Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
sábado, 26 de junho de 2010
HOMENAGEM A JOSÉ SARAMAGO
Num auditório lotado por cerca de 400 pessoas, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1998, recebeu, no dia 29 de abril, das mãos do reitor Sá Barreto, o título de Doutor Honoris Causa da UFMG, a mais importante honraria concedida pela instituição..
Quando Saramago esteve em Belo Horizonte e se apresentou no Palácio das Artes, eu me encontrava em viagem pela Índia. Soube do seu sucesso estrondoso, das pessoas querendo vê-lo, obter autógrafos. Ele realmente foi uma pessoa carismática, de grande coragem e resolução, lutando contra os conceitos tradicionais para deixar que novas idéias apareçam.
Desconstruir idéias enraizadas, quebrar condicionamentos são também a tônica de Krishnamurti um grande pensador indiano que eu sempre admirei. “Liberte-se do passado, seja o seu próprio mestre...”assim dizia ele: “É preciso tomar consciência de como somos condicionados pela sociedade, tradição, política, religião e família”.Rompendo com os condicionamentos podemos agir de forma independente, livre da mecanicidade que a sociedade nos impõe. “É preciso pensar de maneira própria, abrir-se para o potencial de energia que existe dentro de cada um” Essas palavras de Krishnamurti foram ouvidas em varias regiões do planeta.
Saramago sempre teve este potencial de energia, que propõe mudanças para a sociedade. Em seu último blog foi colocado o trecho abaixo, extraído de uma entrevista na Revista do Expresso, Portugal, em 11 de outubro de 2008: “Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.” Esta mensagem, postada no blog Cadernos de Saramago poucos dias antes de sua morte, será um ponto de mutação e reflexão.
Acompanhei Saramago na sua trajetória de sucessos com a obtenção do Prêmio Nobel de Literatura, a incompreensão do povo de sua terra e a sua reclusão numa ilha perto da Espanha. Procurei na internet fotos desse lugar maravilhoso e vejo que até nisto Saramago se parece com Krisnamurti, grande pensador contemporâneo, que também gostava da natureza e fazia suas caminhadas diárias pelas praias de Adyar, em Chennai, na Índia.
De sua ilha, Saramago se comunicava com o mundo inteiro, usando como recurso a facilidade dos meios de comunicação atuais destinados ao mundo contemporâneo.
Segui seus passos pela internet, coloquei-o como referência nas páginas do meu blog . Os Cadernos de Saramago me ensinaram muito sobre a cultura e a política de além mar. Admirei sua adaptação às mídias do momento e, quando inaugurei o meu blog há um ano e meio atrás, tomei-o como exemplo. Foi um estímulo para continuar neste caminho: divulgar meus artigos sem depender de editoras ou jornais, escrever o que eu quero, escolher minhas imagens. Tudo isto é muito importante para uma pessoa que já não pode viajar tanto, mas continua viajando através dos sites, blogs e facebooks. Ainda não cheguei a conversar com as pessoas pelo “Skype”, mas algum dia chegarei lá.
Às suas idéias acrescento aqui o exemplo de Guignard, considerado um dos maiores professores de arte do Brasil que sempre valorizou o despertar de uma nova idéia. Ele não propunha regras acadêmicas para o aluno, mas ao ver uma possibilidade diferente no desenho exclamava com alegria “Coisa nova”! Assim podíamos caminhar do formalismo condicionado para o novo, o inesperado que surgia a cada instante. E acrescento também uma frase de Van Gog ao seu irmão Theo. “A diferença entre os artistas acadêmicos e os modernos é que os modernos são mais pensadores”. Este foi o caminho para a arte contemporânea que incentiva a arte como idéia criadora.
*Fotos baixadas da internet
Quando Saramago esteve em Belo Horizonte e se apresentou no Palácio das Artes, eu me encontrava em viagem pela Índia. Soube do seu sucesso estrondoso, das pessoas querendo vê-lo, obter autógrafos. Ele realmente foi uma pessoa carismática, de grande coragem e resolução, lutando contra os conceitos tradicionais para deixar que novas idéias apareçam.
Desconstruir idéias enraizadas, quebrar condicionamentos são também a tônica de Krishnamurti um grande pensador indiano que eu sempre admirei. “Liberte-se do passado, seja o seu próprio mestre...”assim dizia ele: “É preciso tomar consciência de como somos condicionados pela sociedade, tradição, política, religião e família”.Rompendo com os condicionamentos podemos agir de forma independente, livre da mecanicidade que a sociedade nos impõe. “É preciso pensar de maneira própria, abrir-se para o potencial de energia que existe dentro de cada um” Essas palavras de Krishnamurti foram ouvidas em varias regiões do planeta.
Saramago sempre teve este potencial de energia, que propõe mudanças para a sociedade. Em seu último blog foi colocado o trecho abaixo, extraído de uma entrevista na Revista do Expresso, Portugal, em 11 de outubro de 2008: “Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.” Esta mensagem, postada no blog Cadernos de Saramago poucos dias antes de sua morte, será um ponto de mutação e reflexão.
Acompanhei Saramago na sua trajetória de sucessos com a obtenção do Prêmio Nobel de Literatura, a incompreensão do povo de sua terra e a sua reclusão numa ilha perto da Espanha. Procurei na internet fotos desse lugar maravilhoso e vejo que até nisto Saramago se parece com Krisnamurti, grande pensador contemporâneo, que também gostava da natureza e fazia suas caminhadas diárias pelas praias de Adyar, em Chennai, na Índia.
De sua ilha, Saramago se comunicava com o mundo inteiro, usando como recurso a facilidade dos meios de comunicação atuais destinados ao mundo contemporâneo.
Segui seus passos pela internet, coloquei-o como referência nas páginas do meu blog . Os Cadernos de Saramago me ensinaram muito sobre a cultura e a política de além mar. Admirei sua adaptação às mídias do momento e, quando inaugurei o meu blog há um ano e meio atrás, tomei-o como exemplo. Foi um estímulo para continuar neste caminho: divulgar meus artigos sem depender de editoras ou jornais, escrever o que eu quero, escolher minhas imagens. Tudo isto é muito importante para uma pessoa que já não pode viajar tanto, mas continua viajando através dos sites, blogs e facebooks. Ainda não cheguei a conversar com as pessoas pelo “Skype”, mas algum dia chegarei lá.
Às suas idéias acrescento aqui o exemplo de Guignard, considerado um dos maiores professores de arte do Brasil que sempre valorizou o despertar de uma nova idéia. Ele não propunha regras acadêmicas para o aluno, mas ao ver uma possibilidade diferente no desenho exclamava com alegria “Coisa nova”! Assim podíamos caminhar do formalismo condicionado para o novo, o inesperado que surgia a cada instante. E acrescento também uma frase de Van Gog ao seu irmão Theo. “A diferença entre os artistas acadêmicos e os modernos é que os modernos são mais pensadores”. Este foi o caminho para a arte contemporânea que incentiva a arte como idéia criadora.
*Fotos baixadas da internet
sexta-feira, 25 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
MINAS, TERRA DE MUITAS CORES
Os cortes nas montanhas vão desvendando uma grande tapeçaria de cores variadas, do vermelho ao laranja, do amarelo ao roxo, ao branco, ao cinza, ao preto. Paramos o carro para tirar fotos. O verde da vegetação rasteira encobre como um manto protetor as riquezas de Minas.
Os antigos pintavam com cores naturais. Vários artistas se entusiasmaram com nossos pigmentos naturais e aqui estiveram deslumbrados com o colorido das terras. Krajberg e Scliar usaram diretamente a terra para realizarem os seus quadros. Devemos a eles a divulgação desse caminho esquecido, por causa da facilidade que os artistas têm de comprar tintas prontas no mercado.
A técnica é simples: apanhar a terra, colocar em baldes, passar um rolo para amaciar os torrões e peneirar, para obter um pó mais fino, livre de impurezas. Depois, separar em recipientes diversos, cobrir com água e deixar decantando por 24 horas. As impurezas sobem para a superfície e o pigmento colorido fica depositado no fundo. No dia seguinte o pigmento já estará pronto para ser usado com qualquer aglutinante. Scliar usava a cola "cascorez" com resultados de grande transparência e beleza. As cores de terra são indeléveis, não queimam ao sol. Podem até serem usadas em fachadas de casa.
Neste momento estou participando das celebrações de um casamento na roça. A família da noiva é italiana, da região de Toscana, o noivo é mineiro. Agora estou sentada em frente à casa da fazenda, contemplando a paisagem verde em contraste com a fachada da casa pintada com tinta de terra vermelha colhida nos barrancos. Verde e vermelho são cores complementares, um ajuda a dar vida ao outro. Casamentos na roça estão se tornando uma tradição da família, pois os pais do noivo também casaram na roça há 30 anos atrás.
Escuto a voz do pai da noiva: “Esta região de Minas se assemelha à região de Toscana, na Itália”. Ali também as festas de casamento são muitas vezes realizadas ao ar livre. Fico pensando: “Minas, terra de muitas cores, desde o subsolo até os céus...” Guignard gostava dos céus de Minas, Scliar e Krajberg valorizaram a terra...
Guignard viveu em Florença, região de Toscana, na Itália, e também se encantou com Ouro Preto, cidade parecida com Florença.”
Florença me faz lembrar Miguel Ângelo, que passou sua juventude naquela cidade considerada terra das artes. Meu pensamento volta para Minas onde Aleijadinho considerado também como um dos grandes gênios da humanidade possuía a mesma força energética de Miguel Ângelo. O Aleijadinho viveu em Minas, deixando obras monumentais em várias cidades mineiras. Deve existir uma relação energética entre os paises com terras que se assemelham. Miguel Ângelo, pai do barroco, Aleijadinho, expoente máximo do nosso barroco têm características formais semelhantes.
Agora, enquanto contemplo a paisagem e escuto os músicos tocando, “As time goes by” vou associando memórias e fatos.
Os antigos pintavam com cores naturais. Vários artistas se entusiasmaram com nossos pigmentos naturais e aqui estiveram deslumbrados com o colorido das terras. Krajberg e Scliar usaram diretamente a terra para realizarem os seus quadros. Devemos a eles a divulgação desse caminho esquecido, por causa da facilidade que os artistas têm de comprar tintas prontas no mercado.
A técnica é simples: apanhar a terra, colocar em baldes, passar um rolo para amaciar os torrões e peneirar, para obter um pó mais fino, livre de impurezas. Depois, separar em recipientes diversos, cobrir com água e deixar decantando por 24 horas. As impurezas sobem para a superfície e o pigmento colorido fica depositado no fundo. No dia seguinte o pigmento já estará pronto para ser usado com qualquer aglutinante. Scliar usava a cola "cascorez" com resultados de grande transparência e beleza. As cores de terra são indeléveis, não queimam ao sol. Podem até serem usadas em fachadas de casa.
Neste momento estou participando das celebrações de um casamento na roça. A família da noiva é italiana, da região de Toscana, o noivo é mineiro. Agora estou sentada em frente à casa da fazenda, contemplando a paisagem verde em contraste com a fachada da casa pintada com tinta de terra vermelha colhida nos barrancos. Verde e vermelho são cores complementares, um ajuda a dar vida ao outro. Casamentos na roça estão se tornando uma tradição da família, pois os pais do noivo também casaram na roça há 30 anos atrás.
Escuto a voz do pai da noiva: “Esta região de Minas se assemelha à região de Toscana, na Itália”. Ali também as festas de casamento são muitas vezes realizadas ao ar livre. Fico pensando: “Minas, terra de muitas cores, desde o subsolo até os céus...” Guignard gostava dos céus de Minas, Scliar e Krajberg valorizaram a terra...
Guignard viveu em Florença, região de Toscana, na Itália, e também se encantou com Ouro Preto, cidade parecida com Florença.”
Florença me faz lembrar Miguel Ângelo, que passou sua juventude naquela cidade considerada terra das artes. Meu pensamento volta para Minas onde Aleijadinho considerado também como um dos grandes gênios da humanidade possuía a mesma força energética de Miguel Ângelo. O Aleijadinho viveu em Minas, deixando obras monumentais em várias cidades mineiras. Deve existir uma relação energética entre os paises com terras que se assemelham. Miguel Ângelo, pai do barroco, Aleijadinho, expoente máximo do nosso barroco têm características formais semelhantes.
Agora, enquanto contemplo a paisagem e escuto os músicos tocando, “As time goes by” vou associando memórias e fatos.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
ARTE, EMOÇÃO E MEIO AMBIENTE II
“Curiosamente, é comum encontrar-se na tecnoburocracia do serviço público crítica à abordagem emocional do problema ambiental, como se apelar às emoções fosse algo condenável em princípio. Também em meios acadêmicos ortodoxos rejeita-se o tratamento dito emocional das questões ambientais. A emoção é vista, nesses meios, como impedimento a uma visão objetiva, racional, da questão ambiental. Pode-se, por outra parte, inquirir se essa pretensa aversão aos aspectos emocionais em favor dos racionais não serve, de fato, para legitimar o avanço e o aprofundamento de um estilo de vida e de desenvolvimento que faz pouco caso de tudo o que não leva imediatamente ao lucro e ao consumismo social e ambientalmente irresponsáveis.” (Maurício Andrés Ribeiro)
No meu livro “Os Caminhos da Arte” cito o conhecido artista holandês Hundertwasser, grande defensor da natureza. Ele nos alerta para o problema mundial de devastação do meio ambiente: “Só quando o divino respeito ao poder verde e o amor à vegetação se tornarem parte de nós mesmos, só então poderemos restaurar, passo a passo, nosso agonizante meio ambiente” (Hundertwasser).
A natureza está agonizando nas mãos do homem. No entanto, o homem é natureza. Sem perda da consciência individual, muitas vezes ele consegue entrar em comunhão com os mares, rios, florestas, montanhas, e sentir em seu corpo a mesma energia fluir.O homem é, ele próprio, uma parte desse eterno fluir; mas, desconhecendo suas raízes, ele se coloca como um ser à parte, com direito de domínio sobre tudo o que existe.
A percepção do relacionamento homem-natureza, sendo originária de uma sensibilidade apurada ou de um contato direto com o fluxo natural da vida, não é percebida de imediato por todas as pessoas. Torna-se ainda mais distante nas cidades, onde o elemento verde está sendo estrangulado pelas construções e pela superpopulação. O homem da cidade, por sua própria condição de vida, desligou-se de suas origens naturais, afastando-se cada vez mais do contato com a natureza. No entanto, a natureza está a nos oferecer a todo instante uma lição de vida. Silenciosamente, ela nos ensina mais do que os livros. Se observarmos com atenção, poderemos sentir nas transformações da natureza uma analogia com nossas próprias mutações.
* Imagens de quadros de Hundertwasser (fonte: internet)
*Fotos:Luciano Luppi
No meu livro “Os Caminhos da Arte” cito o conhecido artista holandês Hundertwasser, grande defensor da natureza. Ele nos alerta para o problema mundial de devastação do meio ambiente: “Só quando o divino respeito ao poder verde e o amor à vegetação se tornarem parte de nós mesmos, só então poderemos restaurar, passo a passo, nosso agonizante meio ambiente” (Hundertwasser).
A natureza está agonizando nas mãos do homem. No entanto, o homem é natureza. Sem perda da consciência individual, muitas vezes ele consegue entrar em comunhão com os mares, rios, florestas, montanhas, e sentir em seu corpo a mesma energia fluir.O homem é, ele próprio, uma parte desse eterno fluir; mas, desconhecendo suas raízes, ele se coloca como um ser à parte, com direito de domínio sobre tudo o que existe.
A percepção do relacionamento homem-natureza, sendo originária de uma sensibilidade apurada ou de um contato direto com o fluxo natural da vida, não é percebida de imediato por todas as pessoas. Torna-se ainda mais distante nas cidades, onde o elemento verde está sendo estrangulado pelas construções e pela superpopulação. O homem da cidade, por sua própria condição de vida, desligou-se de suas origens naturais, afastando-se cada vez mais do contato com a natureza. No entanto, a natureza está a nos oferecer a todo instante uma lição de vida. Silenciosamente, ela nos ensina mais do que os livros. Se observarmos com atenção, poderemos sentir nas transformações da natureza uma analogia com nossas próprias mutações.
* Imagens de quadros de Hundertwasser (fonte: internet)
*Fotos:Luciano Luppi
sexta-feira, 4 de junho de 2010
ARTE, EMOÇÃO E MEIO AMBIENTE I
“Há quase trinta anos, o poema Triste horizonte de Carlos Drummond de Andrade, publicado na imprensa em 1976, emocionou e sensibilizou os cidadãos para a degradação ambiental em Belo Horizonte. Ele dizia:
Sossega minha saudade. Não me
Cicies outra vez
O impróprio convite.
Não quero mais, não quero ver-te
Meu triste horizonte e destroçado amor.
Naquela ocasião, esse único poema fez mais pela expansão da consciência ecológica do que muitos estudos técnicos aprofundados que apontavam os problemas, porém eram dotados de menor poder de comunicação. Esse foi um exemplo do poder da poesia para aguçar a percepção sobre o meio ambiente por meio do sentimento estético e da beleza, indissociáveis da ética ecológica.
No âmbito global, são inúmeros os casos em que os artistas compromissados e responsáveis puseram sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço da ecologia, da paz, de causas generosas e voltadas para o bem-estar social.
A arte é um caminho poderoso por tocar direto as emoções e os sentimentos. Vai além da razão e do intelecto e seu poder é aplicável de múltiplas e criativas maneiras. Muitas vezes, a emoção, difusa e intuitiva, nebulosa e indefinida, é o motor que deflagra processos mais racionais e sistematizados das questões relacionadas à ecologia. A emoção move, a razão organiza.
Grupos de teatro que abordam em suas peças e encenações a temática ambiental; a produção de textos de teatro e de literatura para serem adotados nas escolas; o envolvimento de escultores e artistas plásticos no projeto de novos espaços urbanos, ao lado de arquitetos e paisagistas; a música e a poesia que refletem a realidade ambiental; a produção de VT’s ecológicos e de manifestações artísticas modernas: essas são algumas modalidades de trabalho nas quais o potencial criativo da arte pode estar a serviço da melhoria ambiental. Veiculadas nas escolas públicas e privadas, tais atividades podem mudar mentalidades e valores, num processo de ecologização da educação formal e informal. A criação de jogos informatizados, nos quais se usem elementos do ecossistema local, constitui forma de mobilizar a criatividade artística no âmbito da informática.
A mobilização dos artistas que trabalham profissionalmente na publicidade, na concepção e produção de peças voltadas para a educação nas escolas, promove a integração entre arte e meio ambiente. Até mesmo a publicidade, freqüentemente a serviço de consumismo e de valores materiais elementares, tem grande potencial de comunicação para prestar serviços que facilitem o exercício da cidadania ecologicamente responsável.
Para a aprendizagem do viver sustentável, a arte adquire realce especial. Ao extrapolar a abordagem racional e intelectual sobre o meio ambiente, ressaltada no ensino de ciência e técnicas, e cuja comunicação com o grande público é mais difícil, as artes têm o dom de possibilitar comunicação imediata.” (Maurício Andrés Ribeiro)
Dando continuidade às idéias do Maurício, intercalo um pequeno texto do meu livro “Os caminhos da Arte”, no capítulo “Volta à Natureza”.
O artista plástico Frans Krajcberg, nascido na Polônia mas naturalizado brasileiro, é o exemplo de um artista consciente dos problemas ecológicos. Quando visitou a Amazônia pela primeira vez, Krajberg decidiu se dedicar à defesa da natureza, documentando a devastação das florestas brasileiras. Sua arte passou então a ser uma arte de denúncia: árvores destruídas e troncos retorcidos, transformados em escultura. Percorrendo aquela região, Krajberg fotografou o drama das queimadas e, com a sensibilidade do fotógrafo, documentou a morte do verde que se torna deserto.
*Fotos: Maurício Andrés e Ivana Andrés
Sossega minha saudade. Não me
Cicies outra vez
O impróprio convite.
Não quero mais, não quero ver-te
Meu triste horizonte e destroçado amor.
Naquela ocasião, esse único poema fez mais pela expansão da consciência ecológica do que muitos estudos técnicos aprofundados que apontavam os problemas, porém eram dotados de menor poder de comunicação. Esse foi um exemplo do poder da poesia para aguçar a percepção sobre o meio ambiente por meio do sentimento estético e da beleza, indissociáveis da ética ecológica.
No âmbito global, são inúmeros os casos em que os artistas compromissados e responsáveis puseram sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço da ecologia, da paz, de causas generosas e voltadas para o bem-estar social.
A arte é um caminho poderoso por tocar direto as emoções e os sentimentos. Vai além da razão e do intelecto e seu poder é aplicável de múltiplas e criativas maneiras. Muitas vezes, a emoção, difusa e intuitiva, nebulosa e indefinida, é o motor que deflagra processos mais racionais e sistematizados das questões relacionadas à ecologia. A emoção move, a razão organiza.
Grupos de teatro que abordam em suas peças e encenações a temática ambiental; a produção de textos de teatro e de literatura para serem adotados nas escolas; o envolvimento de escultores e artistas plásticos no projeto de novos espaços urbanos, ao lado de arquitetos e paisagistas; a música e a poesia que refletem a realidade ambiental; a produção de VT’s ecológicos e de manifestações artísticas modernas: essas são algumas modalidades de trabalho nas quais o potencial criativo da arte pode estar a serviço da melhoria ambiental. Veiculadas nas escolas públicas e privadas, tais atividades podem mudar mentalidades e valores, num processo de ecologização da educação formal e informal. A criação de jogos informatizados, nos quais se usem elementos do ecossistema local, constitui forma de mobilizar a criatividade artística no âmbito da informática.
A mobilização dos artistas que trabalham profissionalmente na publicidade, na concepção e produção de peças voltadas para a educação nas escolas, promove a integração entre arte e meio ambiente. Até mesmo a publicidade, freqüentemente a serviço de consumismo e de valores materiais elementares, tem grande potencial de comunicação para prestar serviços que facilitem o exercício da cidadania ecologicamente responsável.
Para a aprendizagem do viver sustentável, a arte adquire realce especial. Ao extrapolar a abordagem racional e intelectual sobre o meio ambiente, ressaltada no ensino de ciência e técnicas, e cuja comunicação com o grande público é mais difícil, as artes têm o dom de possibilitar comunicação imediata.” (Maurício Andrés Ribeiro)
Dando continuidade às idéias do Maurício, intercalo um pequeno texto do meu livro “Os caminhos da Arte”, no capítulo “Volta à Natureza”.
O artista plástico Frans Krajcberg, nascido na Polônia mas naturalizado brasileiro, é o exemplo de um artista consciente dos problemas ecológicos. Quando visitou a Amazônia pela primeira vez, Krajberg decidiu se dedicar à defesa da natureza, documentando a devastação das florestas brasileiras. Sua arte passou então a ser uma arte de denúncia: árvores destruídas e troncos retorcidos, transformados em escultura. Percorrendo aquela região, Krajberg fotografou o drama das queimadas e, com a sensibilidade do fotógrafo, documentou a morte do verde que se torna deserto.
*Fotos: Maurício Andrés e Ivana Andrés
sábado, 29 de maio de 2010
MÚSICA PARA AS MONTANHAS
No dia 6 de fevereiro de 2010, postei no meu blog um artigo propondo que artistas assumissem a responsabilidade de atuar na defesa da natureza. Os artistas atuariam nos diversos setores das artes, promovendo a conscientização de que nossas montanhas estão sendo sacrificadas e os rios e riachos desaparecendo.
As artes têm o poder de comunicação que atinge as pessoas pela sensibilidade. Isto é fundamental para uma tomada de consciência e talvez uma transformação.
Naquele artigo eu sugeri que se fizesse em terras mineiras uma nova inconfidência, a Inconfidência Ecológica. Esse apelo ecológico, que surgiu na década de 70 com o poema “Triste Horizonte” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade e os adesivos “Olhe bem para as montanhas” do artista plástico Manfredo de Souzanetto, está crescendo cada vez mais.
Novas idéias surgem espontaneamente, movidas por um apelo cósmico. Recentemente, um grupo de músicos e o apoio do grupo “Ama Serra”, apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 3 de maio, uma noite musical denominada “Música para as Montanhas”, que está fortalecendo o movimento em favor da proteção da Serra da Calçada.
As artes - música, dança, teatro e poesia - por terem uma linguagem direta e de fácil assimilação pelas pessoas, sempre foram utilizadas para a educação e conscientização ambiental. Na cultura, são inúmeros os exemplos onde o artista coloca sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço do meio ambiente, da paz, de causas sociais generosas - voltadas para o bem estar social.
De acordo com o depoimento da curadora artista Maria Bragança, além dela “ali estiveram os artistas mineiros Flávio Venturini, Túlio Mourão, Flávio Henrique, Kadu Viana, Mariana Nunes, Titane, Djalma Correa e Lucas Avelar, além da fotógrafa Ilana Lansky e do artista plástico Mário Vale.
Na abertura do show houve uma participação especial do percussionista Djalma Corrêa junto ao grupo Sorriso Negro, formado por percussionistas, cantores e bailarinos quilombolas do Quilombo Sapé, da região do entorno da Serra da Calçada.
A partir daí, surgiu a idéia de realizar, no Palácio das Artes, esse encontro com os artistas para fazerem um show que foi um pedido de socorro em busca da proteção para a Serra da Calçada. Também no palco o último instrumento elaborado pelo músico e compositor Marco Antônio Guimarães.
MÚSICA PARA AS MONTANHAS é um projeto que deseja sensibilizar o governo e mobilizar as pessoas para a importância da transformação da Serra da Calçada em uma unidade de conservação, além de divulgar a relevância histórica e natural da área. O projeto pretende realizar duas edições por ano, reunindo artistas de grande expressividade em prol da proteção de áreas relevantes para a saúde ambiental do planeta.”
*Fotos: Hanna Lansky e Ana Valadares
As artes têm o poder de comunicação que atinge as pessoas pela sensibilidade. Isto é fundamental para uma tomada de consciência e talvez uma transformação.
Naquele artigo eu sugeri que se fizesse em terras mineiras uma nova inconfidência, a Inconfidência Ecológica. Esse apelo ecológico, que surgiu na década de 70 com o poema “Triste Horizonte” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade e os adesivos “Olhe bem para as montanhas” do artista plástico Manfredo de Souzanetto, está crescendo cada vez mais.
Novas idéias surgem espontaneamente, movidas por um apelo cósmico. Recentemente, um grupo de músicos e o apoio do grupo “Ama Serra”, apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 3 de maio, uma noite musical denominada “Música para as Montanhas”, que está fortalecendo o movimento em favor da proteção da Serra da Calçada.
As artes - música, dança, teatro e poesia - por terem uma linguagem direta e de fácil assimilação pelas pessoas, sempre foram utilizadas para a educação e conscientização ambiental. Na cultura, são inúmeros os exemplos onde o artista coloca sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço do meio ambiente, da paz, de causas sociais generosas - voltadas para o bem estar social.
De acordo com o depoimento da curadora artista Maria Bragança, além dela “ali estiveram os artistas mineiros Flávio Venturini, Túlio Mourão, Flávio Henrique, Kadu Viana, Mariana Nunes, Titane, Djalma Correa e Lucas Avelar, além da fotógrafa Ilana Lansky e do artista plástico Mário Vale.
Na abertura do show houve uma participação especial do percussionista Djalma Corrêa junto ao grupo Sorriso Negro, formado por percussionistas, cantores e bailarinos quilombolas do Quilombo Sapé, da região do entorno da Serra da Calçada.
A partir daí, surgiu a idéia de realizar, no Palácio das Artes, esse encontro com os artistas para fazerem um show que foi um pedido de socorro em busca da proteção para a Serra da Calçada. Também no palco o último instrumento elaborado pelo músico e compositor Marco Antônio Guimarães.
MÚSICA PARA AS MONTANHAS é um projeto que deseja sensibilizar o governo e mobilizar as pessoas para a importância da transformação da Serra da Calçada em uma unidade de conservação, além de divulgar a relevância histórica e natural da área. O projeto pretende realizar duas edições por ano, reunindo artistas de grande expressividade em prol da proteção de áreas relevantes para a saúde ambiental do planeta.”
*Fotos: Hanna Lansky e Ana Valadares
sexta-feira, 28 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O CONSTRUTIVISMO BRASILEIRO E A ARTE DOS ÍNDIOS
No momento em que a arte construtiva brasileira está sendo mostrada em Houston nos Estados Unidos com o maior sucesso, convém lembrar nossas origens indígenas.
“Eu nunca te encontraria se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos mostra a força de uma tradição que aflorou na década de 50, conduzindo artistas, pintores, desenhistas, escultores, designers, arquitetos, poetas, para a busca da ordem e do equilíbrio dentro da arte.
Esta ordem interna sempre foi buscada pelos índios em todas as suas manifestações culturais que se estendiam para a vida da comunidade.
A arte dos índios, em seus padrões geométricos, repetitivos e disciplinados, remete a outros domínios do pensamento, constituindo meios de comunicação e modos de conceber, compreender e refletir a ordem social e cosmológica. Modelando a argila ou pintando o próprio corpo eles se harmonizam com a natureza, integrando-se ao seu meio.
Segundo os irmãos Villas Boas, famosos indigenistas brasileiros, temos muita coisa a aprender com os índios. Para eles a natureza conserva-se a mesma. O ano é dividido em dois períodos distintos: o inverno ou o tempo das águas, começando em outubro e terminando em março; e o verão, período seco, de abril a setembro. O ritmo de vida do índio acompanha o ritmo da natureza. Quando chegam as chuvas, ele se retrai silenciosamente para dentro das malocas, cuidando de trabalhos miúdos. Deixa de pintar o corpo e de se enfeitar. Suas atividades são mais serenas. Espera pacientemente as águas crescerem, os rios invadirem as matas, para deixar a maloca em busca dos peixes que já estão à espera dos primeiros frutos caídos das árvores. De acordo com o verão e o inverno, denominações que têm correspondência exatamente oposta à nossa, vive uma vida ativa ou retraída, caçando, pescando ou cuidando de trabalhos menores.
No Museu do Índio, no Rio de Janeiro, procurei observar com atenção os caracteres geometrizados em todo artesanato indígena nas cestarias, cerâmicas e até na pintura corpórea. Muito antes da chegada dos europeus, mergulhados nas florestas, seguindo o ritmo natural da vida, os índios buscavam o equilíbrio também em suas manifestações artísticas.
Observavam a pele dos animais, onças, lagartas e dali partiam para a busca da ordem e da simetria em seus padrões geométricos.
Nossos antepassados se manifestavam de forma construtiva, um construtivismo orgânico e espontâneo.
O construtivismo brasileiro também buscou alcançar este equilíbrio e ordem. O movimento construtivista que se propagou pelo Brasil na década de 50 foi uma integração perfeita do que veio da Europa com o que já existia dentro de nós.
“Eu nunca te encontraria se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos mostra a força de uma tradição que aflorou na década de 50, conduzindo artistas, pintores, desenhistas, escultores, designers, arquitetos, poetas, para a busca da ordem e do equilíbrio dentro da arte.
Esta ordem interna sempre foi buscada pelos índios em todas as suas manifestações culturais que se estendiam para a vida da comunidade.
A arte dos índios, em seus padrões geométricos, repetitivos e disciplinados, remete a outros domínios do pensamento, constituindo meios de comunicação e modos de conceber, compreender e refletir a ordem social e cosmológica. Modelando a argila ou pintando o próprio corpo eles se harmonizam com a natureza, integrando-se ao seu meio.
Segundo os irmãos Villas Boas, famosos indigenistas brasileiros, temos muita coisa a aprender com os índios. Para eles a natureza conserva-se a mesma. O ano é dividido em dois períodos distintos: o inverno ou o tempo das águas, começando em outubro e terminando em março; e o verão, período seco, de abril a setembro. O ritmo de vida do índio acompanha o ritmo da natureza. Quando chegam as chuvas, ele se retrai silenciosamente para dentro das malocas, cuidando de trabalhos miúdos. Deixa de pintar o corpo e de se enfeitar. Suas atividades são mais serenas. Espera pacientemente as águas crescerem, os rios invadirem as matas, para deixar a maloca em busca dos peixes que já estão à espera dos primeiros frutos caídos das árvores. De acordo com o verão e o inverno, denominações que têm correspondência exatamente oposta à nossa, vive uma vida ativa ou retraída, caçando, pescando ou cuidando de trabalhos menores.
No Museu do Índio, no Rio de Janeiro, procurei observar com atenção os caracteres geometrizados em todo artesanato indígena nas cestarias, cerâmicas e até na pintura corpórea. Muito antes da chegada dos europeus, mergulhados nas florestas, seguindo o ritmo natural da vida, os índios buscavam o equilíbrio também em suas manifestações artísticas.
Observavam a pele dos animais, onças, lagartas e dali partiam para a busca da ordem e da simetria em seus padrões geométricos.
Nossos antepassados se manifestavam de forma construtiva, um construtivismo orgânico e espontâneo.
O construtivismo brasileiro também buscou alcançar este equilíbrio e ordem. O movimento construtivista que se propagou pelo Brasil na década de 50 foi uma integração perfeita do que veio da Europa com o que já existia dentro de nós.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
UAKTI E PHILIP GLASS, UMA EXPERIÊNCIA NA EUROPA
Enquanto o carro rodava em direção ao Retiro das Pedras, um CD também rodava, transmitindo sons de grande beleza. As estruturas sonoras crescentes criavam um estado de atenção para com o entorno. O nosso entorno naquele momento era a estrada, as montanhas, o céu estrelado e os sons da música de Philip Glass com o Grupo UAKTI. O CD, denominado Órion, foi gravado em Atenas, junto à Acrópole. A constelação de Orion foi homenageada por Philip Glass por ser a única constelação que abrange dois hemisférios – sul e norte.
A apresentação na Europa teve como cenário um teatro grego ao ar livre, Hecodicus Aticus situado dentro da Acrópole. Antigamente os gregos ali apresentavam suas peças que até hoje perduram como patrimônio da humanidade.
Philip Glass procurou reunir representantes de todos os continentes, buscando uma integração da humanidade através da música. Ali podiam ser ouvidos sons do extremo oriente, da Austrália, Ásia, África, Europa e Américas. O hemisfério norte era representado por Philip Glass e um músico canadense e todo o hemisfério sul pelo grupo UAKTI. O sitar da Índia também ecoou na Acrópole, com uma composição de Ravi Shankar e Philip Glass. Eleftheria Arvantaki, vocalista grega, entoou um canto em prol da integração do planeta. Tambores africanos, instrumentos aborígenes e chineses se integravam com os sons criados por músicos vindos dos mais diversos países, numa só voz, pedindo paz para a humanidade.
A primeira apresentação na Grécia foi debaixo de chuva, como se os céus quisessem também participar do concerto. Naquele momento, os espectadores da primeira fila subiram no palco e vieram, com guarda chuvas coloridos, proteger os músicos, criando uma festa de cores e sons. Aquele concerto ficou depois conhecido como o “Concerto dos guarda- chuvas”. Ao final do espetáculo os músicos se deram as mãos, sob os aplausos de uma platéia emocionada.
Depois de Atenas o grupo seguiu para Lyon, apresentando o mesmo espetáculo também numa teatro de arena cavado na pedra. O cenário recorda um passado de arte que se projeta cada vez mais para o futuro. A mesma emoção contagiou todos os presentes que, ao final do espetáculo se levantaram e também se deram as mãos, lembrando que a integração do planeta pode ser feita através da arte.
Uma das grandes funções da arte do século XXI é promover cada vez mais a consciência da unidade planetária e unidade cósmica. O grupo UAKTI, harmoniza os sons mais variados: conjuga ritmos brasileiros, africanos, indianos, música clássica e música contemporânea. A percussão nos recorda que pertencemos à Terra, fomos modelados pelo mesmo barro e a flauta nos eleva além das estrelas, à essência de onde viemos e para onde vamos.
* Fotos: Luciano Luppi, Alexandre Andrés e João Vargas
A apresentação na Europa teve como cenário um teatro grego ao ar livre, Hecodicus Aticus situado dentro da Acrópole. Antigamente os gregos ali apresentavam suas peças que até hoje perduram como patrimônio da humanidade.
Philip Glass procurou reunir representantes de todos os continentes, buscando uma integração da humanidade através da música. Ali podiam ser ouvidos sons do extremo oriente, da Austrália, Ásia, África, Europa e Américas. O hemisfério norte era representado por Philip Glass e um músico canadense e todo o hemisfério sul pelo grupo UAKTI. O sitar da Índia também ecoou na Acrópole, com uma composição de Ravi Shankar e Philip Glass. Eleftheria Arvantaki, vocalista grega, entoou um canto em prol da integração do planeta. Tambores africanos, instrumentos aborígenes e chineses se integravam com os sons criados por músicos vindos dos mais diversos países, numa só voz, pedindo paz para a humanidade.
A primeira apresentação na Grécia foi debaixo de chuva, como se os céus quisessem também participar do concerto. Naquele momento, os espectadores da primeira fila subiram no palco e vieram, com guarda chuvas coloridos, proteger os músicos, criando uma festa de cores e sons. Aquele concerto ficou depois conhecido como o “Concerto dos guarda- chuvas”. Ao final do espetáculo os músicos se deram as mãos, sob os aplausos de uma platéia emocionada.
Depois de Atenas o grupo seguiu para Lyon, apresentando o mesmo espetáculo também numa teatro de arena cavado na pedra. O cenário recorda um passado de arte que se projeta cada vez mais para o futuro. A mesma emoção contagiou todos os presentes que, ao final do espetáculo se levantaram e também se deram as mãos, lembrando que a integração do planeta pode ser feita através da arte.
Uma das grandes funções da arte do século XXI é promover cada vez mais a consciência da unidade planetária e unidade cósmica. O grupo UAKTI, harmoniza os sons mais variados: conjuga ritmos brasileiros, africanos, indianos, música clássica e música contemporânea. A percussão nos recorda que pertencemos à Terra, fomos modelados pelo mesmo barro e a flauta nos eleva além das estrelas, à essência de onde viemos e para onde vamos.
* Fotos: Luciano Luppi, Alexandre Andrés e João Vargas
sexta-feira, 7 de maio de 2010
SERRA DA PIEDADE, UNIÃO DE VÁRIOS CAMINHOS
A Serra da Piedade é um dos pontos mais conhecidos dos arredores de Belo Horizonte, local de meditação e romaria à Nossa Senhora da Piedade. A imagem da Pietá esculpida por Aleijadinho, está colocada na nave central da ermida.
No alto da montanha, a UFMG colocou um observatório astronômico, onde os estudiosos podem observar as estrelas.
Frei Rosário ali viveu por muitos anos, administrando obras, conduzindo os romeiros e meditando dentro de uma gruta. No silêncio de suas meditações ele começou a perceber, por intuição, a união de todos os caminhos.
Frei Rosário, muito à frente do seu tempo, começou a organizar uma biblioteca ecumênica destinada ao século XXI. Estando de viagem para a Índia, recebi a encomenda de trazer para a biblioteca os livros mais antigos da filosofia hindu. Viajei para a Índia com esta missão. Minha filha Eliana, como professora de ioga, ficou encarregada de escolher os livros.
Numa carta enviada para Frei Rosário, fizemos um relato da viagem. “Encontramos os volumes mais antigos da Bhagavad Gita e das Upanishads. Também nos informamos sobre a obra completa de Sri Sankarãcãrya, considerado um dos maiores sábios da Índia, aquele que difundiu de forma clara e acessível a filosofia Advaita.” Entre os livros que agora fazem parte da biblioteca ecumênica da Serra da Piedade estão os Vedas, escrituras sagradas mais antigas dos hindus, que se dividem em quatro: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. O Rig Veda é considerado um dos textos mais antigos da humanidade. Acredita-se que ele data de 1200 anos A.C ou até mais.
Quando Frei Rosário me procurou em Belo Horizonte para realizar os painéis das capelas da ermida de Nossa Senhora da Piedade, eu acabava de escrever um capítulo para meu livro Os caminhos da Arte relacionando os hinos védicos com o canto gregoriano. Meu trabalho estava voltado para a integração do Oriente com o Ocidente através da música religiosa.
Em relação aos dois painéis, Frei Rosário me trouxe indicações bíblicas que eu deveria ler para me inspirar nos temas encomendados. Era importante ler textos do Antigo e Novo Testamento, para uma informação histórica.
Antes de começar os trabalhos, fui várias vezes à Serra da Piedade contemplar as montanhas, que se assemelham às do Retiro das Pedras, onde moro.Tirei fotos, fiz estudos de tamanhos variados. Era importante penetrar não somente no espírito das montanhas, em sua transparência e fluidez, como também recuar até a nossa tradição barroca de arabescos e curvas. Numa das capelas a figura de Jesus Cristo foi colocada no centro de uma mandala, símbolo cósmico de integração tanto no oriente como no ocidente. Na outra capela, São José está representado como guardião de Jesus.
Deixei os projetos com o competente artista Juan Carlos Cerri, professor da UFMG, que realizou, juntamente com uma equipe de assistentes, os painéis em azulejo.
*Fotos: Maurício Andrés
No alto da montanha, a UFMG colocou um observatório astronômico, onde os estudiosos podem observar as estrelas.
Frei Rosário ali viveu por muitos anos, administrando obras, conduzindo os romeiros e meditando dentro de uma gruta. No silêncio de suas meditações ele começou a perceber, por intuição, a união de todos os caminhos.
Frei Rosário, muito à frente do seu tempo, começou a organizar uma biblioteca ecumênica destinada ao século XXI. Estando de viagem para a Índia, recebi a encomenda de trazer para a biblioteca os livros mais antigos da filosofia hindu. Viajei para a Índia com esta missão. Minha filha Eliana, como professora de ioga, ficou encarregada de escolher os livros.
Numa carta enviada para Frei Rosário, fizemos um relato da viagem. “Encontramos os volumes mais antigos da Bhagavad Gita e das Upanishads. Também nos informamos sobre a obra completa de Sri Sankarãcãrya, considerado um dos maiores sábios da Índia, aquele que difundiu de forma clara e acessível a filosofia Advaita.” Entre os livros que agora fazem parte da biblioteca ecumênica da Serra da Piedade estão os Vedas, escrituras sagradas mais antigas dos hindus, que se dividem em quatro: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. O Rig Veda é considerado um dos textos mais antigos da humanidade. Acredita-se que ele data de 1200 anos A.C ou até mais.
Quando Frei Rosário me procurou em Belo Horizonte para realizar os painéis das capelas da ermida de Nossa Senhora da Piedade, eu acabava de escrever um capítulo para meu livro Os caminhos da Arte relacionando os hinos védicos com o canto gregoriano. Meu trabalho estava voltado para a integração do Oriente com o Ocidente através da música religiosa.
Em relação aos dois painéis, Frei Rosário me trouxe indicações bíblicas que eu deveria ler para me inspirar nos temas encomendados. Era importante ler textos do Antigo e Novo Testamento, para uma informação histórica.
Antes de começar os trabalhos, fui várias vezes à Serra da Piedade contemplar as montanhas, que se assemelham às do Retiro das Pedras, onde moro.Tirei fotos, fiz estudos de tamanhos variados. Era importante penetrar não somente no espírito das montanhas, em sua transparência e fluidez, como também recuar até a nossa tradição barroca de arabescos e curvas. Numa das capelas a figura de Jesus Cristo foi colocada no centro de uma mandala, símbolo cósmico de integração tanto no oriente como no ocidente. Na outra capela, São José está representado como guardião de Jesus.
Deixei os projetos com o competente artista Juan Carlos Cerri, professor da UFMG, que realizou, juntamente com uma equipe de assistentes, os painéis em azulejo.
*Fotos: Maurício Andrés
sexta-feira, 30 de abril de 2010
JA.CA JARDIM CANADÁ, CENTRO DE ARTE E TECNOLOGIA
Um grupo de jovens se reuniu em torno de uma idéia: formar um espaço onde outros jovens pudessem criar e ampliar seu campo de atividades artísticas dentro da arte contemporânea. O lugar escolhido foi um galpão de 3 andares situado na Avenida Canadá, 203, a 20 km de Belo Horizonte. O JA.CA tem à frente a artista plástica e comunicadora Francisca Caporali, recentemente vinda dos EUA,onde fez mestrado em Fine Arts MFA, na Hunter College.
A proposta inicial ganhou forma. O galpão escolhido pertencia ao jovem Pedro Mendes, galerista com grande sucesso em São Paulo e Los Angeles. O JA.CA seria o pólo criador de experiências artísticas, um lugar distante do movimento da cidade, no alto das montanhas de Minas Gerais. O Jardim Canadá está sendo procurado por artistas, galeristas, escolas de dança e escola de circo. Há um movimento em torno da formação do “Caminho das Artes”, uma estrada de arte que se prolongaria até Inhotim, ponto de referência da arte contemporânea internacional. O JA.CA seria o exercício preliminar dessa arte contemporânea, que dá espaço para imaginações jovens abertas ao novo. Vários projetos surgiram. Nos critérios de seleção foram priorizados projetos que tivessem relação com o entorno, arquitetura e comunidade. O JA.CA oferece também um espaço de troca, discussão e reflexão sobre novos caminhos para a criação artística.
Propostas dos artistas selecionados:
Isabela Prado propõe um diálogo com o público através do uso de materiais do cotidiano e explora a relação do corpo com os objetos, por meio de performances, instalações e videos.
Pedro Veneroso usa a fotografia, luz e som, dentro da proposta Art, performance, light and photography, trabalhando também com a interface entre as pessoas e máquinas.
Roberto Rolim Andrés e Fernanda Regaldo fizeram a proposta “Quintal Canadá”, que consiste em questionar a relação da comunidade com a paisagem.
Paulo Nazareth propõe, em seu projeto o plantio de árvores frutíferas em perímetro urbano e flores silvestres em jardins públicos.
Pedro Mota propõe uma intervenção LandArt de fazer interferências em lotes vagos que lidam com a exportação do nosso minério para a China.
O Grupo Passo composto por Aruan Mattos e Flávia Regaldo, propõe para o JA.CA esculturas cinéticas, a exemplo do que fez no Arraial da Boa Morte.
À inauguração do espaço compareceram artistas, cinegrafistas, arquitetos, poetas, um grupo interessado na formação da Arte Contemporânea.
* Fotos: Xandro e Marcelo Coelho
A proposta inicial ganhou forma. O galpão escolhido pertencia ao jovem Pedro Mendes, galerista com grande sucesso em São Paulo e Los Angeles. O JA.CA seria o pólo criador de experiências artísticas, um lugar distante do movimento da cidade, no alto das montanhas de Minas Gerais. O Jardim Canadá está sendo procurado por artistas, galeristas, escolas de dança e escola de circo. Há um movimento em torno da formação do “Caminho das Artes”, uma estrada de arte que se prolongaria até Inhotim, ponto de referência da arte contemporânea internacional. O JA.CA seria o exercício preliminar dessa arte contemporânea, que dá espaço para imaginações jovens abertas ao novo. Vários projetos surgiram. Nos critérios de seleção foram priorizados projetos que tivessem relação com o entorno, arquitetura e comunidade. O JA.CA oferece também um espaço de troca, discussão e reflexão sobre novos caminhos para a criação artística.
Propostas dos artistas selecionados:
Isabela Prado propõe um diálogo com o público através do uso de materiais do cotidiano e explora a relação do corpo com os objetos, por meio de performances, instalações e videos.
Pedro Veneroso usa a fotografia, luz e som, dentro da proposta Art, performance, light and photography, trabalhando também com a interface entre as pessoas e máquinas.
Roberto Rolim Andrés e Fernanda Regaldo fizeram a proposta “Quintal Canadá”, que consiste em questionar a relação da comunidade com a paisagem.
Paulo Nazareth propõe, em seu projeto o plantio de árvores frutíferas em perímetro urbano e flores silvestres em jardins públicos.
Pedro Mota propõe uma intervenção LandArt de fazer interferências em lotes vagos que lidam com a exportação do nosso minério para a China.
O Grupo Passo composto por Aruan Mattos e Flávia Regaldo, propõe para o JA.CA esculturas cinéticas, a exemplo do que fez no Arraial da Boa Morte.
À inauguração do espaço compareceram artistas, cinegrafistas, arquitetos, poetas, um grupo interessado na formação da Arte Contemporânea.
* Fotos: Xandro e Marcelo Coelho
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