domingo, 18 de maio de 2014


REALIDADE E SONHO

 A França, desde o século XIX tornou-se o principal centro das artes e a maioria dos movimentos artísticos do modernismo teve início em Paris e ali se desenvolveu. Contra a arte decadente e imitativa das academias de Belas Artes, começaram a germinar na França as primeiras ideias revolucionárias. Dali surgiu o movimento moderno de renovação. Foi na primavera de 1874 que jovens pintores hoje considerados mestres, tais como Renoir, Monet, Pizarro, Sisley, Degas, Cézanne, inauguraram em Paris a primeira exposição de arte moderna. A denominação impressionista dada pejorativamente ao grupo por um crítico mais exaltado foi adotada.
Hoje em Montmartre os turistas se aglomeram entre mesinhas, cavaletes e tintas. Querem ver os artistas pintando. Atualmente, quase todos são acadêmicos, atendendo ao gosto dos clientes, em contraste com os primeiros modernistas, que se reuniam naquele mesmo local e que romperam com as normas do passado para trazer o novo, o criativo. Sofrendo a incompreensão da crítica, passavam fome, não vendiam seus quadros, recusavam condecorações.
Hoje, suas telas são disputadas por preços astronômicos, pertencem aos grandes colecionadores e fazem parte do acervo dos melhores museus do mundo.
Van Gogh morreu pobre, era sustentado pelo irmão, nunca vendeu um só quadro. Hoje, suas telas valem milhões de dólares. O mercado de arte num plano internacional tornou-se uma bolsa de valores.
 Os intermediários disputam entre si o privilégio de vendas, daqueles que muitas vezes sofreram privações para realizar suas obras.
Guignard foi um deles. Viveu de forma simples, morreu pobre. Dava os quadros de graça para os amigos, era generoso também em seus ensinamentos. Não guardava segredo de nada. Pintava na frente de seus alunos, para que eles aprendessem a sua maneira de pintar, mas não exigia seguidores. Respeitava as tendências individuais dos jovens. Era admirado por intelectuais.  Viveu numa época em que os artistas plásticos tinham a liberdade de criar dos poetas e por isso mesmo Guignard foi um poeta das cores. Pintava livremente como cantam os pássaros celebrando a beleza dos céus de Minas, das ruas e montanhas de Ouro Preto.
Cecília Meireles em seu artigo “Estrela Breve” registra de forma sensível a trajetória de Guignard e sua morte repentina, no momento em que poderia desfrutar de uma vida mais confortável. Num domingo, ela recebeu a notícia de que Guignard seria finalmente amparado por uma Fundação, teria casa própria, automóvel, motorista e segurança para trabalhar. “Com a Fundação Guignard tinham acabado aquelas incertezas que afligiram o artista ao longo de sua existência”.
Em seu livro, continua Cecília: “No Domingo, refletíamos sobre o mistério da vida: um homem passa a maior parte da existência em sofrimento, abandono, miséria. De repente, brilha sobre ele uma nova estrela e tudo muda. No domingo, despedimo-nos contentes porque uma estrela bondosa viera iluminar o destino por tanto tempo melancólico do pintor Guignard. Na segunda feira, veio a noticia de que o grande pintor morrera.”
 Isso nos faz refletir sobre a condição da arte e dos artistas. A mesma história se repete ao longo dos tempos.
Na sociedade capitalista em que vivemos tudo vira mercadoria.
Esta visão imediatista e consumista muitas vezes constitui um embaraço para pesquisas históricas que poderiam ser feitas em torno daquele artista.
Esquece-se que uma obra de arte autêntica nascida de um contato direto com o ser interno do artista merece ser divulgada, conhecida e estudada.
O valor de um trabalho artístico, suas qualidades expressivas, não se limita a números e cifrões, mas atinge um espaço que lhe assegura realmente a permanência no tempo e sua equiparação com as demais artes.
Este espaço, fora do circuito mercadológico , os artistas conseguiram alcançar em vida e é justo que eles possam servir de exemplo para outros.

*Fotos da internet
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domingo, 4 de maio de 2014


ABRACE A SERRA DA MOEDA

Este convite é uma mensagem incisiva feita pelos moradores das montanhas.
Famílias inteiras, jovens, idosos, crianças, cada um levando uma bandeira branca, subiram o morro em procissão no dia 21 de abril, dia consagrado a Tiradentes, herói da Inconfidência.
A mensagem de paz foi levada até o topo da montanha, na proclamação de uma nova Inconfidência, a inconfidência ecológica.
Levar este abraço a todas as terras castigadas pela insensibilidade dos seres humanos, é o que desejamos neste dia 21 de abril, segunda-feira,  2014.
Daqui a alguns anos este clamor chegará aos ouvidos dos nossos netos e bisnetos, todos aqueles que sobreviverão à destruição acelerada de Minas Gerais.
“Minério não dá duas safras” foram as palavras de um antigo político de Minas Gerais atestando para o que viria a acontecer anos após.
Sim, a zona metalúrgica de Minas está sofrendo, o desgaste é galopante e é ingente que se escute este alerta.
Minas está morrendo...
Viajei para Brasília recentemente.
Sentei-me  junto à janela do avião e fui apreciando as plantações em torno da cidade de Brasília, todas organizadas em cores diferentes obedecendo as formas geométricas – círculos coloridos lá em baixo, círculos repetidos a perder de vista, um verdadeiro tapete de cores – ali as plantações celebram a festa da natureza, e na próxima safra as cores serão diferentes.
Procurei no “Google” informações mais detalhadas sobre estas plantações que se assemelham aos “ Crop Circles”, lá da Europa...
As terras do Planalto Central são férteis e agradecem esta ordem das fazendas. Na volta olhei para nossas Terras de Minas.
O avião foi se aproximando de Belo Horizonte e ao invés de círculos coloridos, vi crateras, escavações, sepultando para sempre a beleza da vegetação.
Na sua destruição sem nenhuma reconstrução as Terras de Minas parecem dizer: Aqui, em épocas remotas, existia uma montanha linda, um riacho, uma nascente.
É urgente que se faça um planejamento tendo em vista a sustentabilidade. É possível defender as montanhas que ainda restam, colocando-as como Monumentos.
O Monumento Natural tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.
Algumas montanhas rodeiam monumentos históricos como a Serra da Piedade ou os Profetas de Congonhas.
Além da beleza natural, Minas foi considerada como a caixa d’água do Brasil, em especial a caixa d’água do sudeste brasileiro que já está também ameaçado pela avidez dos seres humanos.
Acabar com as nascentes de Minas, com os riachos e rios de nosso estado é afetar também o Brasil como um todo.
Nosso século está sendo muito egoísta para com as gerações futuras, desconhecendo por completo que elas também têm direito à sobrevivência.
O abraço na Serra da Moeda significou uma tomada de consciência.
Muitas pessoas ali presentes tiveram o privilégio de beber água pura, vinda das nascentes naturais.
É preciso lembrar que a exploração do ferro, necessária ao progresso, não é tão importante quanto a água que é essencial à vida.
O abraço à Serra da Moeda se estendia para todas as outras serras e nascentes.

A caminhada foi emocionante. Os helicópteros sobrevoavam a região registrando a manifestação pacífica, onde crianças, adultos e idosos, caminhavam juntos com bandeiras brancas. Havia uma mensagem de paz que se elevava aos céus, em prece coletiva pela preservação dos rios das nascentes, das matas, dos animais rupestres e das flores dos campos.

*Fotos de Maurício Andrés

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

domingo, 13 de abril de 2014


VALOS, FLORESTAS LINEARES

Na fazenda de nossa família em Entre Rios de Minas, eu sempre ficava intrigada com os buracos que, como trincheiras,  circundavam as áreas de terra. Um dia perguntei ao Euler, que mora na fazenda há muitos anos, o por que daquelas trincheiras. “São valos, cavados pelos antigos moradores dessas terras”. Segue abaixo um artigo do Euler sobre os valos:

“ Construídos no século XVIII, os valos são trincheiras de 1,5 a 2 metros de profundidade  e largura, circundadas por árvores nas duas bordas. Junto com os muros de pedra e as cercas de madeira, também chamadas tapumes, constituíam as técnicas difundidas no Brasil colonial para delimitação de propriedades, separação de pastos e plantações. A vantagem evidente dos valos é a economia material: não requerem nenhum recurso a não ser a mão de obra para a retirada de terra.
Essa trincheira rural ainda separa no tempo as eras pré e pós revolução industrial. Claro que o arame farpado produzido na Inglaterra demorou mais de cem anos para se tornar popular no interior do Brasil. Enquanto isso, durante todo o século dezenove ainda se construíam valos, muros de pedra e tapumes. Esses últimos se popularizaram no semiárido com o uso do angico e da aroeira do sertão, madeiras de alta durabilidade: toneladas e mais toneladas de árvores foram derrubadas para que se cercassem os vizinhos, as vacas, as cabras, os jegues, os porcos e as galinhas.
No sudeste, os valos ainda permanecem nas regiões que foram ocupadas após a corrida do ouro do século dezoito: arredores de Ouro Preto, Mariana, São João del-Rey, Sabará e Caeté. Quem viaja pela região pode ver na paisagem linhas de árvores que sobem e descem os morros, quebrando a monotonia das pastagens de braquiária.
Meu avô plantava café na mata e nos valos. O café sombreado não produzia muito, mas tampouco demandava custosas adubações ou muitos tratos culturais. A sombra protege da geada, as folhas das árvores e gravetos em constante decomposição reciclam o solo e contribuem para sua estrutura porosa, sua umidade permanente e sua vida diversificada em fungos, bactérias, minhocas e milhares de outros pequenos seres – um verdadeiro conforto para a planta que costuma resultar em vida longa e produção continuada. Pés de café com mais de 100 anos ainda são produtivos nos quintais antigos das fazendas mineiras, nas bordas dos valos e das matas.
Nesse tempo em que se desconheciam a especialização e a economia de escala, a biodiversidade da produção era obrigatória. O manejo da matéria orgânica e a convivência harmônica com as matas naturais produziam um equilíbrio do solo que se refletia não na produção máxima por área (sofisma atual, que não leva em conta o custo real da energia não renovável embutida nos insumos químicos), mas na produção ótima, diversificada, econômica e permanente. Era motivo de orgulho dizer que numa propriedade se comprava apenas sal e querosene.
Em tempos de condomínios fechados, a versão monocultural do valo é a cerca viva de sansão do campo. Plantadas com espaçamento de vinte centímetros, as cercas vivas formam muros vivos e espinhentos que, embora não configurem abrigos para animais, têm a função principal de cercar a espécie humana. A diferença é que os valos evitam que os animais fujam, enquanto a cerca viva quer evitar, com a ajuda da escolta armada e das câmeras de segurança, que os humanos entrem.
Um ditado antigo diz que um cachorro vive dois tapumes, um cavalo vive três cachorros e um homem vive três cavalos. Talvez em razão da longevidade a perder de vista das nossas trincheiras de biodiversidade, o ditado não tenha sabido precisar quantos homens vive um valo.” (Euler Andrés Ribeiro, resumido da revista “Piseagrama”)

*Fotos de Euler Andrés Ribeiro e da internet

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terça-feira, 1 de abril de 2014


O IMPACTO DO SER HUMANO NA EVOLUÇÃO DO PLANETA

Recebi de Maurício Andrés o texto abaixo, que considero importantíssimo para a conscientização dos problemas atuais do nosso planeta.
“A partir da segunda metade do século XX, com a revolução da informática e do conhecimento, a espécie humana ampliou sua capacidade de transformar a paisagem do planeta Terra e a biodiversidade.
Como o ser humano tornou-se um agente que influi no curso da evolução, as características do planeta que o hospeda são crescentemente influenciadas por sua consciência, por seu conhecimento, bem como pelas atitudes e comportamentos que adota individual ou coletivamente.
A espécie humana, por meio de sua cultura, ciência e tecnologia, é capaz de influir sobre o rumo da evolução, ao modificar geneticamente espécies existentes, num processo de seleção artificial. Uma pequena parte dos sete bilhões de seres humanos, com maior ciência e consciência, sabe que hoje ocorre uma grande extinção de espécies vivas; sabe que as atividades de nossa espécie são uma das causas dessas transformações e que elas afetam mais duramente alguns segmentos da sociedade do que outros; sabe que é possível influir no rumo da evolução. Nas grandes extinções anteriores não se colocavam questões éticas ou políticas, pois na natureza não existe o sentido do bem e do mal. No contexto atual, essas questões éticas fazem sentido, pois a humanidade é a única entre as espécies que dispõe da ética como um fator de seleção.
Postura ética e política diante dessa crise exige a aplicação de valores tais como o da harmonia e da não violência. A ética política busca a liberdade e o bem viver para todos ao evitar a guerra, a violência, as relações indesejáveis, negativas, antagônicas e desarmônicas como a predação, o parasitismo e a defesa de privilégios, o escravagismo, as dominações social e politicamente injustas.
O ambientalista José Lutzenberger utilizou linguagem poética para alertar que
"Só o cego intelectual, o imediatista, não se maravilha diante desta multiesplendorosa sinfonia, não se dá conta de que toda agressão a ela é uma agressão a nós mesmos, pois dela somos apenas parte. A contemplação do inimaginavelmente longo espaço de tempo que foi necessário para a elaboração da partitura e o que resta de tempo pela frente para um desdobramento ainda maior do espetáculo até que se apague o Sol só pode levar ao êxtase e à humildade. Assim, o grande Albert Schweitzer enunciou como princípio básico de Ética 'o princípio fundamental‘ da reverência pela Vida em todas as suas formas e manifestações'! Se há um pecado grave, esse é frear a Vida em seu desdobramento, eliminar espécies irremediavelmente, arrasar paisagens, matar oceanos" (LUTZENBERGER, 1970, p. 85).
O ser humano interfere sobre o curso da evolução biológica e cultural no planeta. Isso poderá, num cenário pessimista, levar ao autoextermínio da espécie; num cenário mediano, a uma degradação crescente; e num cenário otimista, pode levar ao aprimoramento do próprio processo evolutivo e do ambiente em que vivemos.
O futuro do ser humano está em jogo. Não sabemos que tipo de ambiente, de climas e que espécies emergirão ao final da atual mudança de era. É uma incógnita se emergiremos ao final desse processo como uma espécie aprimorada ou se nos extinguiremos, juntamente com outros milhares de espécies, incapazes de se adaptarem às novas condições ambientais.
Nossa espécie de seres em transição tanto pode ser incapaz de se adaptar às novas condições climáticas e ambientais e  sucumbir, como pode adaptar-se a elas, evoluir para uma nova espécie com outra consciência e outro comportamento, saindo melhorada e amadurecida ao final dessa época turbulenta. Por meio de novos instrumentos e ferramentas, pode expandir sua capacidade mental. Por meio de valores aprimorados, melhorar a qualidade de suas atitudes e comportamentos. Pode passar, conscientemente, a produzir o ambiente e o clima, tornando-se efetivamente indutora da evolução.” (Maurício Andrés,  trecho do livro Meio Ambiente & Evolução Humana, Editora Senac, Sao Paulo 2013, pgs 48 e 49.)

·        Ilustrações de Maria Helena Andrés


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sexta-feira, 14 de março de 2014


GUARDIÃO DAS MONTANHAS

O quadro intitulado Guardião das Montanhas, pintado no Retiro das
Pedras em 1976, tem uma história, o seu título foi movido por uma
necessidade interior, que só hoje consigo interpretar: preservar,
defender e guardar a natureza dessa região privilegiada de Minas
Gerais. O "Guardião das Montanhas" está no limite entre o figurativo e
o abstrato, entre a terra e o céu. Embaixo as montanhas, bem
figurativas e riscando o céu incisivamente o gestual direto e firme do
guardião. Na vida real o guardião não é visível aos olhos, mas ele
existe. Existe e vai funcionar no tempo certo, quando a terra for
destruída pela ambição dos homens. A natureza parece serena e o sol se
levanta e se põe seguindo seu ciclo natural. Dizem que essa região foi
mar antigamente e da minha janela eu fico pensando: quantos anos se
passaram desde a formação dessas terras? Milhares de auroras e
poentes, milhares de plantas, de animais raros que se extinguiram.
Os homens vieram num passado recente, muito depois da formação da
paisagem. De acordo com os índios guaranis os homens vieram ao mundo e
receberam o dom da palavra para revelar aos outros seres humanos que
viemos da natureza e somos parte dela. Somos parte da natureza e parte
do universo.
Na Índia o Baghavad Gita nos diz: viemos de uma Essência e a ela vamos
retornar, todos nós, homens, animais e plantas.
O pensamento de retorno à Essência é o mesmo em todas as tradições.
Esse retorno pressupõe respeito e reverência pelo que já existe e se
formou naturalmente. As pedras existem e não foram plantadas, nem
cultivadas, sua formação espontânea seguiu o ritmo da criação da Terra
e remete a milênios. As pedras assistiram a história de Minas com a
chegada dos bandeirantes movidos sempre pela ambição das riquezas.
Pedras reluzentes, esmeraldas e brilhantes tiveram também uma história
a nos contar, de perdas e ganhos, de morte e ostentação, de viagens
pelos mares a caminho da corte. A ambição das riquezas movimentou e
povoou as cidades mineiras, construídas ao longo das montanhas,
seguindo o ritmo das lavras. Diamantina teve sua história de luxo e
poder, Vila Rica guardou por muito tempo seu título de capital das
Minas.
A história de Minas Gerais traz a memória dos exploradores da terra,
que para as montanhas traziam também a cultura de além-mar. Arquitetos
e artistas construíram as cidades que hoje são parte do nosso
patrimônio. Houve luta, injustiça e morte durante o processo lento da
exploração das pedras e do ouro, mas em compensação um legado
artístico nos foi deixado. Essas duas fases de exploração de Minas
Gerais já fazem parte do nosso passado. No momento assistimos a uma
terceira fase da exploração de Minas Gerais, a fase do Ferro.
Estamos na era da velocidade. A tecnologia moderna possibilitou o
acesso rápido a todos os empreendimentos. A devastação da natureza que
se processou lentamente nos séculos anteriores, hoje alcança uma
velocidade assustadora. Há máquinas que sugam o solo, penetram as
profundezas da terra em busca do minério mais procurado hoje em dia, o
ferro.
SOS Planeta Terra! É necessário que haja um desenvolvimento
sustentável nas áreas exploradas pelas mineradoras.
No 2º Festival de Inverno de Entre Rios de Minas, crianças da cidade
se manifestaram de uma forma surpreendente, conscientizando os adultos
da sua responsabilidade. Transcrevo um pequeno texto surgido
espontaneamente durante oficina de Literatura de Cordel:
Queremos viver
Queremos cantar
Queremos aprender
O verde preservar
É importante lembrar que a Serra da Calçada, onde estão situados
vários condomínios residenciais próximos a Belo Horizonte, faz parte
da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco como uma reserva da
Biosfera. Nesta região existem plantas e animais raros, que só podem
sobreviver nos campos rupestres. Com a derrubadas das árvores para
sondagem do solo, os animais desorientados começam a invadir os
condomínios vizinhos. Qual seria a forma de atuar nessas áreas
preservadas? Qual o caminho que podemos escolher para preservação
dessa natureza privilegiada?
Às vezes fico pensando o que seria do Pão do Açúcar e do Corcovado se
ali existisse minério de Ferro. O Cristo redentor, considerado hoje
como a 3ª maravilha do mundo moderno, não teria conseguido este grande
prêmio. O Cristo não está sozinho, pertence a uma paisagem de
montanhas que fazem do Rio de Janeiro a Cidade Maravilhosa.

*Fotos de Euler Andrés

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sábado, 1 de março de 2014


OLHE BEM AS MONTANHAS

 Cantor, violonista, flautista, compositor e arranjador, o músico Alexandre Andrés vem sendo reconhecido como um dos artistas mais promissores da nova geração em Minas Gerais. Alexandre Andrés vem desenvolvendo um trabalho criativo intenso, tanto na música instrumental quanto no terreno das canções, feitas em parceria com o letrista mineiro Bernardo Maranhão e registradas nos dois primeiros CD de Alexandre, “Agualuz” (2009) e Macaxeira Fields (2012). Para esse show no Teatro SESC Palladium, Alexandre lançou seu terceiro álbum autoral, intitulado "Olhe bem as montanhas" que contará com um repertório que mescla canções e obras instrumentais. O CD foi gravado em dezembro de 2013, contando com a participação, além de Alexandre, dos músicos Rafael Martini, Trigo Santana e Adriano Goyatá e do renomado engenheiro de som, Chico Neves. 

Quando Alexandre nasceu, eu me encontrava na Índia, com um pequeno grupo de brasileiros. Havíamos visitado o ashram de Ramana Maharishi, situado no sul da Índia, junto à montanha de Arunachala.  Arunachala é considerada montanha sagrada, onde o deus Shiva apareceu em forma de uma coluna de luz. Há cânticos devocionais em torno desta montanha, as pessoas vêm de longe para reverenciá-la. Na despedida do ashram viemos cantando Arunachala Shiva Shiva, até que ela sumisse na curva da estrada. Foi quando me surpreendi cantando “Alexandre, Shiva, Shiva”.
Meu neto, Alexandre Andrés, naquele momento, nascia no Brasil. Hoje, este mesmo neto já tem 23 anos, é um músico conhecido no Brasil e no exterior, já percorreu o mundo, já esteve em Nova York, produziu vários Cds e o último, Macaxeira Fields, conquistou recentemente o prêmio de melhor música brasileira, concedido por um grupo de críticos e jornalistas do Japão.
O CD Macaxeira Fields foi editado no Japão e este próximo, que está sendo lançado em Belo Horizonte, também seguirá para o Japão.
No momento, Alexandre está prestando homenagem às nossas montanhas. “Olhe bem as montanhas” foi o título escolhido por Alexandre para este novo CD. Lembro-me de Manfredo Souza Neto e seus adesivos que, colocados nos carros, percorriam a cidade. Agora a música de Alexandre homenageia as montanhas.
A música, de todas as artes, é a que mais toca a sensibilidade das pessoas. Através da música, penetramos na floresta Amazônica, sentimos a unidade do planeta, tomamos consciência de que estamos morando num lugar privilegiado, cercado de montanhas. Alexandre e sua equipe de jovens artistas está tocando para as montanhas, para que elas sejam consideradas sagradas como a montanha de Arunachala, na Índia, e não como uma fonte de lucros materiais.
Que a música abra a nossa consciência para esta ligação que temos com a terra, com as águas, as montanhas e os céus de Minas.

Lembro aqui as palavras de um grande índio, o Chefe Seattle:
“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.”
“Olhe bem as montanhas” vai percorrer o mundo com a sua mensagem de paz.

*Fotos de arquivo, de Maria Helena Andrés e da internet

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014


RAÍZES ECOLÓGICAS DAS MANIFESTAÇÕES SOCIAIS

O artigo abaixo é uma resenha de um artigo maior de Maurício Andrés (*),  publicado no caderno “Pensar” do jornal Estado de Minas em 1-2-2014.

Entre 2006 e 2013 ocorreram 843 protestos pelo mundo, em 87 países, na esteira dos desdobramentos da crise econômica e financeira global. Em 2012 e 2013 houve protestos no Brasil, na Turquia, no Egito, na Tunísia bem como revoltas na Espanha, Grécia, França, Estados Unidos.
Moisés Naim escreveu que os protestos na Tunísia, Chile, Turquia e Brasil revelam seis aspectos surpreendentemente semelhantes: pequenos incidentes se tornam grandes, os governos reagem mal aos movimentos, não há líderes ou cadeia de comando, não há ninguém nem grupo específico com quem negociar ou a quem prender, e é impossível prever conseqüências.Naim citou a observação de Samuel Huntington, segundo a qual, nos países em desenvolvimento, as demandas por serviços públicos crescem mais rápido do que a capacidade dos governos para satisfazê-las.
A radicalização e a polarização tornam-se métodos para se fazer ouvir, para se fazer enxergar, exigir cuidado, obter atenção.
Demanda-se mais transparência, mais justiça econômica e melhoria nos serviços públicos; mais justiça fiscal, mais trabalho e emprego, mais moradia. Demanda-se também mais liberdade de expressão, mais justiça ambiental e mais direitos para grupos indígenas, étnicos, das mulheres, de minorias como as LGBT, de imigrantes, de população carcerária. Reclama-se a reforma da previdência, pela reforma agrária e por outras reformas.
Os protestos de 2013 mostraram que há crise de representação política tanto em governos autoritários como na democracia representativa, que estaria falida. Muitas pessoas em vários países do mundo não se sentem mais representadas nem pelos representantes eleitos, nem pelos partidos políticos existentes. Os manifestantes perderam a esperança e a confiança na democracia representativa e nas instituições democráticas do modo como atuam. Há a percepção crescente de que os políticos não priorizam as demandas da população; há  frustração com a política usual. Protestou-se em toda parte contra a falta de democracia real, que impede que as demandas econômicas e sociais sejam atendidas.
Aos motivos mais visíveis e manifestados expressamente das insatisfações sociais é oportuno explicitar que em sua origem, muitas remontam a fatores ambientais e climáticos.
De acordo com Jared Diamond , em seu livro “Colapso”, o encadeamento de problemas que leva ao colapso começa com a sobrecarga no ambiente, o esgotamento de recursos e da capacidade de suporte, mudanças climáticas, tensão social, empobrecimento econômico, conflitos políticos e finalmente o colapso. A escassez e encarecimento dos alimentos, por exemplo, frequentemente têm origem em secas e eventos climáticos extremos, que tendem a se tornar mais intensos e frequentes. Muitas sociedades estão se tornando incapazes de relacionar-se, de modo duradouro, com a base física natural na qual vivem.Tal incapacidade depreda recursos naturais,  empobrece a base de riqueza natural, o que, por sua vez, resulta no empobrecimento econômico e no acirramento de conflitos políticos e sociais. Esses processos desagregadores provocam a decadência e o colapso. A cegueira e a surdez dos governantes decorre em boa medida da falta da compreensão sobre esses encadeamentos de problemas. A ecoalfabetização pode, portanto, ser um modo eficaz de reduzir esse déficit de entendimento.
Procurar compreender as raízes ecológicas profundas das insatisfações sociais, situá-las como sinais e sintomas de uma crise maior no contexto da evolução social e política da humanidade, pode ser valioso para  se participar ativamente ou como observadores conscientes nesses processos que se desenvolvem em nosso tempo.”

(*) Escritor, autor dos livros Ecologizar, Tesouros da Índia e Meio Ambiente & Evolução humana. www.ecologizar.com.brecologizar@gmail.com

*Fotos da internet

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domingo, 2 de fevereiro de 2014


DUAS MONTANHAS SAGRADAS

Machapuchre constitui um dos pontos mais altos dos Himalaias. Esse nome me fez lembrar Machu-Picchu no Peru.
Grande parte da população do Nepal mora em aldeias e trabalha no campo, onde planta trigo, mostarda, couve-flor e milho. As plantas estendem-se pelo vale ou vão subindo as montanhas em patamares verdes. Também os patamares assemelham-se ao sistema inca de agricultura no Peru.
 No passado, antes da submersão da Atlântida, as terras do Oriente e do Ocidente eram unidas, e, talvez venha daí a semelhança dessas palavras referentes às montanhas. Os símbolos eram também semelhantes e muitas vezes tinham o mesmo significado. Existem esculturas de serpentes           representando a energia de Kundalini, que podem ser encontradas na região dos Himalaias e também na Cordilheira dos Andes. As mandalas tibetanas irradiam a mesma energia da grande pedra do sol do calendário asteca e os símbolos fálicos são também comuns nessas duas regiões do planeta. A semelhança de comportamento, o aspecto físico, o modo de andar dos habitantes das montanhas, o uso das mãos no artesanato, os grandes xales onde as mães carregam os filhos às costas, nos dão testemunho de que o mundo é realmente uma única família. Não existe separatividade entre Norte e Sul, Leste e Oeste. O mesmo sol ergue-se sobre a terra, mas, quando nasce no Oriente está morrendo no Ocidente, para depois, ali renascer de novo, com toda a solenidade de um momento cósmico.

*Fotos da internet

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sábado, 18 de janeiro de 2014


ECOLOGIZAR, O VERBO DA VEZ

Recebi de Maurício Andrés o texto sobre ecologia, que transcrevo abaixo:

O antropólogo,sociólogo e filósofo das ciências francês Bruno Latour deu uma entrevista (O Globo, 28-12-2013), na qual falou que ‘ecologizar’ é o verbo da vez: “Ecologizar é dizer: já que, de fato, não separamos questões de natureza e de política, já que a História recente dos humanos na Terra foi o embaraçamento cada vez mais importante das questões de natureza e de sociedade, se é isso que fazemos na prática, então que construamos a política que lhe corresponda em vez de fazer de conta que há uma história subterrânea, aquela das associações, e uma história oficial, que é a de emancipação dos limites da natureza. Ecologizar é um verbo como modernizar, exceto que se trata da prática e não somente da teoria. É preciso inovar, descobrir novas formas, e isso se parece com a modernização. Mas é uma modernização que aceita seu passado. E o passado foi uma mistura cada vez mais intensa entre os produtos químicos, as florestas, os peixes, etc. Isso é “ecologizar”. É a instituição da prática e não da teoria.”
Até 2007, esse verbo ainda não existia em dicionários em português, mas existia em castelhano. Em 2007, ele foi incluído na enciclopédia global Wikipédia, depois de um período de debates sobre a pertinência de inclui-lo.  Ver link http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologizar. Em outubro de 2007, a pesquisa do termo ecologizar no Google apresentava 9.670 registros. Em abril de 2009 havia 20.500 registros e em janeiro de 2014, 22.200 registros em português. Em francês, para o verbo ecologiser, havia 9.970 resultados.
Definições do verbo ecologizar podem ser encontradas em alguns dicionários, porém de modo ainda rudimentar. No Aulete, é definido como “Conscientizar para a importância dos princípios ecológicos”. Tal definição ressalta o aspecto da consciência, mas não o de sua aplicação prática.
Uma professora da cidade de Salta, na Argentina, fez um dicionário de verbos. Meninas de 9 a 12 anos foram convidadas a defini-lo e ilustrá-lo. Um dos que elas definiram foi o verbo Ecologizar. As definições dadas pelas crianças argentinas refletem com clareza a variedade de concepções. Elas focalizam o mundo animal e vegetal; relacionam o ser humano com o ambiente; chamam a atenção para a responsabilidade humana por cuidar da Terra e do ambiente. Uma delas expressou as ameaças relacionadas com os desequilíbrios ecológicos e climáticos (Pensar que no futuro não existiremos); outra mostrou a importância da consciência ecológica (Usar a cabeça para proteger o meio ambiente); outra, ainda, chamou a atenção para a unidade entre o ser humano e o mundo, cujos destinos se entrelaçam (Pensar que se algo ocorre com a Terra, também acontecerá com o homem); outra enfatizou a importância de conhecer o aspecto original da ecologia, que relaciona bichos e plantas com seu ambiente (Inventar uma “plantologia” e uma “animalogia”); a relevância da ação humana (Fazer de nosso mundo um lugar melhor). Outras definições apontaram o poder do sentimento, do amor, do afeto, do cuidado com o planeta (Sentir o meio ambiente em suas mãos e cuidar dele); (Unir-se com a vida. Amar o mundo onde vives); (Dar um grande abraço no planeta). As meninas expressaram ideias relacionadas com o medo, com as consequências para o ser humano em sua relação com o meio ambiente, a importância da ciência e do pensamento.
No livro O verde é negócio, Hans Jöhr mencionava a “ecologização” da empresa, do escritório, da fábrica, do processo, do comércio internacional. Alguns pioneiros, como Edgar Morin, propuseram ecologizar o pensamento.
De minha parte, defino ecologizar como a ação de aplicar em todos os campos da vida os conhecimentos das ciências ecológicas. Ainda existe um déficit de compreensão do que seja ecologia. Entendimentos rudimentares a associam a bichos, plantas e sua relação com o ambiente em que vivem. Alguns a associam com a concepção biológica, pois a ecologia se originou nas ciências naturais no século XIX. Entretanto, ao longo do século vinte ela se ramificou em inúmeros campos – ecologia humana, ecologia cultural, ecologia política, ecologia social, ecologia energética, ecologia profunda ou do ser etc. Cada um desses campos tem seu conjunto próprio de conhecimentos e práticas. Ecologizar é um verbo e verbo é ação. Ecologizar é ativar o modo de ação ecológica necessário para direcionar o rumo da evolução. Da mesma forma como a sociedade se informatizou rapidamente no final do século XX, precisa rapidamente se ecologizar no inicio do século XXI.
Por acreditar na fecundidade desse verbo e das potencialidades de sua aplicação, escrevi em 1998 o livro Ecologizar. Em sua 4ª edição, em 2009, o livro desdobrou-se numa trilogia: o primeiro volume aborda os princípios para a ação; o segundo volume aborda os métodos para a ação. E o terceiro volume aborda os instrumentos para a ação. Como alguém que em sua vida profissional atuou na gestão ambiental, aprendi que o campo da gestão ambiental é um campo de gestão de conflitos, de construção de consensos possíveis e de criação de uma cultura de paz. Naquele mesmo ano de 1998, Bruno Latour perguntava em artigo “Modernizar ou ecologizar? essa é a questão”. Ele abordava o tema a partir de uma visão da ecologia política, de gestão de conflitos de interesses que se manifestam em vários dos temas ecológicos.
É preciso saudar o fato positivo de que ecologizar esteja sendo hoje proposto por Latour como o verbo da vez.

*Fotos de arquivo


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014


AMÍLCAR DE CASTRO, REPETIÇÃO E SÍNTESE

Escrevo num guardanapo no pátio do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Belo Horizonte. Enquanto espero, vejo grupos de teatro interpretando histórias de BH, os tempos imemoriais da rua da Bahia, a boemia da Gruta Metrópole, as meninas olhando o bonde passar.
Lá dentro, nos salões do CCBB, maravilhosamente reformados para este espaço cultural, uma exposição histórica e cultural acontece. É a retrospectiva com mais de 500 obras, de meu amigo e grande artista Amílcar de Castro. Felizmente ainda estou aqui na Terra para ver os colegas famosos sendo visitados, estudados e pesquisados pelo público interessado em arte. Amílcar começou a estudar arte à sombra do Parque Municipal, rodeado de alunos e alunas do Mestre Guignard. Saímos juntos para exposições e, lado a lado, aprendemos a usar o lápis duro e a linha contínua.
Amílcar aproveitou as lições do mestre, desenvolveu sua própria técnica, criou uma direção nova para a escultura mineira. O ferro tornou-se arte, uma arte de síntese como ele mesmo denominou, síntese e repetição. As formas são múltiplas e crescem em dimensões diferentes, alcançando o espaço com força e coragem.
 Amílcar, na sua trajetória, conquistou um nome nacional e internacional
A escultura contemporânea requer uma equipe para sua realização. Esta equipe necessariamente deve ser de grande competência e Amílcar encontrou o caminho certo no arquiteto Allen Roscoe, seu assessor. A exposição no CCBB vem comprovar o quanto de esforço foi exigido do jovem arquiteto para que estas esculturas monumentais pudessem existir. Hoje Allen trabalha para vários artistas, inclusive artistas do Rio e São Paulo. Allen Roscoe foi também fundamental para a realização de minhas esculturas.
Amílcar costumava frequentar a Oficina 5, atelier dirigido por Thais Helt, esposa de Allen, onde ele e vários artistas podiam trabalhar em pedras litográficas. Thais preparava as pedras e cada artista se expressava a seu modo. Muitas gravuras ali realizadas por Amílcar, estão presentes nesta exposição. O atelier de Thais era um ponto de encontro de artistas e ali podíamos também conversar e trocar idéias. Nesta equipe de trabalho, acrescento a participação de Márcio Teixeira, que acreditou na potência de Amílcar e patrocinou suas esculturas, bem como a excelente curadoria de Evandro Salles.
Reproduzo aqui alguns textos do catálogo da exposição:
“Com curadoria de Evandro Salles, a exposição reúne mais de 500 obras entre pinturas, esculturas em aço, madeira, vidro e mármore, coleção inédita de projetos de esculturas e uma grande coleção de litografias, muitas delas de grandes dimensões e nunca antes vistas em exposições.”
“O mineiro Amílcar de Castro foi um dos criadores – ao lado de Lígia Clark, Lígia Pape e Hélio Oiticica, entre outros- de vertente fundamental do movimento construtivo brasileiro, o Neoconcretismo. Esse movimento configurou-se no Rio de Janeiro, no final da década de 1950 e seus principais teóricos foram os críticos Mario Pedrosa e Ferreira Gullar.”
“Amílcar foi fundamentalmente escultor, desenhista e artista gráfico. Como artista gráfico, foi autor de uma das mais importantes reformas gráficas da imprensa brasileira: a reforma do Jornal do Brasil, realizada em 1957.”
“A grande invenção escultórica de Amílcar foi seu método construtivo denominado de “corte e dobra”, que consiste em, a partir de um plano, inscrever uma forma e lançá-la ao espaço de três dimensões. (Evandro Salles)

*Fotos de arquivo

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