segunda-feira, 21 de outubro de 2019


CÉLIA LABORNE TAVARES


Célia Laborne Tavares foi companheira desde os tempos da escola Guignard. Juntas, percorríamos as alamedas do Parque Municipal, em busca da árvore certa para realizarmos o desenho a lápis duro, sugerido por Guignard.

A alegria própria da juventude nos estimulava, e cada uma se debruçava sobre o papel, horas a fio, sentadas em banquinhos, desenhando e meditando. A inclinação de Célia para a meditação deve ter vindo desses momentos felizes de aprendizado e introspecção. O caminho das artes e da espiritualidade começou no Parque, no silêncio de um papel branco, onde todas nós desenhávamos a árvore escolhida. Naquela ocasião, Célia já se inclinava para as cores transparentes das aquarelas.

Guignard descobriu nela esta tendência para a poesia das cores transparentes.

Seus desenhos da época já traduzem esta forma lírica, suave, de lidar com as artes.

Célia era também escritora. Seus textos começaram a se projetar e o lirismo da poeta se espalhou como um canto de luz sobre as montanhas. Minas é terra de grandes poetas, o ar das montanhas favorece. Poesia é a arte que nos permite atravessar o mundo e nos transporta para outras dimensões, por meio da palavra.
Ser poeta é desvendar seu próprio sonho e compartilhá-lo.

Com inspiração oriental, Célia está relançando, agora, seu livro “O quinto Lótus”, repleto de mensagens atemporais, propícias para a época atual.  Esse livro foi editado pela primeira vez, em 1972, pela imprensa oficial, quando já entrara para o jornalismo. Célia me entregou o livro para que eu fizesse as ilustrações.

Naquela ocasião eu lançava também o meu primeiro livro “Vivência e Arte” e, juntas, fizemos o lançamento de nossos livros.
A trilha das artes se unia ao despertar de um novo caminho aberto para todos nós como um deslumbramento.

O “Quinto Lótus” é a revelação desta descoberta.
A flor de lótus, símbolo da filosofia do Oriente, é uma flor pura, de rara beleza, que nasce nas águas turvas e só se abre quando encontra a luz. Seu significado é a subida do Kundalini, energia espiritual que ascende em todos os que já estão preparados.
O quinto lótus é o chacra laríngeo, que se abre quando a pessoa já está pronta para divulgar a mensagem vinda de outras esferas.

Ao longo de sua trajetória, Célia foi a grande mensageira da espiritualidade em Minas Gerais.

Seus versos e seus textos se ampliaram pelo mundo através da internet e sua mensagem é aplaudida em vários países, desde Portugal até a Rússia.

Suas palavras transmitem o lirismo da poeta que teve sua origem na Escola do Parque.
Fico lembrando os tempos da Escola Guignard e descubro um retrato de Célia pintado por mim. Guignard também a retratou.

Célia experimentou várias formas de arte e sempre me convidava a participar de suas descobertas. Além da pintura, fizemos juntas aulas de Yoga, dança e canto. Na Yoga fiquei conhecendo, através de Célia, os mestres da filosofia da Índia, entre eles Vivekananda, o primeiro a divulgar os Vedas na América.

Célia Laborne Tavares não viajou pelo mundo, mas seus versos e textos poéticos já são conhecidos e divulgados nas Américas e na Europa.

Fotos de Kelly Dabés e de arquivo

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terça-feira, 15 de outubro de 2019


BIENAL REVÊ OBRA DE MARIA HELENA ANDRÉS


Encontrei este artigo de Mari’Stella Tristão, quando ela me entrevistou em 1989, ocasião em que eu regressava a Belo Horizonte, após ter participado da Bienal de São Paulo. Este artigo nós dá uma visão histórica de como se realizaram as primeiras Bienais.

“A consagrada artista mineira Maria Helena Andrés também foi convocada a participar da Bienal de São Paulo, que se inaugura no dia 14. Sobre essa participação, conversamos com a artista. “O convite partiu do crítico Casimiro Xavier de Mendonça, coordenador da sala especial “Pintura Abstrata – Efeito Bienal – 1954/1963”. Desta sala, farão parte 22 artistas , cada um participando com duas obras que tenham sido realizadas naquele período. A seleção articula um amplo painel da pintura da época, com ênfase no abstracionismo informal”

Sobre outras salas especiais e bienais que tenha participado, Maria Helena diz: “A minha carreira como artista foi realizada em grande parte através das Bienais e Salões. Residindo em Belo Horizonte, fora do eixo Rio- São Paulo, eu buscava uma forma de crescer e me atualizar , e essa forma era estar presente com meus quadros em São Paulo de dois em dois anos. Naquele tempo os artistas participavam enviando seus quadros ao Ibirapuera para serem submetidos ao julgamento de um júri nacional e internacional. O resultado saía nos jornais. Para mim, a grande alegria era deixar um pouco a vida doméstica e viajar para São Paulo a fim de conviver com grandes artistas internacionais. Através das Bienais, fiquei conhecendo de perto obras de mestres nas retrospectivas de Picasso, Paul Klee, Chagal, Mondrian, Pollock, Kandinsky e tantos outros que a gente conhecia através dos livros. A visão do mundo como um todo ali estava. As primeiras Bienais foram realmente fonte de enriquecimento para os artistas. Abria direções mais amplas, apontando novos caminhos aos jovens que se iniciavam. Dalí surgiram no Brasil o concretismo, o neo-concretismo, o abstracionismo informal e lírico e várias outras tendências.

Maria Helena foi a artista mineira que mais vezes esteve presente às Bienais, pelo processo de seleção ou como convidada. Perguntamos à artista: na XII Bienal, você foi convidada a participar de uma retrospectiva da pintura concreta no Brasil. Fale-nos sobre essa fase da sua pintura.

“Participei do movimento concreto e considero essa fase de grande rigor técnico como uma disciplina necessária. Foi a época das “Cidades iluminadas”, que circularam pela Europa e Estados Unidos, a convite do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Meus quadros viajaram por dois anos percorrendo várias cidades. Um dia eu também senti vontade de “viajar” e daí surgiram os primeiros “barcos”, de uma longa série, ainda sob a influência do geométrico. Em 1960 , os barcos começaram a ficar mais soltos, as pinceladas mais livres e as transparências renasceram nas telas. Foi o início do abstracionismo informal. Nessa época recebi convite do consulado americano para viajar pelos Estados Unidos a fim de visitar museus e galerias, quando passei quatro meses  entre Washington e Nova York. Estudei com Theodorus Stamus, um dos grandes nomes da “action painting” e conheci vários artistas da pintura gestual americana. Considero essa viagem muito importante para a definição do meu caminho na arte. Foi lá que percebi, pela primeira vez, o relacionamento do “gestual” com o “aqui e agora” do Zen Budismo.

A pintura informal tem muito a ver com a busca interna, pois possibilita uma viagem em nosso inconsciente. No momento está existindo um retorno a esse tipo de pintura e cada vez mais a busca da espontaneidade necessária.

De novo pergunto: e por falar em retorno, o que você acha destas iniciativas da Bienal de retornar ao passado?
_ “Essa iniciativa é de grande importância histórica. Para se ter uma idéia do que foi feito, é necessário uma revisão, uma síntese das diversas tendências, a fim de se estudar, com base no passado, as manifestações que surgem. A arte moderna sempre se baseou na ruptura, na quebra de condicionamentos para se conquistar o novo. Mas essa ruptura pressupõe também uma síntese, uma reconquista dos valores do passado em termos do presente. Então é necessário um olhar para trás a fim de sentir de perto o que já foi feito. Isso ganha seriedade e sentido histórico. Agora chegou a vez de se fazer um estudo sobre o gestual, a necessidade de reconquista da espontaneidade na arte. O gestual é a manifestação direta da energia de criatividade, sem os bloqueios e condicionamentos da mente. Através da espontaneidade criativa, conquista-se também a mesma espontaneidade na vida.”

Da sala especial de pintura abstrata da Bienal 89, fazem parte dois mineiros : Maria Helena Andrés e Celso Renato de Lima, entre os mais conceituados nomes da mesma linha de arte, tais como Antônio Bandeira, Archangelo Ianelli, Ivan Serpa, Krajcberg, Iberê Camargo, Danilo di preti, Loio Persio, Tomie Otake, Sansor Flexor, Mira Shendel, Maria Leontina, Piza, Ernestina Karman e outros. (ARTIGO DE 3/10/1989 – MARI’STELLA TRISTÃO)

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 7 de outubro de 2019


EXPOSIÇÃO DE COLAGENS E SERIGRAFIAS NA GALERIA DO TEATRO DA CIDADE


No dia 5 de outubro inaugurei uma exposição de colagens e serigrafias na Galeria do Teatro da Cidade. O texto abaixo, de minha autoria foi lido logo após a exibição do filme “Maria Helena Andrés, Arte e Transcendência”.

Esta exposição é um resumo do que eu tenho produzido ultimamente.

Os quadros aqui expostos representam a minha fase atual de colagens e a reprodução de algumas delas através da serigrafia.

Aceitei o convite de 2 Pedro Paulo. Pedro Paulo Cava, que me convidou a expor na Galeria do Teatro da Cidade e Pedro Paulo Mendes, que realizou as serigrafias em São Paulo.

A eles a minha gratidão!

Agradeço a colaboração de meus filhos e a alegria de estar junto a eles e, neste momento, a vocês todos, meus amigos.

Ao longo da minha trajetória percorri vários caminhos, que muitas vezes pareciam contraditórios, mas ao longo desses 85 anos de dedicação às artes, pude observar que as fases do meu itinerário tiveram uma constante: a busca da essência, o despojamento do supérfluo e sobretudo a liberdade de expressão.

Minha arte sofreu mudanças do figurativo para o não figurativo, do construtivismo para o abstrato lírico.

Havia sempre um momento forte, de ruptura, onde as mudanças aconteciam. São pontos de mutação, ou “turning  points”. Os meus pontos de mutação coincidiram com as mutações em minha vida, já que arte e vida estão sempre unidas.

Minha arte sofreu mudanças quando realizei minha primeira viagem internacional. Percorri a sequência dos mares com os veleiros e a conquista do espaço na série cósmica.

Reduzi a pintura a uma dieta de preto e branco, seguindo sempre a necessidade de simplificação da forma.

A virada do milênio foi para mim outra grande mudança. Voltei ao construtivismo inicial, agora usando as colagens no lugar das tintas. Esta é a experiência nova, que faço no momento.

O passado construtivo me ajudou e o entusiasmo da descoberta conduziu meus passos até os dias de hoje.

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019


NÃO ESQUEÇAM MARIANA


Não esqueçam Mariana!
As perdas humanas
E as perdas ecológicas
A paisagem tranquila
Que desapareceu
Tragada pelas
Dragas insensíveis
Dragões do apocalipse
Engolindo vidas.

Não esqueçam Mariana!
É o nome da propaganda
Que mereceu um
Premio nacional.
Manuel Rolim  e  equipe
Levantaram o grito
De alerta.

Olhe bem as montanhas
Nos  disse um dia
Manfredo Souza Neto.
Olhe bem as montanhas
Ressoou na música
Alexandre Andrés.
“Triste horizonte”
Nos  disse um dia
Carlos Drumonnd de Andrade.

As vozes em conjunto
Orquestram a música
Do levante, da arte
Liderando este protesto
Coletivo e que
Se perpetua no tempo.

Jovens do mundo inteiro
Se levantam acusando
A insensibilidade dos
Mais velhos.

Não esqueçam Mariana!
Continua ressoando
Pelas montanhas
Descendo as encostas
Povoando os rios de
Minas Gerais.

Mariana e Bento Rodrigues
Não ficarão esquecidas
Porque estão sempre
Lembradas no grito
Desses jovens guerreiros
Que estão levantando
A bandeira ecológica
Acima de todos os projetos.
Não esqueçam Mariana...

Manuel Rolim
E sua equipe
Abriram fronteiras
E serão ouvidos.

*Fotos de arquivo
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domingo, 22 de setembro de 2019


RESPIRAR


Recebi de Maurício Andrés o texto abaixo, sobre a respiração.

“Respirar é um ato que todo animal ou vegetal realiza do início ao final de sua vida. Da primeira inspiração ao último suspiro, o corpo interage com a atmosfera. Mas respirar não é apenas um ato natural. A respiração consciente, os vários modos e formas de respirar, o aprender a respirar corretamente, transformam esse ato elementar num ato cultural.

Foi durante minha estadia na Índia, nos idos da década de 1970, que tomei consciência da importância cultural da respiração. Os antigos iogues desenvolveram a prática de exercícios respiratórios como forma de concentração. Essa tradição desenvolveu técnicas de controle da respiração e modos de inspirar e expirar a energia que mantém a vida e que está presente em toda a natureza, conhecida como prana.

As práticas de ioga utilizam diversas posturas (ásanas) e exercícios respiratórios (pranayamas) para aprimorar o uso do corpo. Um bom controle sobre o corpo ajuda a controlar a mente e a obter maior profundidade de percepção e conhecimento. Uma atitude básica da meditação é o focar a atenção na respiração, pois quando se observa o movimento do ar para dentro e para fora dos pulmões, deixa-se de pensar no passado ou no futuro e a atenção orienta-se para o momento presente. A consciência do ato de respirar, associada à vibração de um som como o OM (som universal) durante a expiração, acalma o pensamento e a mente. Trata-se de prática que pode ser exercitada cotidianamente nos tempos de deslocamento, nos transportes e salas de espera.

O espiritualismo da cultura indiana se ancora na matéria, vista como manifestação ou corporificação do espírito. Os fundamentos materiais dessa espiritualidade foram testados em milênios de história e deu-se muita atenção a atos elementares. Para a tradição indiana, o próprio universo é criado e extinto de acordo com o ritmo da respiração de Brahma, que, ao expirar ou inspirar, regula os ritmos universais.

Há varias formas de se respirar, cada qual com seus efeitos sobre o corpo, sobre a mente e as emoções. O exercício de ritmar a respiração voluntariamente induz ao equilíbrio físico-emocional e aumenta a capacidade de percepção sensorial e mental.

A boa respiração reduz estresse, hipertensão, depressão, relaxa, ajuda a emagrecer. Leva a um maior equilíbrio, bem-estar, flexibilidade, saúde. O estado de tranquilidade e de boa irrigação sanguínea que produz pode ser considerado uma preparação para níveis de desenvolvimento espiritual mais elevados, em que há mais percepção, mais consciência, mais harmonia na movimentação corporal e nos relacionamentos, mais segurança nas ações cotidianas, entre outras virtudes e habilidades. A maior ventilação proporcionada por uma respiração profunda pode alterar o estado corporal e de consciência. Nesse ponto, é oportuno realçar a importância da sobriedade e advertir contra abusos em exercícios respiratórios, e contra práticas como a retenção da respiração e outras manipulações perigosas para a saúde física e cerebral.

Cada atividade humana e estado de saúde se associa a uma forma de respiração. Um músico que toca um instrumento de sopro, como uma flauta, precisa ter fôlego e um controle preciso da respiração e do ar; atletas, nadadores, aqueles que desenvolvem trabalhos físicos, têm atividade respiratória e trocas de oxigênio e carbono mais intensas do que quem vive sedentariamente; a insuficiência respiratória de doentes exige aparelhos para ser compensada com a respiração artificial.

Durante a vida desaprendemos a respirar corretamente. Desenvolver a ciência e a arte de respirar faz parte de uma cultura respiratória fundamental e quase esquecida, pois toma-se esse ato apenas como um dado natural, sem refletir ou compreender sua real importância e suas variações.

Na sociedade contemporânea, além de aprender a ser, a conviver, a conhecer e a fazer, a educação corporal ou física inclui aprender a respirar, aprender a alimentar-se e a se movimentar. A educação do corpo é um fundamento básico para a educação do ser. Isso significa que a reeducação respiratória é tão importante quanto a educação dos sentidos, a tomada de consciência sobre a cultura alimentar e outras formas de educação essenciais para a vida individual e coletiva.

A civilização indiana foi a que mais se aprofundou nessas ciências e artes e que as comunicou de forma compreensível, construindo um patrimônio intangível que vem sendo revalorizado devido aos benefícios práticos que proporciona.

A pessoas de minha relação que se entediam quando não têm nada para fazer, costumo dizer:

“Respirem…”

Procuro assim valorizar esse ato vital, básico, fundamental para a vida.

Mas admito que esse fato desperta admiração ou curiosidade, especialmente entre aqueles que ainda não tomaram consciência da respiração como um ato cultural.” (Maurício Andrés Ribeiro é autor dos livros “Ecologizar” e “Tesouros da Índia”)

*Fotos da internet

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019


O EQUILÍBRIO INSTÁVEL DE PAUL KLEE


O CCBB de Belo Horizonte apresenta a exposição “Equilíbrio Instável” com mais de 100 obras de Paul Klee. Para esta mostra foram selecionados desenhos, gravuras e pinturas do artista, que poderão ser estudadas por todos nós artistas e admiradores de sua obra. Para este blog gostaria de transcrever uma página do meu livro “Os Caminhos da Arte”, no qual faço um pequeno estudo sobre Paul Klee.

Os ensinamentos de Klee despertavam no aluno a consciência de suas origens cósmicas. Levavam-no à compreensão do espaço fluido, do caos e do movimento que gerou a forma e a vida. Paul Klee, além de pintor e desenhista, foi também um grande professor e teórico de arte. “O artista, hoje, não é apenas um aparelho fotográfico sutil, ele tem mais complexidade, mais riqueza, e dispõe de maior latitude. É uma criatura sobre a Terra, e criatura no Universo: criatura sobre um astro entre os astros.”

Vislumbrando outra realidade além das dimensões terrestres, o artista atual encontra diante de si a amplidão do cosmos. Suas fronteiras ultrapassam os limites geográficos. Vivemos num astro entre os astros, sonhando com os caminhos do futuro.

Klee e Kandinsky iniciaram a nossa época como dois profetas. Ambos escreveram sobre arte, teorizaram, chegaram a reflexões filosóficas. Quando a intuição é despertada, o homem de repente se vê em diálogo com as fontes comuns dos seres humanos. Paul Klee rompeu com a realidade exterior, penetrando em mundos desconhecidos com os olhos do visionário e a sensibilidade do músico e do poeta. Sua obra contém, ao mesmo tempo, magia e intelectualismo, poesia e reflexão: a figura, reduzida ao seu traço mais simples, reflete aspectos psicológicos e afetivos: os desenhos esquemáticos são inspirados nas garatujas infantis ou na obsessão dos neuróticos. A luminosidade  é a constante nesses pequenos quadros abstratos que variam das formas orgânicas às geométricas. “As etapas principais do conjunto do trajeto criador são: o movimento preliminar em nós, o movimento ativo, operante, inclinado para a obra e, enfim, a passagem aos outros, aos espectadores, do movimento contido na obra. Pré-criação, criação e recriação.”

À luz das palavras de Klee, consideramos a arte como uma energia em movimento. Algo que, partindo do artista, de sua interioridade, evolui, movimenta-se, cresce e se exterioriza na obra de arte. Não é uma fórmula ditada de fora, subordinada a conceitos exteriores – é o despertar de uma necessidade interna que varia de pessoa para pessoa. A criatividade libera a energia propulsora que conduz o homem ao reconhecimento de si mesmo como ser humano, senhor de seus próprios pensamentos, dirigente de seus impulsos. A emoção criadora é a primeira fase da criatividade. O segundo estágio é a evolução do trabalho, sua organização, o uso dos elementos plásticos necessários para que a ideia  se concretize. O movimento é ativo, operante, visando à realização de um objeto palpável, visível ao mundo exterior e não somente situado na imaginação de uma pessoa.

A energia criadora ganha cor e formas, revestindo-se de seu aspecto material. Há um processo de comunicação, de extravasamento de ideias, emoções e sentimentos. A passagem aos outros é a comunicação do artista com o espectador. Paul Klee, artista e pensador, promoveu e ampliou o diálogo com a arte, comunicando-se por meio da palavra, da cor e da forma.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 2 de setembro de 2019


YARA TUPYNAMBÁ


Entre flashes
No meio do vozerio
De gente passando,
Entrando e saindo,
Um rosto familiar.
Revejo o tempo
Da Escola Guignard,
Quando eu era professora
E ela aluna.
O mesmo rosto ativo,
Interativo,
De quem espera do futuro
E tem certeza da vitória:
Yara Tupynambá.
Revejo Yara
Na curva da vida,
Quando as coisas
Já aconteceram e
Ainda esperam
Por acontecer.
Viagens pelo mundo
Painéis monumentais,
Tão grandes
Quanto expressivos,
Trazendo a memória
Da história de Minas
Com vigor e firmeza.
Yara é guerreira
Na arte e na vida.
Trabalha incansável
Nas telas, desenhos,
Gravuras.
Ela cuida da filha e
Dos quadros.
Hoje está
No meio do povo,
Que se aglomera
Nesta exposição.
“Trabalho é vida.
 Nunca parei de trabalhar,
É isto que me permite
Não envelhecer.”
Yara está jovem
Como aquela moça
Que conheci
Na escola Guignard.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 26 de agosto de 2019


DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA NATUREZA


 Compartilho com muita emoção o texto abaixo, escrito por Luciano Luppi e interpretado por Ivana Andrés, minha filha, durante o Ato em defesa da Amazônia, realizado no dia 25/08 na Praça do Papa em Belo Horizonte. Espero que este manifesto se espalhe pelo mundo.

“Que todos os seres existentes na face da terra, quer seja um minúsculo organismo, quer seja o maior dos mamíferos, tenham direito a viver em comunhão com o seu meio ambiente; com água pura, ar respirável e o sol como fonte de luz e calor;

Que o fogo, como instrumento de transformação, somente seja manipulado pela consciência dos que optaram sinceramente pela paz;

Que a terra seja o leito da vida, sem erosões ou obras de engenharia que deturpem a sua missão maior: servir de berço e colo aos seres todos viventes;

Que a água seja o sangue da terra e tenha o direito a expulsar de suas entranhas as impurezas que a ignorância e a estupidez  nela depositarem;

Que o manto que cobre a face do planeta seja tecido com ar puro e expandido, levando à todos os seres o sopro primeiro e último, em quantidade e qualidade suficientes para manter a vida em estado de graça e beleza;

Que a flora e a fauna tenham o direito de viver, de reproduzir e de morrer, cada um de seus representantes de acordo com o seu grão e o seu projeto de existência;

Que a razão somente seja usada para proteger a vida e distribuir riquezas entre os povos do mundo;

Sejam os homens eleitos os guardiães da natureza, e que todos os seus atos tenham a mesma força no retorno à si próprio, quer seja para o sofrimento ou para o bem estar da humanidade;

Que a Mãe Terra seja abençoada e louvada todos os dias, até os tempos que não terão fim.”

Luciano Luppi

*Fotos de Eliana Andrés e Ivana Andrés

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019


PEQUENA RETROSPECTIVA DA ATUAÇÃO DO IMHA EM ENTRE RIOS DE MINAS


No dia 14 de julho de 2019, retornamos a Entre Rios, onde estivemos várias vezes, celebrando os Festivais de Inverno e o Ponto de Cultura. Entre Rios tem, por tradição a música, desde a época do barroco.

Fazendo um pequeno retrospecto, Felipe Resende, atual Secretário de Cultura, promoveu há alguns meses atrás no Vila Lobo, a projeção do filme “Maria Helena Andrés, Arte e Transcendência”.

Naquela ocasião, Euler, como primeiro presidente do IMHA, nos trouxe a história dos festivais, cuja realização só foi possível graças aos patrocinadores, a Gerdau e a Cemig.

“Ivana e Luciano dirigiram 4 edições do festival de Inverno de Entre Rios, juntamente com o produtor Julio Varela, conseguindo manter um nível muito elevado de qualidade artística.”

Depois da fala de Felipe, 2 jovens deram o seu depoimento. Ambos são muito gratos ao IMHA, porque foi durante os festivais que foram despertados para a música.

“No Festival estudei com a Cecília Barreto. Mais tarde, no Ponto de Cultura, estudei com Kristoff Silva. Em seguida, fiz o teste e segui para a Universidade. Naquela época eu não tinha recursos para pagar a Universidade, mas obtive o meu primeiro salário no Ponto de Cultura, dando aulas para as crianças. Desta forma eu pude pagar meus estudos. Agora continuo dando aulas através da Prefeitura. Aqui estou para agradecer a todos vocês.”

Outra pessoa, a jovem Alice, não se referiu aos festivais nem ao IMHA. Sua proposta é participar do novo Mutirão, com sua experiência de poeta “aldravia”.  Após a exibição do filme, Alice me presenteou com suas publicações.

O prefeito de Entre Rios, José Walter Resende Aguiar disse que, quando assumiu o cargo, havia na sala dele, 2 quadros doados por mim na época em que Arnaldo Resende era o prefeito. Ele mandou retirar da sala dele e colocar num lugar onde todos pudessem ver.

“Hoje, como prefeito de Entre Rios, vejo que a educação é muito importante, mas a cultura muda a percepção das pessoas, ela é mais abrangente, daí a necessidade da Educação e da Cultura”

*Fotos de arquivo

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