Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
O INSTITUTO EM TRANSFORMAÇÃO: UM EXEMPLO DE TRANSDISCIPLINARIDADE
O Instituto Maria Helena Andrés surgiu em 2005, fruto de um desejo de pessoas ligadas à região dos Campos das Vertentes, de construir um pólo de abertura de consciência através da atividade artística. Nesses anos ele produziu quatro Festivais de inverno que mobilizaram a população de Entre Rios e geraram como resultados a criação de ONG ecológica, a Ecoppaz e um curso de teatro.
Os festivais ofereceram à comunidade a oportunidade de se aproximar de espetáculos eruditos e populares, além de palestras, mesas-redondas e lançamentos de livros. Foram oferecidas diversas oficinas de formação cultural e artística, como yoga, pintura, desenho, música, literatura, história, teatro, circo, arte e educação, ecologia, dança, arquitetura, contos, vídeo, arte no computador, capoeira, circo, gastronomia, cerâmica e artesanato, entre outras. Na 4ª edição, contou com a participação de moradores
da comunidade rural Natividade dos Ferreiras, que ministraram oficinas visando à preservação das tradições históricas e culturais locais e realizaram apresentações folclóricas ao final do evento.
Outro projeto foi o de musicalização nas escolas, que tem o objetivo de estimular a criatividade, a concentração e a atenção de alunos da rede pública do ensino fundamental, por meio do aprendizado dos elementos básicos da música e do desenvolvimento de uma audição ativa e crítica, valorizando todos os aspectos da criação musical. O Projeto consiste na realização de aulas quinzenais, ministradas por músicos capacitados em educação musical infantil, e inclui atividades e brincadeiras pedagógicas promovidas pelos próprios docentes das escolas.
Através de projetos variados, as pessoas vão exercitando diferentes práticas criativas junto ao IMHA.
Sarahy estendeu o IMHA para Jeceaba onde ministra o projeto Arteterapia na Escola que tem como objetivo promover o desenvolvimento intelectual, emocional e social de crianças e adolescentes, por meio do aprendizado e do desenvolvimento de diversas técnicas artísticas, além de dinâmicas e contos. São muitos os estudos que apontam o potencial curador que a arte tem sobre as emoções negativas, resultando em uma transformação positiva para o indivíduo – estimulando seu crescimento, abrindo horizontes e ampliando a autoconsciência. Assim, como benefícios da arteterapia na escola, destacam-se a melhoria das relações interpessoais e do aprendizado como um todo, influindo diretamente na qualidade de vida dos alunos.
O projeto Resgate com Arte oferece à população de Entre Rios encontros com sua história. Esse projeto, de iniciativa de Maria Aldina está despertando a criatividade da população, unindo todas as classes sociais.
Hoje, o IMHA é um ponto de cultura, onde os adolescentes estão se aproximando da tecnologia pelo viés da arte. Eles aprendem a trabalhar com programas de computador avançados para criação de imagens e vídeos. Esse aprendizado se conecta a outra arte, a música. As imagens e vídeos produzidos têm o objetivo de complementar aulas de música para crianças. Todo esse material didático irá para o site do projeto, podendo ser acessado por qualquer aluno ou professor de música em qualquer lugar do mundo.
Teresa deu seu depoimento, já como nova presidente do Instituto, eleita em 18 de junho de 2011: “ Meu objetivo é colocar em prática os ensinamentos de Maria Helena – dar ênfase à extensão da arte para a vida. Fico feliz do IMHA ter suas ações em Entre Rios , cidade onde moro e de que sempre gostei.”
O IMHA é um instituto onde a transdisciplinaridade é posta em ação. Suas idéias não são dogmáticas, mas se transformam na linha do tempo. Movido pela energia da arte, o IMHA foi se estendendo para outras regiões vizinhas: arte estendida à vida está sendo posta em ação.
*Fotos de Júlio Margarida e Luiz Cruz
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
ARTE E EVOLUÇÃO HUMANA NO ASHRAM DE SRI AUROBINDO
Em 1979, visitei uma comunidade na Índia cujo modo de viver tem atraído pessoas de todo o mundo. Seu fundador, Sri Aurobindo, foi o pensador oriental que mais se aproximou de nossa civilização. Procurava um entrosamento das idéias espiritualistas do Oriente com o dinamismo progressista do ocidente. Sua filosofia, baseada na evolução, prevê a transformação do homem acreditando que “por detrás da inteligência existe em todo o ser humano outra ordem de consciência ainda oculta, que espera o momento de surgir.”
A insatisfação do homem, seu desejo de progredir, é uma prova disto. Essa sede de progresso que nos impulsiona para a evolução não se prende apenas ao raciocínio lógico, mas o ultrapassa. A evolução, processada anteriormente pelas forças da natureza, seria realizada agora conscientemente, no próprio homem, através de praticas, exercícios e o desenvolvimento de suas energia internas.
Tendo sido educado na Europa e conhecendo bem a civilização ocidental, Sri Aurobindo considerava impossível dominarmos as conquistas da ciência e da técnica sem a ajuda de um poder maior do que a inteligência. O desenvolvimento interior através da ioga integral viria despertar nossas potencialidades adormecidas, conduzindo-as à ação. A busca e a educação dessas energias existentes em todo ser humano são formas de atividade que identificam a filosofia do mestre. Tornar consciente o que está inativo e forçá-lo a atuar, despertar, discernir, desapegar-se, agir, purificar-se e evoluir. A transformação se realizaria inicialmente em cada pessoa que já estivesse preparada, mais tarde atingindo a todos. Essa evolução para um plano mais alto de existência se efetuaria normalmente através do desenvolvimento das aptidões de cada um, considerando-se que o trabalho feito com amor conduz ao aperfeiçoamento da pessoa. Qualquer forma de atividade pode ser considerada veículo de evolução. O trabalho assim realizado prevê a ajuda mutua e o espírito comunitário. O trabalho feito com idealismo transforma e purifica o homem. A vocação já é o chamado para a evolução. Bloqueá-la significa atraso.
A criatividade também ajuda a despertar as energias interiores. Através dela, usamos a intuição que nos conduzirá à descoberta da realidade interna. O exercício da criatividade, em todos os seus aspectos - científicos, filosóficos, artísticos - ajuda em nossa integração, conduzindo-nos a planos mais altos. É necessário despertá-la por meio da arte na educação e do incentivo aos artistas e pesquisadores. Mas a evolução exige o aperfeiçoamento total do homem. Baseado nisso, Sri Aurobindo incentivou o esporte, acreditando que o corpo deveria se fortalecer para ajudar na transformação espiritual que se processaria através dele. Suas idéias unificam matéria e espírito. O progresso tecnológico avança, impulsionado por outras forças que ultrapassam as dimensões da inteligência e do raciocínio lógico. Dentro desse impulso totalizante e unificador, o homem crescerá em direção à sua evolução.
A experiência comunitária de Sri Aurobindo apoiada pela UNESCO traz-nos a mensagem de esperança. Suas idéias, aliando a agudeza do ocidente com a iluminação do oriente, conduzem-nos à reflexão. Nossas forças também poderão ser dirigidas e transformadas para que o homem do futuro possa encontrar uma humanidade melhor.
A partir de suas idéias de Unidade Planetária, foi construída a cidade de Auroville (Cidade Aurora) sob o patrocínio da UNESCO. No Brasil as idéias de Sr Aurobindo foram propagadas em Belo Horizonte e Salvador, na década de 70, por Rolf Gelewski, que ensinava através da dança, um despertar do Yoga Integral.
*Fotos da internet
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
AVENIDA CANADÁ, CAMINHO DAS ARTES
O artista é um fruto de sua época. Naturalmente, vivendo e participando das experiências de seu tempo, ele transmitirá a inquietação do mundo em seus trabalhos. Não será nunca um retrógrado, um porta-voz de seus antepassados.
Ele é a síntese de seus contemporâneos e, justamente por viver e sofrer os problemas da vida moderna, espontaneamente, sem que ninguém lhe imponha, ele se manifestará, também, de um modo atual correspondente aos avanços da civilização. Ele tem a possibilidade, que outros não tiveram, de estar a par de tudo o que se passa na Europa, na Ásia, na África e nas Américas, de todas as notícias do que se faz de mais avançado no mundo. Isto de certo modo o modifica, torna-o mais universal.
Fazemos parte da humanidade toda, de um modo muito mais vivo que os homens de antigamente, que ignoravam, por completo, os acontecimentos do resto do mundo.
Devido às novas tecnologias, os artistas, que antes viviam retirados nas montanhas podem participar ativamente dos movimentos culturais de qualquer parte do planeta. Um exemplo disto é o dinamismo de 3 galerias localizadas em grandes galpões na Avenida Canadá, no bairro Jardim Canadá. Este corredor cultural já foi denominado “Caminho das Artes”, por sua localização na estrada que liga Belo Horizonte a Inhotim, um dos centros de Arte Contemporânea mais reconhecidos do planeta.
O corredor cultural começa na Galeria Lemos de Sá, que possui um acervo escolhido de artistas, com ênfase no trabalho de Amílcar de Castro. Todos os sábados pela manhã, Beatriz, a dona da galeria, abre os imensos portões para um encontro com as pessoas interessadas num bate papo cultural. Beatriz chegou recentemente de 2 feiras de arte, uma em São Paulo e outra em Buenos Aires , para onde levou um acervo selecionado de obras de artistas mineiros.
No dia 28 de maio, uma outra galeria abriu suas portas. Hamilton Aguiar me convidou a participar desta primeira exposição, onde pude ver meus quadros sendo reproduzidos de forma gráfica. Hamilton veio dos Estados Unidos, onde residiu por 20 anos. É artista plástico e tem contatos importantes no exterior. Sua presença neste “Caminho das Artes” é de grande importância para a divulgação de nossos artistas. Na inauguração escutamos as palavras de Hamilton e da fotógrafa Heloisa Oliveira, que expôs fotos do Butão. Ambos tiveram grande experiência fora do Brasil e isto também é um enriquecimento para todos nós. Em junho ele participará de uma exposição em Nova York , levando também obras de artistas mineiros. No dia 9 de junho ele inaugurou uma exposição no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte.
À tarde, na mesma Avenida Canadá, artistas jovens contemporâneos se reuniram no JACA (Centro de Arte Contemporânea) situado no mesmo quarteirão das duas outras galerias. A proposta do JACA é trazer artistas de fora para ali fixarem residência por 2 meses, desenvolvendo trabalhos inéditos que aproximam os povos através da arte. Frequentemente suas portas se abrem para estudos e palestras culturais. Dirigido por Francisca Caporali, o JACA foi todo enfeitado de bandeirinhas coloridas, para festejar o aniversário de seu filho Gabriel, meu bisneto de 2 anos. As crianças que ali estiveram são filhos de artistas e estavam se divertindo com os balões e os pula- pulas.
A arte nos remete à nossa própria infância. As melhores lembranças que eu tenho da minha infância são as festas de aniversário. Elas me conduziram para o caminho das artes.
*Fotos de Marcelo Coelho e Beatriz Lemos de Sá.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
INTEGRAÇÃO DE DOIS GRUPOS MUSICAIS
No domingo, 5 de junho, assisti à integração de 2 grupos musicais, Quebra Pedra e Agua Luz. O objetivo de fundir os 2 grupos num só espetáculo, resultou numa harmonia perfeita, um exemplo a ser seguido por outros grupos de arte, inclusive pelos artistas plásticos. Unidade na multiplicidade é a tônica do Século XXI e estes jovens músicos estão abrindo o caminho dentro da arte, da quebra do ego e da competição para alcançar a luminosidade do coletivo. Parabéns pelo espetáculo. Todos nós que estávamos na platéia percebemos emocionados que algo de novo estava acontecendo.
Com grande sucesso, o cantor, compositor e flautista Alexandre Andrés, juntamente com os músicos Gustavo Amaral e Luiz Gabriel estrearam no dia 20 de maio, na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte , o show “Terra das Laranjeiras”. Com um repertório exclusivamente autoral, cada um dos três jovens compositores dedicou uma composição a alguém. Alexandre dedicou uma de suas composições a sua avó, Maria Helena. Intitulada “A Voz de Todos Nós”, transcrevo a letra criada pelo poeta Bernardo Maranhão:
A Voz de Todos Nós
(Alexandre Andrés – Bernardo Maranhão – dedicada a Maria Helena Andrés)
“Sombra de mímica dança enlaçando a nudez
Tango sonâmbulo, peso de um passo a caminho dos pés
Dando espaço ao tempo, o tempo passa bem (2x)
Feito relâmpago antecipando o trovão
Feito libélula irradiando os azuis do verão
Sinto sussurrar a voz do coração (2x)
Lágrima límpida, corre no canto do olhar
Lâmina lúcida, brilho do lírio no lago ao luar
Tão comum, a dor e o bem de cada um (2x)
Página pálida, margem da imaginação
Letra de música, risca da quilha nas ondas do som
Traz pra minha voz a voz de todos nós
Faz de minha voz a voz de todos nós
Um silêncio por dizer (-)
um remanso, um bem querer (-)
uma pausa plena
Dentro da árvore_um bando de passarim (-,- - -)
Cantoria(-), nuvens douradas (;)entre o céu e a serra
(;)flor do pântano, terra dos tuiuiuis
Fim de mundo (-), lugar propício, (;)faz do fim o início”
Foi com muita alegria que me foi possível receber este presente de meus netos músicos, já que considero a todos como netos. A tradição musical da família se estende para o futuro levando a mensagem de amor a todos que acreditam nesta grande missão da música em nosso Planeta. Alexandre é também membro do grupo instrumental Diapasão, como flautista e compositor com quem. No segundo semestre de 2011, estará lançando o seu primeiro CD com este grupo.
Alexandre Andrés com o seu CD autoral de canções, intitulado "Agualuz", lançado pelo Projeto Natura Musical no ano de 2009, recebeu críticas de importantes músicos e jornalistas, tais como:
"Alexandre Andrés, mineiro de BH, de apenas 19 anos, estréia de forma fulminante em "Agualuz". O disco independente ganhou tiragem ampliada por ter sido selecionado no edital do projeto Natura Musical, junto com a turnê de lançamento. Ele toca violão e canta no disco as músicas que compôs com o poeta Bernardo Maranhão, mas também é responsável pela densa polifonia dos arranjos. Alexandre domina vários estilos da MPB, alguns entrelaçados como a vertiginosa Romanceada. A prosa arquitetônica de Guimarães Rosa perspassa o enredo de forma explícita (Rosa) ou implícita (Névoa-nada, Margem da Terceira Rua). Mônica Salmaso legitima as escalas enviesadas de Cadência, Regina Amaral pavimenta o piano da ecoante Uirapurú, e André Mehmari pontua Revoar. Requinte puro." (Tárik de Sousa – Jornal do Brasil, 23/10/2009)
Sobre o CD “Agualuz”, o crítico musical Ailton Magioli escreveu: “Dono de trabalho surpreendente, diante da sua faixa etária, Alexandre Andrés explora em sua música melodias e harmonias dignas da tradição mineira, casada com uma poesia que prima por rigor e qualidade nem sempre perceptíveis na música popular” (O Estado de Minas, 21/11/2008).
“I enjoyed listening to Águaluz” “I thought the level of musicianship was very high and it made me smile”
(Michael Riesman, diretor musical do compositor norte americano Philip Glass, – Sobre o CD Águaluz de Alexandre Andrés)
“...o Alexandre é um jovem extremamente talentoso. Quando ouvi sua música, por primeira vez, senti ali um grande frescor... pude notar ali, claramente, a 'voz' de um compositor...” (André Mehmari, SESC Instrumental/TV SESC).
*Fotos de Artur Andrés
quinta-feira, 26 de maio de 2011
VOZ E POESIA
Estamos vivendo uma época de retorno às nossas origens. Um retorno muitas vezes de atitudes que nos remetem a valores da própria essência do ser humano e que apontam para uma abertura de consciência e uma transformação da sociedade.
Sabemos que os antigos gregos eram também poetas e os antigos hindus eram também cantores. Poesia e música transmitiam em seu contexto a antiga sabedoria do mundo. No mundo contemporâneo esta transversalidade está sendo estudada por filósofos e pensadores da arte. O saber está sendo transmitido de geração em geração em forma de poesia e canto.
Nesta síntese das artes, onde a poesia encontra a filosofia e a música, existem grupos que vêm trabalhando há muito tempo neste caminho que espontaneamente liga arte, ciência, religião e filosofia.
São poemas, cânticos e vídeos apresentados de forma circular como os antigos grupos. A tônica é a busca da Unidade do Século XXI, que se sobrepõe à separatividade do Século XX.
Estamos divulgando como um exemplo desta volta às origens, o trabalho pioneiro dos poetas e cantores Luciano Luppi, Ivana Andrés e Evaldo Leoni, que apresentaram seu espetáculo interativo “Cartas Poéticas” no Teatro Don Silvério em Belo Horizonte.
Transcrevo abaixo algumas poesias deste espetáculo:
SOBRE OS FILHOS
(Kahlil Gibran)
Vossos filhos não são filhos vossos.
São os filhos e as filhas do desejo ardente da vida por si mesma.
Eles vêm através de vós, e embora vivam convosco , não vos pertencem.
Podeis presentear-lhes com vosso amor, mas não com vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas,
pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar, nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não procureis fazê-los iguais a vós,
porque a vida não anda para trás ,
e nem permanece nos dias que já se passaram.
Sois como o arco do qual vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na direção do infinito,
e vos estica com toda a sua força ,
para que suas flechas se projetem rápidas, para muito longe.
Para vossa alegria, deixai-vos curvar pela mão do Arqueiro,
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável.
HOUVE UM INSTANTE
(Antonio Roberto Soares)
Houve um instante
Em que todas as músicas do mundo
Marcaram encontro com o pôr do sol
Em que a brisa pegou carona com o arco-íris
E foi testemunhar a chegada dos pássaros da primavera
Houve silêncio
Um silêncio terno e quente
Silêncio de mar
De amanhecer
Um perfume lento de todas as flores da terra
E uma paz maciamente infinita
Houve um instante
Em que tudo isto aconteceu ao mesmo tempo
E no mesmo lugar
No meu coração
Perguntei a Deus o nome de tanta poesia
A resposta veio à noite
Com as estrelas
Amor
*Fotos de Leandro Luppi
domingo, 15 de maio de 2011
UAKTI EM ROMA
O nosso conhecido grupo UAKTI, de Minas Gerais esteve recentemente fazendo uma apresentação na Embaixada do Brasil em Roma.
O grupo UAKTI em todas as suas apresentações fora do Brasil, tem sido o grande emissário da paz entre as nações do mundo.
Sua música, de inspiração indígena, atravessa as fronteiras levando uma mensagem de harmonia e integração planetária pelos diversos países por onde passa.
Assisti em 2001 no Guggenhein de Nova York a uma apresentação e workshop do grupo. Foi uma época conturbada na cidade de Nova York com a explosão das Torres Gêmeas. Havia um contraste entre a paz e a guerra. Diante de uma platéia ainda traumatizada com a queda das duas Torres, eles acenavam com uma proposta de paz e harmonia.
Agora, novamente estarão apresentando numa Europa conturbada pelo clima de guerra, as vibrações sonoras com propostas de paz entre os homens.
Brasileiro não quer a guerra, é a favor da paz. Nos sons sem palavras eles nos tocam o coração, emitindo vibrações da terra na percussão e do espaço na flauta. A flauta nos lembra a lenda do UAKTI, um índio brasileiro que encantava as mulheres da tribo. De acordo com o depoimento de Artur Andrés, UAKTI era um índio grande, que tinha o corpo aberto em buracos. Quando ele corria pela floresta o vento, passando pelos buracos do seu corpo, produzia sons lúgubres, soturnos que atraíam as mulheres da tribo. UAKTI as seduzia. Os índios da tribo, enciumados, caçaram e mataram UAKTI. No local onde ele foi enterrado, nasceram 3 palmeiras. Os índios passaram a utilizar a madeira dessas palmeiras para tecerem flautas que, segundo eles, quando tocadas, reproduziam os sons do UAKTI correndo pela floresta. Nos rituais indígenas, as mulheres tinham que ser retiradas para bem longe, pois se ouvissem esses sons, poderiam se tornar impuras.
Assim também na Índia, Krishna, o deus da música, encantava as gopis (camponesas) com sua flauta.
Os mitos levam semelhanças e significados formais. Atravessam tempo e espaço para lembrar ao ser humano a sua origem cósmica. O índio UAKTI no Brasil, mergulhado nas florestas, lembra o deus Krishna na Índia, encantando as camponesas. Transmutar energias é o significado de ambos. Comover os corações, reverter a violência é o que todos nós sentimos.
A música deste grupo de Minas Gerais é uma música que nos conduz a um espaço interno dentro de nós, onde não existe tumulto, violência ou divisões. Na multiplicidade de instrumentos feitos com a maior variedade de materiais, tubos de PVC, cabaças, tablas, tambores, tampas de panelas, etc, Marco Antônio Guimarães, idealizador do Grupo, criou inúmeras composições. Marco Antônio tirou música até das tempestades, e os sons que ele ouviu da água batendo no chão e escorrendo do telhado, motivaram a criação do CD Águas da Amazônia, que o Grupo mostrou no Guggenhein de Nova York em 2001. Atualmente os demais componentes do Grupo, Artur Andrés, Décio Ramos e Paulo Santos têm dado continuidade ao UAKTI, não somente nas apresentações, como também acrescentando novas composições.
Recentemente, numa apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi introduzido um gigantesco instrumento de sopro semelhante aos instrumentos dos monjes budistas, cujo som lembra o timbre grave e soturno do índio UAKTI.
A música tem esta possibilidade de unir as pessoas e a estes emissários da Unidade Planetária os nossos votos de maior sucesso.
*Fotos de Regina Amaral, Sylvio Coutinho e Jefferson Oliveira
O grupo UAKTI em todas as suas apresentações fora do Brasil, tem sido o grande emissário da paz entre as nações do mundo.
Sua música, de inspiração indígena, atravessa as fronteiras levando uma mensagem de harmonia e integração planetária pelos diversos países por onde passa.
Assisti em 2001 no Guggenhein de Nova York a uma apresentação e workshop do grupo. Foi uma época conturbada na cidade de Nova York com a explosão das Torres Gêmeas. Havia um contraste entre a paz e a guerra. Diante de uma platéia ainda traumatizada com a queda das duas Torres, eles acenavam com uma proposta de paz e harmonia.
Agora, novamente estarão apresentando numa Europa conturbada pelo clima de guerra, as vibrações sonoras com propostas de paz entre os homens.
Brasileiro não quer a guerra, é a favor da paz. Nos sons sem palavras eles nos tocam o coração, emitindo vibrações da terra na percussão e do espaço na flauta. A flauta nos lembra a lenda do UAKTI, um índio brasileiro que encantava as mulheres da tribo. De acordo com o depoimento de Artur Andrés, UAKTI era um índio grande, que tinha o corpo aberto em buracos. Quando ele corria pela floresta o vento, passando pelos buracos do seu corpo, produzia sons lúgubres, soturnos que atraíam as mulheres da tribo. UAKTI as seduzia. Os índios da tribo, enciumados, caçaram e mataram UAKTI. No local onde ele foi enterrado, nasceram 3 palmeiras. Os índios passaram a utilizar a madeira dessas palmeiras para tecerem flautas que, segundo eles, quando tocadas, reproduziam os sons do UAKTI correndo pela floresta. Nos rituais indígenas, as mulheres tinham que ser retiradas para bem longe, pois se ouvissem esses sons, poderiam se tornar impuras.
Assim também na Índia, Krishna, o deus da música, encantava as gopis (camponesas) com sua flauta.
Os mitos levam semelhanças e significados formais. Atravessam tempo e espaço para lembrar ao ser humano a sua origem cósmica. O índio UAKTI no Brasil, mergulhado nas florestas, lembra o deus Krishna na Índia, encantando as camponesas. Transmutar energias é o significado de ambos. Comover os corações, reverter a violência é o que todos nós sentimos.
A música deste grupo de Minas Gerais é uma música que nos conduz a um espaço interno dentro de nós, onde não existe tumulto, violência ou divisões. Na multiplicidade de instrumentos feitos com a maior variedade de materiais, tubos de PVC, cabaças, tablas, tambores, tampas de panelas, etc, Marco Antônio Guimarães, idealizador do Grupo, criou inúmeras composições. Marco Antônio tirou música até das tempestades, e os sons que ele ouviu da água batendo no chão e escorrendo do telhado, motivaram a criação do CD Águas da Amazônia, que o Grupo mostrou no Guggenhein de Nova York em 2001. Atualmente os demais componentes do Grupo, Artur Andrés, Décio Ramos e Paulo Santos têm dado continuidade ao UAKTI, não somente nas apresentações, como também acrescentando novas composições.
Recentemente, numa apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi introduzido um gigantesco instrumento de sopro semelhante aos instrumentos dos monjes budistas, cujo som lembra o timbre grave e soturno do índio UAKTI.
A música tem esta possibilidade de unir as pessoas e a estes emissários da Unidade Planetária os nossos votos de maior sucesso.
*Fotos de Regina Amaral, Sylvio Coutinho e Jefferson Oliveira
quinta-feira, 5 de maio de 2011
ARTE E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA
Os acontecimentos na escola do Realengo no Rio de Janeiro, que traumatizaram o mundo inteiro, precipitaram diversas ações voltadas para prevenir a violência.
Minha neta Alice, que coordena a área de controle de armas do Instituto Sou da Paz, deu o seguinte depoimento sobre uma campanha junto as crianças para conscientiza-las sobre a importância de prevenir a violência: “Foi interessante a experiência acontecida na zona sul da cidade de São Paulo, na região do M’Boi Mirim, em abril de 2011. Entre os dias 11 e 15, o Instituto Sou da Paz articulou a Semana do Desarmamento Infantil, junto com a Polícia Militar, a Guarda Civil e a Subprefeitura do M’Boi Mirim. Durante esses dias, as crianças da região receberam aulas sobre os perigos das armas e puderam trocar armas de brinquedo por revistas em quadrinhos. As crianças deram uma lição de cidadania. Além de entregar as arminhas, elas também entregaram filmes e jogos violentos. Muitas escolas que aderiram à iniciativa depois nem puderam oferecer os gibis em troca das arminhas entregues – mas não isso não foi um problema!”
Alice continua seu depoimento lembrando o papel da criatividade artística como forma de expressão a serviço de uma cultura de paz: “As crianças não só entregaram arminhas como também compuseram músicas e peças de teatro pelo desarmamento, pintaram e desenharam símbolos da paz e transformaram brinquedos violentos: uma espada virou um pássaro, e outras espadas foram “plantadas” em um vaso e viraram flores. Foi um espetáculo!”
Vivemos em período de transição, de lutas e idéias contraditórias, mas a experiência nos faz conscientizar e discernir. A juventude, corajosamente, quebra as estruturas convencionais e nos obriga a uma revisão de valores. A criança já começa a ser despertada para a criatividade e a arte, considerada elemento indispensável na educação. Segundo Herbert Read “A finalidade geral da educação é estimular o crescimento do que cada ser humano possui de individual, harmonizando ao mesmo tempo a individualidade assim conseguida com a unidade orgânica do grupo social ao qual pertence o indivíduo”. Esse estímulo ao crescimento individual em harmonia com o grupo é o papel da arte na educação. Nela a criança encontra apoio para o seu desenvolvimento integral, que não é feito na base da concorrência ou da vaidade pessoal, mas na base da colaboração e do respeito mutuo.
Pertencemos a uma comunidade da qual não devemos fugir. É nela que vamos crescer. Ela nos ajudará a conquistar essa harmonia. A arte na educação não visa o incentivo de uma só criança mais bem dotada, mas a integração de todas no conjunto que formará a grande orquestra do futuro. Daí o perigo dos concursos infantis, das promoções que jogam uns contra os outros e que, em lugar de integrar, desintegram; em lugar de educar, deseducam. A criatividade é a forma de encontrar a liberdade, aquela liberdade que brota de dentro para fora, de uma pequena luminosidade que se acende dentro de cada ser humano, para caminhar ao encontro da libertação completa. É liberando a energia criadora que damos o primeiro passo para esse encontro. Enganam-se muitos pensando que só os artistas criam e os outros apenas contemplam. A energia criadora é propriedade de todo o ser humano e manifesta-se em graus, intensidades e maneiras diversas. Ela é a força que conduz o homem a superar-se a si mesmo identificando-se com sua própria interioridade. A criatividade é necessária ao homem e sempre o tem acompanhado em sua evolução. Agora, na era contemporânea, nesse encontro do oriente com o ocidente, encontramos a arte como forma de educação e recuperação do homem no século XXI, abrindo caminho por entre a barreira do materialismo, da massificação e da violência, despertando a criatividade que todo ser humano possui. A arte está sendo, mesmo inconscientemente, a energia que nos conduz a indagações mais profundas e nos prepara para a evolução. A criatividade estimulada e desenvolvida desde a infância será a forma de equilíbrio necessária a nossa época de automação. Incentivemos a criatividade, o trabalho das mãos, a libertação das potencialidades humanas e enxergaremos através delas o homem integral.
Pertencemos a uma comunidade da qual não devemos fugir. É nela que vamos crescer. Ela nos ajudará a conquistar essa harmonia. A arte na educação não visa o incentivo de uma só criança mais bem dotada, mas a integração de todas no conjunto que formará a grande orquestra do futuro. Daí o perigo dos concursos infantis, das promoções que jogam uns contra os outros e que, em lugar de integrar, desintegram; em lugar de educar, deseducam. A criatividade é a forma de encontrar a liberdade, aquela liberdade que brota de dentro para fora, de uma pequena luminosidade que se acende dentro de cada ser humano, para caminhar ao encontro da libertação completa. É liberando a energia criadora que damos o primeiro passo para esse encontro. Enganam-se muitos pensando que só os artistas criam e os outros apenas contemplam. A energia criadora é propriedade de todo o ser humano e manifesta-se em graus, intensidades e maneiras diversas. Ela é a força que conduz o homem a superar-se a si mesmo identificando-se com sua própria interioridade. A criatividade é necessária ao homem e sempre o tem acompanhado em sua evolução. Agora, na era contemporânea, nesse encontro do oriente com o ocidente, encontramos a arte como forma de educação e recuperação do homem no século XXI, abrindo caminho por entre a barreira do materialismo, da massificação e da violência, despertando a criatividade que todo ser humano possui. A arte está sendo, mesmo inconscientemente, a energia que nos conduz a indagações mais profundas e nos prepara para a evolução. A criatividade estimulada e desenvolvida desde a infância será a forma de equilíbrio necessária a nossa época de automação. Incentivemos a criatividade, o trabalho das mãos, a libertação das potencialidades humanas e enxergaremos através delas o homem integral.
Fotos de Luciano Luppi e da internet
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
THRANGU RINPOCHE
Tenho anotados em meu diário de 1978 os ensinamentos que Thrangu Rinpoche me passou.
Thrangu Rinpoche nasceu no Tibet em 1933. Reconhecido aos quatro anos como a reencarnação de um dos grandes lamas (ou monjes do budismo tibetano), foi preparado, através de estudos, meditações e retiros, para ser um dos maiores instrutores do Budismo. Encontrei-o em 1978, em um mosteiro tibetano situado em Bouddhanath, em Kathmandu, no Nepal. Nessa ocasião, foi-me possível receber os seus ensinamentos e participar de um curso especialmente preparado para os ocidentais.
A doutrina de Sunyata ou do vazio torna-se fácil de ser compreendida através de seu livro: The open door to emptiness, ou A porta aberta para o vazio. O Vazio, segundo Rinpoche, não é um nada branco ou uma ausência de qualidades. Apesar de ser um estado de ser indescritível, o Vazio é a potencialidade total, que dá nascimento a todas as formas. Esse campo supremo do insight ou o espaço básico de todos os dharmas, é frequentemente referido como a mãe de todos os Budas e Boddhisattvas (pessoa que alcançou a iluminação para benefício de todos), pois, assim como a mãe dá nascimento às crianças, também o insight dentro da natureza fundamental produz todas as ações iluminadas do passado, do presente e do futuro. Todas as aparências têm o vazio como qualidade essencial. Quando esvaziamos o sofrimento, percebendo-o na essência de onde vem, ele imediatamente desaparece. Muitas vezes estamos presos às nossas preocupações, e somente abrindo as portas da compreensão tomamos consciência de que tudo nasce do vazio e desaparece no vazio.
A lição do lama começava com a concentração em uma pedrinha. No dia seguinte, concentrávamos no retrato de Buda ou numa paisagem, até que pudéssemos perceber que não existe a separação entre o observador e a coisa observada. A recomendação era concentrar por muito pouco tempo, sem forçar. Ela podia ser feita três vezes ao dia, mas não devia ultrapassar cinco minutos. Quando nossa concentração já estivesse treinada, então poderíamos entrar em meditação. A meditação começava com a observação de nossa respiração entrando e saindo de nossas narinas. Não devíamos interferir no seu ritmo natural, mas apenas observá-la.
A quarta lição referia-se à observação de nossos pensamentos. Sentávamos em silêncio, o corpo relaxado, os olhos semi-cerrados. Se viesse algum pensamento, apenas observávamos sem nos identificarmos com ele.
Thrangu Rinpoche orientava os alunos de forma simples, e ao final do curso recebíamos um pequeno xale branco, um rosário de contas de madeira e um mantra para ser repetido diariamente como forma de meditação.
“OM MANI PADME HUM”. Esse mantra é muito conhecido nas comunidades tibetanas. OM é a vibração da qual todo o universo emana, estando na origem de todos os mantras. MANI PADME ou “a jóia no lótus” é a Sabedoria Eterna contida em nossos corações. HUM, representa a Realidade Ilimitada, contida dentro do ser humano, que une os objetos separados ao OM universal.
“Quando um mantra nos é transmitido por um mestre qualificado, a integração da sabedoria desse mantra em nossa consciência é muitíssimo facilitada. Através do poder da sabedoria do mantra, haverá facilidade para nos comunicarmos com a nossa verdadeira sabedoria interior, permanecendo contudo livres das distrações externas.” Através da recitação de mantras podemos transcender os sons e as palavras externas, para escutarmos um sutil som interior que já existe em nós.
*Fotos da internet
segunda-feira, 11 de abril de 2011
ENSINAMENTOS TIBETANOS
“Leva-se vinte anos para estudar o Budismo, mas se a pessoa estiver preparada aprende em dois dias”. Quem estava falando era um jovem lama, de uns trinta anos, ladeado por dois discípulos canadenses. Estava na varanda de um mosteiro, a paisagem embaixo descortinava-se numa grande planície plantada, a terra dividida em espaços retangulares, preparada com cuidado para as chuvas que se aproximavam. Varas de bambu com panos coloridos, graficamente preparados com mantras, balançavam ao sopro do vento, espalhando paz no campo. Podiam-se ver as mesmas bandeiras em redor da grande stupa, ou templo budista, onde os devotos realizavam suas preces. As comunidades tibetanas se espalharam pelos Himalaias e é comum se ver bandeiras coloridas em toda essa região, incluindo o Butão. Os lamas viajam pela região levando os ensinamentos de Buda. Numa das palestras a que assisti, o lama se despediu dizendo: “Amanhã estarei dando aulas no Butão.” Os tibetanos falam pouco, não se ouve vozerio como na Índia, são discretos, e quando aprendem o inglês, resumem-se ao essencial.
A meta é o encontro com o estado de Vazio, onde as preocupações, conflitos e ansiedades não têm vez. É o encontro do homem com ele mesmo, com a sua própria interioridade, além do bem e do mal, do prazer e da dor, na busca do equilíbrio perfeito entre o corpo, a emoção e a mente. Procuram viver nesse estado de não envolvimento emocional, ou melhor, de não permanência nas conseqüências da emoção e nos embaraços criados pela mente. Todos explicam a mesma coisa de forma diferente, mas sempre estão prontos a ajudar as pessoas interessadas. Vem gente de longe para participar dos cursos e entrar em contato com os lamas.
Há várias técnicas de meditação, variando de acordo com as necessidades dos discípulos, mas todas levam ao mesmo ponto: o estado de atenção necessário a uma plena consciência das coisas. Todas insistem no não pensamento. Sentir, olhar e perceber o presente sem interferências do passado ou do futuro. Os nossos sofrimentos vêm de nós mesmos, dos nossos conflitos mentais e do acúmulo de imagens conflitivas na mente. Quando aprendemos a olhar a mente de forma direta, quando a esvaziamos por completo, percebemos um estado de Serenidade e Paz, que seria o estado natural do ser humano.
O caminho do meio, pregado por Buda há 2.500 anos, conduz a um estado de alegria sem excessos e à Felicidade a que tem direito a pessoa durante o seu curto tempo de permanência na terra. Mas, de um modo geral, esse tempo é gasto em várias atividades e somente uns poucos se aproximam da beleza desses momentos como um privilégio especial. Os ensinamentos dos lamas, quando se referem à observação dos próprios pensamentos, assemelham-se às instruções de Krishnamurti. “Olhe dentro de você mesmo, observe os movimentos de seu ego, suas reações à vida diária.”
Quando tomamos consciência de que tudo está na nossa própria mente, quando compreendemos como surgem, permanecem e acabam os nossos pensamentos, sentimos que eles são realmente os geradores de todos os nossos altos e baixos. O momento presente é sempre belo e cheio de luz. Somos nós que criamos a nossa própria dor.
*Fotos de Heloisa Oliveira
Visite meu outro blog “Memórias e Viagens”, cujo link está nesta página. Hoje será postado “Lições de vida e morte”.
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