Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
domingo, 30 de dezembro de 2012
BIENAL UNIVERSITÁRIA DE ARTE
A Bienal Universitária
de Arte, organizada pela Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais e
Escola Guignard, tendo como curadores o s professores Fabrício Fernandino,
Benedikt Wierz e Marília Andrés Ribeiro, apresentou, durante o mês de novembro
de 2012, no grande Espaço 104, na Praça da Estação em Belo Horizonte, uma
mostra coletiva de trabalhos com a participação de estudantes universitários de
diversos pontos do Brasil e da América Latina.
Visitamos a exposição
num dia de chuva, penetramos devagarinho naquela catedral de arte, onde a nave
central era circundada por diversos nichos, com manifestações artísticas das
mais variadas tendências: fotografias, desenhos, pinturas, esculturas,
cerâmicas, instalações e performances.
A arte contemporânea
permite a apreciação de uma multiplicidade de tendências, linguagens e
expressões artísticas. Não existe um conceito político ou religioso a ser
defendido, apenas o direito de criar com liberdade e colocar para o público
alguma experiência escondida nos subterrâneos da memória.
Procuramos nos
aproximar dos artistas residentes, que vieram do Brasil e da Argentina, e ali
estavam reunidos. Fomos colhendo depoimentos sobre os seus trabalhos.
Bruno Oliveira, que
veio de Curitiba, nos dizia: “Trabalho com esculturas moles, de tecido, a
partir das quais proponho uma reflexão sobre o espaço e o exercício de expor. O
trabalho é norteado pelo pensamento sobre a relação entre a obra, o espaço e o
público”.
Paul Setubal, que
estuda na Universidade de Goiânia, fez o seguinte depoimento: “É uma série de
trabalhos que evoca questões políticas e sociais da vida contemporânea através
da história do Ciclo do Ouro em Minas Gerias. Criei uma série de “ouros falsos”
e apliquei um golpe com marreta nas peças, simbolizando toda a violência
daquele período e de hoje”.
Victoria Ruiz Diaz,
pertencente à Universidad Del Litoral, na Argentina, construiu um livro de
artista da série “De otros mundos” a partir de
desenhos de lâminas científicas e de mundos inventados. “Animais e
plantas da fauna e flora do Brasil se
transformam em seres híbridos para criar um outro mundo que é plasmado num
livro de pequeno formato”.
Leonardo Gauna,
estudante da Universidad de La Plata, criou o projeto “Ventanas”, que são
desenhos sobre os vidros das janelas. “O projeto busca resignificar o espaço
cotidiano, urbano e arquitetônico, com as ilustrações”.
Ana Clara D’Amico,
também da Universidad de La Plata, inventou o projeto “Sabrosa Diversidad”, que
consta de uma instalação feita com moldes de pequenas esculturas criadas a
partir das impressões bucais das línguas das pessoas de Belo Horizonte e da
Argentina. “O trabalho tem a intenção de refletir sobre a identidade sexual e a
anomalia que se apresenta como resultado de uma construção social. Ele se
refere também à comunicação e à dificuldade de expressão, gerando uma mescla de
culturas, sexos, idiomas, desejos e gêneros, numa eterna construção”.
Naquele espaço de
criação que se transformou o Espaço 104, durante a Bienal Universitária, os
estudantes criaram suas obras, experimentaram o entorno, trocaram experiências,
colheram impressões e dialogaram com os colegas, os curadores e o público
visitante. Foi uma oportunidade de
trabalharem a criação e a exposição da obra durante o evento. A Bienal
Universitária, por seu caráter inovador na formação dos estudantes, tornou-se
um marco na extensão universitária brasileira.
*Fotos de Marília
Andrés
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
UAKTI E BEATLES
Nas décadas de 1970 e 80, eu
tinha meu atelier em BH na garagem da casa de minha mãe. Ao lado, no porão da
mesma casa, o grupo UAKTI ensaiava suas músicas. Eu escutava os acordes, me
embalava naqueles sons criativos, que muitas vezes me conduziam a vôos mais
altos na pintura. Naquela ocasião eu pesquisava o cosmos e me abria para as
filosofias da Índia. Encantava-me
perceber a ligação da pintura com a música e sentir o papel da arte no
despertar do século XXI, unindo oriente e ocidente.
Os Beatles, rompendo
preconceitos, seguiram o caminho das Índias. Deixaram o conforto de Londres
para se dirigirem ao Oriente, buscando uma linguagem mais abrangente para sua
música. Meditando à beira do Ganges, perceberam a grandeza de sua proposta de
paz e chegaram com uma renovação completa da música contemporânea.
A apresentação do CD UAKTI x
BEATLES aconteceu no Palácio das Artes em Belo Horizonte , a
platéia superlotada com os apreciadores dos dois grupos musicais, vindos de
terras diferentes, mas unidos no mesmo objetivo de criação.
A melodia dos Beatles se
entrosava perfeitamente com os tambores, flautas, marimbas, chocalhos,
proporcionando um espetáculo de grande beleza e suspense.
Marco Antônio Guimarães subiu
ao palco e apresentou sua trajetória e sua admiração pelos Beatles, desde a
infância.
Os Beatles são ícones
internacionais e estimularam a criatividade de muitos artistas. Eu mesma, num
intervalo de muitas abstrações, dialoguei com os sons que me vinham da
vizinhança do UAKTI e criei na minha fase de arte coletiva, um quadro a 4 mãos
cujo tema era o famoso grupo inglês. Agora acompanho o espetáculo que se
desenrola no grande teatro do Palácio das Artes, me emocionando a cada passo e
a cada encontro. No final do espetáculo, que contou com a participação de
Regina Amaral e Josefina Cerqueira, esposas de Artur e Paulo, uma surpresa: os
filhos dos músicos foram chamados ao palco e se apresentaram cada um por sua
vez. Alexandre e Artur criaram um duo sobre
a canção "Black Bird".
Assistimos a apresentação da
filha de Décio Ramos tocando percussão e da filha de Paulinho Santos cantando
Yesterday.
Foi de grande importância a
apresentação dos filhos dos músicos e veio constatar o fato de que a arte vai
se prolongando no tempo e criando novas
mensagens e caminhos.
Lembro-me de uma homenagem a
George Harrison com a presença do músico indiano Ravi Shankar. A jovem filha de
Ravi regia a orquestra e o filho de George Harrison tocava guitarra. A arte
promove cada vez mais este encontro de grupos diversos e etnias diferentes, nos
grandes palcos do mundo e também nos pequenos repertórios. A grande síntese
está acontecendo e pode ser vista em cada cena que se desenrola espontaneamente
na criação dos artistas.
O caminho para a realização
da unidade planetária e unidade cósmica ultrapassa países e raças para se manifestar
de forma intensiva através de todas as artes, de modo especial a música.
Transcrevo aqui trechos da
reportagem de Cinthya Oliveira do jornal HOJE EM DIA sobre o show UAKTI-
BEATLES
“O desejo de registrar um
trabalho de homenagem aos Beatles é algo natural para um músico, segundo o
percursionista Paulo Sérgio Santos. “Todo mundo tem um momento de visitar a
obra dos Beatles. É uma influência que todo músico teve em sua vida, seja
melódica ou harmônica”, afirma Santos.
A idéia do projeto partiu do arranjador Marco Antônio Guimarães, um fã dos Beatles desde a juventude, quando chegou a ter uma banda cover dos ingleses.
Ele passou cerca de um ano trabalhando na adaptação das músicas para a peculiar sonoridade do Uakti. “Tive que respeitar bem a melodia porque, quando se adquire os direitos autorais, há uma exigência de que a música não pode ser muito modificada”, diz Guimarães, que selecionou as composições de que mais gostava e as que funcionavam melhor com os instrumentos do grupo.”
A idéia do projeto partiu do arranjador Marco Antônio Guimarães, um fã dos Beatles desde a juventude, quando chegou a ter uma banda cover dos ingleses.
Ele passou cerca de um ano trabalhando na adaptação das músicas para a peculiar sonoridade do Uakti. “Tive que respeitar bem a melodia porque, quando se adquire os direitos autorais, há uma exigência de que a música não pode ser muito modificada”, diz Guimarães, que selecionou as composições de que mais gostava e as que funcionavam melhor com os instrumentos do grupo.”
Fotos de Sylvio Coutinho e de
arquivo
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
NUNO RAMOS
Contemplo o trabalho do artista contemporâneo Nuno Ramos.
Peço uma cadeira para sentar e ficar quieta, simplesmente olhando para aquela
seqüência de triângulos que se justapõem, de formas geométricas em terceira
dimensão. Sombras e luzes, pretos e brancos, reflexos no espelho d’água onde as
formas submergem. A arte contemporânea permite o uso do espaço para construir e
realizar memórias escondidas nos subterrâneos do inconsciente. Foi justamente
realizando e concretizando essas memórias que Nuno Ramos produziu, com o
auxílio fundamental do arquiteto Alen Roscoe um trabalho de grande impacto.
“Pare e olhe, não fique se dispersando em conversas. Pare ,
olhe, observe, sinta o presente em toda a sua beleza e intensidade.”
Estas palavras me vêm de dentro, é necessário chegar até o
trabalho do jovem artista Nuno Ramos com total despojamento de idéias
pré-concebidas. Sentar e contemplar foi o que fiz e o significado da obra foi
me despertando momentos de reflexão. O primeiro toque me sugeriu serenidade e paz,
uma paz originada, não da sugestão do conteúdo, mas da forma. Conteúdo e forma
são importantes na realização de qualquer trabalho de arte, mas o que me tocou
logo de início foi a harmonia dos triângulos e retângulos, das sombras e luzes.
A demolição de 3 casas motivaram o
artista a produzir essa obra monumental. Veio do sofrimento, da perda, do
sentimento de compartilhar a dor, de transmutá-la e transformá-la em arte, como
uma flor de lótus que emerge do lodo. Esses momentos de vida são importantes se
vivenciados em toda a sua intensidade. Conduzem o artista a uma criação que se
liga intrinsecamente à sua própria vida, suas memórias e experiências. Na obra
de Nuno, exposta na Galeria Celma Albuquerque, senti o impacto da transmutação e
superação de uma experiência dramática vivida pelo artista.
Sobre a experiência artística,
temos uma página admirável do grande poeta que foi Rainer Maria Rilke:
"Versos não são, como tanta gente imagina, simplesmente sentimentos - são
experiências: é preciso ver muitas cidades, homens e coisas, conhecer o vôo dos
pássaros e o gesto das flores, quando se abrem pela manhã; voltar em pensamento
aos caminhos das regiões desconhecidas, aos encontros inesperados, às
separações já de longe previstas, às doenças da infância carregadas de
profundas e graves transformações, aos dias fechados ou de sol, às manhãs de
vento ao mar, às noites de travessia e de fuga. E tudo isto não basta. É
preciso, também, as memórias das vivências passadas e mesmo estas não bastam.
Pois é preciso também saber esquecê-las, quando são muitas, e ter-se a imensa
paciência de esperar que voltem novamente. E, quando então tudo tiver retornado
dentro de nós, como o sangue, a brilhar e a gesticular sem se distinguir de nós
mesmos, só então pode acontecer que, na hora rara, a primeira palavra de um poema
se levante no meio daquelas experiências e delas prossiga."
*Fotos da internet
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
VIMALA THAKAR
Já conhecia através de livros o pensamento dessa grande
instrutora indiana, mas somente em 1993, tive a oportunidade de conhecê-la
pessoalmente.
Vimala mora em
Mount Abu , no estado do Rajasthan, e durante muitos anos,
percorreu vários países do Ocidente, transmitindo seus ensinamentos através de
palestras. Em 1993, quando a conheci, ela não viajava mais para fora do país,
mas recebia os visitantes com o maior carinho.
Pessoas chegam de diversas partes do mundo para este recanto
isolado de Mount Abu. Suas palavras têm o tom incisivo de Krishnamurti, de quem
sofreu influência, mas agora seu estilo tem características próprias.
No livro “Vimalaji on
Intensive Self Education”, Vimala nos mostra o caminho da auto-educação, desde
a observação do nosso dia-a-dia caótico, até alcançarmos um estilo de vida meditativo
plenamente consciente da Totalidade.
Sadhana é o processo de purificação através do qual
compreendemos a Realidade, a Essência da Vida. É necessária uma purificação nos
níveis físico, emocional e mental. É importante criarmos um ritmo em nosso
dia-a-dia, levando em conta as horas de sono, a alimentação equilibrada em
horários definidos e o uso comedido da palavra.
Todas as atitudes negativas da mente, tais como a ansiedade,
a auto compaixão, a inveja, o medo e o ciúme, devem ser observadas no momento
em que surgem, sem deixar para serem analisadas intelectualmente mais tarde. É
importante observar como essas atitudes negativas consomem a energia vital.
A indulgência em relação ao negativismo obscurece por
completo a mente. A mente perde energia pensando no passado e se preocupando
com o futuro. Quando queremos ser nossos próprios educadores devemos colocar
prioridades em nossa própria vida. De modo geral perdemos energia em coisas
secundárias, desnecessárias, e isso nos conduz a um cansaço inútil no final do
dia. Uma pessoa emocionalmente perturbada não poderá ter um sono profundo.
A auto-educação tem início na observação de como estamos
usando a energia e, a partir daí, aprendemos a não desperdiçá-la. Tudo isso nos
leva a usar a nossa mente com mais responsabilidade.
Vimala nos propõe uma prática diária de sentar em silêncio,
a fim de aprendermos a educar os sentidos. Aconselha a escolha de um local
reservado, um horário definido diariamente, roupa adequada, estômago vazio.
Devemos dar importância à postura, mantendo a coluna reta, e observar a
respiração. Segundo Vimala Thakar, a meditação não é um estado de concentração
nem um estado de transe. Na meditação, há uma cessação voluntária de todos os
movimentos mentais.
Devemos manter uma relação amistosa com a própria mente,
observando-a sem julgamentos. Só assim podemos alcançar o estado de silêncio
inocente. Uma certa atitude de humildade deve acompanhar esse aprendizado, para
se alcançar a percepção pura, livre das reações mecânicas do nosso ego.
Podemos chegar ao estado em que existe somente a percepção
pura, sem a divisão entre o observador e o objeto observado. Se no decorrer
dessas práticas aparecerem fenômenos psíquicos tais como telepatia,
clarividência ou premonição, devemos apenas observá-los, mas não nos prendermos
a eles.
Compreendemos que todos os seres humanos, a natureza e os
animais são regidos por uma força que podemos denominar “Inteligência
Universal”. Se nos colocamos numa atitude de relaxamento, sem expectativas, com
fé e humildade diante dessa força e mantendo o silêncio interior, estaremos
permitindo que a Energia Universal flua por todo o nosso Ser.
O nosso encontro com Vimala foi de extraordinária beleza.
Parecia que a conhecíamos há muitos anos, pois um sentimento de empatia nos
envolveu. Quando encontramos uma pessoa que percorre um caminho semelhante ao
nosso, o relacionamento flui naturalmente, sem esforço ou resistência,
despertando um sentimento de Alegria e Amor.
Fotos da internet
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
RAMAKRISHNA
As cores do poente destacam a silhueta do templo de Ramakrishna, em Bangalore, enquanto vozes masculinas e femininas entoam o cântico vespertino.
Um jovem sannyasin roda o turíbolo com o fogo sagrado, em atitude de reverencia.
Ramakrishna também foi um desses jovens. Viveu na Índia nos fins do século passado, era um devoto da divina Mãe Kali e com ela conversava diariamente.
Reconhecido pelo povo como Encarnação Divina, Ramakrishna fundou uma ordem para propagar seus ensinamentos e a unidade de todas as religiões.
Na Índia, a pessoa iluminada entra em contato com energias superiores e se torna Um com o Deus Pessoal e Impessoal. Ramakrishna teve a mesma experiência em todas as religiões, tornando-se Um com Cristo, Buda, Maomé, a Divina Mãe e outros Avatares. Falou com a autoridade de quem realmente se elevou acima da densidade da terra e entrou na imensidão da energia Divina.
Através dos ensinamentos de Ramakrishna e Vivekananda, comecei a me interessar por Yoga, na década de 70, e senti desde o inicio uma ligação muito forte com esse mestre indiano e seu discípulo Vivekananda. A minha busca holística encontrava ressonância na atitude do mestre em não aceitar nada sobre autoridade de segunda mão. Ele sempre quis conhecer a Verdade diretamente.
Praticou como investigador cientifico todas as grandes religiões do mundo, obedecendo seus rituais e realizou o estado de comunhão com Deus em todas elas.
Ramakrishna abriu caminho para o encontro ecumênico de todas as religiões. A realização de Deus, ou o encontro com o Absoluto, depende unicamente de uma sincera busca espiritual.
“Revela-te em meu coração” é o mantra a ser repetido para se alcançar a revelação do Deus pessoal, seja ele Cristo, Buda, Maomé, Krishna, Ramakrishna ou a Divina Mãe. O encontro com o arquétipo da Divindade gravado no coração do Ser é o primeiro passo para a Realização do Deus Impessoal sem forma, sem nome. Mas, se a pessoa se apegar à experiência do Deus pessoal é impedida de alcançar a Consciência Universal. Ramakrishna era profundamente ligado à Divina Mãe Kali. “Tome a espada do discernimento e me corte ao meio”, ordenou-lhe a deusa. Assim fez Ramakrishna para alcançar a realização do Imensurável que existe além de todas as formas.
Ramakrishna alertava seus discípulos que os poderes psíquicos e o poder de curar são obstáculos na senda da conquista da Consciência Divina. A realização de Deus é um caminho direto, sem desvios.
Um dos grandes discípulos de Ramakrishna , Swami Vivekanada, introduziu o Vedanta para o mundo ocidental, quando participou em 1893 de um congresso de religiões em Chicago, nos Estados Unidos.
A clareza de sua palavra causou a mais profunda admiração entre os presentes.
Fotos de arquivo e da internet
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012
A CONQUISTA DO ESPAÇO
“A sonda norte americana Voyager 1, lançada em 5 de setembro
de 1977, entra em um mundo até agora inexplorado, ultrapassando os limites do
nosso Sistema Solar. Faz 35 anos que ela deixou a Terra e,a mais de 18 bilhões
de km de nosso planeta . A Voyager 1 está prestes a se tornar o primeiro objeto
de fabricação humana a ultrapassar esse limite e alcançar o espaço
interestelar. Carrega um disco chamado “Voyager Golden Record” contendo imagens
e sons representativos da história de nosso mundo: um gráfico com a posição da
Terra no espaço, a estrutura do DNA, sons
de animais, uma seleção musical e ainda mensagens em 55 línguas
diferentes.” (Jornal Hoje em dia,
6/9/2012)
Relembro a minha fase de pintura espacial, realizada nos
fins da década de 60, em meu atelier em Belo Horizonte. Em
1969, quando Neil Armstrong pisou na lua pela primeira vez, eu inaugurava uma
exposição desses quadros no Rio de Janeiro. A semelhança das fotos publicadas
pela mídia celebrando o evento, com meus quadros espaciais, despertou a atenção
de jornalistas que foram me entrevistar sobre aquela coincidência.
Transcrevo
algumas críticas da época sobre a minha fase espacial:
“O artista é o grande pioneiro, como sempre foi, da
conquista universal. Quantas vezes descemos em Vênus com um poema? Quantas
atmosferas foram criadas com a matéria pictórica, quantos azuis transpassados.
E tudo num ato de amor, num vôo, num desejo panorâmico de ver, conhecer e
habitar de felicidade.
Um destes artistas é a mineira Maria Helena Andrés, que
exporá dia 5 na Galeria do Copacabana Palace, e que marca a primeira exposição
de temas interplanetários”. (Walmir Ayala
em “Os engenhos voadores”, Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1969)
“Maria Helena Andrés, sobretudo
em suas grandes telas, com domínio perfeito da técnica, espatulada, organizada
e rítmica, obtém efeitos de grande beleza cromática. São aparentes suas
referências dramático-poéticas, de naves naufragadas ou aviões estraçalhados no
espaço.”(Aracy A. Amaral, São Paulo, 1968)
“Maria Helena Andrés andou
sempre adiantada em sua época, desenhando, pintando, escrevendo coisas que
sequer seus contemporâneos pensariam ou acreditariam, tais como suas naves e
viagens interplanetárias. Dessas viagens pelo onírico às viagens reais pelo
mundo, levou e trouxe conhecimentos que, numa troca de valores, consolidaram
sua estatura de intelectual e artista, e uma filosofia de vida singular. Tem
lugar definido nas artes plásticas do nosso país e é orgulho de todos nós.” (Mari’Stella
Tristão, Estado de Minas, 1988)
“Por volta de 1964, Maria Helena Andrés, fundindo o
significado simbólico das embarcações com chamamentos diretos da
contemporaneidade, passou a figurar, na mesma crescente diluição quase
abstrata, máquinas voadoras num universo de sonho e luminosidades metálicas.” (Roberto
Pontual, Rio de Janeiro)
“Há muito familiarizada com os
temas que sugerem caminhadas espaciais e aeronaves passeando o céu, a artista
obtém na monumentalidade mural, um extraordinário efeito. Sobre uma imensa superfície
azul repousa uma viagem. O percurso taticamente mantido sem insinuações
explícitas, estabelece a possibilidade vital do vôo criativo. O público
caminhará à esteira do sonho.” (Celma Alvim, apresentação do catálogo da
exposição de pinturas realizada na Sala Manoel da Costa Athaíde, Museu da
Inconfidência em Ouro Preto ,
Fevereiro de 19)
“Há uma longa fase de sua
pintura em que os barcos, navios, se tornaram bastante visíveis. Depois, por
volta de 1964, ela passou a figurar máquinas voadoras hoje cristalizadas numa
pintura que se pode chamar de “figuração científica”, pois refletem a
preocupação da artista pelos últimos acontecimentos da “era espacial”: os
cosmonautas chegando à lua. Toda esta pintura reflete um temperamento sonhador,
talvez um tanto romântico, com projeção de estados oníricos”. (Márcio Sampaio, “Maria Helena Andrés: Arte vivida dia
a dia”, Revista Minas Gerais - Ano 1, nº
1, Belo Horizonte, março/abril de 1969)
*Fotos de arquivo e da internet
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
ECOPPAZ
A Ong
Ecoppaz (Ecologia pela Paz) surgiu a partir da consciência de um grupo de
alunos da oficina de Cultura Ambiental e Cultura de Paz, coordenada pelo
arquiteto e ambientalista Mauricio Andrés Ribeiro, no I Festival de Inverno de
Entre Rios de Minas, em 2006. O grupo, formado por professores da rede escolar,
estudantes e ativistas ambientais, elaborou naquela ocasião um documento com
uma pauta de questões relevantes para aquele município mineiro, como o
abastecimento de água, o lixo e o esgoto, o desmatamento, a erosão de solos e
voçorocas, a extração de areia, a proteção do patrimônio edificado e dos
quintais, além da geração de ICMS ecológico e sua destinação.
A Ecoppaz
tem como missão defender e promover o desenvolvimento sustentável em busca do
equilíbrio ecológico entre todos os seres, visando a ética, à paz, à cidadania,
aos direitos humanos e a outros valores universais.
Dentre as
ações recentes da Ong destaca-se a aprovação da Serra do Gambá (situada nos
municípios de Entre Rios de Minas e Jeceaba) como Unidade de Conservação Estadual
– Monumento Natural.
A Ong propõe
também ações relacionadas à proteção, revitalização e uso adequado de córregos,
tanto na zona urbana quanto na zona rural do município de Entre Rios, visando melhoria
na qualidade de vida das populações ribeirinhas e adjacentes.
A Ecoppaz
realizou nos últimos dois anos atividades de educação ambiental em escolas, não
somente de Entre Rios de Minas mas também do município de Congonhas. Neste último
integrou em 2011 a
proposta do Projeto Aya (Arte / Yoga / Ambiente) às suas ações, realizando
inclusive junto aos alunos, o plantio de árvores na área de lazer da Escola
Municipal José Cardoso Osório.
*Fotos de
Maria Aldina Oliveira Resende, Sarahy Fernandes e da internet
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
GLORIOSA IDADE
Foi ao som de Noel Rosa e bossa
nova, tocando na vitrola recém-consertada, que a artista
plástica, escritora e professora Maria Helena Andrés recebeu a repórter Ana
Brant do Estado
de Minas em sua casa, no Retiro das Pedras. “O vinil tem um som
mais quente, por isso gosto de escutar e dançar. Olha que disco mais atual este
do Noel! Foi feito há muito tempo atrás. Se bobear o que produzi há 50 anos
está mais atualizado em termos de mercado do que o que produzo hoje. Igual ao
Noel Rosa”, observa Maria Helena.
Prestes a celebrar 90 anos
em agosto, ela está às voltas com seus dois blogs, Minha vida de artista (mariahelenaandres.blogspot.com)
e Memórias e viagens (memoriaseviagensmha.blogspot.com), e com a
exposição que vai marcar o seu aniversário. “Tem gente que acha fantástico
esconder a idade. Acho fantástico não esconder. No Oriente, as pessoas têm o
costume de perguntar qual a sua gloriosa idade. E tenho uma gloriosa idade.
Longevidade é bom sim, mas tem que viver
bem. Longevidade com hospital
não adianta. Vivo bem. A pessoa não pode ficar à toa. Quando a cabeça está
desocupada, só pensa coisa que não presta e aí não vale a pena”, filosofa Maria
Helena, que teve sua formação artística com Carlos Chambelland, no Rio de
Janeiro; Alberto Guignard e Edith Bhering, em Belo Horizonte ; e
Theodoros Stamos, em Nova
York.
A mostra que vai celebrar suas
nove décadas de vida e os quase 70 de trabalho vai entrar em cartaz no dia 18
de agosto na Galeria Livrobjeto, na Pampulha. Além das telas com temas
recorrentes, como os barcos e as cidades, e esculturas inspiradas em desenhos
do concretismo que ela mesmo esboçou, Maria Helena Andrés releva que vai
apresentar vários pergaminhos, simulando rolos chineses, com pinturas e textos
produzidos por ela. “Esse projeto vai
mostrar o que estou fazendo agora. Não gosto de repetir. As pessoas têm essa
mania. Gosto de ir renovando minha obra de acordo com a idade. A gente se cansa
das mesmas coisas, por isso é bom variar. Minha principal preocupação é fazer o
que sinto vontade, usar a minha criatividade, atender uma necessidade interior,
mesmo que não atenda o mercado”, preconiza a artista, que acredita que um dos
segredos de estar tão bem aos 90 anos é ter sempre as mãos trabalhando e focar
no presente. “Senão elas atrofiam. E, além do mais, não faço planos. Não se
pode preocupar só com o passado ou o futuro. Viver o presente é o que importa e
o aqui e agora é sempre mais bonito”, garante.
Vivendo há 34 anos em uma casa no Retiro das
Pedras, onde também funciona seu ateliê, Maria Helena conta que costuma passar
uma parte da semana no ‘meio do mato’ e outra em Belo Horizonte e
que esse contato com a cidade é extremamente profícuo. “Costumo passar uns dias
aqui e outro em BH. Acho
extremamente importante ter esse contato com o meio urbano. Não dá pra ficar o
tempo todo isolado. É bom para a cabeça. Tem muita coisa interessante em Belo Horizonte. Seja
nas artes plásticas ou na música. A cidade está fervilhando em várias áreas”,
pontua.
Mas, sem dúvida, é no alto das
montanhas que ela se sente plena. Seja contemplando o horizonte, sentindo a
natureza, descendo e subindo com destreza as escadas sinuosas de sua casa, a
artista plástica sequer reclama da baixa temperatura, típica da região, e que
se intensifica neste período do ano. “Dou-me muito bem com frio e vento. O
pessoal diz que sou conservada. Claro, vivo numa geladeira”, brinca, enquanto
relembra as inúmeras viagens que fez pelo mundo, principalmente para o Oriente,
como Nepal, Tibete, Japão, Tailândia e Índia, onde chegou a morar por um ano.
Boa parte das experiências vividas
nesses países está nos blogs criados por ela, que são atualizados semanalmente,
com o auxílio da filha Ivana. Maria Helena diz que é adepta das novas
tecnologias e que isso facilita seu trabalho. A última aquisição foi um
presente do neto: um iPad. “Gosto muito de mexer com ele, é bem interessante.
Essas coisas modernas ajudam muito. São importantes como informação e como
formas de comunicação com o mundo. Tenho muito contato com pessoas de fora do
país. Meu blog tem cerca de 20 mil acessos e as pessoas ficam curiosas querendo
saber sobre Guignard, sobre o construtivismo em Minas, momentos que vivenciei
bem”, justifica.
Nascida poucos meses depois da
Semana de Arte Moderna, Maria Helena Andrés acredita que ter vindo ao mundo em
uma época tão efervescente culturalmente pode tê-la inspirado de certa forma.
“Enquanto puder viver nessa Terra, que é tão bonita, cheia de cores, sons, com
uma natureza maravilhosa, vou aproveitar o máximo. É um privilégio e temos
sempre que nos manifestar de forma positiva. Se for para espalhar negativismo
não compensa. É assim que deve ser”, resume.
*Fotos de Maria Tereza Correia e
Maria Helena Andrés
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domingo, 8 de julho de 2012
EYMARD BRANDÃO NA ÍNDIA
Visitei a exposição de Eymard
Brandão na Galeria da C/Arte, na Pampulha, em Belo Horizonte. Num
espaço muito próprio para seus quadros, onde se destaca a busca do
aproveitamento de recursos da terra, fui relembrando acontecimentos que, de
certo modo, marcaram a arte de Eymard.
Sua viagem à Índia em 1979
certamente contribuiu para esse trabalho contemplativo que busca na terra a sua
referência. Eymard tem seu atelier em Nova Lima e, nessa região onde as mineradoras
estão sempre em busca do lucro extraído da terra, Eymard, serenamente dela
extrai sua arte. Recolhe tintas e pedras do chão de Minas e, como alquimista,
vai construindo painéis coloridos que, vistos em seu conjunto, alinhados na
exposição livro-objeto, me recordam os sáris da índia. A Índia está presente
nessa exposição também no depoimento do próprio artista em seu livro da série
Circuito Atelier. Transcrevo em seguida trechos desse texto:
“A ecologia não surgiu em meu
trabalho. Foi sendo a ele incorporada gradativamente, por uma série de fatores
externos e internos. Estava me preparando para fazer o curso de pós graduação
em Londres, no Royal College of Arts, quando assisti a uma palestra de Maria
Helena Andrés. Nessa palestra ela abordava, entre outros assuntos, uma escola que
conheceu no sul da Índia chamada World Academy of Wonder ( a palavra wonder
significa uma forma específica de percepção na arte). Essa escola era uma das
unidades de uma universidade que englobava diversas áreas como arte,
literatura, música, fotografia, dança, teatro, etc. Mudar os referenciais e
viver esse encontro de Oriente e Ocidente através da arte passou a me atrair
profundamente. Enviei o currículo e recebi uma resposta promissora, juntamente
com a explanação dos cursos oferecidos. Consegui uma bolsa de estudos e tive,
naquele país, uma experiência de arte e de vida extremamente gratificantes.”
“Estudantes do mundo inteiro
conviviam nessa escola, com novas possibilidades de lidar com seu potencial.
Estruturas circulares eram desenvolvidas dentro de padrões milenares e, ao
mesmo tempo, contemporâneas, para o trabalho realizado nas formas de ensino ali
experimentadas. A história da arte era abordada pelo aspecto psicológico. E as
cores da natureza eram relacionadas com nossas emoções, para depois serem
aplicadas no papel, na tela ou em formas na terceira dimensão. Com folhas e
flores, construíamos belas mandalas. Uma estrada pela floresta levava a um
grande e bonito lago. Em frente a ele, subindo para a montanha, uma placa de
madeira indicava a entrada da escola. Nela, sugestivas palavras nos convidavam
a deixar as sombras de nossos egos para trás e lidar com as formas de estudo
ali propostas, onde conviver com os ritmos e mistérios da natureza eram um
ensinamento diário, por ser o universo em si, como um próprio campo no qual o
jogo cósmico da arte vem acontecendo desde tempos imemoriais.”
Relembrando minhas viagens à
Índia, vou encontrando referências também na arte de Eymard Brandão que é, sem
dúvida, uma manifestação de seu próprio self de artista. A palavra self, usada
por Jung para significar o centro psicológico do “ser” tem diferentes
denominações nas diversas religiões do mundo. Significa o Cristo interno dos
cristãos, o Atman dos hindus, a Luz interna de Krishnamurti.
O verdadeiro “eu” se encontra
na parte interior, mais profunda de nosso ser, nos disse Sri Aurobindo em seus
ensinamentos.
*Fotos de Maurício Andrés
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terça-feira, 26 de junho de 2012
RIO + 20, UM OBSERVADOR À DISTÂNCIA I
Recebi de Maurício Andrés o texto sobre Rio +20, que
transcrevo abaixo:
“Um observador à distância
De conferência sobre sustentabilidade
Vê ao longe o espetáculo,
Como um astronauta contemplando a Terra.
É desnecessária sua presença física
Pois está conectado por vários meios:
Manchetes de jornais anunciam os fatos.
Na internet, surfa sobre artigos reflexivos, análises,
avaliações críticas.
Nas redes sociais, anúncios buscam atrair o público para
eventos,
alguns curtem, comentam e compartilham.
A tevê lhe traz em casa matérias sobre segurança, trânsito
na cidade.
Ele se nutre de
extratos de artigos, análises, avaliações.
Vê a conferência através dos olhos de comentaristas,
articulistas, cientistas.
Participa ecologicamente:
Quieto em seu lugar, não causa a emissão de gases de efeito
estufa;
reduz impactos sobre
o planeta.
À distância, não tem
os inconvenientes do suor,
dos deslocamentos desgastantes no trânsito.
Sua vivência é isolada, individual,
ele tem tempo para refletir.
Está conectado no que ocorre no Rio
Transformado numa ágora global
O espaço público da feira e da política.
O cenário onde foi dada a partida
E o espetáculo
começou.
II
São 50.000 atores.
Parecem muitos,
mas juntos
correspondem a menos de
0,00001% dos 7
bilhões de seres humanos.
Há 1000 palcos e eventos;
190 delegações de países ricos, emergentes ou pobres,
e 167 chefes de estado.
Parlamentares, lideranças, sindicalistas, ativistas,
Crianças, jovens e mulheres,
indígenas,
cientistas,
acadêmicos e estudantes,
empresários,
consumidores, gestores, industriais, empreendedores,
profissionais, religiosos, acadêmicos, formadores de
opinião.
agricultores,
representantes de organizações não governamentais.
Há as emoções e a excitação da participação presencial;
a imersão no ambiente,
a troca de energia
humana entre os atores e as platéias,
congraçamento e
interação social.
E também o suor, o trânsito, a aglomeração.
O Rio é nesses dias
um microcosmo do mundo,
Um ponto de encontro da variedade humana,
uma Babel de línguas, religiões,
histórias,
de culturas, idéias e de estágios de consciência.
Entre os 99,99999% que não estão lá,
Uns acompanham as notícias. Outros, não.
III
No grande espetáculo da conferência,
há muita atividade e agitação.
Autoridades negociam palavras e vírgulas,
tiram e põem colchetes em textos oficiais.
Divergem e buscam consensos.
Entre os atores no meio do povo,
uns articulam, advertem, alertam, exortam;
denunciam e criticam,
reclamam, censuram, acusam,
reivindicam, exigem.
Há quem faça discursos que
entusiasmam, empolgam, energizam,
inspiram,
conscientizam, sensibilizam,
emocionam, comovem,
convencem.
Outros se auto-promovem em viagens egóicas.
Há quem fale e escute, dialogue,
Troque idéias, aprenda, ensine.
apresente boas
práticas e exemplos.
Alguns se defendem,
assumem compromisso, assinam pactos.
Lançam relatórios, fazem acordos,
mostram serviço.
É intensa a atividade dos 0,00001% da humanidade
que representam nos
palcos, tendas e pavilhões.
Enquanto isso, os demais 99,99999%
seguem suas vidas
E alguns tomam conhecimento do que ali se passa,
porque também há aqueles atores
que fotografam,
gravam, registram, entrevistam,
Comentam e transmitem ao vivo,
tuitam e postam mensagens e imagens
e assim divulgam o
espetáculo.”
(Maurício Andrés WWW.ecologizar.com.br)
*Fotos da internet
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terça-feira, 12 de junho de 2012
FELICIDADE INTERNA BRUTA PARA TODOS
“Rio + 20, Felicidade Interna Bruta.”
Este slogan, lançado ao mundo em 1972 pelo rei do Butão, está agora em pauta e vai
constituir motivo de debate na próxima conferência Rio + 20. Deixar de lado a
preocupação com o lucro e os valores materiais para buscar outros valores, é um
grande passo no caminho da Paz sobre o Planeta Terra. Valorizar o ser humano,
seu bem estar, sua felicidade unida à natureza é o que todos nós pretendemos
neste tumultuoso início do século XXI.
Caminhar para a paz universal é deixar que a felicidade chegue
a todos e não a um pequeno grupo de privilegiados.
O rei do Butão anteviu isto desde 1972, e o colocou em
prática em seu pequeno país, situado nos Himalaias. Quando um repórter veio
entrevistá-lo sobre o PIB de seu país, ele respondeu que este produto interno
bruto (PIB) tão badalado no mundo ocidental, não era prioridade para ele. A
prioridade era a paz e a felicidade para todos os seus súditos.
Hoje, intelectuais, antropólogos e cientistas do mundo
inteiro, inclusive dois Prêmios Nobel, começam a estudar suas idéias, buscando
adapta-las ao nosso ocidente materialista.
Transcrevo abaixo trechos do artigo de Heloísa Helvécia,
publicado no jornal Folha de São Paulo, em 5 de junho:
“A felicidade entrou no debate da Rio + 20. A criação de uma
alternativa ao PIB capaz de medir o bem estar dos países é o “assunto da hora”,
segundo a antropóloga americana Susan Andrews, coordenadora aqui do projeto FIB
(Felicidade Interna Bruta).
Sob patrocínio da ONU, o FIB butanês vem sendo recriado por
um time de intelectuais. O grupo fez um questionário que sonda padrão de vida,
governança, educação, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso
à cultura, uso do tempo e bem-estar psicológico. No Brasil, o FIB é mais do que
um indicador, segundo Susan. É um catalisador de mudança social que tem o
potencial de unir poder público, empresas e cidadãos para a felicidade de todos.
É pensamento sistêmico na prática, diz a antropóloga graduada em Harvard, que é
também mestre em psicologia e sociologia. E monja.
A monja junta ao currículo o título de embaixadora do FIB no
Brasil, país para o qual ela veio por ocasião da Eco-92- e ficou.
Naquele ano, fundou o Parque ecológico Visão Futuro em
Porangaba, a duas horas de São Paulo. É uma das primeiras ecovilas do país.
Segundo disse Banki-Moon, secretário-geral da ONU, a Rio+ 20
precisa gerar um “novo paradigma” que não dissocie bem-estar social, econômico
e ambiental. Os três, para ele, definem a “felicidade global bruta”.
Susan Andrews acha que a introdução de indicadores mais
sistêmicos já é um movimento mundial. É parte do espírito do tempo.”
Heloisa Oliveira, fotógrafa mineira, muito familiarizada com
o Butão, esteve recentemente naquele país, preparando um filme sobre os
costumes e o modo de viver daquele povo. Heloisa estará participando da Rio +
20 com um depoimento na conferência intitulada “Cúpula dos Povos”. Sua abordagem sobre o FIB é
importante devido ao fato de que a nossa fotógrafa de Minas Gerais esteve várias
vezes no Butão e conheceu pessoalmente o rei daquele país.
*Fotos de Heloisa Oliveira
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