sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

AMÍLCAR DE CASTRO, REPETIÇÃO E SÍNTESE

Escrevo num guardanapo no pátio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Belo Horizonte. Enquanto espero, vejo grupos de teatro interpretando histórias de BH, os tempos imemoriais da rua da Bahia, a boemia da Gruta Metrópole, as meninas olhando o bonde passar.
Lá dentro, nos salões do CCBB, maravilhosamente reformados para este espaço cultural, uma exposição histórica e cultural acontece. É a retrospectiva com mais de 500 obras, de meu amigo e grande artista Amílcar de Castro. Felizmente ainda estou aqui na Terra para ver os colegas famosos sendo visitados, estudados e pesquisados pelo público interessado em arte. Amílcar começou a estudar arte à sombra do Parque Municipal, rodeado de alunos e alunas do Mestre Guignard. Saímos juntos para exposições e, lado a lado, aprendemos a usar o lápis duro e a linha contínua.
Amílcar aproveitou as lições do mestre, desenvolveu sua própria técnica, criou uma direção nova para a escultura mineira. O ferro tornou-se arte, uma arte de síntese como ele mesmo denominou, síntese e repetição. As formas são múltiplas e crescem em dimensões diferentes, alcançando o espaço com força e coragem.
 Amílcar, na sua trajetória, conquistou um nome nacional e internacional
A escultura contemporânea requer uma equipe para sua realização. Esta equipe necessariamente deve ser de grande competência e Amílcar encontrou o caminho certo no arquiteto Allen Roscoe, seu assessor. A exposição no CCBB vem comprovar o quanto de esforço foi exigido do jovem arquiteto para que estas esculturas monumentais pudessem existir. Hoje Allen trabalha para vários artistas, inclusive artistas do Rio e São Paulo. Allen Roscoe foi também fundamental para a realização de minhas esculturas.
Amílcar costumava frequentar a Oficina 5, atelier dirigido por Thais Helt, esposa de Allen, onde ele e vários artistas podiam trabalhar em pedras litográficas. Thais preparava as pedras e cada artista se expressava a seu modo. Muitas gravuras ali realizadas por Amílcar, estão presentes nesta exposição. O atelier de Thais era um ponto de encontro de artistas e ali podíamos também conversar e trocar idéias. Nesta equipe de trabalho, acrescento a participação de Márcio Teixeira, que acreditou na potência de Amílcar e patrocinou suas esculturas, bem como a excelente curadoria de Evandro Salles.
Reproduzo aqui alguns textos do catálogo da exposição:
“Com curadoria de Evandro Salles, a exposição reúne mais de 500 obras entre pinturas, esculturas em aço, madeira, vidro e mármore, coleção inédita de projetos de esculturas e uma grande coleção de litografias, muitas delas de grandes dimensões e nunca antes vistas em exposições.”
“O mineiro Amílcar de Castro foi um dos criadores – ao lado de Lígia Clark, Lígia Pape e Hélio Oiticica, entre outros- de vertente fundamental do movimento construtivo brasileiro, o Neoconcretismo. Esse movimento configurou-se no Rio de Janeiro, no final da década de 1950 e seus principais teóricos foram os críticos Mario Pedrosa e Ferreira Gullar.”
“Amílcar foi fundamentalmente escultor, desenhista e artista gráfico. Como artista gráfico, foi autor de uma das mais importantes reformas gráficas da imprensa brasileira: a reforma do Jornal do Brasil, realizada em 1957.”
“A grande invenção escultórica de Amílcar foi seu método construtivo denominado de “corte e dobra”, que consiste em, a partir de um plano, inscrever uma forma e lançá-la ao espaço de três dimensões. (Evandro Salles)

*Fotos de arquivo

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Um comentário:

  1. que relato bacana! gostosa a leitura. obrigada, maria helena andres.

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