo Nuno Ramos. Peço uma cadeira para sentar e ficar quieta, simplesmente olhando para aquela seqüência de triângulos que se justapõem, de formas geométricas em terceira dimensão. Sombras e luzes, pretos e brancos, reflexos no espelho d’água onde as formas submergem. A arte contemporânea permite o uso do espaço para construir e realizar memórias escondidas nos subterrâneos do inconsciente. Foi justamente realizando e concretizando essas memórias que Nuno Ramos produziu, com o auxílio fundamental do arquiteto Alen Roscoe um trabalho de grande impacto.
“Pare e olhe, não fique se dispersando em conversas. Pare, olhe, observe, sinta o presente em toda a sua beleza e intensidade.”
Estas palavras me vêm de dentro, é necessário chegar até o trabalho do jovem artista Nuno Ramos com total despojamento de idéias pré-concebidas. Sentar e contemplar foi o que fiz e o significado da obra foi me despertando momentos de reflexão. O primeiro toque me sugeriu serenidade e paz, uma paz originada, não da sugestão do conteúdo, mas da forma. Conteúdo e forma são importantes na realização de qualquer trabalho de arte, mas o que me tocou logo de início foi a harmonia dos triângulos e retângulos, das sombras e luzes. A demolição de 3 casas  motivaram o artista a produzir essa obra monumental. Veio do sofrimento, da perda, do sentimento de compartilhar a dor, de transmutá-la e transformá-la em arte, como uma flor de lótus que emerge do lodo. Esses momentos de vida são importantes se vivenciados em toda a sua intensidade. Conduzem o artista a uma criação que se liga intrinsecamente à sua própria vida, suas memórias e experiências. Na obra de Nuno, exposta na Galeria Celma Albuquerque, senti o impacto da transmutação e superação de uma experiência dramática vivida pelo artista.
Sobre a experiência artística, temos uma página admirável do grande poeta que foi Rainer Maria Rilke: "Versos não são, como tanta gente imagina, simplesmente sentimentos - são experiências: é preciso ver muitas cidades, homens e coisas, conhecer o vôo dos pássaros e o gesto das flores, quando se abrem pela manhã; voltar em pensamento aos caminhos das regiões desconhecidas, aos encontros inesperados, às separações já de longe previstas, às doenças da infância carregadas de profundas e graves transformações, aos dias fechados ou de sol, às manhãs de vento ao mar, às noites de travessia e de fuga. E tudo isto não basta. É preciso, também, as memórias das vivências passadas e mesmo estas não bastam. Pois é preciso também saber esquecê-las, quando são muitas, e ter-se a imensa paciência de esperar que voltem novamente. E, quando então tudo tiver retornado dentro de nós, como o sangue, a brilhar e a gesticular sem se distinguir de nós mesmos, só então pode acontecer que, na hora rara, a primeira palavra de um poema se levante no meio daquelas experiências e delas prossiga."

*Fotos da internet

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