Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
quinta-feira, 19 de julho de 2018
PINTURA MODERNA XII
"As
comunicações modernas, velozes como a luz, reduziram a quase zero o tempo entre
as ações dos homens e suas consequências. Um tiro disparado em Berlim pode
fazer explodir o mundo em poucos minutos. Um equilibrista pode tombar do arame
num circo de Moscou e sua morte ser vista em Londres ou Nova Iorque." (Morris
West)
Também na arte, o tempo e a distância
se reduzem e uma obra consagrada nas Bienais de Veneza, São Paulo ou Paris pode
ser imediatamente conhecida, valorizada e criticada pelo mundo inteiro.
É por isso que a pintura de hoje é mais
universal. Este contato com as ideias universais torna o artista moderno
precocemente erudito. São revistas e livros com reproduções coloridas das obras
dos grandes mestres, são conferências e exposições coletivas. O artista traz
realmente, dentro de si, um museu imaginário.
No Brasil, a Bienal de São Paulo veio
trazer a milhares de brasileiros a possibilidade de conhecer de perto os
grandes nomes da pintura mundial. Obras até então desconhecidas ou conhecidas
por informação, puderam ser admiradas no original, confrontadas e estudadas em
seus mínimos detalhes. Novas técnicas começaram a ser usadas e a experiência
européia foi também introduzida em nossa terra.
A história da arte moderna continua e
continuará a ser soma de experiências. As correntes se sucedem e se destroem,
mas, mesmo se destruindo, completam-se.
Essas correntes surgem espontâneas,
como uma inevitável continuidade de todo trabalho criador. E também,
naturalmente, perdem a sua razão de ser quando a sinceridade das primeiras
descobertas dão lugar à fórmula e à repetição, sem originalidade, das idéias
alheias.
Não se pode impor, de fora, determinada
forma de arte e exigir a cega adesão de todos os artistas. Não são as correntes
que fazem o artista, mas sim a autenticidade com que ele se expressa. Quando
surge uma nova idéia, as outras, ilusoriamente, parecem superadas.
Esquece-se de que a fertilidade de
imaginação do artista não conhece os limites vindos de fora; sua sede de criar
e de se expressar independe de estar ou não ligado às últimas idéias da
vanguarda. Às vezes, sua experiência o conduz a caminhos diferentes, que
influem também na conquista de novas e sérias descobertas.
Basta que ele tenha algo de novo a
dizer dentro de determinada maneira, seja ela figurativa, abstrata, concreta,
informal, etc. A arte é a mais evidente afirmação da liberdade humana e, por
isto mesmo, é um desafio ao julgamento restrito de sua época. Ela se impõe,
quando é autêntica, pela própria força desta autenticidade, mesmo que os
contemporâneos não lhe dêem atenção. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”,
editora Agir, 1966)
*Fotos
da internet
VISITE
TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 9 de julho de 2018
HOMENAGEM À MARIA HELENA ANDRÉS - SEMINÁRIO ARTE CONCRETA E VERTENTES CONSTRUTIVAS
No dia 26 de junho de
2018, foi aberto um seminário sobre Arte Concreta e Vertentes Construtivas, que
me homenageou como uma das participantes daquele movimento ocorrido no Brasil
na década de 50. Foram também homenageados a historiadora Aracy Amaral e o artista e crítico de arte Márcio Sampaio. Abaixo, transcrevo a minha palestra no evento.
“É para mim uma honra
estar aqui presente neste importante seminário.
Agradeço, de coração, a
homenagem que me está sendo prestada, agradeço aos críticos, artistas e pesquisadores
que organizaram este seminário.
Considero da maior
importância um estudo aprofundado do construtivismo brasileiro da década de 50.
Como artista mineira, atuante na época, posso dar o testemunho da minha própria
experiência.
O construtivismo foi importantíssimo
para todos nós que abraçamos as ideias vanguardistas daquela época. Para mim
ele foi como uma semente que mais tarde se reproduziu em outras formas de
expressão. Devo à minha experiência construtiva dos anos 50 a fase atual de
esculturas e colagens. Foi a retomada da ordem construtiva, depois de muitos
anos de liberdade da fase gestual.
Para este seminário
procurei selecionar textos escritos para o meu blog e retirados dos meus dois
livros: Vivência e Arte e Os Caminhos da Arte.
A exposição Ordem &Liberdade, sobre a arte abstrata
nas coleções do MAM e de Gilberto Chateaubriand, inaugurada no final de 2003 no
Museu de Arte Moderna do Rio, tendo como curador o crítico Fernando Cocchiarale,
propunha uma retomada histórica do abstracionismo no Brasil, com ênfase nos
anos 50. Naquela exposição eu estava do lado correspondente à ordem, à disciplina.
Foi com emoção que pude rever os artistas da década de 50 que participavam das
bienais de São Paulo. Lá estavam, ao meu lado, vizinhos do mesmo painel, os
companheiros de arte da época, muitos já falecidos: Milton Dacosta, Maria
Leontina, Mário Silésio, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro e Lygia Clark, entre
outros. Senti-me a própria sobrevivente percorrendo a mostra.
O concretismo na década
de 50 nos propunha disciplina, concentração, limpeza de cores, uma arte mental,
intimista, sem impulsos emocionais. Cultivava-se a virtude da paciência. Os
quadros levavam muito tempo para serem feitos e o instrumento usado na época
para se conseguir uma linha perfeita era uma espécie de caneta ou bisturi,
chamado tira-linhas, instrumento gráfico, em desuso hoje em dia, na era do
computador. Com as linhas paralelas eu fazia postes de luz e partituras musicais.
Gostava de ficar horas pintando, porque me fazia bem à alma.
Passar pelo concretismo
foi para mim uma lição de vida. O fazer artístico significava crescimento. A
integração de várias áreas das artes, necessária a uma revisão de valores, era
um dos pontos mais importantes do movimento concretista a partir da primeira Bienal
de São Paulo. Poetas, músicos, pintores e escultores se uniam dentro do mesmo
ideal estético, dando prioridade à pureza da forma. O grande incentivador do concretismo
foi o crítico Mário Pedrosa, que visitava os artistas em seus ateliês e, muitas
vezes, chegava até Minas Gerais, para acompanhar os trabalhos dos artistas
mineiros que buscavam uma arte pura, desligada dos padrões figurativos. Os
júris de seleção das primeiras bienais, que às vezes eliminavam 90% dos
trabalhos apresentados, eram o grande teste a ser enfrentado. Naquele tempo não
existiam curadores e os artistas se dispunham a passar por essa experiência de
júris nos salões e bienais.
A aprovação nas bienais
era a minha chance de descer das montanhas e viajar para São Paulo, encontrar
os amigos, companheiros de jornada, participar dos eventos internacionais, ter
um contato direto com as obras de arte e estudar o pensamento dos grandes
artistas abstratos europeus e latino-americanos. Trocava ideias com os artistas
de São Paulo: Maria Leontina, Milton Dacosta, Arcângelo Ianelli e Volpi. Para
nós não havia a preocupação matemática dos concretistas suíços, seguíamos o
comando da sensibilidade e da intuição. Naquela ocasião, as ideias
espiritualistas de Kandinsky começaram a me acenar como uma estrela luminosa.
Os grandes pintores abstratos europeus, principalmente os da vanguarda russa,
não se limitavam aos aspectos formais. Buscavam a transcendência, o contato
direto com os níveis mais profundos da consciência.
O rompimento com a
figura e o tema indicaram também direções novas para a escultura brasileira. A
exposição do artista suíço Max Bill, no Museu de Arte de São Paulo, em 1950,
impulsionou a nova geração de escultores ao questionamento dos moldes
tradicionais da escultura figurativa, para abraçar a forma tridimensional pura.
Do grupo de Minas, três artistas escultores aderiram ao movimento: Amilcar de
Castro, Franz Weissmann e Mary Vieira. Mais tarde, Mary deixou o Brasil para se
radicar na Suiça, onde se tornou aluna e seguidora de Max Bill. Amilcar e
Weissmann foram para o Rio de Janeiro e aderiram ao movimento neoconcreto.
Repensar o concretismo
é também repensar os caminhos por onde passamos. Aqui em Minas Gerais a nossa
visão da arte vinha dos antecedentes líricos de Guignard. Um pequeno grupo se
reunia no ateliê de Marília Giannetti, projetado pelo arquiteto Sylvio de
Vasconcellos. Marília Giannetti, Mário Silésio, Nelly Frade e eu formávamos o
grupo de pintores que, na década de 50, encontrou o seu próprio caminho dentro
da arte não figurativa. A mesma preocupação do simples estava em todos nós.
Revendo as obras do
Museu de Arte Moderna do Rio cheguei à conclusão que houve em todos nós um ponto de mutação
comum: a necessidade de eliminar o supérfluo, reduzir o impulso emocional e
buscar a essência na arte e na vida.
Naquela exposição
foi-me possível constatar um fato: todos nós mudamos depois de algum tempo,
alguns radicalmente, outros sem grandes saltos. O caminho da liberdade foi uma
consequência do exercício da disciplina. Ali no Museu, frente a frente, estavam
os opostos complementares de tudo que existe na natureza e na criação.
No momento em que a
arte construtiva brasileira está sendo amplamente divulgada no exterior, convém
lembrar também nossas origens indígenas.
“Eu nunca te encontraria
se já não estiveste comigo”. Esta frase do escritor francês Antoine de
Saint-Exupéry nos revela a força da tradição indígena brasileira, que aflorou
na década de 50, conduzindo artistas, pintores, desenhistas, escultores,
designers, arquitetos e poetas, para a busca da ordem e do equilíbrio na arte.
Essa ordem interna sempre foi buscada pelos índios em todas as suas
manifestações culturais que se estendiam para a vida da comunidade.
O movimento construtivo,
que se propagou pelo Brasil na década de 50, foi uma integração perfeita do
movimento vindo da Europa e da América Latina, com oque já existia nas nossas
raízes culturais.
Muito obrigada!”
*Fotos de Fernanda
Granato
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO
BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
AUROVILLE E BRASÍLIA
Maurício Andrés
Ribeiro, residente em Brasília, participou recentemente de um seminário, onde apresentou as semelhanças entre as cidades de Brasília e Auroville, “Cidade
Aurora” na Índia, criada por Sri Aurobindo, um grande filósofo indiano. Transcrevo
abaixo trechos de sua palestra.
“Auroville foi reconhecida
em 1966 pela Assembleia Geral da UNESCO como cidade dedicada ao entendimento
entre os povos e à paz.
Em minha intervenção,
lembrei que a aurora traz a luz do amanhecer,
dissipa a escuridão e auxilia no despertar para o conhecimento e a
sabedoria, seja em Auroville e Aurobindo, seja no discurso de Juscelino
Kubitschek de Oliveira, em 2 de outubro de 1956. "Deste Planalto Central,
desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões
nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo
esta alvorada com fé inquebrantável em seu grande destino".
O amanhã, a evolução e
o futuro da humanidade inspiraram Sri Aurobindo e Lúcio Costa, ambos com uma
visão unificadora. Ambos apontam rumo ao futuro, numa visão evolucionista que considera
o espírito como o motor da evolução.
Sir Aurobindo considera
de modo integral a evolução da matéria
para a vida, para a mente e para a superconsciência, que ainda está por
florescer nessa etapa de crise da evolução em que vivemos. Essa formulação tem
afinidade com a teoria das resultantes convergentes de Lúcio Costa quando
escreve que
“O desenvolvimento
científico e tecnológico e a ecologia, inteligentemente confrontados, são
sempre compatíveis. O desenvolvimento científico e tecnológico não se contrapõe
à natureza, de que é, na verdade, a face oculta – com todas as suas
potencialidades virtuais – revelada através do intelecto do homem, vale dizer,
através da própria natureza no seu
estado de lucidez e de consciência. O homem é, então, o elo racional entre dois
abismos, o micro e o macrocosmos, ambos fenômenos naturais, cujos produtos
“elaborados” são a contrapartida do fenômeno natural “palpável”. O intelecto e
a consciência do homem são a quintessência da natureza tomada como um todo.”
Brasília foi fundada em
1960 e tombada como patrimônio da humanidade em 1987. Brasília tem desde seu
projeto inicial a marca da beleza. O senso ESTÉTICO está presente. Falta evoluir em direção à verdade e à bondade,
com a evolução de seu padrão ÉTICO.
Terminei minha fala
lendo um poema de Abhay Kumar, diplomata e poeta indiano que cita o sonho do
visionário Dom Bosco “Entre os graus 15 e 20 havia uma enseada bastante
longa e bastante larga, que partia de um ponto onde se formava um lago. Disse
então uma voz repetidamente: -Quando se vierem a escavar as minas escondidas no
meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e
mel. Será uma riqueza inconcebível.” (Maurício Andrés Ribeiro, arquiteto e ecologista, autor dos livros "Ecologizar" e "Tesouros da Índia")
*Fotos de arquivo e da
internet.
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO
BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
segunda-feira, 18 de junho de 2018
PINTURA MODERNA XI
Poética e lírica, romântica e sensual,
a tendência figurativa ressurge em ritmo paralelo às correntes abstratas.
Entretanto, no mundo em que vivemos dominam as ideias contraditórias. Ao mesmo
tempo que se preconiza para o artista a liberdade completa, a "optical
art" procura reconduzi-lo à disciplina intelectual.
Baseada nos mesmos princípios
construtivos da Bauhaus, a "op art" se desenvolveu ao lado das
pesquisas concretistas.
A sua característica principal é a
ilusão de movimento (arte cinética).
A pintura cinética abriu uma nova
dimensão nas artes plásticas. Um de seus princípios é a integração com a
ciência, tentando através da ilusão de movimento transportar para a arte as
forças e a ordem do mundo físico.
Vasarely, um de seus maiores artistas,
não vê antagonismo entre a arte e a ciência. Para ele, "pintar é sempre
uma necessidade interior, mas pretende dar à arte uma ciência. Arte e ciência
são postas à disposição do homem para proporcionar-lhe alegria e
harmonia".
Assim, na sua incessante busca da
beleza, o homem vai descobrindo novas formas e novos caminhos.
O esforço humano nunca é um gesto
isolado. Seu eco se faz ouvir através dos tempos. A arte é a síntese, a
interpretação das experiências do artista, de suas descobertas e derrotas, com
as descobertas e derrotas de uma civilização, de uma sociedade. É a soma das
realizações pessoais, com todo um acervo de ideias e experiências que
representam uma cultura.
O artista é um fruto de sua época.
Naturalmente, vivendo e participando das experiências alheias, ele transmitirá
a inquietação de seu tempo em seus trabalhos. Não será nunca um retrógrado, um
porta-voz de seus antepassados.
Ele é a síntese de seus contemporâneos
e, justamente por viver e sofrer os problemas da vida moderna, por usar o
telefone e assistir à televisão, por se transportar de avião e se interessar
pelos satélites artificiais, espontaneamente, sem que ninguém lho imponha, ele
se manifestará, também, de um modo atual correspondente aos avanços da
civilização.
Nunca poderá ser uma reencarnação de
Rembrandt ou Ticiano. Suas vidas foram marcadas de modo diferente, suas
experiências são outras.
Ele tem a possibilidade, que outros não
tiveram, de estar a par de tudo o que se passa na Europa, na Ásia, na América,
de todas as notícias do que se faz de mais avançado no mundo. Isto de certo
modo o modifica, torna-o mais universal.
Fazemos parte da humanidade toda, de um
modo muito mais vivo que os homens de antigamente, que ignoravam, por completo,
os acontecimentos do resto do mundo. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”,
editora Agir, 1966)
Este
texto, escrito na década de 60, quando ainda não existia o computador, celular,
internet, what zap, etc, de certo modo já estava anunciando a chegada de todos
esses recursos.
*Fotos
da internet
VISITE
TAMBÉM O MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
ARTE ANÔNIMA
A grandeza do homem e sua necessidade de superar
limitações, está impressa nas obras de arte que o passado nos trouxe, muitas
vezes de artistas desconhecidos.
Artistas anônimos construíram as catedrais da
Idade Média, o esplendor dos templos orientais, a monumentalidade da escultura
mexicana. Tentando alcançar a realidade além da existência finita, mãos humanas
se dedicaram ao trabalho de esculpir, gravar e erigir templos aos seus deuses e
ídolos.
O trabalho artístico aproximava-os da divindade, purificando-os da
existência terrestre com suas contradições e sofrimentos.
Procuramos nos concentrar no ato de modelar.
Experimentamos com as mãos o contato com a terra, a argila de onde todos nós
viemos.
O contato com a argila é forma de integrar corpo,
emoções e mente, e a modelagem é usada
muitas vezes como forma de terapia.
O próprio ato de amassar o barro, nos traz um estado
de harmonia e paz, uma religação com a terra da qual fazemos parte. A modelagem
é forma de reeducar os sentidos, afim de perceber o universo de forma direta,
sem as interpretações, opiniões e conclusões da mente.
O que nos impede de sentir o mundo que nos cerca é o
constante movimento da mente em torno de nossos pequenos problemas pessoais, de
nossos condicionamentos.
Enxergamos através do conceito, da imagem mental que
temos das coisas. Estamos sempre procurando palavras para traduzir o que
sentimos. Raramente escutamos o que os outros falam, porque vivemos ligados ao
nosso próprio ego, às nossas emoções e ao intelecto.
Estamos em diálogo constante e ininterrupto conosco
mesmos, com nossos conceitos, conhecimentos, leituras, considerações, memórias.
O passado está sempre interferindo no presente, e o
presente torna-se passado, sem que o tenhamos vivido. Viver plenamente é ver,
escutar e sentir cada instante de forma total e não fragmentada. O despertar sensorial
aumenta a percepção da realidade, do aqui e agora, aquietando os pensamentos e
tensões.
*Fotos da internet
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”,
CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
PINTURA MODERNA X
O campo tem sido vasto para a arte
abstrata.
Os artistas procuram muitas vezes sua
fonte de inspiração no mundo orgânico, aproximando-se dos ritmos e das formas
que a natureza oferece. Um muro gasto pelo tempo propõe uma paisagem
fantástica, diferente; um tronco de árvore, cortado ao meio, é um universo de
formas e ritmos.
A natureza é inesgotável. O mundo das
formas naturais não é apenas aquele que enxergamos a olho nu. Existe o mundo da
ciência do microscópio, onde formas abstratas movem-se como os
"mobiles" de Calder, organizando em ritmos inesperados e
surpreendentes. A ciência oferece à arte um campo vastíssimo de sugestões novas
e o artista contemporâneo não lhe é indiferente.
O abstracionismo é a corrente que mais
fortemente se vê atingida pela influência cósmica que hoje domina as pretensões
científicas do homem.
É como que uma antecipação através da
arte, das descobertas que se aproximam, no terreno misterioso e quase virgem da
conquista de outros planetas.
A pintura "tachista",
sublinhando a proeminência do gesto, reflete uma ânsia incontida de liberdade,
de negação a toda e qualquer disciplina.
Em situação intermediária entre o
abstracionismo e o figurativismo encontram-se tendências que procuram tirar da
natureza motivação para suas abstrações. Seguem uma linha paralela à imagem,
sem relação de dependência dela. Seus quadros evocam alguma paisagem, às vezes
facilmente identificada pelo público, mas que vale apenas como força de
sugestão para o artista se manifestar pictoricamente.
Esta tendência que vem subsistindo
desde muitos anos em artistas internacionais como Feineinger, Vieira da Silva,
Duchamp e outros, volta, agora, desvendando paisagens imaginárias e fantásticas
como um retorno muito livre e independente do artista à natureza.
Rompe-se a linha divisória que limita e
separa uma técnica de outra.
Procura-se uma forma viva e orgânica
que não obedeça a regras preestabelecidas.
O desenho penetra nos domínios da
pintura e da gravura, e as técnicas de relevo são aproveitadas para um
enriquecimento maior das soluções de pinturas. Novos materiais começam a ser
usados como motivação para uma nova tendência de arte.
Há como que um clamor uníssono, brotado
de todos os cantos da terra em favor da emancipação total dos meios de
expressão do artista. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir,
1966)
*Fotos
da internet
VISITE
TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 28 de maio de 2018
O CARRO ELÉTRICO E OS MOINHOS DE VENTO
Dialogando com minha sobrinha, Regina Caram, que
visita sempre a Holanda, obtive o depoimento abaixo, sobre o uso de novas
energias. Agradecemos a ela informações tão oportunas.
“As pessoas na Holanda, que usam um carro elétrico, independem
do petróleo. Utilizam um cabo, que conduz a energia para o carro. Este cabo se
conecta de uma fonte de energia elétrica, ao próprio carro.
Meu genro possui um carro híbrido, isto é, funciona
com eletricidade e também com gasolina.
Quando a energia elétrica do carro acaba, ele passa
a funcionar com gasolina.
O carro tem autonomia de eletricidade para funcionar
aproximadamente 50 km. Para viagens mais longas, após essa quilometragem, o
tanque de gasolina é acionado.
Como abastecer o carro: conecta-se o cabo da tomada
ao carro e um cartão magnético é acionado, contabilizando o que será cobrado. O
valor é descontado da conta corrente ou cartão de crédito.
Existem locais públicos, como estacionamentos com
postes sinalizados, onde a pessoa pode abastecer o seu carro. Ela conecta, e
passa o cartão magnético, vai para os seus afazeres e, quando retorna, o carro
já está abastecido.
A energia eólica é muito usada na Holanda. Existem
regiões onde podemos ver, por muitos quilômetros, vários moinhos de vento,
enfileirados. Quando se chega à Holanda pelo céu, pode-se ver também, no Mar do
Norte, imensas áreas no mar, cheias de moinhos. Eles chamam isso de “Fazendas
de Moinhos”. Muito altos e com 3 hélices, em geral são brancos. É muito bonito
de se ver...
Existem também os moinhos tradicionais. Na Holanda
são 6 ou 7 tipos desses moinhos, que eram usados para finalidades diversas.
Alguns eram usados para quebrar grãos e fazer a farinha, outros para prensar
azeitonas e fazer óleo, outros para drenar áreas úmidas e, com isso, fazer
rodízios de áreas férteis. Atualmente existem cerca de 1000 moinhos desses
tradicionais em toda a Holanda.
Como são tradicionais, são propriedade do governo,
que dá a concessão de uso para particulares. Eles têm que funcionar um número
de horas por ano e isto é controlado pelo governo.
Para se ter uma ideia de como são , vale a pena
visitar alguns, que funcionam como museus, e onde podemos ver com detalhes
essas nuances.
Existe um grande museu/ moinho no centro da cidade
de Leiden, bem como vários numa área próxima a Amsterdam.
Vale a pena conhecer!
Em tempo: alguns moinhos funcionaram como moradia
para moleiros e família.” (Depoimento dado por Regina Caram durante visita em
minha casa)
*Fotos da internet
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”,
CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Assinar:
Postagens (Atom)





















































