segunda-feira, 7 de outubro de 2019

segunda-feira, 30 de setembro de 2019


NÃO ESQUEÇAM MARIANA


Não esqueçam Mariana!
As perdas humanas
E as perdas ecológicas
A paisagem tranquila
Que desapareceu
Tragada pelas
Dragas insensíveis
Dragões do apocalipse
Engolindo vidas.

Não esqueçam Mariana!
É o nome da propaganda
Que mereceu um
Premio nacional.
Manuel Rolim  e  equipe
Levantaram o grito
De alerta.

Olhe bem as montanhas
Nos  disse um dia
Manfredo Souza Neto.
Olhe bem as montanhas
Ressoou na música
Alexandre Andrés.
“Triste horizonte”
Nos  disse um dia
Carlos Drumonnd de Andrade.

As vozes em conjunto
Orquestram a música
Do levante, da arte
Liderando este protesto
Coletivo e que
Se perpetua no tempo.

Jovens do mundo inteiro
Se levantam acusando
A insensibilidade dos
Mais velhos.

Não esqueçam Mariana!
Continua ressoando
Pelas montanhas
Descendo as encostas
Povoando os rios de
Minas Gerais.

Mariana e Bento Rodrigues
Não ficarão esquecidas
Porque estão sempre
Lembradas no grito
Desses jovens guerreiros
Que estão levantando
A bandeira ecológica
Acima de todos os projetos.
Não esqueçam Mariana...

Manuel Rolim
E sua equipe
Abriram fronteiras
E serão ouvidos.

*Fotos de arquivo
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domingo, 22 de setembro de 2019


RESPIRAR


Recebi de Maurício Andrés o texto abaixo, sobre a respiração.

“Respirar é um ato que todo animal ou vegetal realiza do início ao final de sua vida. Da primeira inspiração ao último suspiro, o corpo interage com a atmosfera. Mas respirar não é apenas um ato natural. A respiração consciente, os vários modos e formas de respirar, o aprender a respirar corretamente, transformam esse ato elementar num ato cultural.

Foi durante minha estadia na Índia, nos idos da década de 1970, que tomei consciência da importância cultural da respiração. Os antigos iogues desenvolveram a prática de exercícios respiratórios como forma de concentração. Essa tradição desenvolveu técnicas de controle da respiração e modos de inspirar e expirar a energia que mantém a vida e que está presente em toda a natureza, conhecida como prana.

As práticas de ioga utilizam diversas posturas (ásanas) e exercícios respiratórios (pranayamas) para aprimorar o uso do corpo. Um bom controle sobre o corpo ajuda a controlar a mente e a obter maior profundidade de percepção e conhecimento. Uma atitude básica da meditação é o focar a atenção na respiração, pois quando se observa o movimento do ar para dentro e para fora dos pulmões, deixa-se de pensar no passado ou no futuro e a atenção orienta-se para o momento presente. A consciência do ato de respirar, associada à vibração de um som como o OM (som universal) durante a expiração, acalma o pensamento e a mente. Trata-se de prática que pode ser exercitada cotidianamente nos tempos de deslocamento, nos transportes e salas de espera.

O espiritualismo da cultura indiana se ancora na matéria, vista como manifestação ou corporificação do espírito. Os fundamentos materiais dessa espiritualidade foram testados em milênios de história e deu-se muita atenção a atos elementares. Para a tradição indiana, o próprio universo é criado e extinto de acordo com o ritmo da respiração de Brahma, que, ao expirar ou inspirar, regula os ritmos universais.

Há varias formas de se respirar, cada qual com seus efeitos sobre o corpo, sobre a mente e as emoções. O exercício de ritmar a respiração voluntariamente induz ao equilíbrio físico-emocional e aumenta a capacidade de percepção sensorial e mental.

A boa respiração reduz estresse, hipertensão, depressão, relaxa, ajuda a emagrecer. Leva a um maior equilíbrio, bem-estar, flexibilidade, saúde. O estado de tranquilidade e de boa irrigação sanguínea que produz pode ser considerado uma preparação para níveis de desenvolvimento espiritual mais elevados, em que há mais percepção, mais consciência, mais harmonia na movimentação corporal e nos relacionamentos, mais segurança nas ações cotidianas, entre outras virtudes e habilidades. A maior ventilação proporcionada por uma respiração profunda pode alterar o estado corporal e de consciência. Nesse ponto, é oportuno realçar a importância da sobriedade e advertir contra abusos em exercícios respiratórios, e contra práticas como a retenção da respiração e outras manipulações perigosas para a saúde física e cerebral.

Cada atividade humana e estado de saúde se associa a uma forma de respiração. Um músico que toca um instrumento de sopro, como uma flauta, precisa ter fôlego e um controle preciso da respiração e do ar; atletas, nadadores, aqueles que desenvolvem trabalhos físicos, têm atividade respiratória e trocas de oxigênio e carbono mais intensas do que quem vive sedentariamente; a insuficiência respiratória de doentes exige aparelhos para ser compensada com a respiração artificial.

Durante a vida desaprendemos a respirar corretamente. Desenvolver a ciência e a arte de respirar faz parte de uma cultura respiratória fundamental e quase esquecida, pois toma-se esse ato apenas como um dado natural, sem refletir ou compreender sua real importância e suas variações.

Na sociedade contemporânea, além de aprender a ser, a conviver, a conhecer e a fazer, a educação corporal ou física inclui aprender a respirar, aprender a alimentar-se e a se movimentar. A educação do corpo é um fundamento básico para a educação do ser. Isso significa que a reeducação respiratória é tão importante quanto a educação dos sentidos, a tomada de consciência sobre a cultura alimentar e outras formas de educação essenciais para a vida individual e coletiva.

A civilização indiana foi a que mais se aprofundou nessas ciências e artes e que as comunicou de forma compreensível, construindo um patrimônio intangível que vem sendo revalorizado devido aos benefícios práticos que proporciona.

A pessoas de minha relação que se entediam quando não têm nada para fazer, costumo dizer:

“Respirem…”

Procuro assim valorizar esse ato vital, básico, fundamental para a vida.

Mas admito que esse fato desperta admiração ou curiosidade, especialmente entre aqueles que ainda não tomaram consciência da respiração como um ato cultural.” (Maurício Andrés Ribeiro é autor dos livros “Ecologizar” e “Tesouros da Índia”)

*Fotos da internet

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019


O EQUILÍBRIO INSTÁVEL DE PAUL KLEE


O CCBB de Belo Horizonte apresenta a exposição “Equilíbrio Instável” com mais de 100 obras de Paul Klee. Para esta mostra foram selecionados desenhos, gravuras e pinturas do artista, que poderão ser estudadas por todos nós artistas e admiradores de sua obra. Para este blog gostaria de transcrever uma página do meu livro “Os Caminhos da Arte”, no qual faço um pequeno estudo sobre Paul Klee.

Os ensinamentos de Klee despertavam no aluno a consciência de suas origens cósmicas. Levavam-no à compreensão do espaço fluido, do caos e do movimento que gerou a forma e a vida. Paul Klee, além de pintor e desenhista, foi também um grande professor e teórico de arte. “O artista, hoje, não é apenas um aparelho fotográfico sutil, ele tem mais complexidade, mais riqueza, e dispõe de maior latitude. É uma criatura sobre a Terra, e criatura no Universo: criatura sobre um astro entre os astros.”

Vislumbrando outra realidade além das dimensões terrestres, o artista atual encontra diante de si a amplidão do cosmos. Suas fronteiras ultrapassam os limites geográficos. Vivemos num astro entre os astros, sonhando com os caminhos do futuro.

Klee e Kandinsky iniciaram a nossa época como dois profetas. Ambos escreveram sobre arte, teorizaram, chegaram a reflexões filosóficas. Quando a intuição é despertada, o homem de repente se vê em diálogo com as fontes comuns dos seres humanos. Paul Klee rompeu com a realidade exterior, penetrando em mundos desconhecidos com os olhos do visionário e a sensibilidade do músico e do poeta. Sua obra contém, ao mesmo tempo, magia e intelectualismo, poesia e reflexão: a figura, reduzida ao seu traço mais simples, reflete aspectos psicológicos e afetivos: os desenhos esquemáticos são inspirados nas garatujas infantis ou na obsessão dos neuróticos. A luminosidade  é a constante nesses pequenos quadros abstratos que variam das formas orgânicas às geométricas. “As etapas principais do conjunto do trajeto criador são: o movimento preliminar em nós, o movimento ativo, operante, inclinado para a obra e, enfim, a passagem aos outros, aos espectadores, do movimento contido na obra. Pré-criação, criação e recriação.”

À luz das palavras de Klee, consideramos a arte como uma energia em movimento. Algo que, partindo do artista, de sua interioridade, evolui, movimenta-se, cresce e se exterioriza na obra de arte. Não é uma fórmula ditada de fora, subordinada a conceitos exteriores – é o despertar de uma necessidade interna que varia de pessoa para pessoa. A criatividade libera a energia propulsora que conduz o homem ao reconhecimento de si mesmo como ser humano, senhor de seus próprios pensamentos, dirigente de seus impulsos. A emoção criadora é a primeira fase da criatividade. O segundo estágio é a evolução do trabalho, sua organização, o uso dos elementos plásticos necessários para que a ideia  se concretize. O movimento é ativo, operante, visando à realização de um objeto palpável, visível ao mundo exterior e não somente situado na imaginação de uma pessoa.

A energia criadora ganha cor e formas, revestindo-se de seu aspecto material. Há um processo de comunicação, de extravasamento de ideias, emoções e sentimentos. A passagem aos outros é a comunicação do artista com o espectador. Paul Klee, artista e pensador, promoveu e ampliou o diálogo com a arte, comunicando-se por meio da palavra, da cor e da forma.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 2 de setembro de 2019


YARA TUPYNAMBÁ


Entre flashes
No meio do vozerio
De gente passando,
Entrando e saindo,
Um rosto familiar.
Revejo o tempo
Da Escola Guignard,
Quando eu era professora
E ela aluna.
O mesmo rosto ativo,
Interativo,
De quem espera do futuro
E tem certeza da vitória:
Yara Tupynambá.
Revejo Yara
Na curva da vida,
Quando as coisas
Já aconteceram e
Ainda esperam
Por acontecer.
Viagens pelo mundo
Painéis monumentais,
Tão grandes
Quanto expressivos,
Trazendo a memória
Da história de Minas
Com vigor e firmeza.
Yara é guerreira
Na arte e na vida.
Trabalha incansável
Nas telas, desenhos,
Gravuras.
Ela cuida da filha e
Dos quadros.
Hoje está
No meio do povo,
Que se aglomera
Nesta exposição.
“Trabalho é vida.
 Nunca parei de trabalhar,
É isto que me permite
Não envelhecer.”
Yara está jovem
Como aquela moça
Que conheci
Na escola Guignard.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 26 de agosto de 2019


DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA NATUREZA


 Compartilho com muita emoção o texto abaixo, escrito por Luciano Luppi e interpretado por Ivana Andrés, minha filha, durante o Ato em defesa da Amazônia, realizado no dia 25/08 na Praça do Papa em Belo Horizonte. Espero que este manifesto se espalhe pelo mundo.

“Que todos os seres existentes na face da terra, quer seja um minúsculo organismo, quer seja o maior dos mamíferos, tenham direito a viver em comunhão com o seu meio ambiente; com água pura, ar respirável e o sol como fonte de luz e calor;

Que o fogo, como instrumento de transformação, somente seja manipulado pela consciência dos que optaram sinceramente pela paz;

Que a terra seja o leito da vida, sem erosões ou obras de engenharia que deturpem a sua missão maior: servir de berço e colo aos seres todos viventes;

Que a água seja o sangue da terra e tenha o direito a expulsar de suas entranhas as impurezas que a ignorância e a estupidez  nela depositarem;

Que o manto que cobre a face do planeta seja tecido com ar puro e expandido, levando à todos os seres o sopro primeiro e último, em quantidade e qualidade suficientes para manter a vida em estado de graça e beleza;

Que a flora e a fauna tenham o direito de viver, de reproduzir e de morrer, cada um de seus representantes de acordo com o seu grão e o seu projeto de existência;

Que a razão somente seja usada para proteger a vida e distribuir riquezas entre os povos do mundo;

Sejam os homens eleitos os guardiães da natureza, e que todos os seus atos tenham a mesma força no retorno à si próprio, quer seja para o sofrimento ou para o bem estar da humanidade;

Que a Mãe Terra seja abençoada e louvada todos os dias, até os tempos que não terão fim.”

Luciano Luppi

*Fotos de Eliana Andrés e Ivana Andrés

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019


PEQUENA RETROSPECTIVA DA ATUAÇÃO DO IMHA EM ENTRE RIOS DE MINAS


No dia 14 de julho de 2019, retornamos a Entre Rios, onde estivemos várias vezes, celebrando os Festivais de Inverno e o Ponto de Cultura. Entre Rios tem, por tradição a música, desde a época do barroco.

Fazendo um pequeno retrospecto, Felipe Resende, atual Secretário de Cultura, promoveu há alguns meses atrás no Vila Lobo, a projeção do filme “Maria Helena Andrés, Arte e Transcendência”.

Naquela ocasião, Euler, como primeiro presidente do IMHA, nos trouxe a história dos festivais, cuja realização só foi possível graças aos patrocinadores, a Gerdau e a Cemig.

“Ivana e Luciano dirigiram 4 edições do festival de Inverno de Entre Rios, juntamente com o produtor Julio Varela, conseguindo manter um nível muito elevado de qualidade artística.”

Depois da fala de Felipe, 2 jovens deram o seu depoimento. Ambos são muito gratos ao IMHA, porque foi durante os festivais que foram despertados para a música.

“No Festival estudei com a Cecília Barreto. Mais tarde, no Ponto de Cultura, estudei com Kristoff Silva. Em seguida, fiz o teste e segui para a Universidade. Naquela época eu não tinha recursos para pagar a Universidade, mas obtive o meu primeiro salário no Ponto de Cultura, dando aulas para as crianças. Desta forma eu pude pagar meus estudos. Agora continuo dando aulas através da Prefeitura. Aqui estou para agradecer a todos vocês.”

Outra pessoa, a jovem Alice, não se referiu aos festivais nem ao IMHA. Sua proposta é participar do novo Mutirão, com sua experiência de poeta “aldravia”.  Após a exibição do filme, Alice me presenteou com suas publicações.

O prefeito de Entre Rios, José Walter Resende Aguiar disse que, quando assumiu o cargo, havia na sala dele, 2 quadros doados por mim na época em que Arnaldo Resende era o prefeito. Ele mandou retirar da sala dele e colocar num lugar onde todos pudessem ver.

“Hoje, como prefeito de Entre Rios, vejo que a educação é muito importante, mas a cultura muda a percepção das pessoas, ela é mais abrangente, daí a necessidade da Educação e da Cultura”

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 13 de agosto de 2019


OFICINA DE PAPEL NO MUTIRÃO CULTURAL DE ENTRE RIOS DE MINAS


O texto abaixo foi uma introdução à minha Oficina de Papel:
Sempre gostei de mutirões, porque através deles aparecem talentos e doações generosas.

Dividir com os outros os nossos conhecimentos é muito importante.
Hoje, vou dividir com vocês um pouco dos meus 83 anos de arte e trabalho ininterruptos.
Comecei aos 14 anos desenhando artistas de cinema e até hoje o desenho é companheiro inseparável de tudo o que eu fiz na minha vida de artista.
O meu itinerário artístico se expandiu em Entre Rios de Minas, na fazenda da Barrinha.  Ali, munida de pincéis e aquarelas, eu me enveredava pelos morros e vales, buscando situações do cotidiano de uma fazenda mineira. Os currais, vacas sendo ordenhadas, os cavalos preparados para serem montados pelos empregados ou crianças, o interior da fazenda com seus móveis antigos, a cozinha de fogão de lenha, o relógio antigo que dava badaladas, tudo isso era novo para mim. Eu tinha sido criada em Belo Horizonte e a vida no campo era uma novidade.

O Campo das Vertentes foi fundamental para um despertar de um novo caminho. Ali encontrei sugestões variadas para a minha arte.
Desenhar é fundamental, rabiscar é importante, pois é dos rabiscos que surgem as ideias. O desenho pode ser disciplinado ou livre, correspondendo à necessidade de cada artista.
É importante que cada um e cada uma de vocês encontre o seu próprio caminho, seja copiando paisagens, cenas do cotidiano, festas populares, tais como a festa da colheita, famosa na região. É importante anotar tudo, e Entre Rios oferece oportunidade para isto.

Desenhar na rua ou das janelas da cidade, documentar o movimento do povo, depois percorrer os campos, desenhar os carros de boi, as festas juninas, tudo isto serve de motivação para novos quadros ou livros de artista.
Nesta aula iremos inicialmente experimentar a “Linha contínua”, ensinada pelo próprio mestre Guignard, de quem fui aluna. Iremos partir de um ponto no papel, percorrer um desenho figurativo (ou não) e voltar para o mesmo ponto, sem tirar a caneta do papel, e sem se preocupar em cruzar linhas já traçadas.
Mostrarei em seguida algumas experiências com a arte não figurativa.

Iremos lembrar uma frase do famoso crítico de arte Maurice Denis :
“Um quadro, antes de ser uma paisagem ou uma figura humana, é um conjunto de linhas e formas que se harmonizam numa certa ordem.”
Iremos trabalhar com figuras geométricas recortadas por vocês em papéis coloridos e depois coladas no papel suporte. Cada um de vocês irá procurar esta “certa ordem”, a que se refere Maurice Denis. Esta ordem se chama “Composição”, e será colada no papel. A sua aplicação pode ser em quadros, em toalhas, sacolas, jogos americanos, bolsas, etc.

Ajustando formas e combinando cores, chegaremos a um resultado feliz.
Partindo da linha contínua já experimentada no desenho, vocês irão criar uma escultura de papel, que mais tarde servirá de base para novas criações.
Mostrarei finalmente como recuei no tempo em busca das origens da minha arte, figurativa e não figurativa, transformando as ideias de décadas passadas em colagens e em esculturas. As primeiras esculturas partiram de desenhos geométricos, chamados de “construtivos” e, através de programas de computação, tornaram-se tridimensionais.
Vamos começar?
Um grande abraço,
Maria Helena Andrés

*Fotos de Natália França

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019


ALGUNS ASPECTOS DO MUTIRÃO CULTURAL DE ENTRE RIOS DE MINAS


Estou sentada em frente à Igreja Nossa Senhora das Brotas em Entre Rios de Minas. O sol ilumina a feira de sábado onde se vende o produto da semana. Contribuímos com o nosso produto. Viemos de BH para colaborar com a cidade neste Mutirão de Artes. Foi uma semana produtiva. A turma daqui é aberta à arte e à cultura, pois sabem que, exercendo a arte, deixando fluir sua própria energia criativa, também estão colaborando para o desenvolvimento da região e do país. 

O IMHA (Instituto Maria Helena Andrés) abriu caminho através de vários projetos. Para esta cidade vieram professores, maestros, orquestras, diretores de teatro, de circo. Entre Rios se encheu de risos e cores. Os cinegrafistas documentaram tudo e hoje o secretário de Cultura está incentivando este Mutirão de Arte. Gosto muito de Mutirões, o resultado é excelente...

Ficamos encarregadas da Oficina de papel, coordenada por Ivana, Sarahy, Marília e eu. Gostei dos trabalhos, lindos, criativos. Fizeram colagens e desenhos individuais e coletivos, bem como esculturas de papel.

Agora, as jovens artistas são também “curadoras” da mostra e organizam ao ar livre a exposição.

Outro grupo de artistas trabalhou com dedicação e entusiasmo nos bordados sobre a cidade. Bordaram as casas de Entre Rios. Um sucesso de solidariedade. Aliás, Mutirão significa solidariedade. Houve entusiasmo na realização e na cooperação da mostra.
Entramos pelo antigo bar Vila Lobo. Lá embaixo no gramado, as crianças, sentadas na grama, soltam bolhas de sabão, conduzidas pela mestra Sarahy. Depois correm pelo gramado atrás das bolhas.

Volto à praça para ver as artistas de ontem colocando hoje seus trabalhos. Armam um varal nas árvores e, ao sabor do vento, os desenhos e colagens são mostrados. 

Um rapaz veio nos cumprimentar.
“Estou conhecendo a senhora. A senhora era cliente do Banco Credireal?”
 Sim, respondi.
“Eu trabalhei no banco, hoje estou na roça. Não troco a roça por nada...”
Fiquei pensando naquele depoimento espontâneo sobre a qualidade de vida de um bancário e de um fazendeiro.

Escutamos o som da capoeira animando a festa. A capoeira é tradicional nas festas brasileiras pois ela canta e dança a alma do brasileiro. Na sua essência, o brasileiro é um ser alegre e comunicativo.

Comes e bebes fazem parte do mutirão, num intercâmbio feliz e prazeroso. Ali se vende o produto da roça: queijo, pães, empadinhas.
Felipe Resende, o secretário de Cultura veio me procurar. Vai dançar a Dança da Mangüara tradicional da região. Foi criada por uma família de Entre Rios e até hoje se apresenta nas festas.

Às 5 horas entramos mais uma vez na biblioteca, agora para assistir à palestra “Patrimônio Cultural: conceitos, políticas e diretrizes” da conservadora do patrimônio, a jovem Mariah Boelsums.

Fotos de Natália França

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