sábado, 25 de setembro de 2010

DUAS EXPOSIÇÕES NA PAMPULHA

Paulo Bruscky

No Museu de Arte da Pampulha, a mostra conceitual do artista pernambucano Paulo Bruscky nos envia mensagens políticas da década de 70, em plena ditadura militar, quando os artistas davam seu recado, denunciando a repressão. A injustiça contra o ser humano proibido de pensar, injustiça contra a destruição da natureza. A força autoritária da repressão não conseguiu impedir que esses artistas se manifestassem contra o poder central que reprimia, prendia e matava os jovens rebeldes.

Agora, no meio da sala, o artista conversava com os visitantes. “Conheço a senhora há muito tempo, desde a década de 60, através de seu livro “Vivência e Arte”. Realmente, pensei, os livros transmitem nossas idéias e este artista de Pernambuco aqui estava me conhecendo, agora pessoalmente. “Vivência e Arte” deu o seu recado, percorreu o Brasil de norte a sul, viajou até os Estados Unidos, chegou à Biblioteca do Congresso e à Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Volto a apreciar a mensagem do artista. Ali estão os seus livros objetos, dentro de uma vitrine. São mensagens, anotações costuradas e formatadas pelo próprio artista, num carinho imenso pelo livro e a palavra escrita em suportes pequeninos, intimistas. Do lado de fora do Museu, uma escultura de barras de gelo foi erguida em forma de fogueira. Aos poucos o gelo vai derretendo, formando uma lagoa no chão. Não seria esta uma alusão ao efeito estufa derretendo as geleiras? Paramos em frente a uma série de microfones. O artista captou a música de várias fontes e cachoeiras em suas viagens pelo mundo. Agora também podemos ouvi-las logo na entrada do Salão.

A Arte Contemporânea, com seus recursos que se ampliam para a vida, sensibiliza o publico de forma direta. Ela não procura o conhecimento científico, mas atinge o ser humano através da sensibilidade e emoção.

Paulo Bruscky abre questões para a arte atual em torno da idéia de unicidade da obra de arte. “Valendo-se de canais alternativos de circulação, Paulo Bruscky, pioneiro da arte postal no Brasil, ativou ampla rede de correspondência disparada a partir de Recife, cidade onde nasceu e sempre viveu, para várias partes do mundo, o que acabou por gerar um rico arquivo de arte conceitual com cerca de 70 itens, que incorpora desde trabalhos de artistas/ativistas integrantes do Fluxus até artistas do grupo japonês Gutai. (...) O subterrâneo estourou, tornando a arte simples. Será que arte é sempre única e original. O que é a arte? Para que serve? pergunta o artista.”

Edith Derdyk, linha de costura

Na mesma tarde de sábado, a Galeria Livrobjeto da C/Arte dava continuidade à sua programação de livro objeto com uma exposição da artista paulistana Edith Derdyk.
A artista veio para a inauguração e trocamos idéias. Ela também está interessada na Índia, viajou do Rajastão até o Nepal, conheceu os Himalaias e os monges budistas na sua busca do Vazio. Em sua proposta conceitual para a exposição na Livrobjeto, Edith nos trouxe livros fotografados, xerocados, costurados, empilhados na estante, livros sem palavras, livros que refletem o vazio, o presente, o agora como o espaço a ser descortinado pela linha. “A linha é uma divisória incerta. Mede e potencializa a sutileza do limite, prevê um ponto de partida e um ponto de chegada que às vezes pode nunca mais chegar.” Assim como a vida, os pensamentos são costurados e avançam no tempo, perpetuando o agora.

Edith nos traz em seu livro “Linha e Costura”, a ação de costurar como uma forma de caminhar. “Escrevo como costuro, costurando, ligando, furando, recortando, costurando pensamentos e tudo o mais.” Edith vai costurando seus pensamentos contidos no livro. “O livro canta a sua partitura inacabada, sua tessitura.O tempo conta sua extensão topográfica, superficial. A destruição do tempo se reduz à apreensão do impossível. Confinado na matéria, o tempo se expande, contrai, estira, retrai. O tempo suporta a vida, sustenta o homem, pressiona a matéria.” Em seu pequeno livro de reflexões, Edith nos traz a mensagem escondida no fazer e vai, através do costurar linhas, pensamentos, idéias, elaborando também uma filosofia própria do fazer ligado ao sentir e ao pensar.

*Fotos de Maurício Andrés e Marília Andrés

ATENÇÃO: Clique em cima para ver o outro blog de Maria Helena Andrés "Memórias e Viagens".




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

IV FORUM DAS AMÉRICAS

O Instituto Arte das Américas vem contribuindo, desde a sua fundação em 2000, para o intercâmbio entre as propostas de arte das diversas regiões do planeta. Esta iniciativa, feita com entusiasmo e dedicação, tem se tornado um ponto de referência cultural em Belo Horizonte e, através dela, pude entrar em contato com pensadores não somente brasileiros mas também estrangeiros. Para mim foi um aprendizado e enriquecimento intelectual participar das palestras desses Fórum.

Agora, em 2010, o Instituto se enriqueceu entrando em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais para a realização da Bienal Zero, que congrega estudantes das diversas Escolas de Arte das Universidades Latino-americanas.

Para o campus da UFMG se deslocaram os mais importantes críticos brasileiros e estrangeiros, tais como Francisco Jarauta, filósofo e professor de diversas universidades européias e americanas, e Agnaldo Farias, professor da USP e curador da Bienal de São Paulo.

Francisco Jarauta veio da Europa para nos oferecer uma palestra de alto gabarito, onde, de forma holística, analisou a arte contemporânea em seu contexto global. Ele foi desvendando segredos e mostrando mapas de transformações dos conceitos de arte e abrindo a consciência do público para esses pontos de mutação que acontecem agora em alta velocidade. Com agudeza de percepção, analisou o advento das novas tecnologias e a sociedade da informação, mostrando como estamos mergulhados na velocidade e como as instituições políticas estão sendo substituídas pelas instituições econômicas. Apontou o papel poético e político da arte enquanto transformadora da sociedade e da consciência. “Os desafios do mundo contemporâneo são imensos”, nos disse ele, cabe aos artistas captar essas transformações através da sensibilidade e da intuição para a construção de seu cotidiano, integrado ao planeta e ao universo. A arte deve ter um grande papel nesta transformação. È importante “abrir novos espaços vinculados ao social, estudar a cartografia correta dos problemas e saber identifica-los com a sensibilidade. É necessário a humanização do espaço social”. Francisco Jarauta, um dos grandes filósofos do momento, foi abrindo caminho para a melhor compreensão de uma arte contemporânea, participante e humana, sempre aberta ao questionamento e às novas interrogações. São essas interrogações que nos fazem seguir em frente e nos libertar do passado.

O que ele falou foi encontrando ressonância com o meu pensamento holístico e foi por esta razão que ali fiquei atenta, escutando uma palestra em outra língua, mas sentindo em cada palavra uma afinidade muito grande com o meu modo de pensar.

Outra palestra que me tocou foi a do meu amigo Agnaldo Farias sobre a Bienal de São Paulo, onde ele discutiu o conceito da Bienal no contexto da Arte Contemporânea. A Bienal de São Paulo, desde a sua criação em 1951, tem sido uma vitrine da arte que se fez pelo mundo nesses últimos sessenta anos. A Bienal não é somente um espaço expositivo, mas é um ponto de encontro entre artistas, curadores, intelectuais, educadores, professores, estudantes e o publico em geral. A partir dessa concepção ela propõe abrir espaços de encontro, denominados “terreiros”, entre os espaços expositivos. Ali vão acontecer performance, dança, música, aulas para crianças e discussões sobre arte contemporânea.

Venho acompanhando as Bienais de São Paulo desde a sua inauguração e considero da maior importância fazer daquela mostra um grande aprendizado de arte. Todo o meu itinerário artístico se enriqueceu com a visão do mundo que a Bienal me deu, através da visão da arte internacional e dos grandes encontros que tive com os artistas e intelectuais da época. Tive a oportunidade de encontrar artistas e críticos como Maria Leontina, Milton da Costa, Volpi, Krajecberg, Franz Weissmann, Mary Vieira, Lygia Clark, Mário Silésio, Lourival Gomes Machado, Antonio Bento e Mário Pedrosa no pequeno café situado logo na entrada da Bienal.


*Fotos de Marília Andrés, Foca Lisboa e Internet




sábado, 11 de setembro de 2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

UAKTI EM INHOTIM

Venho acompanhando a trajetória do Grupo UAKTI, desde a sua criação em 1978. Por muitos anos eles tinham a sua sede, o seu pequeno ponto de referência no porão de uma casa situada no bairro dos Funcionário em Belo Horizonte. Ali também eu tinha o meu ateliê de pintura e, enquanto pintava, escutava os ritmos de percussão e a sonoridade da flauta soando aos meus ouvidos. Música e pintura se integravam dentro de criações diversas e, aos poucos fui percebendo a ligação mais profunda entre as cores, as linhas e os sons.
Acompanhei o UAKTI, viajei com a turma para os Estados Unidos e Europa.

No Guggenhein de N.York assisti às apresentações coroadas de sucesso e também os workshops para turmas de jovens estudantes americanos.
A interatividade sempre foi uma característica deste grupo. As pessoas se acercam, desfilam pelo palco, tocam os instrumentos. Há uma curiosidade em saber a história do grupo, como foram criadas as músicas e os instrumentos. A lenda do índio com o corpo cheio de furos continua a ser apresentada em várias regiões do planeta.
UAKTI é uma lenda que se torna viva através da música. Ela caminha pelo mundo, transmutando energias.
“Música dos deuses” foi como Maria Betânia se referiu a este grupo.

A música do UAKTI ganhou o mundo, depois o Brasil, mas não quis perder suas raízes.

O grupo considera Belo Horizonte como um lugar adequado para o desenvolvimento de um trabalho sério, sem as precipitações e dificuldades do eixo Rio- São Paulo.
Aqui eles podem criar, participar de reuniões e ao mesmo tempo estar junto dos familiares.

Minas Gerais é o lugar adequado para a criação artística, o recolhimento das montanhas favorece. Depois do trabalho pronto, ele está em condições de se atirar pelo mundo.
A receptividade ao grupo começou com o entusiasmo de Milton Nascimento. Ele acreditou num grupo que estava começando, gostou da sonoridade e convidou os músicos para participarem com ele de uma gravação.

Outro encontro de grande importância para o crescimento do grupo no mundo, foi a sua ligação com Phillip Glass, considerado o maior compositor americano da atualidade.
Com Phillip Glass o grupo viajou pela Europa, EUA e Canadá e brevemente seguirá para o México. Integrando músicos de diversos países, o CD Orion será apresentado este ano, em outubro, na capital mexicana. Neste nosso planeta conturbado pela violência, o grande concerto “Orion” continua buscando a integração e a paz.

Inhotim

Inhotim é um lugar privilegiado, enriquecido com o paisagismo de Burle Marx. Ali, Bernardo Paz criou um museu ao ar livre, considerado como o maior centro de arte contemporânea do mundo. Para isso reuniu artistas de renome e seus trabalhos estão distribuídos no meio da vegetação. Passear por Inhotim é captar os sons da natureza e, ao mesmo tempo, sentir o que de mais avançado existe em arte contemporânea.

A apresentação do Grupo UAKTI no dia 29 de agosto foi um programa que uniu a música às artes plásticas, realizando a síntese das artes prevista como forma de harmonização para o século XXI

Sentados na grama, os jovens sentiram esta integração.

Dali surgirão outros jovens músicos, também com o objetivo de levar a arte ao mundo em sua grande missão de paz.

Música de jovens talentos

Novas gerações vão surgindo, dando continuidade ao que foi criado anteriormente, para se estender ao longo do tempo, como uma orquestra vinda das montanhas.

Jovens músicos de 20 anos afinam os seus instrumentos para a música erudita e já estão sendo reconhecidos e premiados. Assisti ao concerto “Jovem músico” patrocinado pelo BDMG Cultural e voltei impressionada com a seriedade do grupo. Aqui vai um recorte dp Jornal Estado de Minas do dia 9 de setembro.

*Fotos de Márcio Reggis




sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PIC NIC NA FAZENDA

Comer é um ato agrícola - saber a origem dos alimentos, como são plantados, se são preservadas as comunidades tradicionais de plantio, enfim, preservar os saberes e sabores. Unir os dois elos: produtor e consumidor e integrá-los num ambiente de arte do cotidiano em que os pratos servidos são coloridos.
Junto com o grupo local do “Slow Food” os visitantes são convidados a participar de um evento, uma festa no campo onde recebem instruções sobre o plantio dos alimentos que consomem.
No almoço o prato fundamental foi o bambá de couve, angu e farinha de milho torrada. Receita de Jorge dos Anjos que é artista e “gourmet”. Às vezes é convidado para expor suas esculturas e acaba fazendo o almoço.
Teresa recebeu uma receita do Chico Magalhães, artista plástico e atualmente diretor do Museu Mineiro de um biscoito amanteigado de fubá, denominado pelos antigos de “raivinha”. Numa oficina de gastronomia com as crianças, Teresa as incentiva a meter a mão na massa.
A raivinha era usada pelas mães como tarefa de harmonização das brigas entre irmãos. Enquanto amassavam os biscoitos punham a raiva para fora. Depois comiam a produção celebrando as pazes. Isto se chama o saber dos sabores.
O pique-nique incluía em sua programação uma visita à horta para ver a plantação de morangos, das hortaliças e do milho. As crianças identificavam as mudas. A festa terminou com uma visita à fazenda da Barrinha, para ver o moinho dágua e os jardins da tia Laura, cheios de bouganviles, orquídeas e até o perfumado “chulé do imperador”.
Uma jovem artista americana relacionou os jardins da Barrinha com os “secret gardens” nos USA. Lembramos também dos jardins de Monet, que ele imortalizou nos seus quadros.
O tema do pique-nique era o “milho”, o estudo de seu plantio e aproveitamento. Foi mostrada a palha usada pelas artesãs locais na criação de bonequinhas, cestos, flores etc. O milho também conduziu os convidados a ver o moinho d’água na Barrinha.
Na fazenda da Barrinha eu tive meu ateliê durante 20 anos e ali pintei várias fases do meu itinerário artístico. A fase de guerra, as madonas e a fase cósmica.
Daquele lugar privilegiado eu continuo guardando as melhores lembranças e revendo a janela do meu ateliê agora colorida com bouganvilles em flor.

Vejo agora os meus filhos e netos cultivando a terra herdada de seus avós e bisavós, como uma forma ecológica e sustentável de reverenciar a natureza. Ao mesmo tempo proporcionam às crianças o conhecimento de uma alimentação sadia, necessário para transformar o “fast food” em “slow food”.

Esta é uma forma de estender a arte à vida, proposta do nosso mundo contemporâneo.
Estamos vivendo uma época de grandes transformações e uma das funções mais importantes das diversas formas de arte é colaborar com esta mudança da sociedade. A arte do momento liberta-se, aos poucos, dos antigos padrões do passado, do mito do sucesso, da valorização da mídia, da ambição material, para conduzir o ser humano à sua real posição no planeta, à sua ligação com a natureza e com o universo.
Arte e vida não estão separadas, mas coexistem de forma harmoniosa quando tudo é feito com reverência e atenção. As atividades do dia-a-dia, a cozinha, a jardinagem, o arranjo de flores, o cuidado com as crianças, tudo está na extensão da arte para a vida.

*Fotos de Euler Andrés e Cristina Cortez




sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ARTE SUPERANDO BARREIRAS

Fico muito feliz de ver o resultado de um trabalho de 7 anos que vem sendo realizado pela Ivana com a jovem Kátia Santana que, a meu ver, não sofre influências externas, mas pinta com o coração e a sensibilidade. Nos seus quadros as cores substituem as palavras. O Evaldo está junto com Ivana e o Luciano há 25 anos, num trio de Voz e Poesia. Ele supera a barreira da cegueira com música, muito bom humor e talento musical.
Ambos expuseram no Senado Federal em Brasília com grande sucesso. Transcrevemos aqui a reportagem feita por Marcelo Abreu, jornalista do Correio Braziliense.
“Uma moça que nunca andou, fala com dificuldade extrema e tem comprometimento de todo o aparelho locomotor. Um homem cuja última lembrança na vida foi a de ter visto o jaleco branco do médico que o operou. Ele contava 8 anos. Está com 53. A professora de artes que um dia conheceu esse homem, depois essa moça. Uma mãe que, ao saber que a filha tinha paralisia cerebral, demorou três dias para ter coragem e perguntar à médica o que aquilo queria dizer para o resto da vida. E uma produtora cultural que viu toda essa história e escreveu um projeto. E o projeto virou arte. Juntou pintura e música. A melhor de todas.

História danada de boa essa. A moça que não anda e vive cheia de limitações é uma pintora. Das melhores. O homem que não enxerga é compositor, arranjador e instrumentista. No violão, ninguém o detém. A professora de artes que um dia conheceu ambos virou curadora. A mãe que não sabia o que fazer com aquela sentença nunca mais perguntou por que aquilo havia acontecido com sua filha. A produtora cultural é autora de um projeto de sucesso, há um ano e meio correndo estrada.

E hoje, às 15h, no Salão Branco do Senado Federal, a pintora de sorriso encantador e o tímido músico mineiro estarão juntos, inaugurando a exposição Arte superando barreiras. Kátia Santana mostrará 11 pinturas abstratas, em acrílico sobre tela. Evaldo Leoni cantará músicas de própria autoria e de compositores consagrados da Música Popular Brasileira. Enquanto Evaldo estiver cantando, Kátia pintará mais uma obra.

Ivana Andrés, 59 anos, a professora de artes, que há sete anos acreditou que essa moça poderia pintar de verdade, vai estar ao lado da aluna. Simone Senra, 41, a produtora cultural, verá seu projeto, mais uma vez, ganhando espaço e elogios rasgados do público. E Izabel Nedina, 48, cabeleireira, a mãe, certamente chorará em algum canto daquele salão do Senado Federal. E toda lágrima que derramar não terá sido em vão.

Na tarde de ontem, o Correio foi ao encontro de Kátia e Evaldo, que haviam acabado de desembarcar de Belo Horizonte (MG), onde moram. Ela, aos 29 anos, é pura alegria. A primeira vez em Brasília. Ele, aos 53, é mineirinho de tudo: fala baixo e tem no violão o melhor confidente. Ela, de cabelos pintados de loiro, com uma borboleta tatuada no ombro esquerdo e piercing discreto no nariz, diz, num esforço sobre-humano: “É com a arte que expresso a minha alegria e minha tristeza”. Ele, sentadinho, com o violão no colo, declara, com sinceridade comovente: “A música é toda minha vida”.

Izabel olha para a filha, para os quadros da artista que começavam a ser colocados na exposição e reconhece: “Ela é o meu maior orgulho. Meu maior aprendizado”. Ivana, também pintora, filha da mestra Maria Helena Andrés, admite: “Para pintar, é preciso ter coragem. E Kátia não tem medo de perder um quadro e refazê-lo, transformá-lo”. Sobre a dificuldade motora da aluna em pegar o pincel, a professora é categórica: “O olho é mais importante que a mão”. Evaldo, que não enxerga, usa as mãos ágeis para fazer mágica com as cordas do seu violão. A pintora com paralisia cerebral e o músico que nada vê se completam. E se entendem nas suas diferenças.

Durante um ano e meio, Kátia e Evaldo expuseram em Belo Horizonte, em Nova Lima (MG), no Rio, em São Paulo, e agora chegaram a Brasília, para o encerramento do projeto que mudou a vida de ambos. “Ela ficou mais confiante, mais feliz”, percebe a mãe. Kátia escreveu, em seu computador adaptado: “Comecei a pintar há cerca de oito anos porque estava com depressão. Logo comecei a me sentir cada vez melhor e mais livre.... Penso que quando alguém desiste de sonhar desiste da vida”.

Evaldo, com o projeto, passou a apresentar semanalmente o programa A arte de superar barreiras, numa rádio comunitária de Belo Horizonte. No espaço, histórias de superação de pessoas com qualquer tipo de deficiência são abordadas. Ele canta e Luciano Luppi recita poesias — de vários autores e também dos convidados entrevistados. Evaldo nunca tocou tanto quanto agora no Voz e Poesia, grupo musical do qual faz parte.

A música de Evaldo tem cheiro das Minas Gerais. É suave, baixa e tem um quê de Clube da Esquina. O compositor é fã de carteirinha de Milton Nascimento e de toda aquela turma que se formou naquela época. Gosta do verso, da poesia dita com honestidade. E foi essa música, estudada à exaustão, que fez o menino que perdeu a visão aos 8 anos, em decorrência de um glaucoma avassalador, acreditar a que a escuridão não seria o fim. “Aconteceram tantas coisas boas na minha vida que não penso mais na cegueira”, diz o homem que se casou pela terceira vez e tem dois filhos, um deles também músico.

E é no Senado Federal, lugar onde o país se reconhece, se espanta e de quando em vez ainda se enche de esperança, que a exposição terá seu desfecho. Mônica de Araújo Freitas, presidenta do Programa de Acessibilidade do Senado Inclusivo, elogia o trabalho da dupla.

Ela conta que a Casa, há seis anos, passou a tratar como prioridade o direito de ir e vir dos que têm limitações. “Fizemos reformas e adaptações estruturais, compramos equipamentos, temos intérprete de Libras e realizamos um censo para saber quantos funcionários são portadores de necessidades especiais. Todo ano, em dezembro, realizamos a Semana do Senado Inclusivo. Virou um sucesso, nosso compromisso.”

Kátia olha os quadros sendo colocados nos painéis. Dá palpite. Quer ver sua obra mais bonita. Sentadinho, Evaldo afina as cordas do seu instrumento. É hoje, daqui a pouco, a abertura da exposição da pintora e do músico. Pergunto a ela como está a emoção. Ela responde: “Tô muito feliz, o coração tá batendo cada vez mais forte”. Ele só quer fazer o que mais gosta: tocar, tocar e tocar. Em seu computador, Kátia escreve páginas do livro que vai lançar, Um sonho de vida: “Sou assim, livre. presa, triste, alegre, segura do que faço e firme nas decisões. Desejo aprender sempre mais e acreditar que tenho forças para continuar. Sinto a luz de Deus dentro de mim”. Não há mais o que perguntar. Deixa a música de Evaldo seguir.

Essa história é boa demais. Boa pra contar. Melhor ainda pra ver e ouvir. E sentir.”

*Fotos de Ronaldo de Oliveira e Ivana Andrés




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ARTE NAS MONTANHAS

Alguns artistas, seguindo a necessidade da época de volta à natureza, estão se afastando das cidades para se fixar em lugares mais silenciosos ainda não poluídos pela agitação dos grandes centros. Em Minas, a subida para as montanhas começou em meados do século XX, quando a cidade de Belo Horizonte aumentou com a explosão imobiliária. Vários condomínios foram criados oferecendo aos moradores a beleza natural e o ar puro das montanhas.

Ronei Filgueiras, engenheiro e artista, foi um dos primeiros moradores do Retiro das Pedras. Ali, Ronei não somente construiu sua residência como também um teatro particular ao lado de sua casa em forma hiperbólica com acústica perfeita para concertos de câmera. O teatro Domus Áurea, inaugurado em 1981, foi idealizado para ser um templo de música erudita. Lugar sagrado de arte, o teatro apresentou em sua estréia Nelson Freire, o mais famoso pianista do Brasil. Ali se apresentaram músicos famosos, tais como Frederic Meinders, Eduardo Hazan, Fany Solter, Arthur Andrés e Regina Amaral, Bettine Clemen com o maestro Magnani,entre outros.

Sábado, 1º de agosto de 2010, assisti a um concerto de piano de Valéria Zanini, pianista brasileira radicada na Dinamarca e com grandes apresentações nos palcos europeus. Valéria é conhecida na Dinamarca pelo pioneirismo na introdução da música brasileira para platéias daquele país com inúmeras gravações na rádio dinamarquesa e apresentações em TVs. Seu concerto no teatro Domus Áurea foi oferecido em beneficio das obras sociais do capelão da igreja do Retiro das Pedras, padre Natanael. Cada pessoa contribuía com um pacote de alimento não perecível para ser enviado ao Vale do Jequitinhonha. Parabens à jovem pianista e ao casal Ronei e Zezé pela oportunidade de, generosamente, contribuir para a elevação do nível cultural desta região.

No dia seguinte, ao ar livre, nas quadras do condomínio, foi apresentado um outro programa musical, desta vez seguindo o gosto popular da bossa nova e do rock. À sombra das árvores, junto à feira de artesanato, cantores jovens se apresentaram, no domingo pela manhã, proporcionando à comunidade uma nova forma de arte. Houve participação e interatividade do público que ali estava e cantarolava também as canções de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Entre o erudito e o popular a música continua sendo a forma direta de trazer harmonia para a nossa sociedade.

Outros condomínios também se abrem para as artes, buscando elevar o nível cultural da região de Nova Lima e Brumadinho. No sábado, dia sete de agosto, fui convidada para assistir a um concerto da orquestra Filarmônica de Belo Horizonte que estava se apresentando no condomínio Morro do Chapéu, a convite da diretoria. A orquestra apresentou um repertório de música erudita inspirada no folclore de vários países da Europa Central. A programação incluía masurkas e polkas e também criações populares da América Latina, tais como o tango e o batuque brasileiro interpretados de forma erudita. Para terminar a apresentação o concerto Bolero de Ravel foi acompanhado com entusiasmo pelo público. Adultos, crianças e idosos participaram do evento sentados ao ar livre, à luz das estrelas, diante de uma concha acústica armada no gramado.

Voltamos ao Morro do Chapéu no domingo pela manhã para assistir à programação da terceira feira de livros do condomínio. Ali, as artes plásticas e a música se uniram à literatura. Durante três dias as pessoas se encontravam, trocavam idéias, escutavam poetas recitando e escritores fazendo depoimentos. A programação incluía também uma palestra do economista e filósofo Eduardo Gianetti com a mediação de Luis Aníbal Fernandes.

Em frente a um stand, Jorge dos Anjos, recentemente chegado de uma exposição na Holanda, apresentava suas esculturas ao lado de estamparias de Fernando Lucchesi e trabalhos de Fernando Pacheco, George Hardy e Fernando Veloso.

Os condomínios estão dando um bom exemplo de realizações que elevam o nível cultural da comunidade. Nessa região sul, próximo à Belo Horizonte, está se formando o caminho das artes com residência de jovens artistas (JACA), galerias de arte, escolas de circo e dança, apontando um caminho em direção à Inhotim, o maior centro de arte contemporânea das Américas.

*Fotos de Marília Andrés e Luciano Luppi




sexta-feira, 13 de agosto de 2010

REFLEXÕES JUNTO À SERRA DO CURRAL

Neste lugar aprazível, junto a Serra do Curral, os idosos andam devagar, os jovens correm. Em minha frente uma jovem faz alongamento nas árvores, esticando o corpo, depois se deita no chão sobre um tapete para fazer ginástica. Junto a ela, um personal training dá as instruções. Uma senhora ainda jovem se acerca do banco onde estou sentada puxando conversa. Conduz uma cachorrinha vestida com uma roupinha de tricô cor de rosa e um lacinho na cabeça. Os olhinhos miúdos da cachorra observam tudo o que se passa. Ela celebra o ar puro e a liberdade correndo e fazendo travessuras. Agora escuto a moça: “Estou aqui com esta netinha enquanto meu marido corre.” Olhei espantada, pois a netinha era a cadelinha e pensei comigo mesma: “Como essas duas espécies se amam!”
Lembrei-me de um amigo que levava o cachorro para ouvir música. O cãozinho escutava atento, com as orelhas em pé. Depois da morte do bichinho, meu amigo escreveu versos em sua homenagem em várias línguas e os declamava emocionado debaixo da árvore onde enterrara o animal.
Voltando ao “aqui e agora” escuto a moça me falar de sua vida, de seus filhos já crescidos morando longe e do marido que adora correr. Enquanto isso a cachorrinha corre e se diverte à sombra das árvores.

A Serra do Curral vai também me contando histórias de antigamente, dos meus tempos de criança. Quando menina eu via esta Serra como se fosse a muralha da China, protegendo a cidade contra os invasores. Ela me parecia inatingível, com sua cor de ferrugem, como aqueles fogões à lenha de antigamente, brilhando como fogo incandescente ao por do sol. Eu não sabia qual brilhava mais, se o céu ou a Serra.

Uma noite, enquanto eu estudava, acompanhada por meus irmãos, numa grande mesa na sala de jantar em nossa casa na Avenida Afonso Pena, ouvimos um estrondo e sentimos a terra tremer sob os nossos pés. As paredes racharam e os vidros das janelas se estilhaçaram ameaçadoramente. Largamos tudo e fomos para a rua. Seria um terremoto em BH? Os bombeiros subiam a Avenida Afonso Pena, apitando e o povo na rua nos avisou: “É o depósito de munição localizado na Serra do Curral”.
Hoje, como naquele dia assustador, nos condomínios situados nos arredores de BH, as paredes racham e os vidros quebram com as explosões das mineradoras.

Sentada em frente à montanha fico pensando que existem muitas montanhas sagradas em várias regiões do planeta. Naturalmente, esta Serra, por sua beleza e imponência, devia ser uma delas.

Lembro-me de Arunachala, na Índia, dos Andes e dos Himalaias. Os antigos ali celebravam o Sagrado que existe na natureza. Nos tempos modernos, em nome do progresso, a natureza está sendo sacrificada.

Recuando no tempo, me vejo fazendo pic-nic num lugar que se chamava “Acaba Mundo”, situado à beira da Serra do Curral. Hoje eu me pergunto: “Acabou o Acaba Mundo”? Aos poucos a cidade vai tomando conta de tudo, apagando nossas lembranças e sepultando nosso passado nos alicerces dos espigões.

*Fotos de Maurício Andrés



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

AS FLORES DE BELO HORIZONTE

Belo Horizonte era cidade jardim. Na Avenida Afonso Pena uma fileira de árvores verdes possibilitava ao transeunte um descanso saudável nos dias de calor. Os bondes subiam e desciam conduzindo passageiros e parando nos abrigos. O abrigo mais próximo à minha casa era o abrigo Ceará. Descíamos do bonde naquela parada e íamos subindo até a nossa casa, correndo debaixo das árvores. As minhas memórias de BH estão ligadas às imagens dos bondes, das flores e das árvores. Até hoje não sei porque retiraram os bondes de circulação e decapitaram as árvores. Em todos os países do primeiro mundo os bondes continuam circulando e trazendo grandes benefícios para a população sem os efeitos colaterais da gasolina. Acho que a retirada dos bondes e das árvores tem muito a ver com a circulação dos carros.

Assisti ao primeiro sacrifício das árvores. Fiquei da janela registrando a cena, sentindo a tristeza de ver a cidade despojada, descontruída, famílias pobres carregando a lenha para o fogo. Conservo desenhos da época, como recordação do evento. Belo Horizonte perdia a característica de ser a cidade jardim, famosa pelo perfume dos jasmins e damas da noite. Aquelas árvores enormes copadas, adequadas ao efeito estufa, só restam como recordação da época na Avenida Bernardo Monteiro. Assim, ficamos por muito tempo, mergulhados no asfalto cinzento e na verticalização da cidade.

Muitos anos se passaram. Aos poucos, fui percebendo que Belo Horizonte estava tomando cores novamente e as flores renasciam nas alamedas e praças. Tomei a minha câmera digital, chamei um táxi e fui fotografar os ipês da praça da Liberdade que estavam em plena floração. Perguntei a quem me acompanhava: “O que você está achando de eu tomar um táxi só para fazer fotos na praça?”. Ela respondeu: “Isto e porque você está de bem com a vida!”

Agora, sentada no café do Palácio das Artes converso com uma arquiteta sobre a beleza dos ipês. Ela vai falando e eu escutando. “Você talvez não saiba, mas esses ipês tão floridos foram idealizados por seu filho Maurício, quando era secretário de meio ambiente. Na época, o projeto foi considerado visionário, mas hoje os resultados são visíveis.”

O plantio de árvores foi feito levando-se em conta as diferentes épocas de floração, para que a cidade pudesse estar sempre florida. A Praça da Liberdade é hoje um dos lugares mais aprazíveis da cidade e ali acontecem eventos criativos de dança e música, além de projetos na área de ecologia e tratamentos alternativos de saúde. Dentro de um stand, o jovem ambientalista mostra o seu trabalho realizado em Sete Lagoas. Outro stand demonstra massagens, acupuntura e terapias orientais.

Lembro-me da praça à noite, todos os domingos quando ali os jovens faziam footing, moças caminhando e os rapazes parados em grupos cortejando as suas eleitas. No tempo da minha mãe os pretendentes passavam de bonde e tiravam o chapéu em frente à casa da namorada que estava na janela, esperando o bonde passar.

Hoje, na Praça da Liberdade, na semana da dança, o povo dança em cima de um tablado, dança de salão, do samba ao bolero. É a dança a dois que mais cresce em Belo Horizonte. Para praticá-la basta gostar. A dança na rua faz parte também da programação da cidade de Buenos Aires, na Argentina. Ali o visitante pode admirar um tango bem dançado e também participar.

Hoje Belo Horizonte volta a ser a cidade jardim, os ipês vão florindo de forma sustentável, quando um acaba de florescer o outro começa. “Em setembro, teremos os ipês amarelos”, nos disse o motorista de táxi. Eles rodam a cidade e dão notícia de tudo, das flores, das festas, das danças. Hoje, é dia de festa na praça e para lá nos dirigimos com a nossa pequena câmera fotográfica.

* Fotos: Maria Helena Andrés




sexta-feira, 30 de julho de 2010

4° FESTIVAL DE INVERNO DE ENTRE RIOS DE MINAS II

A cidade de Entre Rios esteve em festa entre 18 e 21 de julho, com faixas anunciando o 4º Festival de Inverno da região. Os meus balõezinhos da década de 50 serviram de ilustração para banners, camisetas e cartões. A cidade se movimentou em torno das diversas formas de arte.
Como das outras vezes, o quartel general foi a Escola Municipal Dom Oscar desativada na época de férias. No auditório das Irmãs aconteceram os shows e nas salas de aula as oficinas.
Neste blog procurei valorizar o trabalho quase anônimo da equipe de jornalismo, organizada especialmente para divulgar as atividades do festival. Numa pequena sala com quatro computadores, um grupo de jovens coordenados por Ana Carolina, atuou com maestria desde o primeiro Festival e todos os dias suas informações eram publicadas num jornalzinho. A edição diária do informativo retratou com fidelidade tudo o que ocorreu nos quatro dias do festival e merece ser disponibilizada num site ou blog, para estar acessível a todos os que, como eu, puderam participar apenas parcialmente do Evento. Destaco, entre aspas, alguns dos textos dos informativos.
Na abertura, tivemos a presença do novo presidente Antonio Eugênio de Salles Coelho que veio especialmente do Rio de Janeiro onde se encontrava de férias para ser apresentado às pessoas que ali estavam. “Antonio Eugenio ressaltou a importância da existência de eventos como o Festival, que agrega inúmeros valores sócio-culturais e formação constante no município. Ressaltou também o papel do IMHA em dar continuidade a eventos como esse, conseguindo os recursos necessários para que seja possível trabalhar ainda mais com grandes propósitos culturais na cidade e no meio rural”.
Sobre os eventos:
A abertura do Festival de Inverno apresentou o espetáculo de dança “Sertão Andaluz” com o Grupo Márcia Gelape Mutiarte. “Os passos do flamenco ao som de “Romaria” provaram que há parentesco entre a moda de viola caipira e o flamenco, trazido ao Brasil pelos povos que viviam na Andaluzia (sul da Espanha) e aqui aportaram fugindo da inquisição.”
No segundo dia foi apresentado o espetáculo “Sem palavras” com o mímico Julio Margarida. Segundo ele “um mímico é um poeta que não usa papel nem caneta. Sem palavras ele fala todas as línguas do mundo. Todos os corações presentes no auditório do Colégio compreenderam, riram e se emocionaram com o espetáculo de mímica “Sem palavras”. A inspiração foi a própria filha – quando se tornou pai, sentiu-se capaz de tudo para fazer seu bebê sorrir. A participação da platéia foi essencial no espetáculo. As crianças, em especial, envolveram-se e fizeram torcida pelo personagem Bindo. É por isto que todo dia é uma estréia e não há um espetáculo igual ao outro, confidenciou Julio.”
No terceiro dia, na Igreja de Santa Efigênia, dois grupos se apresentaram com grande sucesso. “É preciso sentir a música, colocando sentimento, cantar com gosto, cantar com a alma” nos disse Frederico Boelsums ( Tuca). O grupo cantou composições de Elomar, que preserva as cantigas rurais, do gênero caipira de raiz.”
Sobre a banda Diapasão: “Os jovens músicos Rodrigo Lana ( piano), Alexandre Andrés ( flautas), Gustavo Amaral ( baixo e violão), Leandro César ( violão) e Adriano Goyatá ( bateria e marimba) levaram ao publico sonoridades diversas com composições próprias e arranjos de compositores brasileiros que são referencia para o trabalho do grupo.” Foi um momento de encantamento.
No quarto dia, encerramento do Festival, o espetáculo “Não se diz um “sim” assim atoa” do Projeto Cine Horto Pé na Rua misturou cenas de teatro com a música de Tom Zé, abordando de forma lúdica o tema da violência contra a mulher.
A Dança da Manguara, com figurino confeccionado para o grupo do José de Arimatéia durante oficina ministrada no festival, encerrou na rua o 4° Festival de Inverno de Entre Rios de Minas.
Sobre as oficinas:
“Uma das oficinas mais requisitadas pelo Festival foi a oficina Circo, com Alexandre Marques e Luciana Zola. Alexandre ministrou também Capoeira para jovens e Luciana dança espontânea para crianças. Nesta oficina Luciana trabalha o movimento, que segundo ela, “deve vir de dentro para fora”. O intuito é fazer com que os participantes da oficina resgatem o conhecimento do próprio corpo e suas capacitações, tanto físicas quanto criativas. Quem conhece o próprio corpo conhece a si próprio, conta a professora.”
Serginho Silva ofereceu a oficina Congo Brasil e “apresentou uma variedade de instrumentos e ritmos para seus alunos. A sala de aula transformou-se num show de sons. Ao mesmo tempo, os alunos conheceram um pouco das raízes da cultura musical mineira e estabeleceram contato com seu intimo. Segundo o mestre, “a musica, como linguagem universal, também é comunicação”.
“O professor Bueno Rodriguez explicou aos alunos sobre a fisiologia do aparelho fonador e mostrou como trabalhá-lo em função do que se almeja, seja o canto ou a fala. Os alunos receberam valiosas dicas e aprenderam exercícios de aquecimento vocal, que, segundo Bueno, “são de grande valia, porque intensificam as intenções vocais segundo os anseios de cada um.”
“A Arte de representar foi ministrada por Wagner Ribeiro de Paula (o Faustão), que esteve participando pela primeira vez do Festival. A intenção da oficina foi resgatar a produção teatral de Entre Rios de Minas e tornar o teatro rotina na cultura do município.”
“A musicalização auxilia no aprendizado, pois melhora a concentração e a coordenação motora”, explicou Emerson Fonseca. “E ainda ajuda as crianças a aprender matemática, ciência que é a base da música. A resposta das crianças é sempre positiva.”
Mônica Lopes, que dirigiu a oficina de cerâmica deu o seguinte depoimento: “A argila não se presta apenas à decoração – ela nos proporciona saúde mental. O importante não e o resultado final, mas o processo em si – relaxar e se divertir, cozinhando arte e argila, com sabor de criatividade.”

*Fotos de Júlio Margarida e Pedro Fernandes