Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
sábado, 29 de maio de 2010
MÚSICA PARA AS MONTANHAS
No dia 6 de fevereiro de 2010, postei no meu blog um artigo propondo que artistas assumissem a responsabilidade de atuar na defesa da natureza. Os artistas atuariam nos diversos setores das artes, promovendo a conscientização de que nossas montanhas estão sendo sacrificadas e os rios e riachos desaparecendo.
As artes têm o poder de comunicação que atinge as pessoas pela sensibilidade. Isto é fundamental para uma tomada de consciência e talvez uma transformação.
Naquele artigo eu sugeri que se fizesse em terras mineiras uma nova inconfidência, a Inconfidência Ecológica. Esse apelo ecológico, que surgiu na década de 70 com o poema “Triste Horizonte” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade e os adesivos “Olhe bem para as montanhas” do artista plástico Manfredo de Souzanetto, está crescendo cada vez mais.
Novas idéias surgem espontaneamente, movidas por um apelo cósmico. Recentemente, um grupo de músicos e o apoio do grupo “Ama Serra”, apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 3 de maio, uma noite musical denominada “Música para as Montanhas”, que está fortalecendo o movimento em favor da proteção da Serra da Calçada.
As artes - música, dança, teatro e poesia - por terem uma linguagem direta e de fácil assimilação pelas pessoas, sempre foram utilizadas para a educação e conscientização ambiental. Na cultura, são inúmeros os exemplos onde o artista coloca sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço do meio ambiente, da paz, de causas sociais generosas - voltadas para o bem estar social.
De acordo com o depoimento da curadora artista Maria Bragança, além dela “ali estiveram os artistas mineiros Flávio Venturini, Túlio Mourão, Flávio Henrique, Kadu Viana, Mariana Nunes, Titane, Djalma Correa e Lucas Avelar, além da fotógrafa Ilana Lansky e do artista plástico Mário Vale.
Na abertura do show houve uma participação especial do percussionista Djalma Corrêa junto ao grupo Sorriso Negro, formado por percussionistas, cantores e bailarinos quilombolas do Quilombo Sapé, da região do entorno da Serra da Calçada.
A partir daí, surgiu a idéia de realizar, no Palácio das Artes, esse encontro com os artistas para fazerem um show que foi um pedido de socorro em busca da proteção para a Serra da Calçada. Também no palco o último instrumento elaborado pelo músico e compositor Marco Antônio Guimarães.
MÚSICA PARA AS MONTANHAS é um projeto que deseja sensibilizar o governo e mobilizar as pessoas para a importância da transformação da Serra da Calçada em uma unidade de conservação, além de divulgar a relevância histórica e natural da área. O projeto pretende realizar duas edições por ano, reunindo artistas de grande expressividade em prol da proteção de áreas relevantes para a saúde ambiental do planeta.”
*Fotos: Hanna Lansky e Ana Valadares
As artes têm o poder de comunicação que atinge as pessoas pela sensibilidade. Isto é fundamental para uma tomada de consciência e talvez uma transformação.
Naquele artigo eu sugeri que se fizesse em terras mineiras uma nova inconfidência, a Inconfidência Ecológica. Esse apelo ecológico, que surgiu na década de 70 com o poema “Triste Horizonte” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade e os adesivos “Olhe bem para as montanhas” do artista plástico Manfredo de Souzanetto, está crescendo cada vez mais.
Novas idéias surgem espontaneamente, movidas por um apelo cósmico. Recentemente, um grupo de músicos e o apoio do grupo “Ama Serra”, apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 3 de maio, uma noite musical denominada “Música para as Montanhas”, que está fortalecendo o movimento em favor da proteção da Serra da Calçada.
As artes - música, dança, teatro e poesia - por terem uma linguagem direta e de fácil assimilação pelas pessoas, sempre foram utilizadas para a educação e conscientização ambiental. Na cultura, são inúmeros os exemplos onde o artista coloca sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço do meio ambiente, da paz, de causas sociais generosas - voltadas para o bem estar social.
De acordo com o depoimento da curadora artista Maria Bragança, além dela “ali estiveram os artistas mineiros Flávio Venturini, Túlio Mourão, Flávio Henrique, Kadu Viana, Mariana Nunes, Titane, Djalma Correa e Lucas Avelar, além da fotógrafa Ilana Lansky e do artista plástico Mário Vale.
Na abertura do show houve uma participação especial do percussionista Djalma Corrêa junto ao grupo Sorriso Negro, formado por percussionistas, cantores e bailarinos quilombolas do Quilombo Sapé, da região do entorno da Serra da Calçada.
A partir daí, surgiu a idéia de realizar, no Palácio das Artes, esse encontro com os artistas para fazerem um show que foi um pedido de socorro em busca da proteção para a Serra da Calçada. Também no palco o último instrumento elaborado pelo músico e compositor Marco Antônio Guimarães.
MÚSICA PARA AS MONTANHAS é um projeto que deseja sensibilizar o governo e mobilizar as pessoas para a importância da transformação da Serra da Calçada em uma unidade de conservação, além de divulgar a relevância histórica e natural da área. O projeto pretende realizar duas edições por ano, reunindo artistas de grande expressividade em prol da proteção de áreas relevantes para a saúde ambiental do planeta.”
*Fotos: Hanna Lansky e Ana Valadares
sexta-feira, 28 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O CONSTRUTIVISMO BRASILEIRO E A ARTE DOS ÍNDIOS
No momento em que a arte construtiva brasileira está sendo mostrada em Houston nos Estados Unidos com o maior sucesso, convém lembrar nossas origens indígenas.
“Eu nunca te encontraria se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos mostra a força de uma tradição que aflorou na década de 50, conduzindo artistas, pintores, desenhistas, escultores, designers, arquitetos, poetas, para a busca da ordem e do equilíbrio dentro da arte.
Esta ordem interna sempre foi buscada pelos índios em todas as suas manifestações culturais que se estendiam para a vida da comunidade.
A arte dos índios, em seus padrões geométricos, repetitivos e disciplinados, remete a outros domínios do pensamento, constituindo meios de comunicação e modos de conceber, compreender e refletir a ordem social e cosmológica. Modelando a argila ou pintando o próprio corpo eles se harmonizam com a natureza, integrando-se ao seu meio.
Segundo os irmãos Villas Boas, famosos indigenistas brasileiros, temos muita coisa a aprender com os índios. Para eles a natureza conserva-se a mesma. O ano é dividido em dois períodos distintos: o inverno ou o tempo das águas, começando em outubro e terminando em março; e o verão, período seco, de abril a setembro. O ritmo de vida do índio acompanha o ritmo da natureza. Quando chegam as chuvas, ele se retrai silenciosamente para dentro das malocas, cuidando de trabalhos miúdos. Deixa de pintar o corpo e de se enfeitar. Suas atividades são mais serenas. Espera pacientemente as águas crescerem, os rios invadirem as matas, para deixar a maloca em busca dos peixes que já estão à espera dos primeiros frutos caídos das árvores. De acordo com o verão e o inverno, denominações que têm correspondência exatamente oposta à nossa, vive uma vida ativa ou retraída, caçando, pescando ou cuidando de trabalhos menores.
No Museu do Índio, no Rio de Janeiro, procurei observar com atenção os caracteres geometrizados em todo artesanato indígena nas cestarias, cerâmicas e até na pintura corpórea. Muito antes da chegada dos europeus, mergulhados nas florestas, seguindo o ritmo natural da vida, os índios buscavam o equilíbrio também em suas manifestações artísticas.
Observavam a pele dos animais, onças, lagartas e dali partiam para a busca da ordem e da simetria em seus padrões geométricos.
Nossos antepassados se manifestavam de forma construtiva, um construtivismo orgânico e espontâneo.
O construtivismo brasileiro também buscou alcançar este equilíbrio e ordem. O movimento construtivista que se propagou pelo Brasil na década de 50 foi uma integração perfeita do que veio da Europa com o que já existia dentro de nós.
“Eu nunca te encontraria se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos mostra a força de uma tradição que aflorou na década de 50, conduzindo artistas, pintores, desenhistas, escultores, designers, arquitetos, poetas, para a busca da ordem e do equilíbrio dentro da arte.
Esta ordem interna sempre foi buscada pelos índios em todas as suas manifestações culturais que se estendiam para a vida da comunidade.
A arte dos índios, em seus padrões geométricos, repetitivos e disciplinados, remete a outros domínios do pensamento, constituindo meios de comunicação e modos de conceber, compreender e refletir a ordem social e cosmológica. Modelando a argila ou pintando o próprio corpo eles se harmonizam com a natureza, integrando-se ao seu meio.
Segundo os irmãos Villas Boas, famosos indigenistas brasileiros, temos muita coisa a aprender com os índios. Para eles a natureza conserva-se a mesma. O ano é dividido em dois períodos distintos: o inverno ou o tempo das águas, começando em outubro e terminando em março; e o verão, período seco, de abril a setembro. O ritmo de vida do índio acompanha o ritmo da natureza. Quando chegam as chuvas, ele se retrai silenciosamente para dentro das malocas, cuidando de trabalhos miúdos. Deixa de pintar o corpo e de se enfeitar. Suas atividades são mais serenas. Espera pacientemente as águas crescerem, os rios invadirem as matas, para deixar a maloca em busca dos peixes que já estão à espera dos primeiros frutos caídos das árvores. De acordo com o verão e o inverno, denominações que têm correspondência exatamente oposta à nossa, vive uma vida ativa ou retraída, caçando, pescando ou cuidando de trabalhos menores.
No Museu do Índio, no Rio de Janeiro, procurei observar com atenção os caracteres geometrizados em todo artesanato indígena nas cestarias, cerâmicas e até na pintura corpórea. Muito antes da chegada dos europeus, mergulhados nas florestas, seguindo o ritmo natural da vida, os índios buscavam o equilíbrio também em suas manifestações artísticas.
Observavam a pele dos animais, onças, lagartas e dali partiam para a busca da ordem e da simetria em seus padrões geométricos.
Nossos antepassados se manifestavam de forma construtiva, um construtivismo orgânico e espontâneo.
O construtivismo brasileiro também buscou alcançar este equilíbrio e ordem. O movimento construtivista que se propagou pelo Brasil na década de 50 foi uma integração perfeita do que veio da Europa com o que já existia dentro de nós.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
UAKTI E PHILIP GLASS, UMA EXPERIÊNCIA NA EUROPA
Enquanto o carro rodava em direção ao Retiro das Pedras, um CD também rodava, transmitindo sons de grande beleza. As estruturas sonoras crescentes criavam um estado de atenção para com o entorno. O nosso entorno naquele momento era a estrada, as montanhas, o céu estrelado e os sons da música de Philip Glass com o Grupo UAKTI. O CD, denominado Órion, foi gravado em Atenas, junto à Acrópole. A constelação de Orion foi homenageada por Philip Glass por ser a única constelação que abrange dois hemisférios – sul e norte.
A apresentação na Europa teve como cenário um teatro grego ao ar livre, Hecodicus Aticus situado dentro da Acrópole. Antigamente os gregos ali apresentavam suas peças que até hoje perduram como patrimônio da humanidade.
Philip Glass procurou reunir representantes de todos os continentes, buscando uma integração da humanidade através da música. Ali podiam ser ouvidos sons do extremo oriente, da Austrália, Ásia, África, Europa e Américas. O hemisfério norte era representado por Philip Glass e um músico canadense e todo o hemisfério sul pelo grupo UAKTI. O sitar da Índia também ecoou na Acrópole, com uma composição de Ravi Shankar e Philip Glass. Eleftheria Arvantaki, vocalista grega, entoou um canto em prol da integração do planeta. Tambores africanos, instrumentos aborígenes e chineses se integravam com os sons criados por músicos vindos dos mais diversos países, numa só voz, pedindo paz para a humanidade.
A primeira apresentação na Grécia foi debaixo de chuva, como se os céus quisessem também participar do concerto. Naquele momento, os espectadores da primeira fila subiram no palco e vieram, com guarda chuvas coloridos, proteger os músicos, criando uma festa de cores e sons. Aquele concerto ficou depois conhecido como o “Concerto dos guarda- chuvas”. Ao final do espetáculo os músicos se deram as mãos, sob os aplausos de uma platéia emocionada.
Depois de Atenas o grupo seguiu para Lyon, apresentando o mesmo espetáculo também numa teatro de arena cavado na pedra. O cenário recorda um passado de arte que se projeta cada vez mais para o futuro. A mesma emoção contagiou todos os presentes que, ao final do espetáculo se levantaram e também se deram as mãos, lembrando que a integração do planeta pode ser feita através da arte.
Uma das grandes funções da arte do século XXI é promover cada vez mais a consciência da unidade planetária e unidade cósmica. O grupo UAKTI, harmoniza os sons mais variados: conjuga ritmos brasileiros, africanos, indianos, música clássica e música contemporânea. A percussão nos recorda que pertencemos à Terra, fomos modelados pelo mesmo barro e a flauta nos eleva além das estrelas, à essência de onde viemos e para onde vamos.
* Fotos: Luciano Luppi, Alexandre Andrés e João Vargas
A apresentação na Europa teve como cenário um teatro grego ao ar livre, Hecodicus Aticus situado dentro da Acrópole. Antigamente os gregos ali apresentavam suas peças que até hoje perduram como patrimônio da humanidade.
Philip Glass procurou reunir representantes de todos os continentes, buscando uma integração da humanidade através da música. Ali podiam ser ouvidos sons do extremo oriente, da Austrália, Ásia, África, Europa e Américas. O hemisfério norte era representado por Philip Glass e um músico canadense e todo o hemisfério sul pelo grupo UAKTI. O sitar da Índia também ecoou na Acrópole, com uma composição de Ravi Shankar e Philip Glass. Eleftheria Arvantaki, vocalista grega, entoou um canto em prol da integração do planeta. Tambores africanos, instrumentos aborígenes e chineses se integravam com os sons criados por músicos vindos dos mais diversos países, numa só voz, pedindo paz para a humanidade.
A primeira apresentação na Grécia foi debaixo de chuva, como se os céus quisessem também participar do concerto. Naquele momento, os espectadores da primeira fila subiram no palco e vieram, com guarda chuvas coloridos, proteger os músicos, criando uma festa de cores e sons. Aquele concerto ficou depois conhecido como o “Concerto dos guarda- chuvas”. Ao final do espetáculo os músicos se deram as mãos, sob os aplausos de uma platéia emocionada.
Depois de Atenas o grupo seguiu para Lyon, apresentando o mesmo espetáculo também numa teatro de arena cavado na pedra. O cenário recorda um passado de arte que se projeta cada vez mais para o futuro. A mesma emoção contagiou todos os presentes que, ao final do espetáculo se levantaram e também se deram as mãos, lembrando que a integração do planeta pode ser feita através da arte.
Uma das grandes funções da arte do século XXI é promover cada vez mais a consciência da unidade planetária e unidade cósmica. O grupo UAKTI, harmoniza os sons mais variados: conjuga ritmos brasileiros, africanos, indianos, música clássica e música contemporânea. A percussão nos recorda que pertencemos à Terra, fomos modelados pelo mesmo barro e a flauta nos eleva além das estrelas, à essência de onde viemos e para onde vamos.
* Fotos: Luciano Luppi, Alexandre Andrés e João Vargas
sexta-feira, 7 de maio de 2010
SERRA DA PIEDADE, UNIÃO DE VÁRIOS CAMINHOS
A Serra da Piedade é um dos pontos mais conhecidos dos arredores de Belo Horizonte, local de meditação e romaria à Nossa Senhora da Piedade. A imagem da Pietá esculpida por Aleijadinho, está colocada na nave central da ermida.
No alto da montanha, a UFMG colocou um observatório astronômico, onde os estudiosos podem observar as estrelas.
Frei Rosário ali viveu por muitos anos, administrando obras, conduzindo os romeiros e meditando dentro de uma gruta. No silêncio de suas meditações ele começou a perceber, por intuição, a união de todos os caminhos.
Frei Rosário, muito à frente do seu tempo, começou a organizar uma biblioteca ecumênica destinada ao século XXI. Estando de viagem para a Índia, recebi a encomenda de trazer para a biblioteca os livros mais antigos da filosofia hindu. Viajei para a Índia com esta missão. Minha filha Eliana, como professora de ioga, ficou encarregada de escolher os livros.
Numa carta enviada para Frei Rosário, fizemos um relato da viagem. “Encontramos os volumes mais antigos da Bhagavad Gita e das Upanishads. Também nos informamos sobre a obra completa de Sri Sankarãcãrya, considerado um dos maiores sábios da Índia, aquele que difundiu de forma clara e acessível a filosofia Advaita.” Entre os livros que agora fazem parte da biblioteca ecumênica da Serra da Piedade estão os Vedas, escrituras sagradas mais antigas dos hindus, que se dividem em quatro: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. O Rig Veda é considerado um dos textos mais antigos da humanidade. Acredita-se que ele data de 1200 anos A.C ou até mais.
Quando Frei Rosário me procurou em Belo Horizonte para realizar os painéis das capelas da ermida de Nossa Senhora da Piedade, eu acabava de escrever um capítulo para meu livro Os caminhos da Arte relacionando os hinos védicos com o canto gregoriano. Meu trabalho estava voltado para a integração do Oriente com o Ocidente através da música religiosa.
Em relação aos dois painéis, Frei Rosário me trouxe indicações bíblicas que eu deveria ler para me inspirar nos temas encomendados. Era importante ler textos do Antigo e Novo Testamento, para uma informação histórica.
Antes de começar os trabalhos, fui várias vezes à Serra da Piedade contemplar as montanhas, que se assemelham às do Retiro das Pedras, onde moro.Tirei fotos, fiz estudos de tamanhos variados. Era importante penetrar não somente no espírito das montanhas, em sua transparência e fluidez, como também recuar até a nossa tradição barroca de arabescos e curvas. Numa das capelas a figura de Jesus Cristo foi colocada no centro de uma mandala, símbolo cósmico de integração tanto no oriente como no ocidente. Na outra capela, São José está representado como guardião de Jesus.
Deixei os projetos com o competente artista Juan Carlos Cerri, professor da UFMG, que realizou, juntamente com uma equipe de assistentes, os painéis em azulejo.
*Fotos: Maurício Andrés
No alto da montanha, a UFMG colocou um observatório astronômico, onde os estudiosos podem observar as estrelas.
Frei Rosário ali viveu por muitos anos, administrando obras, conduzindo os romeiros e meditando dentro de uma gruta. No silêncio de suas meditações ele começou a perceber, por intuição, a união de todos os caminhos.
Frei Rosário, muito à frente do seu tempo, começou a organizar uma biblioteca ecumênica destinada ao século XXI. Estando de viagem para a Índia, recebi a encomenda de trazer para a biblioteca os livros mais antigos da filosofia hindu. Viajei para a Índia com esta missão. Minha filha Eliana, como professora de ioga, ficou encarregada de escolher os livros.
Numa carta enviada para Frei Rosário, fizemos um relato da viagem. “Encontramos os volumes mais antigos da Bhagavad Gita e das Upanishads. Também nos informamos sobre a obra completa de Sri Sankarãcãrya, considerado um dos maiores sábios da Índia, aquele que difundiu de forma clara e acessível a filosofia Advaita.” Entre os livros que agora fazem parte da biblioteca ecumênica da Serra da Piedade estão os Vedas, escrituras sagradas mais antigas dos hindus, que se dividem em quatro: Rig Veda, Yajur Veda, Sama Veda e Atharva Veda. O Rig Veda é considerado um dos textos mais antigos da humanidade. Acredita-se que ele data de 1200 anos A.C ou até mais.
Quando Frei Rosário me procurou em Belo Horizonte para realizar os painéis das capelas da ermida de Nossa Senhora da Piedade, eu acabava de escrever um capítulo para meu livro Os caminhos da Arte relacionando os hinos védicos com o canto gregoriano. Meu trabalho estava voltado para a integração do Oriente com o Ocidente através da música religiosa.
Em relação aos dois painéis, Frei Rosário me trouxe indicações bíblicas que eu deveria ler para me inspirar nos temas encomendados. Era importante ler textos do Antigo e Novo Testamento, para uma informação histórica.
Antes de começar os trabalhos, fui várias vezes à Serra da Piedade contemplar as montanhas, que se assemelham às do Retiro das Pedras, onde moro.Tirei fotos, fiz estudos de tamanhos variados. Era importante penetrar não somente no espírito das montanhas, em sua transparência e fluidez, como também recuar até a nossa tradição barroca de arabescos e curvas. Numa das capelas a figura de Jesus Cristo foi colocada no centro de uma mandala, símbolo cósmico de integração tanto no oriente como no ocidente. Na outra capela, São José está representado como guardião de Jesus.
Deixei os projetos com o competente artista Juan Carlos Cerri, professor da UFMG, que realizou, juntamente com uma equipe de assistentes, os painéis em azulejo.
*Fotos: Maurício Andrés
sexta-feira, 30 de abril de 2010
JA.CA JARDIM CANADÁ, CENTRO DE ARTE E TECNOLOGIA
Um grupo de jovens se reuniu em torno de uma idéia: formar um espaço onde outros jovens pudessem criar e ampliar seu campo de atividades artísticas dentro da arte contemporânea. O lugar escolhido foi um galpão de 3 andares situado na Avenida Canadá, 203, a 20 km de Belo Horizonte. O JA.CA tem à frente a artista plástica e comunicadora Francisca Caporali, recentemente vinda dos EUA,onde fez mestrado em Fine Arts MFA, na Hunter College.
A proposta inicial ganhou forma. O galpão escolhido pertencia ao jovem Pedro Mendes, galerista com grande sucesso em São Paulo e Los Angeles. O JA.CA seria o pólo criador de experiências artísticas, um lugar distante do movimento da cidade, no alto das montanhas de Minas Gerais. O Jardim Canadá está sendo procurado por artistas, galeristas, escolas de dança e escola de circo. Há um movimento em torno da formação do “Caminho das Artes”, uma estrada de arte que se prolongaria até Inhotim, ponto de referência da arte contemporânea internacional. O JA.CA seria o exercício preliminar dessa arte contemporânea, que dá espaço para imaginações jovens abertas ao novo. Vários projetos surgiram. Nos critérios de seleção foram priorizados projetos que tivessem relação com o entorno, arquitetura e comunidade. O JA.CA oferece também um espaço de troca, discussão e reflexão sobre novos caminhos para a criação artística.
Propostas dos artistas selecionados:
Isabela Prado propõe um diálogo com o público através do uso de materiais do cotidiano e explora a relação do corpo com os objetos, por meio de performances, instalações e videos.
Pedro Veneroso usa a fotografia, luz e som, dentro da proposta Art, performance, light and photography, trabalhando também com a interface entre as pessoas e máquinas.
Roberto Rolim Andrés e Fernanda Regaldo fizeram a proposta “Quintal Canadá”, que consiste em questionar a relação da comunidade com a paisagem.
Paulo Nazareth propõe, em seu projeto o plantio de árvores frutíferas em perímetro urbano e flores silvestres em jardins públicos.
Pedro Mota propõe uma intervenção LandArt de fazer interferências em lotes vagos que lidam com a exportação do nosso minério para a China.
O Grupo Passo composto por Aruan Mattos e Flávia Regaldo, propõe para o JA.CA esculturas cinéticas, a exemplo do que fez no Arraial da Boa Morte.
À inauguração do espaço compareceram artistas, cinegrafistas, arquitetos, poetas, um grupo interessado na formação da Arte Contemporânea.
* Fotos: Xandro e Marcelo Coelho
A proposta inicial ganhou forma. O galpão escolhido pertencia ao jovem Pedro Mendes, galerista com grande sucesso em São Paulo e Los Angeles. O JA.CA seria o pólo criador de experiências artísticas, um lugar distante do movimento da cidade, no alto das montanhas de Minas Gerais. O Jardim Canadá está sendo procurado por artistas, galeristas, escolas de dança e escola de circo. Há um movimento em torno da formação do “Caminho das Artes”, uma estrada de arte que se prolongaria até Inhotim, ponto de referência da arte contemporânea internacional. O JA.CA seria o exercício preliminar dessa arte contemporânea, que dá espaço para imaginações jovens abertas ao novo. Vários projetos surgiram. Nos critérios de seleção foram priorizados projetos que tivessem relação com o entorno, arquitetura e comunidade. O JA.CA oferece também um espaço de troca, discussão e reflexão sobre novos caminhos para a criação artística.
Propostas dos artistas selecionados:
Isabela Prado propõe um diálogo com o público através do uso de materiais do cotidiano e explora a relação do corpo com os objetos, por meio de performances, instalações e videos.
Pedro Veneroso usa a fotografia, luz e som, dentro da proposta Art, performance, light and photography, trabalhando também com a interface entre as pessoas e máquinas.
Roberto Rolim Andrés e Fernanda Regaldo fizeram a proposta “Quintal Canadá”, que consiste em questionar a relação da comunidade com a paisagem.
Paulo Nazareth propõe, em seu projeto o plantio de árvores frutíferas em perímetro urbano e flores silvestres em jardins públicos.
Pedro Mota propõe uma intervenção LandArt de fazer interferências em lotes vagos que lidam com a exportação do nosso minério para a China.
O Grupo Passo composto por Aruan Mattos e Flávia Regaldo, propõe para o JA.CA esculturas cinéticas, a exemplo do que fez no Arraial da Boa Morte.
À inauguração do espaço compareceram artistas, cinegrafistas, arquitetos, poetas, um grupo interessado na formação da Arte Contemporânea.
* Fotos: Xandro e Marcelo Coelho
sexta-feira, 23 de abril de 2010
MUDANÇA DE DIRETORIA NO INSTITUTO MARIA HELENA ANDRÉS
Um dia Roberto meu neto me telefonou de Paris: “Vó, vou fazer um projeto de museu para você”. O projeto será a minha defesa no curso de graduação em Arquitetura.
Daquele dia em diante a idéia foi crescendo, tomando forma – Passaram-se cinco anos, desde a data comemorativa da criação do IMHA, em Entre Rios de Minas.
Nesses cinco anos aconteceram três Festivais de Inverno e um mutirão que reuniu a cidade toda mostrando a criatividade como energia de paz e união entre as comunidades. Criou-se o projeto Música na Escola e uma ONG de ecologia, a Ecopaz tudo isso na cidade de Entre Rios, a uma hora e meia de distância de B.H.
Em tempos passados aquela região serviu de triagem dos cavalos Manga-larga e Campolina – Ali se reuniam os tropeiros carregando a mercadoria amarrada em picuás no lombo dos cavalos.
Ao longo do tempo o IMHA teve uma história acidentada, pouco dinheiro e muito entusiasmo. Euler e Saulo, como primeiros diretores se desdobraram nas iniciativas e agora estão entregando a regência para Antônio Eugênio que com a sua grande experiência empresarial levará o IMHA para além das vertentes, em busca de novas terras.
O primeiro mandato terminou com a exposição – Linha e Gesto – no Palácio das Artes em Belo Horizonte, tendo sido visitada por 15.000 pessoas. Idealizada há três anos por Roberto Andrés que direcionou uma equipe de jovens arquitetos, artistas plásticos e cineastas com a parceria de Marília Andrés. * Ver postagem “Reflexões sobre uma exposição”
A exposição foi a abertura para novos caminhos.
As comemorações de entrega de mandato se realizaram na sede do Instituto, uma casa estilo rústico, situada na Rua Dr. José Gonçalves da Cunha em Entre Rios. Houve discurso, prestação de contas e votação para a chapa única.
Depois de um almoço comemorativo no Café com Prosa, a turma seguiu para a Capela “Olhos D’água”, uma pequena jóia do barroco situada nos arredores do “Crasto”. Ali ouvimos o violão de um jovem artista, Pedro Gervason - que teve os seus estudos iniciais no 1º Festival de Inverno. Em seguida foi plantada uma árvore gameleira no lugar em que existia uma outra e que aparece em relatos históricos do Século XVIII e XIX. Ali os viajantes paravam para repousar de longas viagens pelas estradas poeirentas de Minas Gerais. No tronco da gameleira havia uma cavidade natural, um pequeno salão aonde as pessoas, vindo a cavalo, trocavam de roupa para entrar na Igreja. Até as noivas usavam a gameleira como camarim para se prepararem para a cerimônia do casamento.
O plantio da gameleira simbolizou a mudança que vai acontecer no IMHA. Nova diretoria, novas direções, novos caminhos.
* Fotos: Antônio Eugênio Salles, Renata Guerra e Saulo Resende
Daquele dia em diante a idéia foi crescendo, tomando forma – Passaram-se cinco anos, desde a data comemorativa da criação do IMHA, em Entre Rios de Minas.
Nesses cinco anos aconteceram três Festivais de Inverno e um mutirão que reuniu a cidade toda mostrando a criatividade como energia de paz e união entre as comunidades. Criou-se o projeto Música na Escola e uma ONG de ecologia, a Ecopaz tudo isso na cidade de Entre Rios, a uma hora e meia de distância de B.H.
Em tempos passados aquela região serviu de triagem dos cavalos Manga-larga e Campolina – Ali se reuniam os tropeiros carregando a mercadoria amarrada em picuás no lombo dos cavalos.
Ao longo do tempo o IMHA teve uma história acidentada, pouco dinheiro e muito entusiasmo. Euler e Saulo, como primeiros diretores se desdobraram nas iniciativas e agora estão entregando a regência para Antônio Eugênio que com a sua grande experiência empresarial levará o IMHA para além das vertentes, em busca de novas terras.
O primeiro mandato terminou com a exposição – Linha e Gesto – no Palácio das Artes em Belo Horizonte, tendo sido visitada por 15.000 pessoas. Idealizada há três anos por Roberto Andrés que direcionou uma equipe de jovens arquitetos, artistas plásticos e cineastas com a parceria de Marília Andrés. * Ver postagem “Reflexões sobre uma exposição”
A exposição foi a abertura para novos caminhos.
As comemorações de entrega de mandato se realizaram na sede do Instituto, uma casa estilo rústico, situada na Rua Dr. José Gonçalves da Cunha em Entre Rios. Houve discurso, prestação de contas e votação para a chapa única.
Depois de um almoço comemorativo no Café com Prosa, a turma seguiu para a Capela “Olhos D’água”, uma pequena jóia do barroco situada nos arredores do “Crasto”. Ali ouvimos o violão de um jovem artista, Pedro Gervason - que teve os seus estudos iniciais no 1º Festival de Inverno. Em seguida foi plantada uma árvore gameleira no lugar em que existia uma outra e que aparece em relatos históricos do Século XVIII e XIX. Ali os viajantes paravam para repousar de longas viagens pelas estradas poeirentas de Minas Gerais. No tronco da gameleira havia uma cavidade natural, um pequeno salão aonde as pessoas, vindo a cavalo, trocavam de roupa para entrar na Igreja. Até as noivas usavam a gameleira como camarim para se prepararem para a cerimônia do casamento.
O plantio da gameleira simbolizou a mudança que vai acontecer no IMHA. Nova diretoria, novas direções, novos caminhos.
* Fotos: Antônio Eugênio Salles, Renata Guerra e Saulo Resende
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
SEMANA SANTA EM OURO PRETO
Ouro Preto sempre é um cenário onde a Paixão de Cristo se realiza de forma artística. Ali a tradição é cultuada por toda a população. Janelas se enfeitam de cores, mostrando o roxo como significado da morte de Cristo e cores alegres para a festividade da Páscoa.
O chão de Ouro Preto data do século XVIII, quando as pedras eram colocadas muitas vezes em forma de mandala. Pessoas se vestem para a coreografia, trazendo para o presente o passado histórico do Cristianismo. Figuras do Antigo Testamento – Sara, Abraão, Moisés, desfilam aos olhos do povo. Anjos e Arcanjos caminham pelas ruas, solenes, concentrados, carregando tochas.
Soldados romanos carregam o esquife e Nossa Senhora das Dores chora a morte de seu filho.
A procissão sai da Igreja do Pilar para Antonio Dias. Verônica é representada por uma senhora de 80 anos que vai mostrando para o público a face de Jesus num sudário. Há uma integração de toda a comunidade: negros, brancos e mulatos, crianças, jovens e velhos
No sábado de Aleluia o povo vai para as ruas criar tapetes de serragem por onde irá passar a procissão. O artista Ivã Volpi, convidado para uma exposição na FIEMG, criou junto com a comunidade um tapete que denominou “Coração Flamejante”. Houve uma homenagem ao Mestre Guignard e a bandeira de São Sebastião, um de seus santos preferidos, é colocada na janela do Museu Guignard. No domingo da Ressurreição os tapetes adornam as ruas e o povo se concentra na Matriz do Pilar. Colocam bandeiras, estandartes, cortinas e colchas coloridas nas janelas para celebrar o cortejo. A Ressurreição é uma festa de cores e os anjinhos desfilam transmitindo a alegria e a inocência das crianças. Uma revoada de anjos povoa o cenário da velha Ouro Preto, pais carregam os filhos, e até um anjinho de 1 ano acompanha o cortejo, no colo da mãe, segurando a mamadeira.
Na porta de sua casa, Marília de Dirceu, vestida de noiva espera o seu noivo, deportado para outras terras.
Meninas de rosa, meninos de azul seguem a tradição mineira.
Após a procissão uma turma de garis varre as ruas cantando e em pouco tempo a cidade fica limpa para os dias comuns.
*Fotos: Marília Andrés
O chão de Ouro Preto data do século XVIII, quando as pedras eram colocadas muitas vezes em forma de mandala. Pessoas se vestem para a coreografia, trazendo para o presente o passado histórico do Cristianismo. Figuras do Antigo Testamento – Sara, Abraão, Moisés, desfilam aos olhos do povo. Anjos e Arcanjos caminham pelas ruas, solenes, concentrados, carregando tochas.
Soldados romanos carregam o esquife e Nossa Senhora das Dores chora a morte de seu filho.
A procissão sai da Igreja do Pilar para Antonio Dias. Verônica é representada por uma senhora de 80 anos que vai mostrando para o público a face de Jesus num sudário. Há uma integração de toda a comunidade: negros, brancos e mulatos, crianças, jovens e velhos
No sábado de Aleluia o povo vai para as ruas criar tapetes de serragem por onde irá passar a procissão. O artista Ivã Volpi, convidado para uma exposição na FIEMG, criou junto com a comunidade um tapete que denominou “Coração Flamejante”. Houve uma homenagem ao Mestre Guignard e a bandeira de São Sebastião, um de seus santos preferidos, é colocada na janela do Museu Guignard. No domingo da Ressurreição os tapetes adornam as ruas e o povo se concentra na Matriz do Pilar. Colocam bandeiras, estandartes, cortinas e colchas coloridas nas janelas para celebrar o cortejo. A Ressurreição é uma festa de cores e os anjinhos desfilam transmitindo a alegria e a inocência das crianças. Uma revoada de anjos povoa o cenário da velha Ouro Preto, pais carregam os filhos, e até um anjinho de 1 ano acompanha o cortejo, no colo da mãe, segurando a mamadeira.
Na porta de sua casa, Marília de Dirceu, vestida de noiva espera o seu noivo, deportado para outras terras.
Meninas de rosa, meninos de azul seguem a tradição mineira.
Após a procissão uma turma de garis varre as ruas cantando e em pouco tempo a cidade fica limpa para os dias comuns.
*Fotos: Marília Andrés
domingo, 11 de abril de 2010
REFLEXÕES SOBRE UMA EXPOSIÇÃO Vl
O grupo Superfície, liderado por Roberto Andrés, realizou uma apresentação dinâmica a partir do tema dos boizinhos, que poderia ser vista dentro e fora da exposição. O desenho se movimentava, seguindo a vibração dos sons. Em seguida, uma nova experiência foi mostrada aos participantes, tomando como referencia um quadro concretista. Com o auxílio de um microfone, o publico pode ouvir a tela e sentir o som das cores. Uma das características do século XXI é a passagem do individual para o coletivo. O mito do artista já começou a ser questionado.
Uma performance aconteceu em plena rua. Os alunos atentos assistiam a uma aula de filosofia. A professora escrevia aforismos no quadro negro, um jovem segurava balões brancos que eram soltos no espaço. Enquanto os balões subiam as coisas aconteciam debaixo do céu. Os transeuntes que passavam em frente ao Palácio das Artes davam palpites e, às vezes, também participavam, como aquele passante que achou ótimo deitar na rua, ao lado do artista que segurava os balões.
A mais decisiva performance foi a última, entregue à dançarina Dudude Hermann,que foi convidada para fazer a desmontagem da exposição com uma performance sobre desconstrução. Quando Dudude começou a dançar, ela parecia incorporar a energia do Deus Shiva que dançando destruía os apegos. Naquele momento, os artistas, curadores, desmontadores, puderam ver com clareza a relação.da arte com a vida. A desmontagem significava também a possibilidade de um recomeço em outro espaço e tempo.
domingo, 4 de abril de 2010
REFLEXÕES SOBRE UMA EXPOSIÇÃO V
A exposição trouxe para o Palácio das Artes uma dinâmica de apresentações paralelas que se estenderam pelo mês de janeiro e fevereiro de 2010. A começar da primeira performance, do grupo O Grivo, a ligação da pintura com a música foi amplamente experimentada. “Os desenhos de John Cage lembram os seus”, assim me falou o músico que desenvolveu uma integração da música com a poesia minimalista. Ali, a comunicação foi feita através do silêncio e das experiências de John Cage unindo arte à meditação.
Meus quadros da década de 50 têm a força de interagir com outras artes e agora estão sendo o embrião de novas criações no campo da música, da escultura, da dança e da arquitetura. A apresentação de Artur, Alexandre e Regina revelou a possibilidade de um quadro concretista se transformar em partitura musical. Naquela noite, Alexandre meu neto, que também é compositor, me presenteou com uma composição de sua autoria, recém criada no seu estúdio na fazenda. A síntese das artes começou a acontecer sobre as luzes do grande salão. Foi quando uma jovem dançarina se levantou do chão de mármore onde estava sentada e começou a dançar espontaneamente levando a platéia a participar da energia da criatividade em sua fonte.
A exposição foi enriquecida, a partir do dia 17 de janeiro, por eventos que promoveram a participação do público de forma diferenciada. Por ali passaram crianças, jovens, adultos, pessoas das diferentes classes sociais. As telas foram reinventadas no desenho espontâneo das crianças, no pensamento elaborado dos jovens estudantes de arquitetura e no construtivismo de Marcio Sampaio. Todos puderam participar. Pesquisas foram feitas nos computadores, nos livros e documentos espalhados sobre a mesa e também na linha do tempo estendida cronologicamente. A minha vida de artista foi mostrada desde a adolescência, quando pintava artistas de cinema, até os dias de hoje, com as esculturas que se ergueram do bidimensional para o tridimensional. Houve interesse em percorrer a mostra e muitas vezes as pessoas retornavam para observar detalhes nos dias seguintes.
*Fotos: Roberto Andrés
*Fotos: Roberto Andrés
sábado, 27 de março de 2010
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