Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
terça-feira, 23 de abril de 2019
SUITE BURLESCA DOM QUIXOTE DE LA MANCHA
A apresentação da Suíte
Burlesca Dom Quixote no Teatro da Assembléia de BH, promoveu um encontro
entusiástico entre as formas de arte – música de alto nível, desenho, teatro,
marionetes, intercalados pela interpretação do Luciano e a performance de Ivana.
A Orquestra 415 de Música Barroca é uma referência para quem gosta
de música erudita. Inaugurada em 2012, consegue se manter até hoje sem
patrocínio de leis de incentivo. Sua lei de incentivo vem de dentro, do jovem
guerreiro das artes, André Salles Coelho, flautista e diretor da Orquestra.
André vem pesquisando a música barroca há muito tempo, desde a adolescência e
agora realiza concertos com grande sucesso , buscando a integração de outras
formas de arte.
Sentada na primeira fila, pude apreciar de perto o espetáculo que
reuniu música, artes plásticas, poesia, literatura e teatro de marionetes. Dom
Quixote inspirou a criação da peça e dos desenhos realizados ao vivo.
Seus intérpretes são também quixotescos, porque não enxergam
obstáculos para realizar aquilo que
acreditam.
E, nesta atitude quixotesca vão em frente, reunindo em torno de si
a simpatia e a admiração da plateia.
Dom Quixote era uma figura inesquecível da Idade Média na Europa,
que até hoje continua sendo um símbolo para aqueles que desvendam o mundo e
ultrapassam com atrevimento, ousadia e coragem todos as dificuldades.
Abaixo transcrevo o texto de André Salles Coelho, sobre o
espetáculo e sobre a Orquestra 415:
“Dom Quixote é um espetáculo cênico-musical baseado na suíte
burlesca de Dom Quixote de G. P. Telemann e com textos originais da obra de
Miguel de Cervantes. No palco os atores Luciano Luppi e Ivana Andrés misturam
atuação, bonecos, sombras e desenhos realizados em tempo real com as músicas
executadas ao vivo pela Orquestra 415, sob a regência do maestro Eduardo
Fonseca.
Iniciar
mais um ano de temporada é sempre uma alegria enorme e um desafio severo.
Estamos caminhando para nossa quinta temporada de sucesso provando que podemos
realizar uma programação anual sem nenhum patrocínio, sem nenhuma ligação institucional,
apenas com o respaldo do público. Agora queremos ir além, com apresentações
mais ousadas. Este ano teremos vários concertos diversificados, com maestros
convidados, solistas, corais e espetáculos cênico-musicais. A Orquestra 415 de Música Barroca é hoje a
única orquestra do Brasil especializada em música barroca com instrumentos de
época (cópias fieis de instrumentos originais do período) a realizar concertos
mensais, regulares, com repertórios variados.
Os desafios de levar uma
temporada assim são imensos, já que uma orquestra tem muitas demandas e, no
nosso caso, são maiores ainda, pois tudo, instrumentos, partituras,
interpretação, formação da orquestra, é tudo muito particular, especial,
artesanal, o que exigiria muito investimento. E como não temos nenhum apoio,
temos que fazer tudo na raça, na garra".
SOBRE A ORQUESTRA 415 DE MÚSICA ANTIGA
A
Orquestra 415 de Música Antiga foi criada em 2012 com o objetivo de oferecer ao
público um espetáculo único: executar as obras dos grandes gênios barrocos de
uma maneira singular. Iniciativa pioneira em Minas Gerais, a Orquestra 415 de
Música Antiga tem como seu diferencial a utilização de instrumentos como o
traverso, a viola da gamba, o violino barroco, a flauta doce, o violoncelo
barroco, a guitarra barroca, o alaúde e a espineta. Todos réplicas dos
instrumentos utilizados nessa época. Essa particularidade e o requinte na
interpretação das músicas recriam uma sonoridade única, muito próxima àquelas
que as pessoas da época ouviam.
Em suas apresentações, a
Orquestra recria uma oportunidade bastante peculiar: ouvir uma obra barroca de
um grande compositor do período, tocada por instrumentos para os quais as
músicas foram compostas. Provocando, assim, uma experiência única e rara, como
uma viagem no tempo através de um espetáculo singular, agradável e
transcendente.”
*Fotos de Ivana Andrés e Cely
Barral
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terça-feira, 16 de abril de 2019
EXPOSIÇÃO DE WEI WEI NO CCBB
Existem
exposições que nos causam impacto. Uma delas foi a mostra “Raiz”, do artista
chinês Wei wei, no CCBB em BH. Percorrendo a exposição, pude perceber a
presença de um grande artista, que consegue expressar em suas instalações o
drama de nossa civilização. Além de ser um grande artista, Wei wei se expressa
através da palavra. Anotamos algumas de suas frases, que transcrevo abaixo.
“Os artistas
não precisam se tornar mais políticos; os artistas precisam se tornar mais
humanos”
“Se uma
nação não pode enfrentar seu passado, não tem futuro”
“Eles sabem
de muitas coisas que não deveriam saber e não sabem algumas coisas que precisam
saber.”
“A
criatividade faz parte da natureza humana. Só pode ser desaprendida.”
“Não estou
interessado em uma região específica ou uma pessoa ou uma história. Estou
muitíssimo interessado na situação global”.
“Eu não
diria que eu me tornei mais radical: eu nasci radical.”
“Uma pequena
ação vale um milhão de pensamentos.”
“Nacionalidade
e fronteiras são barreiras à nossa inteligência, à nossa imaginação e a toda
sorte de possibilidades”.
“Eu quero
que as pessoas enxerguem o seu próprio poder”.
“Os seres
humanos não dominam o universo. Somos passageiros temporários.”
Para este
artista, com quem eu me identifiquei, ofereço o poema abaixo:
Wei Wei
assume
A dor dos
oprimidos.
Fugitivos
Refugiados.
A dor
coletiva
Daqueles que
Se unem na
Mesma
energia
Buscando
Uma vida
melhor.
Atravessam
Fronteiras
E mares
E, muitas
Vezes não
Chegam
Ao seu
destino.
A dor dos
oprimidos
É expressa
Com grande
intensidade
Nas
instalações
De Wei Wei.
Artista e
ativista
Ele sabe
transmitir
Um cenário
de angústia
E morte
coletiva.
Wei Wei
Sente a dor
Desses
momentos
Cruciais da
Existência
Humana.
Sua
instalação
“Imigrantes”
é
O grande
impacto
Da mostra.
Ficamos
mudos
Diante deste
Ajuntamento
De pessoas
Que se
irmanaram
Na dor e
morrem
No caminho.
Nas águas do
Mediterrâneo
Na lama de
Brumadinho
O impacto é
o mesmo.
*Fotos de
Ivana Andrés
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segunda-feira, 8 de abril de 2019
EXPOSIÇÃO SOTURNOS NOTURNOS
Ali eles puderam se irmanar com a natureza, escutar
o canto dos pássaros, a chegada dos macaquinhos em busca de alimento.
Muitas vezes fui visitá-los em sua residência. Thais
Helt e Allen Roscoe são pessoas importantes no cenário artístico de Minas, seja
na impressão de gravuras, ou na realização de esculturas. Tanto Thais quanto
Allen, realizaram projetos de minha autoria. No momento, Thais se dedica ao seu
próprio trabalho.
A exposição “Soturnos noturnos” foi inaugurada na
Galeria Lemos de Sá, no Jardim Canadá. Senti um grande impacto quando visitei a
exposição.
É um grito de alerta para todos nós. Descreve de
forma não verbal, experiências e conflitos de toda uma região agredida em nome
do progresso. É a fuga, a travessia, o medo da morte. Para Thais Helt, dedico o
poema abaixo.
SOTURNOS NOTURNOS
O papel prensado
De preto se enrosca
Em curvas
Como montanhas
Sacrificadas.
O papel prensado
É um grito
De dor.
É a angústia
Dos oprimidos
Dos
retirantes
Dos fugitivos.
O papel
prensado
De negro
Papel japonês
É a matéria
Escolhida
Para um
Significado
De luto
E de dor.
*Fotos de Eliana Andrés e da internet
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terça-feira, 2 de abril de 2019
PAULO MENDES, ARTISTA ENGENHEIRO
Fui ver a exposição “Urbanas” de Paulo Mendes na Asa de
Papel Café& Arte.
O tema principal de suas pinturas é o aglomerado de pessoas, homens,
mulheres e crianças, o ser humano que palpita e está presente nas grandes
cidades, nos ônibus, nos cafés.Lembra um pouco Montmartre em Paris, quando os
primeiros impressionistas se encontravam para a grande aventura de renovação
das artes.Paulo faz um retorno à figura humana como principal elemento de seus
quadros. As figuras passam a ser motivação para suas composições, sempre nos
tons baixos, sem contrastes.
Elas emergem de um sonho, de uma nuvem cinza, branco, rosa...Sem contar
uma história, elas têm sua vida própria.
Paulo tem uma empresa de construção metálica, situada em Rio Acima, nas
montanhas de Minas. À sua formação técnica como engenheiro, ele soube
acrescentar a sensibilidade do artista plástico.Com grande experiência em
estruturas metálicas, tornou-se apto a construir também esculturas de aço,
tendo realizado com segurança uma obra de minha autoria para a minha casano Retiro das Pedras . A escultura foi colocada no gramado e lá está curtindo a paisagem das montanhas.
Abaixo,segue a
apresentaçãode Marília Andrés para a exposição “Metrô”, que aconteceu em 2018, também
na Asa de Papel Café & Arte:
“Paulo Mendes estreia na cena
artística de Belo Horizonte com a exposição “Metrô” que está em cartaz na
Asa de Papel Café&Arte. Autodidata, o artista, que é também construtor e
músico, apresenta pinturas em acrílica sobre papel,
revelando cenas urbanas que acontecem no interior dos metrôs. Ali se mesclam
pessoas humanas e não humanas, “os porquinhos”, no movimento dos trens que
transitam em alta velocidade.Mas, essas cenas tornam-se cada vez mais
abstratas, revelando o movimento interior que se expressa na emoção do artista.
Como ele fala em seu depoimento, a emoção
está sempre presente no seu processo criativo: “Entro em transe e pinto a
catarse. Jogo a tinta no quadro e surge uma cena explosiva”.Dessa forma, Paulo
Mendes nos mostra uma nova pintura, expressiva, vigorosa e divertida, que
revela a sua maneira de ser no mundo. (Marília Andrés Ribeiro, fevereiro de
2018) ”
Segue também um depoimento do próprio
artista, Paulo Mendes:
“Embora seja um apaixonado pela
natureza é no cotidiano urbano que encontro motivação para minhas pinturas. Em
especial nos metrôs, nas filas de supermercados e em outras situações
rotineiras encontro a matéria prima e a inspiração para meus trabalhos. São
situações diversas compostas de stress, ternura, compaixão, correria, enfim uma
profusão de sensações causadas pelas pessoas no seu dia a dia. Aquilo
que é comum revela-se extremamente rico quando visto com atenção através dos
olhos do observador. Nesse contexto, cenas banais e corriqueiras tornam-se
gigantes e extremamente cheias de significados. Em outras situações, quando
assisto a um espetáculo que envolva música e dança, também percebo o público
como um “coadjuvante”, o que o torna uma figura de grande importância na
composição daquele momento. Por isso introduzi a música e a dança nas cenas
urbanas. Sou um observador contumaz do diálogo entre o artista e o público”.
(Paulo Mendes, março de 2019)
Parabéns Paulo, por sua competência e sua feliz introdução no caminho
das artes visuais.
*Fotos de Fred Pinheiro
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segunda-feira, 1 de abril de 2019
terça-feira, 26 de março de 2019
EXPOSIÇÃO 75 ANOS DA ESCOLA GUIGNARD NA GALERIA AM
A exposição inaugurada na Galeria AM, sob curadoria
de Emmanuelle Grossi em comemoração aos 75 anos da Escola Guignard, nos fez
chegar a algumas reflexões sobre o ensino de arte deste grande mestre.
A exposição mostra logo na entrada da Galeria,
quadros de Guignard e seus primeiros alunos. Foi uma forma muito simpática de
revisitar os meus colegas e também constatar o fato de que, apesar de
recebermos os ensinamentos do mesmo mestre, cada um seguiu um caminho
diferente.
Guignard não nos marcou com o seu estilo de arte.
Isto devemos ao incentivo do mestre à criatividade de cada um.
Guignard era quase um psicólogo, para descobrir
tendências diversas.
O mestre autêntico não é aquele que julga segundo
suas inclinações e preferências, mas é aquele que, de forma desinteressada,
compreende e conduz o aluno. Ele não traz valores fixos a decretar, mas
desperta valores novos ao contato de sua presença e seu estímulo.
Além de se ocupar com o aprendizado de técnicas,
Guignard procurava despertar o aluno para toda uma filosofia de vida.
Seguindo o desdobramento da exposição, podemos
encontrar também, nos artistas atuais da mesma escola, tendências diversas.
Guignard abriu as portas da criatividade em Minas e
deixou entrar luz. Esta luz da criatividade de cada um vai nos conduzindo a novas
reflexões.
“Coisa nova!”, dizia Guignard, entusiasmado com os
rabiscos de seus alunos. Ele não dava regras fixas a seguir. Ao mesmo tempo
incentivava o lápis duro e a disciplina, como forma necessária à descoberta
interior.
Por que relaciono o ensino de Guignard com
Krishnamurti, que conheci anos mais tarde na Índia? Naquele país tive a oportunidade
de visitar várias de suas escolas. Tanto Guignard quanto Krishnamurti buscaram
dar ao discípulo uma independência criativa.
“Seja você mesmo, não se prenda a fórmulas
tradicionais”, dizia Guignard.
“Seja seu próprio mestre”, dizia Krishnamurti.
Voltando à exposição da AM Galeria de Arte, fiquei
muito feliz de estar colocada entre Guignard e Sara Ávila , tendo à minha
frente Amilcar de Castro e Franz
Weissman, todos eles colegas e amigos. As gerações mais jovens mostraram a
força de suas ideias. Independência criativa chega até os dias de hoje, numa
exposição onde o passado e o presente se impõem na distância do tempo. 75 anos
de buscas, do encontro com o novo que está dentro de cada um.
Independência criativa é enxergar além das fórmulas,
dos conceitos antiquados, das exigências externas, das pressões da moda, das
imposições vindas de fora. O caminho da independência criativa se desdobra até os
dias de hoje.
O importante no momento é seguir a intuição,
buscando cada um o seu próprio caminho.
A redescoberta do cotidiano como forma de arte, foi
apresentada por uma mesa de pães e biscoitos, onde todos os presentes tiveram a
oportunidade de fazer o seu próprio café.
Esta ideia, de trazer o cotidiano para uma Galeria
de Arte, da jovem artista Thereza Portes, nos mostra a importância de estender
a arte à vida.
*Fotos de Ivana Andrés e Marília Andrés
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segunda-feira, 18 de março de 2019
TRAMA, UMA EXPOSIÇÃO DE JOÃO DINIZ
Quando as diversas formas de arte se encontram,
acelera-se o processo de criação. Assim foi no passado, assim está sendo no
presente. Neste encontro feliz de artes plásticas, música, arquitetura e
poesia, podemos situar o múltiplo artista, artesão, poeta e arquiteto João
Diniz.
Conheci João quando ele era criança e morava no meu
condomínio no Retiro das Pedras. Sua mãe era minha companheira no Coral Domus
Áurea, cuja maestrina e orientadora de música era Ângela Pinto Coelho. João
estava sempre atento ao chamado da música e aos apelos da arquitetura.
Desconstruir música e arquitetura para reuni-las
numa só proposta, foi o chamado do interior deste poeta das artes.
A palavra antes contida em livros , desdobra-se para
o espaço e se transforma em caixas com poemas em letras vazadas. Cores e formas
continuam a se manifestar em arquiteturas, onde a marca do pintor, poeta e
escultor continua a aparecer.
A música, geradora e maestrina de todas as artes,
sintoniza sons eletrônicos e ritmos tribais.
João Diniz não para. Caminha sempre para a frente,
em ritmo acelerado, incorporando o pensamento e a emoção de forma nova,
inesperada.
João é amigo da família e vem sempre em nossa casa.
Segue abaixo um texto de Marília Andrés sobre este artista:
“A Asa de Papel Café & Arte tem o prazer de
apresentar as pesquisas do arquiteto João Diniz no campo das artes visuais com
a série Trama. Esta se desdobra em
colagens, objetos e esculturas, que se intercomunicam através do movimento experimental
inserido num processo estruturante.
Uma trama pode ser uma rede comunicante,
envolvendo o espectador/participante numa obra aberta como as Reticuláceas da artista venezuelana Gego. Pode ser um projeto
utópico, racional, estruturado, como o projeto do Monumento à Terceira Internacional do artista/arquiteto russo Vladimir
Tatlin. Mas, uma trama pode se transformar em um processo que se inicia com os
projetos bidimensionais para uma torre utópica, se desdobra nos objetos
tridimensionais de madeira e se concretiza nas esculturas de aço de João Diniz.
O depoimento do artista nos revela o significado das obras a
partir de seu pensamento:
"TRAMA são investigações através de esculturas, objetos e
colagens sobre a linha no espaço, ou a linha como vetor rígido, que em
combinações tridimensionais, propõe geometrias poliédricas gerando espaços e
volumes num diálogo com a arquitetura, a engenharia e as artes visuais.
Nessas composições, as articulações matemáticas que promovem a estabilidade das estruturas construídas se opõem à manipulação gestual e intuitiva das dimensões dos componentes, gerando resultados ao mesmo tempo racionais e orgânicos." (Depoimento de João Diniz, janeiro de 2018)
Nessas composições, as articulações matemáticas que promovem a estabilidade das estruturas construídas se opõem à manipulação gestual e intuitiva das dimensões dos componentes, gerando resultados ao mesmo tempo racionais e orgânicos." (Depoimento de João Diniz, janeiro de 2018)
Mais uma vez o artista multimídia João Diniz
nos surpreende com novas criações poéticas, no momento focalizando o trabalho
com as artes visuais."
*Fotos de Fred Pinheiro, João Diniz, Marília Andrés e Raquel Miranda.
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segunda-feira, 11 de março de 2019
PAZ E CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA NA UNIPAZ-MG
Recebi de Maurício Andrés Ribeiro, a comunicação por ele proferida durante o seminário na Unipaz-MG. Segue abaixo o tema “Paz e consciência ecológica", administrado em fevereiro de 2019 dentro do programa da formação holística de base.
O primeiro dia foi dedicado ao
conhecimento científico, trabalhando o aspecto racional e intelectual.
Num mundo com população crescente
– somos mais de 7 bilhões – com desejos e demandas crescentes de consumo, a
pressão sobre a natureza cresce e ela tende a se exaurir.
A água é uma substância essencial
para a vida e para todas as atividades humanas e foi o tema focalizado no início. Destacamos o
estresse hídrico que existe em muitas partes do mundo e do Brasil e as disputas
e conflitos crescentes por esse recurso. Como nosso corpo é composto em 70% por água,
isso facilita percebermos nossa unidade com a natureza e que somos parte
integrante dela. Nesse contexto, aplicar métodos e técnicas de resolução não
violenta de conflitos e de mediação e prevenção de conflitos é um modo de lidar
com o tema da água, que cada vez será mais valioso. Daí a importância do trabalho
da Unipaz com a ecologia integral e com a cultura de paz.
Em seguida, fizemos um exercício
de calcular a pegada ecológica individual de cada um. Ou seja, qual o espaço em
hectares necessário para sustentar o estilo de vida e os padrões de consumo de
cada aprendiz. A pegada ecológica é um
indicador de sustentabilidade que nos ajuda a tomar consciência do peso que
exercemos sobre a Terra com nossos hábitos de consumo e estilo de vida. Identificamos
quais os fatores que mais contribuem para tornar pesada a pegada ecológica –
transportes, automóvel, geração de lixo, consumo de alimentos produzidos longe
do local de consumo, gastos de energia. Cada um pode então avaliar o seu peso
ecológico e imaginar maneiras de caminhar com mais leveza. Em geral nas turmas da Unipaz e nas turmas de
aprendizes em universidades, a pegada ecológica sempre está mais pesada do que
a média brasileira e mundial. O exercício de calcular a pegada ecológica ajuda as pessoas a tomarem consciência dos
impactos que causam ao ambiente exterior.
Uma apostila foi previamente
preparada e distribuída. A turma é dividida em sete grupos de até quatro aprendizes.
Cada grupo lê um dos textos e depois o relata para o restante da turma: os
temas escolhidos para a apostila são
atualizados a cada ano em que ofereço esse seminário. Em 2019, havia textos
sobre paz e ecologia, sobre a ecologização da economia e o papel dos acionistas
engajados; sobre os modos de exercer as atitudes ecológicas no cotidiano, nos
vários papéis que cada um representa, como cidadão, consumidor, eleitor,
educador, etc. Um tema sensibilizador é o consumismo infantil, pois muitas mães
e pais convivem diariamente com essas questões. São mostrados os problemas, mas
também as respostas e boas iniciativas para lidar com o consumismo infantil,
tais como as ações do Instituto Alana e do movimento por uma infância livre de
consumismo. Foi abordada a questão de desejo e de como lidar com ele. Ao final,
frases selecionadas inspiradoras mostraram modos de atuar espiritualmente em relação ao
consumo.
A parte final desse primeiro dia
do seminário foi dedicada a uma visão mais ampla. Distanciando-se da conjuntura
do dia a dia e dos problemas imediatos, viajou-se no tempo e no espaço,
abordando a grande transição atual na perspectiva da evolução; a unidade do micro e do marco, a jornada da
humanidade desde seus primórdios até o dia de hoje, grandes cenários
prospectivos e visões sobre para onde vamos como humanidade e como espécie,
como enfrentar a grande crise da evolução que engloba todas as demais crises.”
(Depoimento de Maurício Andrés)
No dia seguinte, arte e música
trouxeram uma perspectiva complementar sobre como lidar com a paz e a
consciência ecológica tendo sido conduzido pelo grupo Voz e Poesia, formado por Luciano Luppi, Ivana Andrés e Evaldo Nogueira.
O tema foi tratado a partir da arte, da música e da poesia. As artes lidam com o emocional, com o intuitivo, com
sentimentos, caminhos poderosos para despertar a sensibilidade ecológica.
“Foi apresentado o show Cartas Poéticas, um show interativo
no formato de consultas poéticas e musicais. É um trabalho que tem sido levado
aos mais diversos públicos e que lida com a Ecologia Humana.
A ideia é simples e, ao mesmo tempo, de grande impacto
emocional. Num espaço intimista, é colocada uma mesa para uma "consulta
poética", através de cartas previamente elaboradas. Os espectadores são
convidados a participar do jogo. Então, um primeiro participante, apenas
mentalmente, elabora uma questão e escolhe uma carta do baralho. A carta
escolhida identifica uma poesia e uma música que serão interpretados pelos
artistas, ali, naquele momento, como uma suposta resposta poética para a
questão trazida pelo espectador. Ele recebe uma cópia escrita da poesia e letra
da música e retorna para o seu lugar na platéia. Outro espectador apresenta-se
e o jogo das "consultas poéticas" continua. Entre as consultas são
feitos comentários que poderão ajudar na contextualização da poesia na vida
cotidiana e profissional. O repertório propicia momentos de emoção e
valorização da vida.
Após o Cartas Poéticas, o grupo apresentou um show
focalizando o desastre/ crime ambiental das mineradoras em Minas Gerais, com
poemas de Carlos Drummond de Andrade e Ailton Krenak, entre outros.
Em seguida foi realizada uma vivência grupal que trabalhava
movimentos em duplas, visando a sinergia
entre pessoas, bem como a realização de uma poesia coletiva com o tema “Carta à
Mãe Terra”. Para finalizar, foi apresentado o poema “Os doze trabalhos”, de
Martin Shulmann, que lida com os doze signos. É um poema interativo, onde Deus
chama suas doze crianças e a cada uma delas dá um dom e uma função. Cada
participante do seminário se levantava no momento em que seu signo era chamado,
afim de receber seus dons e, de posse deles, sair pelo mundo para realizar suas
tarefas.” (Depoimento de Ivana Andrés)
*Fotos de Maurício Andrés
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quinta-feira, 7 de março de 2019
ESCOLA GUIGNARD, 75 ANOS
A Escola Guignard festejou, no dia 28 de fevereiro, 75 anos de sua
inauguração.
Recebi uma comunicação, via internet, me convidando para esta celebração
no parque municipal. Os professores e ex-alunos
subscreviam o convite com um pequeno cartaz de nosso mestre Guignard. Neste
evento eu seria homenageada.
O carinho do convite me sensibilizou. Sou muito ligada a esta Escola que
frequentei há 75 anos atrás.
Preparei-me para comparecer, mas tão logo estava
pronta para sair de casa uma chuva forte caiu sobre Belo Horizonte.
Acompanhei o evento à distância. Mandaram-me fotos. Ali, estavam muito
alunos, gente jovem, com vontade de fazer arte. As fotos são lindas, parecem
pinturas de Renoir. Jovens com pranchetas estavam sentados no gramado
desenhando o ambiente poético do parque, exatamente como fazíamos há 75 anos
atrás. No momento, os alunos seguem a orientação do professor Gouveia.
Um toque saudoso na minha memória me fez recordar o meu tempo de
estudante, quando Guignard iniciou aquele curso moderno rompendo o ensino
acadêmico de Belo Horizonte. Guignard promoveu a ruptura do academicismo que se
instalara em Minas Gerais. Fomos pioneiros de novas ideias e de uma nova arte.
Ali, debaixo de árvores frondosas, a sombra de bambuzais, nós nos dispúnhamos a
buscar dentro de nós mesmos uma recriação
da natureza. O mestre estava ali para nos incentivar. Jogava uma pedra
no lago para observarmos os círculos que ali se formavam, mandava os alunos
observarem as nuvens no céu, as árvores e as raízes retorcidas. Os alunos
observavam a natureza e desenhavam com
lápis 6H. O lápis duro não possibilitava o uso da borracha e os alunos ficavam
atentos aos detalhes da natureza. No silêncio, eles também descobriam a própria
natureza interna.
Mas, voltemos ao evento no parque. Estamos em 2019 e não em 1944.. Achei
a ideia de voltar ao parque uma iniciativa sensacional porque possibilita um
diálogo com o passado.
De longe, desejo sucesso para todos os alunos e professores. Seguir o
caminho da arte é benéfico, porque desperta o que temos de melhor dentro de
nós. Que este seja o caminho de vocês, alunos iniciantes em arte.
Meus agradecimentos aos professores e ex-alunos da Escola que me
convidaram e a todos aqueles que dão continuidade à nossa Escola Guignard.
*Fotos da internet
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