segunda-feira, 2 de maio de 2016

PADRE INÁCIO

Conheci Padre Inácio na década de 70.
Ele viera do Oriente e passara algum tempo no deserto, entre os beduinos. Sua presença em Belo Horizonte reuniu grupos de pessoas interessadas no  despertar espiritual. Muitas se acercavam dele buscando conforto para conflitos pessoais, cura de doenças e até o exorcismo de espíritos maus. Padre Inácio a todos  atendia com amor e compaixão.
Muitas vezes fui chamada para ajudá-lo em cerimônias de cura: “Você é sensitiva, coloca a mão na cabeça do paciente e eu dou a benção.”
Os padres do deserto têm de exercer muitas vezes a função de médicos e curandeiros. O deserto atua de forma direta nas pessoas sensíveis, conduzindo-as a um completo despojamento do supérfluo e possibilitando maior abertura de consciência.
O deserto obriga a pessoa a usar o mínimo necessário para sua sobrevivência e, de certo modo, é uma iniciação espontânea e natural. As culturas primitivas buscavam no silêncio e no contato da natureza a percepção direta da Realidade Suprema.
A experiência culminante é a tomada de consciência de nossa origem cósmica.
Padre Inácio entrava em êxtase quando consagrava a hóstia e seu rosto resplandecia ao levantar o cálice.
Vinha gente de longe para participar daquele momento abençoado. Depois da missa ele atendia aos fiéis.
Sentávamos numa sala pequenina e ali ele ia aconselhando e trazendo conforto. Meus tios vieram do Rio para conhecê-lo. Tinham acabado de perder o filho de forma trágica. Padre Inácio conversou com os dois e elogiou muito o trabalho social que faziam.
Meu filho Euler, que tinha 18 anos na época, veio nos pegar de carro. Quando ele apareceu à porta, minha tia comentou em tom de censura: “Padre, o senhor já viu um rapaz dessa idade com cabelos compridos?” Respondeu o padre: “Já vi sim, Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Padre Inácio não tinha preconceitos, era ecumênico, abençoava casais que iniciavam um novo casamento, organizava grupos de reisado e congado.
Sua presença em Belo Horizonte veio acelerar o processo de integração de culturas.

 No livro “Padre Inácio, vida, missão e curas”, há uma introdução de Pierre Weil.

“Mensagens de Padre Inácio vinte anos depois de sua morte - um testemunho de Pierre Weil:

"Como relatei no meu livro, “Lagrimas de compaixão”, tive a felicidade de conhecer meu amigo Amyr Amiden, um sensitivo extraordinário, descendente de árabes e sujeito às experiências místicas, cuja intensidade afeta o seu coração, tal como o padre Inácio Farah. Há muitos anos eu assinalei estas semelhanças para o próprio Amyr.
Após mais de uma década, desde o nosso primeiro encontro, por ocasião de uma visita na minha casa, Amyr foi o canal de um especial fenômeno que presenciamos: o aparecimento de hóstias nas paredes de minha sala de estar. Descobrimos que uma das hóstias foi alojada num retrato do padre Inácio, tirado em Belo Horizonte, pelo meu amigo que é arquiteto ambientalista, Maurício Andrés. O retrato estava pendurado na parede de meu quarto de meditação e representava o padre Inácio, elevando uma patena durante a missa, como mostra a foto da capa deste livro. A hóstia tinha sido alojada exatamente no lugar correto, em cima da patena, como mostra a foto a seguir. Na porta do meu quarto de meditação apareceu um coração feito de óleo, divinamente perfumado.” (Texto  integrante do livro “Padre Inácio – vida , missao e curas”. Coletanea, introdução de Pierre Weil)

*Fotos de Maurício Andrés

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