segunda-feira, 18 de abril de 2016

quarta-feira, 13 de abril de 2016


REVISTA PISEAGRAMA NA BIENAL DE ARQUITETURA EM VENEZA

Piseagrama é uma revista de jovens que aponta novas soluções e novos caminhos para o futuro das cidades. Ela vê o povo que habita a cidade, aquele que, depois do trabalho se enfileira nas calçadas para pegar ônibus. O cidadão se aperta para conseguir um lugar para sentar, tem de pagar passagem, passar pela catraca. “Na Europa não existe catraca nos ônibus”, nos falou um jovem italiano.

Converso com meu jardineiro: “Tenho que tomar três ônibus  para chegar em casa, o primeiro daqui do Retiro até o Centro, de lá outro até São Gabriel e aí outro para casa. Só chego em casa, em Santa Luzia, às 6 horas da tarde, passo 3 horas viajando para chegar aqui e 3 horas viajando para voltar”.
Piseagrama é uma proposta social. Enxerga o problema de toda a população  e propõe soluções novas. Ônibus gratuitos, como em algumas cidades do mundo, tornam a cidade acessível e democratizam o acesso aos lugares. Trata-se de uma política cultural.

Voltemos à Revista, às suas propostas para uma sociedade mais justa, que enxerga o lazer como uma necessidade, o respeito ao patrimônio como causa justa e a ligação com a natureza como fundamental.
Piseagrama é uma das grandes iniciativas criadas no momento cujas ideias ultrapassam os interesses materialistas de uma sociedade corrompida pelo dinheiro, onde os valores essenciais estão sendo ignorados em favor da ambição e do poder. A ambição desmedida está derrubando montanhas, destruindo nascentes, poluindo rios, sepultando na lama famílias inteiras. Um rio de lama continua descendo pelo Rio Doce...

Os grupos de jovens estão atentos a esse assunto, fotografam e dão testemunho desse desastre ecológico que a todos vem atingindo. Esses jovens já começaram a se unir porque querem um futuro melhor para seus filhos.

Vejo meu neto Roberto, um dos criadores de Piseagrama, carregando minha bisnetinha numa rede amarrada ao corpo, à maneira dos povos andinos e nepalenses.
As crianças assistem a tudo, não ficam em casa com as babás. Participam de encontros e pic nics nos gramados dos parques e de jogos criativos nas praças das cidades. Uma praça em cada bairro é uma das propostas do grupo.
 “Uma praça por bairro”, “pescar e navegar no Tietê”, “ carros fora do centro”, “nadar e pescar no Arrudas”, “parques abertos 24 horas” e “ônibus sem catracas” são mensagens  estampadas nas sacolas coloridas.  As sacolas percorrem as ruas, os supermercados, o cotidiano das cidades levando e trazendo mensagens sociais, urbanas e ecológicas para a população.

No momento, a Revista está representando o Brasil na Bienal de Arquitetura de Veneza. Não é todo dia que um grupo consegue sair de Minas para representar o Brasil numa das mais importantes mostras internacionais. O testemunho e a coragem dos jovens conseguiu quebrar o famoso eixo Rio/São Paulo para projetar Minas fora do Brasil.
Parabéns aos seus criadores, parabéns a todos os participantes,  jovens guerreiros das montanhas. Já foi dado o primeiro toque, segue o entusiasmo de querer para o Brasil algo de melhor!

*Fotos da internet

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

segunda-feira, 4 de abril de 2016


ARTE COMO DESPERTAR DO SER INTERNO


Observando a história da arte moderna, podemos enxergar, nas entrelinhas de todos os ismos, um impulso dirigido à conscientização do homem, à e sua desmassificação, à busca existencial e à abertura do Ser. Acompanhamos seu itinerário, que se apresentou de maneiras variadas neste século, levantando polêmicas e controvérsias, congregando os artistas e o público para uma nova visão do mundo. Por meio do invólucro do objeto artístico, diversas luzes se acenderam, indicando caminhos novos para o homem. Sentimos a energia que se utilizou das várias correntes artísticas como instrumento para despertar uma realidade mais profunda, submersa nas raízes do Ser. Ela trouxe em seu contexto uma nova consciência. Despertou, denunciou, rompeu bloqueios, reivindicando a liberdade de expressão e a busca da espontaneidade.

A inquietação da arte do século XX acompanhou a inquietação de sua época,  penetrou nos domínios do inconsciente, da psicologia, ligou-se à ciência e à tecnologia. Abandonou os antigos padrões estéticos para mergulhar no universo interior do homem, procurando a origem dos sentimentos e emoções. Promoveu o  autoconhecimento, sacudiu preconceitos enraizados, quebrou estruturas arcaicas.
A arte se manifestou como libertadora de ideias e sentimentos, exprimindo muitas vezes reivindicações sociais ou anseios espirituais. Passou a ser considerada como força harmonizadora do homem. Utilizaram-na na educação e na psicologia. Levaram-na para o campo da comunicação, fizeram-na saltar dos museus para as praças, dos teatros fechados para as ruas movimentadas, colocaram-na como testemunha da violência, massificaram-na e desmaterializaram-na. Mas, apesar das controvérsias, a arte continua atuando em todos os níveis da vida cotidiana, liberando energias e rompendo barreiras.

Arte, ciência, religião e filosofia, vida, criatividade, ação, pensamento e palavra acham-se interligados. Pertencem à totalidade cósmica que promove a evolução consciente do mundo. Todas as atividades criativas abrem caminho para essa evolução. Muitas vezes a arte antecede a filosofia. Pressente as aflições de um povo, capta seus anseios, denuncia a violência, transmite mensagens de paz. Ela pode nos projetar no espaço, antecipando as conquistas tecnológicas, e nos libertar da massificação gerada pela propaganda. Desde o início, a arte em seu contexto geral, procurou quebrar condicionamentos, desligar-se da tradição e reivindicar para o artista a liberdade criadora.

É justamente na quebra dos condicionamentos e na ânsia de despertar o novo que ela se torna colaboradora da evolução.
Em arte, deve-se “nascer virgem a cada manhã”, disse-nos André Lhote, um dos mestres da Escola de Paris. Nascer virgem é viver plenamente o instante da criação, é despertar para o novo que surge a cada momento. É afinar ação externa com crescimento interno, abrir-se para a sabedoria, ser receptivo às vibrações do cosmo. A arte, com todas as suas reivindicações, levantou antenas para o espaço e traduziu, na voz dos artistas, a necessidade de evolução do planeta.(Trecho do livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

*Fotos da internet

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quinta-feira, 31 de março de 2016


EXPOSIÇÃO DE LÊDA GONTIJO NA GALERIA DO MINAS TÊNIS CLUBE

A exposição de Lêda Gontijo está aberta na Galeria do Minas Tênis Clube.

Logo na entrada, chama a atenção o título da exposição: “Força estranha”.

Fui visitá-la na tarde de quinta-feira; Lêda acabara de dar um curso de cerâmica para iniciantes interessados. Estava eufórica, sentada numa cadeira de rodas dirigida por ela mesma. Com aquela cadeira já percorreu sozinha a orla da praia de Copacabana, sem ajuda de ninguém. Acredita na vida e está sempre de bom humor diante dos outros. Já sofreu três quedas que lhe valeram a condição de cadeirante, mas não conseguiram abatê-la. De cada tombo saiu mais fortalecida.

Esta estranha força vem de acreditar com entusiasmo na sua arte e na sua missão neste mundo como artista e como mãe de família. Em Lagoa Santa, onde mora, Lêda já liderou movimentos sociais em defesa dos hospitais da região.
Lembro-me de Lêda quando entrou na escola de Belas Artes Guignard em 1944, tendo sido minha colega na primeira turma. Ali ficou por algum tempo, mas logo se afastou da escola, para se dedicar de corpo e alma à escultura, como autodidata, preferindo seguir o seu chamado interno.
Dali partiu para a cerâmica, a pedra sabão e mais recentemente a madeira, como veículos para a realização de sua obra figurativa. Esculpiu figuras e santos, com a mesma energia que conduziu as mãos dos antigos artesãos de Minas Gerais.

Quando estava esculpindo um São Francisco de Assis, dirigiu-se ao santo com a espontaneidade que lhe é peculiar: “Quando eu chegar ao céu (é claro que vou para o céu...), vou encontrar com você que sempre proclamou a pobreza. Perdoe-me São Francisco, se eu faturei às suas custas...”. As esculturas de São Francisco fizeram sucesso, foram todas vendidas...

Agora, aos 101 anos de idade, recebe os visitantes com a alegria de uma adolescente. A exposição é um sucesso, mostrando a biografia da artista desde o seu nascimento até os dias de hoje. Logo na entrada, uma árvore genealógica mostra os antepassados e os descendentes desta artista considerada um fenômeno de longevidade e energia.
A dedicação à arte e à família durante todo o seu percurso de vida está ali, entregue aos visitantes. Lêda acredita no que faz.

Lembro-me de Lêda Selmi Dei de short branco praticando tênis no Minas Tênis Clube. Eu acompanhava aquela campeã que era também minha companheira na Escola Guignard. Duas campeãs do esporte dedicavam-se também às artes. Ela no tênis e Célia Laborne na natação.

Hoje vejo cada vez mais a importância de se aliar o esporte às artes.Segundo os ensinamentos de Sri Aurobindo na Índia, o corpo tem de ser exercitado no esporte, na dança, no Yoga, afim de prepará-lo para o despertar de energias superiores. Corpo e alma têm de estar afinados para o despertar desta força estranha que conduz o ser humano a uma longevidade sadia e produtiva.

Volto novamente ao passado para reencontrar Lêda, como anfitriã de uma casa na Serra, em Belo Horizonte, recebendo a turma da Escola Guignard. Revejo Guignard, trepado numa escada pintando o teto da casa. Com a chegada de seus alunos, o vozerio, os palpites, Guignard parou o trabalho, cruzou os pincéis, perdeu a inspiração. A obra ficou paralisada e só muitos anos depois foi terminada.

Agora, em 2016, reencontro Lêda no Minas Tênis Clube, sentada numa cadeira de rodas que ela mesma dirige. Seus 101 anos, sempre ativos e produtivos, estão sendo comemorados pelos seus seguidores e descendentes. Tiramos fotos juntas e fui ver sua árvore genealógica, onde minha neta Alice está incluída, como esposa do Paulo, neto de Lêda...

Lêda é filha de uma artista plástica e suas irmãs também se dedicaram às artes, inclusive Lizete, artista e diretora da Escola Guignard.

Cercada de filhos, genros, noras, netos e bisnetos, Lêda soube coordenar sua vida de artista, dona de casa, mãe de família, professora e líder social.

*Fotos de Maria Helena Andrés e da internet


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terça-feira, 29 de março de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016


ARTE E LIBERDADE

Quadros não são feitos para combinar com tapetes e cortinas, nem para serem colocados como títulos na bolsa de valores do mercado de arte. A preocupação comercial leva o artista a concessões imperdoáveis, que fazem esquecer a razão de ser da arte como força vital de uma civilização, para colocá-la no plano de especulação comercial. O valor de um trabalho artístico, suas qualidades expressivas, não se limita a números e cifrões, mas alcança um lugar que lhes assegura realmente a permanência no tempo e a sua equiparação com as demais artes.

Assim como a música e a poesia, também o quadro que vemos numa exposição contém toda uma vida de lutas e experiências. Não se pode separar as inquietações da alma humana, seus momentos de sofrimento ou alegria, de violência ou de paz, de revolta ou de submissão daquela forma que espontânea e diretamente lhe sai das mãos.

A arte é a mais pura manifestação da liberdade, hoje tão limitada na mecanicidade do mundo moderno. Toda e qualquer forma de imposição, ao atingir o domínio da arte, impede-lhe o progresso e a conduz à mediocridade.

O sentido de liberdade é expresso com grande veemência por meio da arte, porque ela se fundamenta e nasce num clima no qual a opressão não tem lugar.
Pode-se proibir o homem de falar, mas nunca de sentir. A arte é a expressão do sentimento humano, desse sentimento tantas vezes bloqueado por  slogans  e rótulos, mas que desperta quando se desenvolve a capacidade de inventar, de renovar, de contatar a essência do próprio Ser. O verdadeiro humanismo brota das mãos dos artistas e da alma dos poetas, dos cineastas, dos escritores, dos músicos, que proclamam espontaneamente a compreensão entre os povos.

O humanismo autêntico tem suas raízes no sentimento, e não na razão.
O sentimento religioso está expresso nos trabalhos do escultor anônimo de Chartres, na serenidade dos budas, na música de Bach, nas telas de El Greco e de Rembrant. Sentimentos de revolta levaram Goya a se expressar de modo violento, rompendo o cerco da Inquisição. Sentimentos de lirismo e poesia levaram Guignard a se expressar com  a pureza das crianças, no encantamento mágico de suas noites de São João. A arte é a expressão mais direta do sentimento humano que não se fecha em si mesmo, mas se irradia e participa da realidade do mundo. Esse sentimento só pode manifestar-se quando não existe imposição externa, quando o passado estético é esquecido em benefício da vivência do presente. A experiência do passado que gerou determinada ideia não pode ser vivida repetidas vezes. O passado é memória, e a criatividade está sempre no presente.

A preocupação do artista em repetir o êxito conduz à estagnação e à ausência do sentimento em arte. Sentimentos não se repetem com facilidade.
Pertencem a um momento único, a um clima no qual se unem fatores, objetivos e subjetivos, a um instante que pertence não somente ao artista, mas ao momento histórico em que ele vive. Tal instante, vivido espontaneamente, criará determinada forma, testemunha de um momento de vida. . (Trecho do livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

*Fotos da internet


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terça-feira, 15 de março de 2016


A ARTE COMO UM CAMINHO IV


O século XX, com sua dinâmica de transformações, levou artistas e críticos a protestar contra os erros e injustiças da sociedade industrial, contra as guerras e o consumismo. As propostas de Marcel Duchamp no princípio do século inspiraram os  happenings, as instalações, as performances e a Arte Conceitual. Andy Warhol enfatizou  os objetos do cotidiano, dando origem a experiências que se repetiram nos anos 1990.
As artes, quebrando os limites da dualidade, começaram a caminhar no sentido de maior integração. As artes plásticas ligaram-se ao teatro, à dança e à música, aliaram-se à educação e à terapia, libertaram a alegria de viver. Consciente ou inconscientemente, os artistas quebraram condicionamentos, romperam estruturas arcaicas, procurando viver a intensidade do momento presente e trazer à tona a beleza do dia a dia.

No final do milênio, a arte buscou a sua desmaterialização. Artistas plásticos e fotógrafos, usando a tecnologia como meio, ampliaram suas possibilidades criativas com o auxílio de computadores e vídeos. A arte virtual foi também uma conquista do século.

No decorrer do século XX, a arte-educação e a arte-terapia ampliaram seu campo de ação para as favelas, asilos, presídios e empresas. A energia da criatividade passou a ser usada como meio de libertação psicológica, como catarse e registro do inconsciente, despertando e realizando sua missão de paz, num mundo conturbado por violência e guerras. Grupos holísticos usaram o teatro, a dança, a música e as artes plásticas para  quebrar a dualidade entre os seres humanos e despertá-los para um novo comportamento, mais consciente e solidário.

A visão do mundo como um todo começou a se manifestar por meio da criação artística. Artistas ocidentais resgataram símbolos de antigas civilizações. A previsão de Jean Cassou, um grande crítico de arte europeu, de que a arte seria, na segunda metade do século, qualquer coisa inteiramente diferente do que pôde ser para o homem nas diversas etapas da história está se concretizando. Estamos realmente assistindo a um grande trabalho de recriação do ser humano por meio do seu potencial criador, a um processo de transformação que engloba o mundo todo em seu contexto, como se o Grande Artista modelasse novamente o novo Adão.
No século XXI, a arte, transcendendo o caos, redescobrirá o caminho do cosmo. 
(Trecho do livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

*Fotos de arquivo e da internet

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segunda-feira, 7 de março de 2016


A ARTE COMO UM CAMINHO III

A revolta dos artistas modernos iniciada na França em fins do século XIX foi a tomada de consciência da crise de autenticidade na arte. A arte moderna, com todos os seus ismos e correntes estéticas, trouxe em sua essência o não conformismo.

A história da arte moderna é a história da libertação da criatividade, escondida e bloqueada pelas convenções.

De modo geral, podemos sentir, nas correntes artísticas que se estenderam pelo mundo desde o século XIX, uma inquietação constante, que trouxe em seu contexto a desmassificação e a abertura espiritual. Se algumas correntes artísticas denunciaram a sociedade e a violência, outras propuseram a busca interior, revolvendo as camadas do inconsciente. 
O Expressionismo, dando livre curso às emoções, desligou-se completamente do sentido de beleza tradicional, para fazer pulsar de forma direta o mundo subterrâneo de emoções e sentimentos. A pintura torturada de Van Gogh, as deformações de Soutine e Kirchner dão ênfase ao sentimento do artista. O Dadaísmo foi um movimento de contestação e quebra de condicionamentos, que propunha uma atitude de questionamento da sociedade, das guerras, da razão e do próprio conceito de arte. Enfatizou pela primeira vez a ideia de antiarte, isto é, a negação da estética tradicional imposta por uma elite intelectual. 
O ready-made, criado por Marcel Duchamp, tornou-se o símbolo da antiarte. Duchamp, ao explorar as contradições da arte tradicional, procurou dar um sentido simbólico aos objetos do uso cotidiano, até então desprovidos de qualquer conotação estética. O Surrealismo, influenciado pela psicanálise, investigou os sonhos e procurou interpretar e explorar os símbolos do inconsciente. Paul Klee, um dos pioneiros dessa corrente artística, inspirou-se na arte das crianças e dos loucos. Seus quadros trazem à tona a realidade do imaginário, do fantástico. O Abstracionismo intensificou o encontro do Oriente com o Ocidente. Um encontro de inspiração e de atitude diante da vida. 

Já em 1912, Wassili Kandinsky, nascido na Sibéria, criou o primeiro quadro abstrato, completamente desligado da realidade visível. Em seu livro  De lo Espiritual en el Arte, Kandinsky propõe aos artistas ultrapassar conceitos e fórmulas para alcançar, por meio da arte, a realidade espiritual do homem. A pintura de Kandinsky desprendeu-se por completo da terra como ponto de referência. Projetou-se no cosmo. 
O Suprematismo depurou a forma, elevando-a a um plano superior de contemplação estética. As esculturas de Brancusi e as telas de Mondrian comovem pela simplicidade e espiritualidade. Por meio do despojamento  dos elementos perceptíveis, os artistas não figurativos buscaram o significado do eterno. Malevitch tentou atingir a Realidade Suprema, a essência da forma. Seu último quadro,  Branco sobre Branco, é um despojamento completo do supérfluo. . (Trecho do livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

*Fotos da internet

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terça-feira, 1 de março de 2016


A ARTE COMO CAMINHO II

Acompanhando a evolução da arte ao longo da história, podemos ver a importância da espiritualidade estimulando a criação artística, desde as mais remotas civilizações.
A arte em sua origem foi magia, um auxílio mágico à dominação de um mundo inexplorado. A religião, a ciência e a arte eram combinadas, fundidas em uma forma primitiva de magia, na qual existiam em estado latente, em germe. Esse papel mágico da arte foi progressivamente cedendo lugar ao papel de clarificação das relações sociais, de iluminação dos homens em sociedades que se tornavam opacas, ao papel de ajudar o homem a reconhecer e transformar a realidade social.

 A arte vem se manifestando desde épocas primitivas como porta-voz da sociedade e linguagem transformadora do meio ambiente. Por meio de símbolos os homens se comunicaram, inventaram a escrita, transmitiram sentimentos. Testemunharam sua indagação diante do universo. Criaram objetos de culto, edificaram templos, esculpiram santos. Havia a necessidade de comunicar sentimentos de fé e de esperança num mundo melhor. Modelando a argila ou esculpindo a pedra, escolhendo cores e formas, o artista se enriquecia interiormente.

Procurando a ordem, o ritmo e a harmonia, ele se harmonizava também consigo mesmo, com a natureza e a sociedade, integrando-se ao seu meio.
Na antiga China, o artista só começava a pintar depois que se espiritualizava através de longos anos de meditação. Somente assim, poderia refletir em sua obra as realidades eternas. De acordo com a sabedoria egípcia, os quatro ângulos da pirâmide de Quéops simbolizam as quatro principais vias de aperfeiçoamento humano: arte, ciência, religião e filosofia. A arte, portanto, nas antigas civilizações, era um caminho espiritual, uma via de aperfeiçoamento.

Com o advento do Cristianismo no Ocidente, a arte apareceu como companheira inseparável do espírito cristão, desde as primeiras manifestações de arte pobre nas catacumbas até o apogeu da Idade Média e da Renascença.
Associou-se ao espírito do Barroco, penetrou na arte popular, enriquecendo e testemunhando o sentimento religioso de cada época.

Quando a arte se desligou dos valores espirituais para ser considerada elemento decorativo, quando se tornou um objeto de consumo da alta burguesia, houve uma quebra na unidade homem-artista. Já não havia a totalidade do homem refletida em sua obra, motivada por um sentimento espiritual. O artista, dissociando a ação do sentimento, conformava-se em reproduzir fórmulas clássicas ou renascentistas, embora elas já não representassem as aspirações de seu tempo. Criaram-se as academias de Belas Artes.

Contra esse tipo de arte, cuja finalidade era decorar salões, revoltaram-se os primeiros pintores modernos. Courbet, recusando a Cruz da Legião de Honra que lhe fora conferida, declara guerra à arte oficial acadêmica. Inspira-se, com vigoroso naturalismo, nos camponeses e trabalhadores. Recusa-se a aceitar moldes impostos, temas repetidos. O exemplo de Courbet motivou os impressionistas.

 Estes queriam trabalhar com autenticidade, protestando contra as imposições estéticas do Academismo. Voltaram-se para a natureza, trabalhando em plena luz solar. Buscavam captar o instantâneo. Não se preocupavam em criar quadros agradáveis à vista, mas obras sinceras. Libertaram cor, forma, composição e espaço tradicionais, procurando comunicar vivências momentâneas da realidade exterior. (trecho do livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016


A ARTE COMO UM CAMINHO I

Desde os tempos primitivos até os dias de hoje, a arte tem contribuído para o trabalho de conscientização, acelerado nos tempos modernos, quando o homem cada vez mais procura se assumir e se conhecer para atuar consciente e livremente no mundo.

A arte do passado, guardada em museus ou preservada nos monumentos públicos, mostra-nos a história do mundo em suas buscas e inquietações. A luta do homem para sobreviver, transformar-se e evoluir é revelada em suas obras de arte.
Observamos nos museus a força e a agressividade dos cavaleiros da Idade Média, escondidos por detrás das armaduras de ferro, e também a ternura das madonas medievais esculpidas por  artistas anônimos.

Ação e contemplação, agressividade, lirismo, guerra e paz, violência e compaixão nos são revelados em cada objeto de arte. Há contrastes e semelhanças entre os diversos períodos da história. A semiobscuridade das catacumbas revela-nos a grandeza espiritual dos primeiros cristãos, seu desapego e coragem para enfrentar o martírio. A propagação do Cristianismo no Ocidente está gravada nos muros de pedras das catacumbas, nas inscrições dos mártires, nos campanários de Assis, na monumentalidade das catedrais góticas. A arte cristã percorreu períodos históricos, atravessou os mares e nos trouxe o Barroco como legado artístico.

Recordamos Sócrates e Platão, na brancura do mármore grego, revivemos a civilização dos mitos e deuses, do culto ao homem em seus aspectos físico e intelectual. Acompanhamos a influência da Grécia sobre o Ocidente, percorrendo o caminho do pensamento, da filosofia e da arte, para alcançar a época moderna, transfigurada e recriada nos desenhos e gravuras de Picasso.

À luz de novas ideias, o antigo transforma-se no moderno. Oriente e Ocidente encontram-se e interpenetram-se. Culturas diversas se unificam. Contemplando a serenidade do Buda, encontramos outra forma de espiritualidade, baseada no silêncio e no encontro do homem consigo mesmo. A mesma atitude contemplativa estende-se pelos jardins e parques, percorre os interiores despojados e reflete-se na transparência da pintura do Extremo Oriente.

A arte, em toda a sua história, revelou o homem como um ser voltado para as coisas do eterno. Antigamente, a arte ligava-se à religião ou à magia. O artista empenhava-se na realização de uma forma que se destinaria ao culto, motivado por uma realidade espiritual. Movia-lhe o impulso desinteressado, o desejo de superar o cotidiano. Sua necessidade criadora era dirigida para a conquista das forças da natureza ou para a tentativa de desvendar o mistério da vida. De olhos voltados para as estrelas, indagava. Sua arte revestia-se de um caráter místico, concentrado no sentimento universal e eterno.

A identificação do artista ou artesão com esse sentimento universal pro-duziu, desde épocas remotas, obras de arte que permanecem no tempo, com a vitalidade do momento criador. Sentimos essa energia espiritual na arte dos povos primitivos, nas esculturas egípcias, na arte pré-colombiana, na arte cristã e na oriental. O gesto do artesão anônimo esculpindo a pedra ou trabalhando a madeira era cheio de temor e respeito diante do invisível. Sintonizando o movimento da mão com o movimento da alma, o artista ou artesão integrava-se ao universo, associando a criatividade ao impulso místico. Sua arte expressava o individual e a profundidade do sentimento universal. (recorte do livro “os Caminhos da Arte”, editora C/Arte, 3° Edição, 2015)

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