Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
HELOISA OLIVEIRA, UMA BRASILEIRA NO BUTÃO
Conheci Heloisa Oliveira na década de 80, quando ela acabava de chegar de uma viagem às ilhas de Bali, na Indonésia. Heloisa, fotógrafa e dançarina, seguia o seu chamado interno de viajar pelo mundo. Quando a conheci ela já havia morado no Japão, Inglaterra e Estados Unidos.
Em suas viagens pelos países orientais, a jovem artista registrava em fotos os aspectos de uma cultura ainda desconhecida para nós ocidentais.
“A dança em Bali não é para ser apresentada nos palcos, ela faz parte da vida do povo e revela estados mais profundos de consciência.”
As palavras de Heloisa me tocaram. Estávamos juntas no caminho que busca a abertura de consciência através da arte e os países orientais, ainda não poluídos pelas referências materialistas do mundo ocidental, ali estavam para oferecer aos pesquisadores e viajantes da grande universidade da vida, uma referência pura do sentido da dança como meditação.
Acompanhei Heloisa a um bairro da periferia de Belo Horizonte onde um grupo se reunia aos domingos para dançar a “dança de roda” da tradição africana. Crianças, jovens e velhos se harmonizavam ao som de instrumentos musicais e ao ritmo dos tambores.
Heloisa sempre foi uma personalidade ativista na defesa da natureza. À frente de movimentos no Retiro das Pedras, ela organizava caminhadas e cerimônias seguindo a linha das tradições indígenas.
Heloisa foi convidada para a coroação do rei do Butão que aconteceu em novembro de 2008. O Butão está situado no alto dos Himalaias, próximo à Índia e ao Nepal. É um lugar de rara beleza onde a civilização ocidental ainda não exerceu a sua influência. Ali somente pessoas escolhidas por eles podem visitar os templos e assistir às cerimônias. As danças sagradas foram registradas com grande sensibilidade pelas lentes de Heloisa, a fotógrafa.
De acordo com o depoimento de Heloisa, “grupos de monjes budistas, de várias regiões do Butão se reúnem no palácio de verão do primeiro Rei , em Yungdrung Choeling , no Vale de Trongsa. Executam danças rituais (Cham) reveladas em visões pelo santo e
Terton-revelador de tesouros sagrados, Pema Lingpa, do século XV.
Dançam em reverência ao relicário que contém seus restos mortais embalsamados, ¨stupa¨. Estas linhagens de Cham, ou danças sagradas de máscaras, sobrevivem hoje como uma das tradições intactas de movimento ritual, fortemente preservadas no Butão.
O ano de 2007, anunciava grandes mudanças para o país, um momento histórico para o Butão: com a abdicação ao trono, o Quarto Rei conduziu o país à Democracia Parlamentarista.”
*Fotos de Heloisa Oliveira
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domingo, 14 de agosto de 2011
DIALOGANDO COM FRANCISCO JARAUTA
Grandes mudanças do século XX aconteceram nas décadas de 1960 e 1970 quando o mundo das comunicações despontou, propiciando a formação da sociedade informatizada. Para discutir essas mudanças o Festival de Inverno da UFMG, que aconteceu em 2011 em Diamantina, Cataguazes, Belo Horizonte e Inhotim, convidou palestrantes atualizados com o espírito da época, que enriqueceram e despertaram os jovens para a grande síntese que está acontecendo no planeta.
A proposta do Festival de Inverno de 2011 foi “discutir a nova configuração da arte, da cultura e do conhecimento a partir da perspectiva das cidades”. Francisco Jarauta, famoso filósofo, antropólogo e historiador espanhol, foi convidado pela UFMG para pronunciar palestras sobre o tema. A grande competência do filósofo, sua facilidade de expressão, abriram campo para reflexões nos diversos grupos de estudantes e professores que tiveram a oportunidade de ouvi-lo. A sua passagem por Minas Gerais foi coroada de sucesso, levando às suas conferências um publico jovem, interessado no pensamento da cultura contemporânea. Jarauta fala espontaneamente e sempre acrescenta ao seu pensamento as experiências do momento, do aqui e agora. Este instante presente incorporado ao passado constitui a grande riqueza do século XXI onde a integração e a síntese se fazem presentes. A palavra de Jarauta é fluente, cheia de força e convicção, sem ser dogmática. Com grande espontaneidade criativa ele consegue atrair as pessoas que acompanham com atenção o seu pensamento.
Jarauta abordou em suas palestras a relação da arte com as novas tecnologias, as cidades e as microutopias. Um mundo sem fronteiras se abre diante de todos nós. Já não existe no momento a separatividade imposta pelos donos da verdade. A verdade está dentro de cada um de nós e é despertada no momento certo, no agora de cada um. É aí, nesse momento, que o novo se manifesta com toda a intensidade. Na fala de Jarauta, o novo vai surgindo a cada instante e trazendo luz para novas associações. Ele convida o público a participar de sua palestra, abrindo o espaço para o diálogo.
Recentemente Jarauta foi o curador de uma exposição de Matisse, que aconteceu em Granada, e me presenteou com um livro Matisse y La Alhambra onde, além de escrever o prefácio, colabora com um capítulo onde estuda a influência do Oriente sobre Matisse, dentro de uma visão filosófica e antropológica. Em Alhambra, na Espanha, Matisse encontrou ressonância com a sua sensibilidade e uma série de quadros nos mostra o seu entusiasmo pelos arabescos, florões e odaliscas. A influência árabe desponta em suas telas, no colorido exuberante, na sensualidade e poesia das formas. Alhambra é um pedaço do Oriente no coração do Ocidente e continua influenciando artistas e historiadores da arte.
Durante sua passagem por Belo Horizonte, tive o privilégio de receber Jarauta em minha casa e também a alegria de mostrar-lhe os meus pequenos desenhos, feitos na década de 50, que hoje estão sendo ampliados para diversas releituras. Integração e síntese são o que pretendo realizar no momento, e as palavras de Jarauta me deram ânimo para continuar minha pesquisa atual.
Assim se expressou Jarauta em sua mensagem pela internet: “Seus trabalhos mostram com grande sensibilidade e inteligência um caminho e experiência própria sobre a arte e sua própria linguagem. Que prazer tão imenso ter compartilhado a tarde em sua casa, um ateliê pleno de vida e magia. É tão admirável ver seu trabalho, suas viagens, suas idéias e princípios, sua concepção da arte.”
*Fotos da internet, de Marília Andrés e Tatiane Lutkenhaus
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sábado, 13 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
HERMETO PASCOAL E A IMPROVISAÇÃO NA MÚSICA
Estou sentada num banco de rua, tomando o sol da manhã. No Rio está chovendo, aqui o sol brilha e os pássaros cantam, num concerto grátis, improvisado. Celebram a beleza do dia. Transeuntes passam apressados, sem verem nem ouvirem o canto da manhã de sol. Um senhor de idade vem sentar-se no banco da frente, trazendo uma cachorrinha preta de olhos azuis. Todos os dias ele faz este mesmo itinerário. A cadela está atenta para não perder o dono de vista. Debaixo da palmeira, sob uma pedra, um alto-falante toca música eletrônica o dia todo. Estou lendo o jornal de cultura que noticia a presença em Belo Horizonte de Hermeto Pascoal, considerado o músico bruxo, que tira sons de todas as coisas. Na Índia, já escutei também grupos musicais tirando sons da natureza e do corpo. Participei de concertos improvisados com duração às vezes de 4 horas, os músicos sentados no chão, cantando e improvisando ao sabor do momento. O momento presente é muito importante para se perceber a criatividade em sua fonte natural que é a vida. O “Agora” vivenciado através da música nos proporciona momentos de paz e harmonia com todos os seres vivos. Lá longe, na Índia, os músicos continuam improvisando.Relacionaram seus sons com o canto dos pássaros, o zumbido dos insetos, o correr das águas.Volto ao Brasil, ao banco de rua. Leio o depoimento no jornal, de Hermeto Pascoal, referindo-se à sua música e à interatividade com o público.“No show acontecem coisas imprevisíveis. Isso porque, nas mãos do poder de improvisação, prazerosamente acatado pelo público, muitas outras canções surgem. No último show exagerei, cantei quatro vezes com o público, Ave Maria! O povo nunca cantou tanto comigo. É uma confraternização que acontece quase espiritualmente”, explica ele. A música de Hermeto é universal e se utiliza da mistura de sons de todo o mundo, podendo ser compreendida em qualquer lugar do planeta. Ele prossegue: “Para dormir depois é difícil. É tanta coisa linda que acontece, é como se eu estivesse em vários mundos”.Falando do inusitado, para este ano, o músico planeja a gravação de um álbum com os sons do corpo – das veias, do cérebro, da pele e das batidas do coração.
Continuo sentada, num banco de rua, escutando também os diversos sons desta manhã de sol e refletindo sobre o poder mágico da improvisação.
A entrevista continua: “Ponho uma mesinha com os instrumentos, mas nunca toco todos. Não dá tempo. Ali o Hermeto não é o único solista. Ali todos são” (Depoimento dado à repórter Eleonora Duarte do Jornal Hoje em Dia)
Hermeto Pascoal aparece como uma figura “sui generis” no cenário da música contemporânea. Com seu entusiasmo, ele promove a integração com toda a platéia e com todos os componentes do grupo. Todos são criadores, improvisadores, todos são Um!Esta integração é uma das conquistas do século XXI, quando o individualismo desaparece para ceder lugar ao Todo. O estado de êxtase alcançado pela platéia relembra as sociedades primitivas, onde a música era usada para unir toda a comunidade numa só energia.
*Fotos da internet
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Continuo sentada, num banco de rua, escutando também os diversos sons desta manhã de sol e refletindo sobre o poder mágico da improvisação.
A entrevista continua: “Ponho uma mesinha com os instrumentos, mas nunca toco todos. Não dá tempo. Ali o Hermeto não é o único solista. Ali todos são” (Depoimento dado à repórter Eleonora Duarte do Jornal Hoje em Dia)
Hermeto Pascoal aparece como uma figura “sui generis” no cenário da música contemporânea. Com seu entusiasmo, ele promove a integração com toda a platéia e com todos os componentes do grupo. Todos são criadores, improvisadores, todos são Um!Esta integração é uma das conquistas do século XXI, quando o individualismo desaparece para ceder lugar ao Todo. O estado de êxtase alcançado pela platéia relembra as sociedades primitivas, onde a música era usada para unir toda a comunidade numa só energia.
*Fotos da internet
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
TRÊS ARTISTAS, TRÊS PROPOSTAS
Até os anos 70 os artistas sonhavam com a possibilidade de mudar o mundo, de criar uma arte social e lutavam pela liberdade total de expressão. Nos anos 80, após a queda do muro de Berlim e dos socialismos de um modo geral, os artistas passaram a atuar dentro de um contexto maior da arte, propondo uma política que está inserida no cotidiano da vida urbana, das comunidades e da família.
Na 29ª Bienal de São Paulo, resgataram-se artistas brasileiros que atuaram nos anos 60, como também novos artistas, representantes do momento em que vivemos. O fluxo energético do passado se estende ao presente e se projeta no futuro. A arte continua sendo um radar da sociedade, forma espontânea de abertura de consciência.
Tomei como exemplo duas artistas que participaram da 29ª Bienal de São Paulo, Marilá Dardot e Rosângela Rennó.
Marilá criou uma instalação, uma verdadeira epopéia do livro, homenageando escritores, poetas, artistas e intelectuais que contribuíram para seu crescimento. Ali, cada espectador participante foi convidado a entrar por labirintos e penetrar no universo da leitura. A instalação foi uma homenagem ao livro, à leitura, no momento em que o livro tradicional está se transformando em e-books, blogs, sites, etc.
Rosângela Rennó nos mostrou em sua instalação a história da fotografia, apropriando-se de fotos antigas e de câmeras fotográficas. Os objetos ali expostos mais tarde foram leiloados e inseridos no mercado de arte fora da Bienal.
Essas duas artistas proporcionaram questionamentos sobre a situação da arte atual, do livro e do mercado de arte. A transversalidade da arte contemporânea viaja pelo passado para se projetar no futuro.
Relembrando as primeiras instalações ocorridas nos anos 60, a editora C/Arte, sempre atenta aos movimentos atuais da arte contemporânea brasileira, publica no momento o livro de Terezinha Soares que, na década de 1960, lutou pela libertação da mulher, quebrando corajosamente os tabus sexuais da época. Seu livro não é uma denúncia política, mas do comportamento humano, numa sociedade repressiva. Sua denúncia é também ambiental e questiona a insensibilidade dos seres humanos em relação à natureza.
*Fotos do arquivo de Terezinha Soares e fotos da internet de Marilá Dardot
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
O INSTITUTO EM TRANSFORMAÇÃO: UM EXEMPLO DE TRANSDISCIPLINARIDADE
O Instituto Maria Helena Andrés surgiu em 2005, fruto de um desejo de pessoas ligadas à região dos Campos das Vertentes, de construir um pólo de abertura de consciência através da atividade artística. Nesses anos ele produziu quatro Festivais de inverno que mobilizaram a população de Entre Rios e geraram como resultados a criação de ONG ecológica, a Ecoppaz e um curso de teatro.
Os festivais ofereceram à comunidade a oportunidade de se aproximar de espetáculos eruditos e populares, além de palestras, mesas-redondas e lançamentos de livros. Foram oferecidas diversas oficinas de formação cultural e artística, como yoga, pintura, desenho, música, literatura, história, teatro, circo, arte e educação, ecologia, dança, arquitetura, contos, vídeo, arte no computador, capoeira, circo, gastronomia, cerâmica e artesanato, entre outras. Na 4ª edição, contou com a participação de moradores
da comunidade rural Natividade dos Ferreiras, que ministraram oficinas visando à preservação das tradições históricas e culturais locais e realizaram apresentações folclóricas ao final do evento.
Outro projeto foi o de musicalização nas escolas, que tem o objetivo de estimular a criatividade, a concentração e a atenção de alunos da rede pública do ensino fundamental, por meio do aprendizado dos elementos básicos da música e do desenvolvimento de uma audição ativa e crítica, valorizando todos os aspectos da criação musical. O Projeto consiste na realização de aulas quinzenais, ministradas por músicos capacitados em educação musical infantil, e inclui atividades e brincadeiras pedagógicas promovidas pelos próprios docentes das escolas.
Através de projetos variados, as pessoas vão exercitando diferentes práticas criativas junto ao IMHA.
Sarahy estendeu o IMHA para Jeceaba onde ministra o projeto Arteterapia na Escola que tem como objetivo promover o desenvolvimento intelectual, emocional e social de crianças e adolescentes, por meio do aprendizado e do desenvolvimento de diversas técnicas artísticas, além de dinâmicas e contos. São muitos os estudos que apontam o potencial curador que a arte tem sobre as emoções negativas, resultando em uma transformação positiva para o indivíduo – estimulando seu crescimento, abrindo horizontes e ampliando a autoconsciência. Assim, como benefícios da arteterapia na escola, destacam-se a melhoria das relações interpessoais e do aprendizado como um todo, influindo diretamente na qualidade de vida dos alunos.
O projeto Resgate com Arte oferece à população de Entre Rios encontros com sua história. Esse projeto, de iniciativa de Maria Aldina está despertando a criatividade da população, unindo todas as classes sociais.
Hoje, o IMHA é um ponto de cultura, onde os adolescentes estão se aproximando da tecnologia pelo viés da arte. Eles aprendem a trabalhar com programas de computador avançados para criação de imagens e vídeos. Esse aprendizado se conecta a outra arte, a música. As imagens e vídeos produzidos têm o objetivo de complementar aulas de música para crianças. Todo esse material didático irá para o site do projeto, podendo ser acessado por qualquer aluno ou professor de música em qualquer lugar do mundo.
Teresa deu seu depoimento, já como nova presidente do Instituto, eleita em 18 de junho de 2011: “ Meu objetivo é colocar em prática os ensinamentos de Maria Helena – dar ênfase à extensão da arte para a vida. Fico feliz do IMHA ter suas ações em Entre Rios , cidade onde moro e de que sempre gostei.”
O IMHA é um instituto onde a transdisciplinaridade é posta em ação. Suas idéias não são dogmáticas, mas se transformam na linha do tempo. Movido pela energia da arte, o IMHA foi se estendendo para outras regiões vizinhas: arte estendida à vida está sendo posta em ação.
*Fotos de Júlio Margarida e Luiz Cruz
Visite também meu outro blog “Memórias e viagens”, cujo link está nesta página.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
ARTE E EVOLUÇÃO HUMANA NO ASHRAM DE SRI AUROBINDO
Em 1979, visitei uma comunidade na Índia cujo modo de viver tem atraído pessoas de todo o mundo. Seu fundador, Sri Aurobindo, foi o pensador oriental que mais se aproximou de nossa civilização. Procurava um entrosamento das idéias espiritualistas do Oriente com o dinamismo progressista do ocidente. Sua filosofia, baseada na evolução, prevê a transformação do homem acreditando que “por detrás da inteligência existe em todo o ser humano outra ordem de consciência ainda oculta, que espera o momento de surgir.”
A insatisfação do homem, seu desejo de progredir, é uma prova disto. Essa sede de progresso que nos impulsiona para a evolução não se prende apenas ao raciocínio lógico, mas o ultrapassa. A evolução, processada anteriormente pelas forças da natureza, seria realizada agora conscientemente, no próprio homem, através de praticas, exercícios e o desenvolvimento de suas energia internas.
Tendo sido educado na Europa e conhecendo bem a civilização ocidental, Sri Aurobindo considerava impossível dominarmos as conquistas da ciência e da técnica sem a ajuda de um poder maior do que a inteligência. O desenvolvimento interior através da ioga integral viria despertar nossas potencialidades adormecidas, conduzindo-as à ação. A busca e a educação dessas energias existentes em todo ser humano são formas de atividade que identificam a filosofia do mestre. Tornar consciente o que está inativo e forçá-lo a atuar, despertar, discernir, desapegar-se, agir, purificar-se e evoluir. A transformação se realizaria inicialmente em cada pessoa que já estivesse preparada, mais tarde atingindo a todos. Essa evolução para um plano mais alto de existência se efetuaria normalmente através do desenvolvimento das aptidões de cada um, considerando-se que o trabalho feito com amor conduz ao aperfeiçoamento da pessoa. Qualquer forma de atividade pode ser considerada veículo de evolução. O trabalho assim realizado prevê a ajuda mutua e o espírito comunitário. O trabalho feito com idealismo transforma e purifica o homem. A vocação já é o chamado para a evolução. Bloqueá-la significa atraso.
A criatividade também ajuda a despertar as energias interiores. Através dela, usamos a intuição que nos conduzirá à descoberta da realidade interna. O exercício da criatividade, em todos os seus aspectos - científicos, filosóficos, artísticos - ajuda em nossa integração, conduzindo-nos a planos mais altos. É necessário despertá-la por meio da arte na educação e do incentivo aos artistas e pesquisadores. Mas a evolução exige o aperfeiçoamento total do homem. Baseado nisso, Sri Aurobindo incentivou o esporte, acreditando que o corpo deveria se fortalecer para ajudar na transformação espiritual que se processaria através dele. Suas idéias unificam matéria e espírito. O progresso tecnológico avança, impulsionado por outras forças que ultrapassam as dimensões da inteligência e do raciocínio lógico. Dentro desse impulso totalizante e unificador, o homem crescerá em direção à sua evolução.
A experiência comunitária de Sri Aurobindo apoiada pela UNESCO traz-nos a mensagem de esperança. Suas idéias, aliando a agudeza do ocidente com a iluminação do oriente, conduzem-nos à reflexão. Nossas forças também poderão ser dirigidas e transformadas para que o homem do futuro possa encontrar uma humanidade melhor.
A partir de suas idéias de Unidade Planetária, foi construída a cidade de Auroville (Cidade Aurora) sob o patrocínio da UNESCO. No Brasil as idéias de Sr Aurobindo foram propagadas em Belo Horizonte e Salvador, na década de 70, por Rolf Gelewski, que ensinava através da dança, um despertar do Yoga Integral.
*Fotos da internet
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
AVENIDA CANADÁ, CAMINHO DAS ARTES
O artista é um fruto de sua época. Naturalmente, vivendo e participando das experiências de seu tempo, ele transmitirá a inquietação do mundo em seus trabalhos. Não será nunca um retrógrado, um porta-voz de seus antepassados.
Ele é a síntese de seus contemporâneos e, justamente por viver e sofrer os problemas da vida moderna, espontaneamente, sem que ninguém lhe imponha, ele se manifestará, também, de um modo atual correspondente aos avanços da civilização. Ele tem a possibilidade, que outros não tiveram, de estar a par de tudo o que se passa na Europa, na Ásia, na África e nas Américas, de todas as notícias do que se faz de mais avançado no mundo. Isto de certo modo o modifica, torna-o mais universal.
Fazemos parte da humanidade toda, de um modo muito mais vivo que os homens de antigamente, que ignoravam, por completo, os acontecimentos do resto do mundo.
Devido às novas tecnologias, os artistas, que antes viviam retirados nas montanhas podem participar ativamente dos movimentos culturais de qualquer parte do planeta. Um exemplo disto é o dinamismo de 3 galerias localizadas em grandes galpões na Avenida Canadá, no bairro Jardim Canadá. Este corredor cultural já foi denominado “Caminho das Artes”, por sua localização na estrada que liga Belo Horizonte a Inhotim, um dos centros de Arte Contemporânea mais reconhecidos do planeta.
O corredor cultural começa na Galeria Lemos de Sá, que possui um acervo escolhido de artistas, com ênfase no trabalho de Amílcar de Castro. Todos os sábados pela manhã, Beatriz, a dona da galeria, abre os imensos portões para um encontro com as pessoas interessadas num bate papo cultural. Beatriz chegou recentemente de 2 feiras de arte, uma em São Paulo e outra em Buenos Aires , para onde levou um acervo selecionado de obras de artistas mineiros.
No dia 28 de maio, uma outra galeria abriu suas portas. Hamilton Aguiar me convidou a participar desta primeira exposição, onde pude ver meus quadros sendo reproduzidos de forma gráfica. Hamilton veio dos Estados Unidos, onde residiu por 20 anos. É artista plástico e tem contatos importantes no exterior. Sua presença neste “Caminho das Artes” é de grande importância para a divulgação de nossos artistas. Na inauguração escutamos as palavras de Hamilton e da fotógrafa Heloisa Oliveira, que expôs fotos do Butão. Ambos tiveram grande experiência fora do Brasil e isto também é um enriquecimento para todos nós. Em junho ele participará de uma exposição em Nova York , levando também obras de artistas mineiros. No dia 9 de junho ele inaugurou uma exposição no Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte.
À tarde, na mesma Avenida Canadá, artistas jovens contemporâneos se reuniram no JACA (Centro de Arte Contemporânea) situado no mesmo quarteirão das duas outras galerias. A proposta do JACA é trazer artistas de fora para ali fixarem residência por 2 meses, desenvolvendo trabalhos inéditos que aproximam os povos através da arte. Frequentemente suas portas se abrem para estudos e palestras culturais. Dirigido por Francisca Caporali, o JACA foi todo enfeitado de bandeirinhas coloridas, para festejar o aniversário de seu filho Gabriel, meu bisneto de 2 anos. As crianças que ali estiveram são filhos de artistas e estavam se divertindo com os balões e os pula- pulas.
A arte nos remete à nossa própria infância. As melhores lembranças que eu tenho da minha infância são as festas de aniversário. Elas me conduziram para o caminho das artes.
*Fotos de Marcelo Coelho e Beatriz Lemos de Sá.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
INTEGRAÇÃO DE DOIS GRUPOS MUSICAIS
No domingo, 5 de junho, assisti à integração de 2 grupos musicais, Quebra Pedra e Agua Luz. O objetivo de fundir os 2 grupos num só espetáculo, resultou numa harmonia perfeita, um exemplo a ser seguido por outros grupos de arte, inclusive pelos artistas plásticos. Unidade na multiplicidade é a tônica do Século XXI e estes jovens músicos estão abrindo o caminho dentro da arte, da quebra do ego e da competição para alcançar a luminosidade do coletivo. Parabéns pelo espetáculo. Todos nós que estávamos na platéia percebemos emocionados que algo de novo estava acontecendo.
Com grande sucesso, o cantor, compositor e flautista Alexandre Andrés, juntamente com os músicos Gustavo Amaral e Luiz Gabriel estrearam no dia 20 de maio, na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte , o show “Terra das Laranjeiras”. Com um repertório exclusivamente autoral, cada um dos três jovens compositores dedicou uma composição a alguém. Alexandre dedicou uma de suas composições a sua avó, Maria Helena. Intitulada “A Voz de Todos Nós”, transcrevo a letra criada pelo poeta Bernardo Maranhão:
A Voz de Todos Nós
(Alexandre Andrés – Bernardo Maranhão – dedicada a Maria Helena Andrés)
“Sombra de mímica dança enlaçando a nudez
Tango sonâmbulo, peso de um passo a caminho dos pés
Dando espaço ao tempo, o tempo passa bem (2x)
Feito relâmpago antecipando o trovão
Feito libélula irradiando os azuis do verão
Sinto sussurrar a voz do coração (2x)
Lágrima límpida, corre no canto do olhar
Lâmina lúcida, brilho do lírio no lago ao luar
Tão comum, a dor e o bem de cada um (2x)
Página pálida, margem da imaginação
Letra de música, risca da quilha nas ondas do som
Traz pra minha voz a voz de todos nós
Faz de minha voz a voz de todos nós
Um silêncio por dizer (-)
um remanso, um bem querer (-)
uma pausa plena
Dentro da árvore_um bando de passarim (-,- - -)
Cantoria(-), nuvens douradas (;)entre o céu e a serra
(;)flor do pântano, terra dos tuiuiuis
Fim de mundo (-), lugar propício, (;)faz do fim o início”
Foi com muita alegria que me foi possível receber este presente de meus netos músicos, já que considero a todos como netos. A tradição musical da família se estende para o futuro levando a mensagem de amor a todos que acreditam nesta grande missão da música em nosso Planeta. Alexandre é também membro do grupo instrumental Diapasão, como flautista e compositor com quem. No segundo semestre de 2011, estará lançando o seu primeiro CD com este grupo.
Alexandre Andrés com o seu CD autoral de canções, intitulado "Agualuz", lançado pelo Projeto Natura Musical no ano de 2009, recebeu críticas de importantes músicos e jornalistas, tais como:
"Alexandre Andrés, mineiro de BH, de apenas 19 anos, estréia de forma fulminante em "Agualuz". O disco independente ganhou tiragem ampliada por ter sido selecionado no edital do projeto Natura Musical, junto com a turnê de lançamento. Ele toca violão e canta no disco as músicas que compôs com o poeta Bernardo Maranhão, mas também é responsável pela densa polifonia dos arranjos. Alexandre domina vários estilos da MPB, alguns entrelaçados como a vertiginosa Romanceada. A prosa arquitetônica de Guimarães Rosa perspassa o enredo de forma explícita (Rosa) ou implícita (Névoa-nada, Margem da Terceira Rua). Mônica Salmaso legitima as escalas enviesadas de Cadência, Regina Amaral pavimenta o piano da ecoante Uirapurú, e André Mehmari pontua Revoar. Requinte puro." (Tárik de Sousa – Jornal do Brasil, 23/10/2009)
Sobre o CD “Agualuz”, o crítico musical Ailton Magioli escreveu: “Dono de trabalho surpreendente, diante da sua faixa etária, Alexandre Andrés explora em sua música melodias e harmonias dignas da tradição mineira, casada com uma poesia que prima por rigor e qualidade nem sempre perceptíveis na música popular” (O Estado de Minas, 21/11/2008).
“I enjoyed listening to Águaluz” “I thought the level of musicianship was very high and it made me smile”
(Michael Riesman, diretor musical do compositor norte americano Philip Glass, – Sobre o CD Águaluz de Alexandre Andrés)
“...o Alexandre é um jovem extremamente talentoso. Quando ouvi sua música, por primeira vez, senti ali um grande frescor... pude notar ali, claramente, a 'voz' de um compositor...” (André Mehmari, SESC Instrumental/TV SESC).
*Fotos de Artur Andrés
quinta-feira, 26 de maio de 2011
VOZ E POESIA
Estamos vivendo uma época de retorno às nossas origens. Um retorno muitas vezes de atitudes que nos remetem a valores da própria essência do ser humano e que apontam para uma abertura de consciência e uma transformação da sociedade.
Sabemos que os antigos gregos eram também poetas e os antigos hindus eram também cantores. Poesia e música transmitiam em seu contexto a antiga sabedoria do mundo. No mundo contemporâneo esta transversalidade está sendo estudada por filósofos e pensadores da arte. O saber está sendo transmitido de geração em geração em forma de poesia e canto.
Nesta síntese das artes, onde a poesia encontra a filosofia e a música, existem grupos que vêm trabalhando há muito tempo neste caminho que espontaneamente liga arte, ciência, religião e filosofia.
São poemas, cânticos e vídeos apresentados de forma circular como os antigos grupos. A tônica é a busca da Unidade do Século XXI, que se sobrepõe à separatividade do Século XX.
Estamos divulgando como um exemplo desta volta às origens, o trabalho pioneiro dos poetas e cantores Luciano Luppi, Ivana Andrés e Evaldo Leoni, que apresentaram seu espetáculo interativo “Cartas Poéticas” no Teatro Don Silvério em Belo Horizonte.
Transcrevo abaixo algumas poesias deste espetáculo:
SOBRE OS FILHOS
(Kahlil Gibran)
Vossos filhos não são filhos vossos.
São os filhos e as filhas do desejo ardente da vida por si mesma.
Eles vêm através de vós, e embora vivam convosco , não vos pertencem.
Podeis presentear-lhes com vosso amor, mas não com vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas,
pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar, nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não procureis fazê-los iguais a vós,
porque a vida não anda para trás ,
e nem permanece nos dias que já se passaram.
Sois como o arco do qual vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na direção do infinito,
e vos estica com toda a sua força ,
para que suas flechas se projetem rápidas, para muito longe.
Para vossa alegria, deixai-vos curvar pela mão do Arqueiro,
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável.
HOUVE UM INSTANTE
(Antonio Roberto Soares)
Houve um instante
Em que todas as músicas do mundo
Marcaram encontro com o pôr do sol
Em que a brisa pegou carona com o arco-íris
E foi testemunhar a chegada dos pássaros da primavera
Houve silêncio
Um silêncio terno e quente
Silêncio de mar
De amanhecer
Um perfume lento de todas as flores da terra
E uma paz maciamente infinita
Houve um instante
Em que tudo isto aconteceu ao mesmo tempo
E no mesmo lugar
No meu coração
Perguntei a Deus o nome de tanta poesia
A resposta veio à noite
Com as estrelas
Amor
*Fotos de Leandro Luppi
domingo, 15 de maio de 2011
UAKTI EM ROMA
O nosso conhecido grupo UAKTI, de Minas Gerais esteve recentemente fazendo uma apresentação na Embaixada do Brasil em Roma.
O grupo UAKTI em todas as suas apresentações fora do Brasil, tem sido o grande emissário da paz entre as nações do mundo.
Sua música, de inspiração indígena, atravessa as fronteiras levando uma mensagem de harmonia e integração planetária pelos diversos países por onde passa.
Assisti em 2001 no Guggenhein de Nova York a uma apresentação e workshop do grupo. Foi uma época conturbada na cidade de Nova York com a explosão das Torres Gêmeas. Havia um contraste entre a paz e a guerra. Diante de uma platéia ainda traumatizada com a queda das duas Torres, eles acenavam com uma proposta de paz e harmonia.
Agora, novamente estarão apresentando numa Europa conturbada pelo clima de guerra, as vibrações sonoras com propostas de paz entre os homens.
Brasileiro não quer a guerra, é a favor da paz. Nos sons sem palavras eles nos tocam o coração, emitindo vibrações da terra na percussão e do espaço na flauta. A flauta nos lembra a lenda do UAKTI, um índio brasileiro que encantava as mulheres da tribo. De acordo com o depoimento de Artur Andrés, UAKTI era um índio grande, que tinha o corpo aberto em buracos. Quando ele corria pela floresta o vento, passando pelos buracos do seu corpo, produzia sons lúgubres, soturnos que atraíam as mulheres da tribo. UAKTI as seduzia. Os índios da tribo, enciumados, caçaram e mataram UAKTI. No local onde ele foi enterrado, nasceram 3 palmeiras. Os índios passaram a utilizar a madeira dessas palmeiras para tecerem flautas que, segundo eles, quando tocadas, reproduziam os sons do UAKTI correndo pela floresta. Nos rituais indígenas, as mulheres tinham que ser retiradas para bem longe, pois se ouvissem esses sons, poderiam se tornar impuras.
Assim também na Índia, Krishna, o deus da música, encantava as gopis (camponesas) com sua flauta.
Os mitos levam semelhanças e significados formais. Atravessam tempo e espaço para lembrar ao ser humano a sua origem cósmica. O índio UAKTI no Brasil, mergulhado nas florestas, lembra o deus Krishna na Índia, encantando as camponesas. Transmutar energias é o significado de ambos. Comover os corações, reverter a violência é o que todos nós sentimos.
A música deste grupo de Minas Gerais é uma música que nos conduz a um espaço interno dentro de nós, onde não existe tumulto, violência ou divisões. Na multiplicidade de instrumentos feitos com a maior variedade de materiais, tubos de PVC, cabaças, tablas, tambores, tampas de panelas, etc, Marco Antônio Guimarães, idealizador do Grupo, criou inúmeras composições. Marco Antônio tirou música até das tempestades, e os sons que ele ouviu da água batendo no chão e escorrendo do telhado, motivaram a criação do CD Águas da Amazônia, que o Grupo mostrou no Guggenhein de Nova York em 2001. Atualmente os demais componentes do Grupo, Artur Andrés, Décio Ramos e Paulo Santos têm dado continuidade ao UAKTI, não somente nas apresentações, como também acrescentando novas composições.
Recentemente, numa apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi introduzido um gigantesco instrumento de sopro semelhante aos instrumentos dos monjes budistas, cujo som lembra o timbre grave e soturno do índio UAKTI.
A música tem esta possibilidade de unir as pessoas e a estes emissários da Unidade Planetária os nossos votos de maior sucesso.
*Fotos de Regina Amaral, Sylvio Coutinho e Jefferson Oliveira
O grupo UAKTI em todas as suas apresentações fora do Brasil, tem sido o grande emissário da paz entre as nações do mundo.
Sua música, de inspiração indígena, atravessa as fronteiras levando uma mensagem de harmonia e integração planetária pelos diversos países por onde passa.
Assisti em 2001 no Guggenhein de Nova York a uma apresentação e workshop do grupo. Foi uma época conturbada na cidade de Nova York com a explosão das Torres Gêmeas. Havia um contraste entre a paz e a guerra. Diante de uma platéia ainda traumatizada com a queda das duas Torres, eles acenavam com uma proposta de paz e harmonia.
Agora, novamente estarão apresentando numa Europa conturbada pelo clima de guerra, as vibrações sonoras com propostas de paz entre os homens.
Brasileiro não quer a guerra, é a favor da paz. Nos sons sem palavras eles nos tocam o coração, emitindo vibrações da terra na percussão e do espaço na flauta. A flauta nos lembra a lenda do UAKTI, um índio brasileiro que encantava as mulheres da tribo. De acordo com o depoimento de Artur Andrés, UAKTI era um índio grande, que tinha o corpo aberto em buracos. Quando ele corria pela floresta o vento, passando pelos buracos do seu corpo, produzia sons lúgubres, soturnos que atraíam as mulheres da tribo. UAKTI as seduzia. Os índios da tribo, enciumados, caçaram e mataram UAKTI. No local onde ele foi enterrado, nasceram 3 palmeiras. Os índios passaram a utilizar a madeira dessas palmeiras para tecerem flautas que, segundo eles, quando tocadas, reproduziam os sons do UAKTI correndo pela floresta. Nos rituais indígenas, as mulheres tinham que ser retiradas para bem longe, pois se ouvissem esses sons, poderiam se tornar impuras.
Assim também na Índia, Krishna, o deus da música, encantava as gopis (camponesas) com sua flauta.
Os mitos levam semelhanças e significados formais. Atravessam tempo e espaço para lembrar ao ser humano a sua origem cósmica. O índio UAKTI no Brasil, mergulhado nas florestas, lembra o deus Krishna na Índia, encantando as camponesas. Transmutar energias é o significado de ambos. Comover os corações, reverter a violência é o que todos nós sentimos.
A música deste grupo de Minas Gerais é uma música que nos conduz a um espaço interno dentro de nós, onde não existe tumulto, violência ou divisões. Na multiplicidade de instrumentos feitos com a maior variedade de materiais, tubos de PVC, cabaças, tablas, tambores, tampas de panelas, etc, Marco Antônio Guimarães, idealizador do Grupo, criou inúmeras composições. Marco Antônio tirou música até das tempestades, e os sons que ele ouviu da água batendo no chão e escorrendo do telhado, motivaram a criação do CD Águas da Amazônia, que o Grupo mostrou no Guggenhein de Nova York em 2001. Atualmente os demais componentes do Grupo, Artur Andrés, Décio Ramos e Paulo Santos têm dado continuidade ao UAKTI, não somente nas apresentações, como também acrescentando novas composições.
Recentemente, numa apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi introduzido um gigantesco instrumento de sopro semelhante aos instrumentos dos monjes budistas, cujo som lembra o timbre grave e soturno do índio UAKTI.
A música tem esta possibilidade de unir as pessoas e a estes emissários da Unidade Planetária os nossos votos de maior sucesso.
*Fotos de Regina Amaral, Sylvio Coutinho e Jefferson Oliveira
quinta-feira, 5 de maio de 2011
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