sexta-feira, 7 de setembro de 2012

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


ECOPPAZ



A Ong Ecoppaz (Ecologia pela Paz) surgiu a partir da consciência de um grupo de alunos da oficina de Cultura Ambiental e Cultura de Paz, coordenada pelo arquiteto e ambientalista Mauricio Andrés Ribeiro, no I Festival de Inverno de Entre Rios de Minas, em 2006. O grupo, formado por professores da rede escolar, estudantes e ativistas ambientais, elaborou naquela ocasião um documento com uma pauta de questões relevantes para aquele município mineiro, como o abastecimento de água, o lixo e o esgoto, o desmatamento, a erosão de solos e voçorocas, a extração de areia, a proteção do patrimônio edificado e dos quintais, além da geração de ICMS ecológico e sua destinação.
A Ecoppaz tem como missão defender e promover o desenvolvimento sustentável em busca do equilíbrio ecológico entre todos os seres, visando a ética, à paz, à cidadania, aos direitos humanos e a outros valores universais.
Dentre as ações recentes da Ong destaca-se a aprovação da Serra do Gambá (situada nos municípios de Entre Rios de Minas e Jeceaba) como Unidade de Conservação Estadual – Monumento Natural.
A Ong propõe também ações relacionadas à proteção, revitalização e uso adequado de córregos, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município de Entre Rios, visando melhoria na qualidade de vida das populações ribeirinhas e adjacentes.
A Ecoppaz realizou nos últimos dois anos atividades de educação ambiental em escolas, não somente de Entre Rios de Minas mas também do município de Congonhas. Neste último integrou em 2011 a proposta do Projeto Aya (Arte / Yoga / Ambiente) às suas ações, realizando inclusive junto aos alunos, o plantio de árvores na área de lazer da Escola Municipal José Cardoso Osório.

*Fotos de Maria Aldina Oliveira Resende, Sarahy Fernandes e da internet

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quarta-feira, 25 de julho de 2012


GLORIOSA IDADE


Foi ao som de Noel Rosa e bossa nova, tocando na vitrola recém-consertada, que a artista plástica, escritora e professora Maria Helena Andrés recebeu a repórter Ana Brant do Estado de Minas em sua casa, no Retiro das Pedras. “O vinil tem um som mais quente, por isso gosto de escutar e dançar. Olha que disco mais atual este do Noel! Foi feito há muito tempo atrás. Se bobear o que produzi há 50 anos está mais atualizado em termos de mercado do que o que produzo hoje. Igual ao Noel Rosa”, observa Maria Helena.
 Prestes a celebrar 90 anos em agosto, ela está às voltas com seus dois blogs, Minha vida de artista (mariahelenaandres.blogspot.com) e Memórias e viagens (memoriaseviagensmha.blogspot.com), e com a exposição que vai marcar o seu aniversário. “Tem gente que acha fantástico esconder a idade. Acho fantástico não esconder. No Oriente, as pessoas têm o costume de perguntar qual a sua gloriosa idade. E tenho uma gloriosa idade. Longevidade é bom sim, mas tem que viver bem. Longevidade com hospital não adianta. Vivo bem. A pessoa não pode ficar à toa. Quando a cabeça está desocupada, só pensa coisa que não presta e aí não vale a pena”, filosofa Maria Helena, que teve sua formação artística com Carlos Chambelland, no Rio de Janeiro; Alberto Guignard e Edith Bhering, em Belo Horizonte; e Theodoros Stamos, em Nova York.
A mostra que vai celebrar suas nove décadas de vida e os quase 70 de trabalho vai entrar em cartaz no dia 18 de agosto na Galeria Livrobjeto, na Pampulha. Além das telas com temas recorrentes, como os barcos e as cidades, e esculturas inspiradas em desenhos do concretismo que ela mesmo esboçou, Maria Helena Andrés releva que vai apresentar vários pergaminhos, simulando rolos chineses, com pinturas e textos produzidos  por ela. “Esse projeto vai mostrar o que estou fazendo agora. Não gosto de repetir. As pessoas têm essa mania. Gosto de ir renovando minha obra de acordo com a idade. A gente se cansa das mesmas coisas, por isso é bom variar. Minha principal preocupação é fazer o que sinto vontade, usar a minha criatividade, atender uma necessidade interior, mesmo que não atenda o mercado”, preconiza a artista, que acredita que um dos segredos de estar tão bem aos 90 anos é ter sempre as mãos trabalhando e focar no presente. “Senão elas atrofiam. E, além do mais, não faço planos. Não se pode preocupar só com o passado ou o futuro. Viver o presente é o que importa e o aqui e agora é sempre mais bonito”, garante.
 Vivendo há 34 anos em uma casa no Retiro das Pedras, onde também funciona seu ateliê, Maria Helena conta que costuma passar uma parte da semana no ‘meio do mato’ e outra em Belo Horizonte e que esse contato com a cidade é extremamente profícuo. “Costumo passar uns dias aqui e outro em BH. Acho extremamente importante ter esse contato com o meio urbano. Não dá pra ficar o tempo todo isolado. É bom para a cabeça. Tem muita coisa interessante em Belo Horizonte. Seja nas artes plásticas ou na música. A cidade está fervilhando em várias áreas”, pontua.
Mas, sem dúvida, é no alto das montanhas que ela se sente plena. Seja contemplando o horizonte, sentindo a natureza, descendo e subindo com destreza as escadas sinuosas de sua casa, a artista plástica sequer reclama da baixa temperatura, típica da região, e que se intensifica neste período do ano. “Dou-me muito bem com frio e vento. O pessoal diz que sou conservada. Claro, vivo numa geladeira”, brinca, enquanto relembra as inúmeras viagens que fez pelo mundo, principalmente para o Oriente, como Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chegou a morar por um ano.
Boa parte das experiências vividas nesses países está nos blogs criados por ela, que são atualizados semanalmente, com o auxílio da filha Ivana. Maria Helena diz que é adepta das novas tecnologias e que isso facilita seu trabalho. A última aquisição foi um presente do neto: um iPad. “Gosto muito de mexer com ele, é bem interessante. Essas coisas modernas ajudam muito. São importantes como informação e como formas de comunicação com o mundo. Tenho muito contato com pessoas de fora do país. Meu blog tem cerca de 20 mil acessos e as pessoas ficam curiosas querendo saber sobre Guignard, sobre o construtivismo em Minas, momentos que vivenciei bem”, justifica.
Nascida poucos meses depois da Semana de Arte Moderna, Maria Helena Andrés acredita que ter vindo ao mundo em uma época tão efervescente culturalmente pode tê-la inspirado de certa forma. “Enquanto puder viver nessa Terra, que é tão bonita, cheia de cores, sons, com uma natureza maravilhosa, vou aproveitar o máximo. É um privilégio e temos sempre que nos manifestar de forma positiva. Se for para espalhar negativismo não compensa. É assim que deve ser”, resume.
*Fotos de Maria Tereza Correia e Maria Helena Andrés
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domingo, 8 de julho de 2012


EYMARD BRANDÃO NA ÍNDIA


Visitei a exposição de Eymard Brandão na Galeria da C/Arte, na Pampulha, em Belo Horizonte. Num espaço muito próprio para seus quadros, onde se destaca a busca do aproveitamento de recursos da terra, fui relembrando acontecimentos que, de certo modo, marcaram a arte de Eymard.
Sua viagem à Índia em 1979 certamente contribuiu para esse trabalho contemplativo que busca na terra a sua referência. Eymard tem seu atelier em Nova Lima e, nessa região onde as mineradoras estão sempre em busca do lucro extraído da terra, Eymard, serenamente dela extrai sua arte. Recolhe tintas e pedras do chão de Minas e, como alquimista, vai construindo painéis coloridos que, vistos em seu conjunto, alinhados na exposição livro-objeto, me recordam os sáris da índia. A Índia está presente nessa exposição também no depoimento do próprio artista em seu livro da série Circuito Atelier. Transcrevo em seguida trechos desse texto:
“A ecologia não surgiu em meu trabalho. Foi sendo a ele incorporada gradativamente, por uma série de fatores externos e internos. Estava me preparando para fazer o curso de pós graduação em Londres, no Royal College of Arts, quando assisti a uma palestra de Maria Helena Andrés. Nessa palestra ela abordava, entre outros assuntos, uma escola que conheceu no sul da Índia chamada World Academy of Wonder ( a palavra wonder significa uma forma específica de percepção na arte). Essa escola era uma das unidades de uma universidade que englobava diversas áreas como arte, literatura, música, fotografia, dança, teatro, etc. Mudar os referenciais e viver esse encontro de Oriente e Ocidente através da arte passou a me atrair profundamente. Enviei o currículo e recebi uma resposta promissora, juntamente com a explanação dos cursos oferecidos. Consegui uma bolsa de estudos e tive, naquele país, uma experiência de arte e de vida extremamente gratificantes.”
“Estudantes do mundo inteiro conviviam nessa escola, com novas possibilidades de lidar com seu potencial. Estruturas circulares eram desenvolvidas dentro de padrões milenares e, ao mesmo tempo, contemporâneas, para o trabalho realizado nas formas de ensino ali experimentadas. A história da arte era abordada pelo aspecto psicológico. E as cores da natureza eram relacionadas com nossas emoções, para depois serem aplicadas no papel, na tela ou em formas na terceira dimensão. Com folhas e flores, construíamos belas mandalas. Uma estrada pela floresta levava a um grande e bonito lago. Em frente a ele, subindo para a montanha, uma placa de madeira indicava a entrada da escola. Nela, sugestivas palavras nos convidavam a deixar as sombras de nossos egos para trás e lidar com as formas de estudo ali propostas, onde conviver com os ritmos e mistérios da natureza eram um ensinamento diário, por ser o universo em si, como um próprio campo no qual o jogo cósmico da arte vem acontecendo desde tempos imemoriais.”
Relembrando minhas viagens à Índia, vou encontrando referências também na arte de Eymard Brandão que é, sem dúvida, uma manifestação de seu próprio self de artista. A palavra self, usada por Jung para significar o centro psicológico do “ser” tem diferentes denominações nas diversas religiões do mundo. Significa o Cristo interno dos cristãos, o Atman dos hindus, a Luz interna de Krishnamurti.
O verdadeiro “eu” se encontra na parte interior, mais profunda de nosso ser, nos disse Sri Aurobindo em seus ensinamentos.

*Fotos de Maurício Andrés

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terça-feira, 26 de junho de 2012


RIO + 20, UM OBSERVADOR À DISTÂNCIA I


Recebi de Maurício Andrés o texto sobre Rio +20, que transcrevo abaixo:

“Um observador à distância
De conferência sobre sustentabilidade
Vê ao longe o espetáculo,
Como um astronauta contemplando a Terra.
É desnecessária sua presença física
Pois está conectado por vários meios:
Manchetes de jornais anunciam os fatos.
Na internet, surfa sobre artigos reflexivos, análises, avaliações críticas.
Nas redes sociais, anúncios buscam atrair o público para eventos,
alguns curtem, comentam e compartilham.
A tevê lhe traz em casa matérias sobre segurança, trânsito na cidade.
 Ele se nutre de extratos de artigos, análises, avaliações.
Vê a conferência através dos olhos de comentaristas,
articulistas, cientistas.
Participa ecologicamente:
Quieto em seu lugar, não causa a emissão de gases de efeito estufa;
 reduz impactos sobre o planeta.
 À distância, não tem os inconvenientes do suor,
dos deslocamentos desgastantes no trânsito.
Sua vivência é isolada, individual, 
ele tem tempo para refletir.
Está conectado no que ocorre no Rio
Transformado numa ágora global
O espaço público da feira e da política.
O cenário onde foi dada a partida
 E o espetáculo começou.
II
São 50.000 atores.
 Parecem muitos,
 mas juntos correspondem a menos de
 0,00001% dos 7 bilhões de seres humanos.
Há 1000 palcos e eventos;
190 delegações de países ricos, emergentes ou pobres,
e 167 chefes de estado.
Parlamentares, lideranças, sindicalistas, ativistas,
Crianças, jovens e mulheres,
 indígenas,
 cientistas, acadêmicos e estudantes,
 empresários, consumidores, gestores, industriais, empreendedores,
profissionais, religiosos, acadêmicos, formadores de opinião.
agricultores,  representantes de organizações não governamentais.
Há as emoções e a excitação da participação presencial;
a imersão no ambiente,
 a troca de energia humana entre os atores e as platéias, 
congraçamento e  interação social.
E também o suor, o trânsito, a aglomeração.
O Rio é nesses dias
um microcosmo do mundo,
Um ponto de encontro da variedade humana,
uma Babel de línguas, religiões,
histórias,
de culturas, idéias e de estágios de consciência.
Entre os 99,99999% que não estão lá,
Uns acompanham as notícias. Outros, não.
III
No grande espetáculo da conferência,
há muita atividade e agitação.
Autoridades negociam palavras e vírgulas,
tiram e põem colchetes em textos oficiais.
Divergem e buscam consensos.
Entre os atores no meio do povo,
uns articulam, advertem, alertam, exortam;
denunciam e criticam,
reclamam, censuram, acusam,
reivindicam, exigem.
Há quem faça discursos que
entusiasmam, empolgam, energizam,
 inspiram, conscientizam, sensibilizam,
 emocionam, comovem, convencem.
Outros se auto-promovem em viagens egóicas.
Há quem fale e escute, dialogue,
Troque idéias, aprenda, ensine.
 apresente boas práticas e exemplos.
Alguns se defendem,
assumem compromisso, assinam pactos.
Lançam relatórios, fazem acordos,
mostram serviço.
É intensa a atividade dos 0,00001% da humanidade
 que representam nos palcos, tendas  e pavilhões.
Enquanto isso, os demais 99,99999%
seguem suas vidas
E alguns tomam conhecimento do que ali se passa,
porque também há aqueles atores
 que fotografam, gravam, registram, entrevistam,
Comentam e transmitem ao vivo,
tuitam e postam mensagens e imagens
 e assim divulgam o espetáculo.”

(Maurício Andrés WWW.ecologizar.com.br)

*Fotos da internet

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terça-feira, 12 de junho de 2012


FELICIDADE INTERNA BRUTA PARA TODOS


 “Rio + 20, Felicidade Interna Bruta.”
Este slogan, lançado ao mundo em 1972  pelo rei do Butão, está agora em pauta e vai constituir motivo de debate na próxima conferência Rio + 20. Deixar de lado a preocupação com o lucro e os valores materiais para buscar outros valores, é um grande passo no caminho da Paz sobre o Planeta Terra. Valorizar o ser humano, seu bem estar, sua felicidade unida à natureza é o que todos nós pretendemos neste tumultuoso início do século XXI.
Caminhar para a paz universal é deixar que a felicidade chegue a todos e não a um pequeno grupo de privilegiados.
O rei do Butão anteviu isto desde 1972, e o colocou em prática em seu pequeno país, situado nos Himalaias. Quando um repórter veio entrevistá-lo sobre o PIB de seu país, ele respondeu que este produto interno bruto (PIB) tão badalado no mundo ocidental, não era prioridade para ele. A prioridade era a paz e a felicidade para todos os seus súditos.
Hoje, intelectuais, antropólogos e cientistas do mundo inteiro, inclusive dois Prêmios Nobel, começam a estudar suas idéias, buscando adapta-las ao nosso ocidente materialista.

Transcrevo abaixo trechos do artigo de Heloísa Helvécia, publicado no jornal Folha de São Paulo, em 5 de junho:

“A felicidade entrou no debate da Rio + 20. A criação de uma alternativa ao PIB capaz de medir o bem estar dos países é o “assunto da hora”, segundo a antropóloga americana Susan Andrews, coordenadora aqui do projeto FIB (Felicidade Interna Bruta).
Sob patrocínio da ONU, o FIB butanês vem sendo recriado por um time de intelectuais. O grupo fez um questionário que sonda padrão de vida, governança, educação, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, uso do tempo e bem-estar psicológico. No Brasil, o FIB é mais do que um indicador, segundo Susan. É um catalisador de mudança social que tem o potencial de unir poder público, empresas e cidadãos para a felicidade de todos. É pensamento sistêmico na prática, diz a antropóloga graduada em Harvard, que é também mestre em psicologia e sociologia. E monja.
A monja junta ao currículo o título de embaixadora do FIB no Brasil, país para o qual ela veio por ocasião da Eco-92- e ficou.
Naquele ano, fundou o Parque ecológico Visão Futuro em Porangaba, a duas horas de São Paulo. É uma das primeiras ecovilas do país.
Segundo disse Banki-Moon, secretário-geral da ONU, a Rio+ 20 precisa gerar um “novo paradigma” que não dissocie bem-estar social, econômico e ambiental. Os três, para ele, definem a “felicidade global bruta”.
Susan Andrews acha que a introdução de indicadores mais sistêmicos já é um movimento mundial. É parte do espírito do tempo.”

Heloisa Oliveira, fotógrafa mineira, muito familiarizada com o Butão, esteve recentemente naquele país, preparando um filme sobre os costumes e o modo de viver daquele povo. Heloisa estará participando da Rio + 20 com um depoimento na conferência intitulada  “Cúpula dos Povos”. Sua abordagem sobre o FIB é importante devido ao fato de que a nossa fotógrafa de Minas Gerais esteve várias vezes no Butão e conheceu pessoalmente o rei daquele país.

*Fotos de Heloisa Oliveira

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sábado, 2 de junho de 2012


TAJ MAHAL


 O Taj Mahal é conhecido internacionalmente como o mais belo monumento dedicado ao amor. Uma das maravilhas do mundo, o Taj Mahal é um grande mausoléu em mármore branco, construído pelo imperador Shah Jahan em homenagem à sua amada esposa Muntaz Mahal, falecida em 1630, por ocasião de seu décimo quinto parto. O Taj guarda os restos mortais do casal. Nele trabalharam artesãos e artífices vindos de várias regiões do planeta. O arquiteto que planejou o conjunto arquitetônico veio do Irã e, sob sua orientação trabalharam artesãos vindos da Itália e da França, que se aliaram aos artistas locais. Sua construção teve início em 1631 e só ficou completa em 1653. O Taj Mahal representa a Índia, assim como a Torre Eiffel representa a França.
Shah Jahan tinha a intenção de construir um segundo Taj Mahal em mármore negro, uma imagem negativa do Taj branco, onde ele próprio desejava ser sepultado. Antes que ele embarcasse nesta outra construção, foi deposto por seu filho Aurangzeb. Shah Jahan passou o resto de sua vida no Forte de Agra, construído defronte ao Taj. Dali podia contemplar o Taj Mahal, onde estavam sepultados os restos mortais de sua amada esposa.

Um guia à frente indicava o caminho, contando fatos históricos, mas eu preferia observar sozinha o trabalho no mármore. Parece incrível que mãos humanas tenham esculpido e vazado a pedra dura, até transformá-la numa janela de renda! Enxerga-se por entre as frestas, a paisagem lá fora, os jardins e lagos que circundam o prédio.

De repente um som estranho, cristalino encheu o recinto. Parecia o coro de muitas vozes, mas era a voz de um indiano magro, que entoava o canto sagrado dos hindus. A grande torre circular parecia captar o som e devolve-lo em forma de eco, e o mantra OM, subia em espiral como uma revoada de pássaros e trombetas tocando. Meus ouvidos continuaram escutando por muito tempo esse canto e suas vibrações se expandiam através das janelas de mármore rendado. OM é a palavra sagrada dos yogues, e segundo acreditam, tem repercussão cósmica. Entoado dentro do Taj Mahal, ele ressoava com a força de uma orquestra misteriosa, cujos acordes se perdiam no infinito. A música, de todas as artes, é realmente a que mais emociona. Atinge imediatamente a alma, provocando adesão instantânea. Sua comunicação é rápida: sensibiliza e conduz à ação. Desperta no homem o sentimento de amor ou de violência, de serenidade ou agressividade, de pureza ou erotismo. Ela dá impulso e faz mover o mundo. A intensidade mística do OM, rompendo o silêncio do Taj Mahal, colocou-me em contato com a espiritualidade dos yogues. Naquele momento, percebi claramente o papel da arte como purificadora da humanidade que se massifica. A música é a forma de expressar a saudade que temos do absoluto. Ela nos eleva a um plano superior, além das coisas criadas, iluminando-nos com a pureza dos santos e a alegria das crianças. Devolve-nos o sentimento de Amor Universal, integrando-nos ao mundo e ao cosmos.

*Fotos de Maurício Andrés e da internet


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segunda-feira, 28 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012


EM BUSCA DO SER INTERNO



Uma das características mais pronunciadas da civilização oriental é a busca de uma Realidade Interior, de um plano espiritual de vida que reúne todas as coisas numa Totalidade.
O oriental procura através da religião, da filosofia ou da arte, a integração do homem à natureza e ao cosmos, buscando encontrar além do tempo e do espaço o valor intrínseco das coisas. Para isto serve-se de guias, mestres e filósofos. Alguns renunciam à vida familiar, recolhendo-se às comunidades espiritualistas ou ashrams. Outros aproximam-se da natureza, buscando no silêncio das florestas ou no interior de grutas afastadas a resposta para suas indagações. Há também aqueles que aperfeiçoam-se como chefes de família, transmitindo aos filhos os ensinamentos dos mestres.
Buscam o encontro com o Ser Interno através da meditação e do auto conhecimento. Essa realidade interna quando reconhecida liberta a mente das inquietações provocadas pela agitação do mundo. A tranqüilidade mental visada por toda a filosofia do Oriente, não conduz à apatia, mas à serenidade do homem superior.
O desenvolvimento interior é o esquema de conduta, estimulado através dos séculos pelas diversas religiões orientais, cujos fundamentos levam a uma visão cósmica da Verdade. A noção de liberdade está na base desse desenvolvimento interior, dessa evolução para um plano superior de existência, onde o espírito liberta-se das ligações terrestres para se integrar à Essência Criadora de todas as coisas. O homem realmente integrado é aquele que se liberta não somente do conforto material, mas também da ambição, egoísmo, inveja, ciúme e todos os impulsos negativos que encobrem a Realidade Interna, como uma nuvem escura encobrindo o sol. Para nós, ocidentais, acostumados ao progresso material, à concorrência e à competição, essa atitude nos parece estranha e profundamente apática. No entanto, ela nos desperta para outros aspectos da vida e nos mostra o caminho aberto a um progresso necessário ao equilíbrio do homem do século XXI: o progresso espiritual e a descoberta da sua origem divina.

Há várias técnicas de meditação, variando de acordo com as necessidades dos discípulos, mas todas levam ao mesmo ponto: o estado de atenção necessário a uma plena consciência das coisas. Todas insistem no não pensamento. Sentir, olhar e perceber o presente sem interferências do passado ou do futuro. Os nossos sofrimentos vêm de nós mesmos, dos nossos conflitos mentais e do acúmulo de imagens conflitivas na mente. Quando aprendemos a olhar a mente de forma direta, quando a esvaziamos por completo, percebemos um estado de Serenidade e Paz, que seria o estado natural do ser humano.
O caminho do meio, pregado por Buda há 2.500 anos, conduz a um estado de alegria sem excessos e à Felicidade a que tem direito a pessoa durante o seu curto tempo de permanência na terra. Mas, de um modo geral, esse tempo é gasto em várias atividades e somente poucas pessoas se aproximam da beleza desses momentos como um privilégio especial. Os ensinamentos dos lamas, quando se referem à observação dos próprios pensamentos, assemelham-se às instruções de Krishnamurti. “Olhe dentro de você mesmo, observe os movimentos de seu ego, suas reações à vida diária.”
Quando tomamos consciência de que tudo está na nossa própria mente, quando compreendemos como surgem, permanecem e acabam os nossos pensamentos, sentimos que eles são realmente os geradores de todos os nossos altos e baixos. O momento presente é sempre belo e cheio de luz. Somos nós que criamos a nossa própria dor.

*Fotos de Vânia Trindade e Marília Andrés

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sexta-feira, 11 de maio de 2012


FLORESTAS


 Maurício me enviou o texto abaixo, dando continuidade à postagem “Oásis Terra.”

“Florestas e árvores são grandes aliadas de quem precisa de água, ou seja, de todos nós. Ao regular o clima, absorver gás carbônico e ajudar na infiltração da água no solo, as árvores e as florestas realizam processos vitais e prestam valioso serviço. A erosão nos solos e o escoamento superficial de água em áreas sem cobertura vegetal é muitas vezes maior do que aquela que ocorre em áreas protegidas por vegetação.  Com o desmate, os rios são assoreados e há perda de qualidade das águas, a redução dos lençóis subterrâneos, a perda de solos.
Na ausência de florestas, necessita-se de mais obras estruturantes  e há menor segurança hídrica. Assim, por exemplo, quando o desmate e mau uso do solo prejudicam a qualidade da água, as empresas de saneamento passam a gastar mais com produtos químicos no tratamento de água, pois a vegetação filtra metais e matérias em suspensão na água, reduzindo a necessidade de tratamento. Os mais penalizados por esses custos são as populações mais pobres e vulneráveis. Preservar os serviços ambientais prestados pelas arvores e florestas é, portanto, também uma questão de justiça social e de equidade.
No Brasil, serviços de regulação do clima são prestados em escala macro pela floresta Amazônica, sobre a qual chove a umidade vinda do oceano Atlântico. As árvores bombeiam de volta à atmosfera uma parte dessa umidade, que chove novamente sucessivas vezes em direção ao oeste. Ao encontrar a barreira da cordilheira dos Andes, esse ar carregado de umidade, em verdadeiros rios voadores, se dirige para o sul, umedecendo o centro-oeste e o sudeste brasileiros. Não fosse essa umidade, o clima nessas regiões seria muito mais seco e possivelmente haveria desertos. Sem a floresta amazônica, a agricultura no Brasil central e do sudeste será seriamente prejudicada.  Antonio Donato Nobre (No vídeo Tem um rio em cima de nós, no YouTube http://www.youtube.com/watch?v=HYcY5erxTYs&feature=player_embedded) nos ensina que a Amazônia pode ser vista como usina de serviços ambientais que realiza gigantescas transferências de energia, ao promover a evaporação de 20 bilhões de toneladas de água por dia, sendo um poderoso motor do clima global. Caso esse volume de água tivesse que ser evaporado por aquecimento, seriam necessárias 50 mil usinas do porte da hidrelétrica  de Itaipu.
Culturalmente, a floresta é vista como algo sujo, a ser extirpado. As expressões da língua revelam tal tipo de pensamento: limpar o mato, visto como sujeira; campo limpo e campo sujo significam respectivamente uma área sem vegetação e uma na qual a vegetação tenta se regenerar; quebrar o galho não é um ato negativo de destruição da vegetação, mas uma forma de ajudar um amigo. Até mesmo os quintais urbanos são cimentados, pois a vegetação é vista como um estorvo que dá trabalho para  limpar, que atrai bichos e doenças. Nessa visão cultural, vegetação, mato e floresta são sujeiras a serem removidas. Ainda não se valoriza suficientemente o fato de que as florestas prestam serviços ecossistêmicos, tanto em escala macro como em escala local.
Uma mudança de percepção cultural sobre a natureza, as águas e as florestas é necessária para que o comportamento em relação ao ambiente passe a ser mais amigável e menos agressivo. A valorização dos serviços ambientais prestados pelas florestas e árvores, bem como a valorização da água como algo essencial à vida, são atitudes positivas. Árvores e florestas são aliadas do ser humano na gestão das águas do oásis Terra.

Maurício Andrés é autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia WWW.ecologizar.com.br

*Fotos de Euler Andrés e Luciano Luppi

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