segunda-feira, 5 de junho de 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017



YOGA E ARTE II

Dando continuidade ao tema Yoga e Arte, segue o texto abaixo extraído do meu livro “Os Caminhos da Arte”:

Swami Vivekananda nos diz: “Que é a beleza num rosto humano, no céu, nas estrelas e na lua? É apenas a apreensão particular da real, envolvente Beleza Divina.” “Tomai esta alta posição  Bhakti, que nos faz esquecer imediatamente nossas pequenas personalidades.”

Tomemos estas palavras a respeito de  Bhakti Yoga para trazê-las, como analogia, ao campo da arte. Que é a arte senão a busca desta Beleza Suprema? Ela pode se revestir de várias formas, mas a sua linguagem direta é a procura da beleza que existe em estado latente dentro de cada ser humano. O artista é constantemente atraído a buscá-la. “Um dos nomes do Senhor em Sânscrito é Hari , que significa que Ele atrai todas as coisas para si.”

 “O Senhor é o grande ímã, e somos todos como limalhas de ferro; estamos sendo sempre atraídos por Ele, e todos lutamos por alcançá-lo.”

Swami Vivekananda nos mostra a atração para o Absoluto que todo ser humano tem. Trazendo-a para o campo da arte, veremos como o homem, através dos tempos, entregou-se apaixonada e totalmente à busca de um dos atributos de Deus, que é a beleza. Para a conquista desta beleza, o artista deixa-se entregar inteiramente ao seu trabalho, apesar das lutas que muitas vezes enfrenta. O que dirige, impulsiona e conduz a arte ao crescimento interior é, antes de tudo, o amor desinteressado, a entrega total ao trabalho, independentemente de sucesso ou fracasso, como no Karma Yoga. A atitude característica de um  yogue é a disponibilidade diante das circunstâncias externas. Ele se põe apenas como instrumento a trabalhar sem visar a resultados materiais. Diz a Bhagavad Gita: “Se não nos apegarmos ao trabalho que fazemos, ele não terá qualquer efeito aprisionador sobre nossa alma.”

O yogue procura se desapegar de lucro e fama, porque sabe que o trabalho egoístico o aprisiona, e um  yogue deseja, antes de tudo, Libertação.
(Trecho do meu livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

Fotos  de Julio Margarida e da internet

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terça-feira, 9 de maio de 2017


YOGA E ARTE I


Somente na medida em que o Yoga  deixa de ser apenas disciplina e a arte deixa de ser profissão é que podemos entender mais claramente a unidade de ambas como formas de autorrealização.

“O que experimentamos no fundo de nossa alma é a realização.” Estas palavras de Swami Vivekananda sobre a experiência direta nos fazem refletir sobre o caminho da arte. O exercício da arte, feito com amor desapegado, conduz à realização intuitiva da Verdade. Estudaremos as semelhanças entre arte e Yoga  em seus quatro  margas, ou caminhos individuais de aperfeiçoamento.

O  Yoga  oferece aos seus adeptos quatro caminhos fundamentais, que podem conduzi-los ao estado de Libertação:  Raja Yoga, Bhakti Yoga, Karma Yoga e Jñana Yoga. Estes correspondem respectivamente à união com o Supremo por meio do domínio sobre a própria mente, do amor e devoção, da ação e do conhecimento.

O intuito do Yoga  não é afirmar a Verdade, mas conduzir o adepto, através da experiência, à conscientização da Verdade imanente em si mesmo e em toda a natureza. Poderíamos dizer, em nossas reflexões sobre arte e yoga , que a arte, em sua trajetória de aprendizado de vida, muitas vezes se aproxima do aprendizado de um  yogue. O treinamento de um yogue dentro de Raja Yoga ou disciplina mental assemelha-se ao treinamento paciente pelo qual terá que passar um artista, desenvolvendo sua capacidade de observação, concentração e atenção na busca de ampliar, cada vez mais, a sua percepção do mundo.

Conjugar o movimento da alma ao movimento da mão, suprimir o su-perfluo para melhor sugerir, intensificar, abrandar o traço; levá-lo como a música de maior intensidade de vibração ao pianíssimo, que apenas se pressente, é a finalidade à qual se dirige o estudante de arte em seus primeiros esboços.

Essa síntese de nossas faculdades de concentração e percepção nem sempre é conseguida no princípio, quando todas as experiências ainda se escondem sob o arcabouço fechado dos preconceitos e das inibições. Somente o exercício constante e o amor ao trabalho poderão vencer as barreiras que se erguem diante de um aluno iniciante e indeciso. Essa entrega total, esse amor ao trabalho pode ser comparado ao caminho Bhakti.(Trecho do meu livro “Os Caminhos da Arte”, editora C/ARTE, 2015)

Fotos de Maurício Andrés e da internet

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segunda-feira, 1 de maio de 2017


ESCAMBOS

Quando nos desligamos dos incentivos, ganhamos outras dimensões.
Os artistas de Minas Gerais afastados dos grandes centros por cadeias de montanhas estão sobrevivendo quase heroicamente. Formam uma resistência que começou há séculos e continua viva até os dias de hoje.

Estamos isolados, mas em compensação, temos o silêncio necessário à criação. Participar de tudo à distância, enxergar o mundo e permanecer ao mesmo tempo no recolhimento de si mesmo, é uma dádiva de Deus.

Estou presente no aqui e agora, estou presente no mundo sem me atordoar com os ruídos ensurdecedores de “muitas cidades, homens e coisas”, como dizia Rainer Maria Rilke em seu livro “Cartas a um jovem poeta”. É preciso conhecer as cidades, o mundo lá fora, mas também perceber “o voo dos pássaros e o gesto das flores que se abrem nas madrugadas”
Enquanto escrevo, vou lembrando o livro que foi para mim fundamental, “Cartas a um jovem poeta”.
À proporção que o tempo vai passando, vou compreendendo melhor as palavras de Rilke.

Coloquei este texto no meu primeiro livro “Vivência e Arte” e, não sei porque, ele está me surgindo no momento.
Enquanto escrevo vou observando o meu entorno, as flores que caíram de uma árvore em frente à minha casa.

“Pise a grama”, nos diz Roberto, meu neto. Estou pisando a grama e refletindo. Pisar a grama é necessário para qualquer um – descarrega emoções negativas e nos possibilita um contato direto com a Mãe Terra. Sim, somos filhos da Terra, mas muitas vezes procuramos o asfalto.

Voltar para a Terra é importante, ela nos reabastece, nos alimenta.

Estar na cidade constantemente é um sufoco. Enquanto escrevo, conservo um jornal no banco ao meu lado. Ele me traz notícias do mundo e eu pertenço ao mundo também, faço parte dele, sou parte integrante de uma sociedade que está sofrendo muito.
Nunca esquecer disso.

Leio as notícias dos artistas reclamando dos políticos, da falta de apoio à cultura, da necessidade de deixar Minas Gerais e ir para São Paulo ou Rio.
Aqui em Belo Horizonte os artistas plásticos continuam vivos. São muitos...

Continuam trabalhando em silêncio porque gostam deste silêncio. Não têm marqueteiros nem compradores, não pertencem a grupos. Reúnem-se nalgum lugar para trocar ideias. Encontrei esse lugar no bairro de Santa Efigênia, BH. Chama-se “Asa de papel”. Ali um coletivo de artistas, intelectuais e profissionais liberais promove encontros, palestras, bate-papos com outros artistas. Trocam-se ideias, trocam-se quadros, cerâmicas, esculturas, livros.

Durante o encerramento da minha exposição, saí muito realizada. Meus quadros valeram trocas fabulosas. Agora posso ter em casa um quadro de Jayme Reis, uma escultura de Jorge dos Anjos, uma cerâmica de Erli Fantini. Troquei o que tinha na hora para trocar, até por alguns vídeos de Guignard feitos por Izabel Lacerda.
Sempre fui a favor dos escambos entre artistas. Estamos revivendo os antigos incas que iam para as praças aos domingos levando o produto da semana para ser trocado por outros produtos. O dinheiro não corria e nesta época de crise, os incas estão nos ensinando.

A resistência francesa teve na época da guerra seu ponto de encontro no Café de Flore em Paris, onde se reuniam os intelectuais Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Paul Claudel entre outros. A “Asa de Papel” está reunindo a resistência de Minas Gerais, a possibilidade de se criar sem necessidade de se aliar às grandes empresas.

Micro empresa é incentivo ao pequeno que algum dia será exemplo para a grande comunidade do século XXI.

Não é preciso abandonar as montanhas em busca de apoio e incentivo. Apoio e incentivo temos aqui, na iniciativa desses jovens construtores de uma nova versão da vida e da arte.

*Fotos da internet

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terça-feira, 25 de abril de 2017


PROFESSORA EMÉRITA DA ESCOLA GUIGNARD

No dia 19 de abril de 2017 recebi o título de professora Emérita da Escola Guignard em solenidade no Auditório da Escola. Emocionante sentir o carinho com que fui recebida, o entusiasmo e alegria de seu jovem diretor Adriano Gomide. A vice diretora Lorena me entregou um buquê de flores, previamente composto tendo como referência um quadro de Guignard.
Eu olhava para aquelas flores, de cores variadas, com um girassol à frente, exatamente como a tela do mestre e me lembrava da alegria e espontaneidade de Guignard, transmitindo a seus alunos o seu entusiasmo pela arte. O importante não era seguir o mestre copiando suas telas, mas com o seu incentivo, descobrir o próprio caminho. Desvendar a beleza dos céus de Minas, descobrir anjos e guerreiros nas nuvens, observar os muros velhos, as pedras, as sombras que desenham novas formas. Sob sua orientação pude me libertar de minha formação acadêmica, para me abrir para um itinerário próprio, mais condizente com o meu temperamento.

Recebi a homenagem pelos serviços prestados à cultura de Minas Gerais, assim estava escrito no diploma. Ladeada pelo representante do reitor da Universidade de Minas e do diretor da Escola, tendo também ao meu lado minha filha Marília Andrés, presidente do IMHA (Instituto Maria Helena Andrés), participei da entrega solene do diploma.

O momento mais emocionante aconteceu quando cantamos de pé o Hino Nacional, pois senti que o hino é uma forma de unir todos numa só vibração.

Em seguida Adriano Gomide subiu até um pequeno púlpito destinado aos congressistas e disse palavras que merecem toda a minha gratidão.

Era necessário que eu também falasse, e pronunciei ali um improviso, lembrando a criação da escola, considerada a vanguarda mineira da época, e o título dado à Guignard pelos intelectuais do Rio de Janeiro e São Paulo, como o melhor professor de arte do Brasil. Os fatos do passado nos conduzem a um início que merece ser lembrado.

“Guignard reviveu de maneira quase única o antigo mestre, figura desaparecida nos tempos modernos. Atualmente, o ensino se distribui em diversas cátedras, com horários marcados e contato reduzido do professor com os alunos. Anteriormente às academias de Belas Artes, o mestre - fosse ele filósofo ou artesão - trabalhava lado a lado com seus aprendizes e a eles se misturava, sem preocupação de superioridade, desejando apenas transmitir experiências. Assim foi Guignard, o mestre moderno, que ensinava uma arte de vanguarda, não ditava leis, mas fazia o aluno descobrir o equilíbrio e a proporção no próprio trabalho, sem demonstrações dogmáticas (...) Mais do que ninguém, Guignard conseguia vislumbrar a coisa nova, a individualidade que se revela na variedade de temperamentos humanos, agora estudados com grande interesse à luz da psicologia moderna. Observações feitas à margem de um catálogo, referindo-se às tendências de cada aluno em particular, revelam esse senso profundo para descobrir vocações e conhecer temperamentos.” (Trecho do meu livro “Os Caminhos da Arte”, Editora COM/ ARTE, 2015)

A Escola passou por momentos de grande pobreza, mas a chama do entusiasmo continuou através das gerações. Agora temos um prédio maravilhoso no alto das Mangabeiras, com vista para a cidade de Belo Horizonte.

Lembrei a generosidade de Priscila Freire doando seu sítio na Pampulha para ser acrescentado ao patrimônio da Escola.

No momento a escola que pertence à UEMG (Universidade estadual de Minas Gerais) abriga 500 alunos e esperamos que a criatividade do mestre Guignard seja um ponto luminoso que nunca será esquecido.

Em seguida ao meu discurso, textos do meu livro “Os Caminhos da Arte” referentes ao mestre Guignard, foram lidos por Ivana Andrés.
Houve um pronunciamento sobre arte na educação feito pelo representante do reitor e para terminar, uma apresentação de música pelos flautistas Artur e Alexandre Andrés.
Escutar com atenção os flautistas interpretando uma página de Schultze, foi realmente um final maravilhoso para a solenidade.

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segunda-feira, 17 de abril de 2017


PINTURA E FOTOGRAFIA

A passagem da pintura para a fotografia de paisagens, do desenho linear para as esculturas tridimensionais, não foram saltos no meu caminho, mas transições naturais, um deslocamento espontâneo de fases anteriores, sem quebrar o ritmo do passado, mas situando-se corajosamente no presente, no aqui e agora.

Arte e vida são companheiras inseparáveis e a minha vida foi mudando da necessidade das grandes viagens, ao cotidiano, a me situar no meu dia a dia, no meu em torno. Agora vejo as montanhas que se estendem a perder de vista da minha janela, o raio de sol que penetra dentro de casa e desenha formas geométricas sobre a mesa.

Parti da necessidade de me expressar com tintas e pinceis, do meu desejo lírico de transmitir em cores, nuances, pinceladas fortes ou esponjadas transparentes, tudo aquilo que eu via fora e correspondia ao que eu sentia naquele momento.

“É preciso ver muitas cidades, e coisas” nos dizia Rilke em cartas a um jovem poeta. Tendo como bandeira essa necessidade interior de viajar, conhecer outros povos, dediquei grande parte da minha vida a pesquisar o mundo, falar outras línguas, criar novas amizades. Buscava conhecer o todo, para voltar ao meu país, a minha região montanhosa, à minha casa. Atualmente viajo pela internet, onde tenho dois blogs.
Hoje continuo o meu caminho nas artes, de forma mais intimista. Vejo ao redor de mim as pedras do alto do morro, junto à capela. Elas ali estão há milênios como esculturas naturais em grandes formatos.

Caminho pelas montanhas levando o meu iPad, ou meu celular, e, algumas vezes pedindo emprestado à Marília a sua câmera pequenina, fácil de carregar.
Vou olhando a paisagem e fotografando a incidência da luz solar sobre as curvas sensuais, dos montes, nas diferentes horas do dia. Muitas vezes as nuvens do céu me parecem semelhantes aos meus quadros mais antigos, da minha fase abstrato-lírica. Estou registrando o que vejo, o que sinto e o que me cerca neste meu cotidiano de buscar uma celebração à natureza. A fotografia é uma das minhas formas de expressão. Com ela, me volto também para um registro de minhas esculturas ou mais especificamente os meus projetos de escultura feitos em papeis de cores variadas. Com ajuda do sol que se projeta generosamente pelas frestas das janelas, as esculturas de papel vão tomando características diversas.

Criar é perceber o novo a cada instante e o meu aqui e agora é sempre interessante, registrando a sombra e a luz.
O que é a fotografia senão este registro de sombra e luz?
Através da fotografia aliada aos projetos de escultura, vou  experimentando duas formas de arte ao mesmo tempo, pois os projetos estão se tornando modelos para a fotografia. Gosto de fotografa-los em posições diversas, com a ajuda do sol. São formas de arte que refletem o cotidiano de uma pessoa. Dentro de minha sala posso ver formas geométricas nas paredes, projetadas pelo sol através de uma fresta da cortina.
Meu aqui e agora vai se desdobrando como um filme.

Aprendi há muitos anos, com o mestre Guignard a perceber anjos e guerreiros nas nuvens do céu, paisagens surrealistas nas manchas dos muros velhos. Hoje vejo estes anjos e guerreiros nas pedras das montanhas e isto me ressuscita memórias do passado.
A educação do olhar é treinamento essencial para qualquer artista e é através dela que chegamos à fotografia.
A arte de fotografar é perceber o novo a cada instante e este novo não acaba com o tempo, mas se prolonga ao longo dos anos como uma celebração contínua da arte de viver.

*Fotos de Maria Helena Andrés

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segunda-feira, 10 de abril de 2017


MEDITANDO NA EMBAIXADA DA ÍNDIA COM SRI SRI RAVI SHANKAR

Uma das funções de uma embaixada é promover o intercâmbio entre as nações, trazendo conferencistas, artistas, pesquisadores, pessoas que estiveram em outros países, não apenas em viagens turísticas, mas buscando uma integração entre os povos. 
Transcrevo abaixo o depoimento de Maurício Andrés que participou de uma sessão de meditação na Embaixada da Índia, em Brasília.
“Em 14 de dezembro de 2016 aconteceu uma sessão de meditação na Embaixada da Índia em Brasília, conduzida por Sri Sri Ravi Shankar. Ele é o fundador do movimento A Arte de Viver, com muitas ações em vários países e dissemina uma prática simples e profunda de meditar.
No início ele perguntou ao público de cerca de 150 pessoas se meditar e concentrar são a mesma coisa. E respondeu que meditar é muito diferente de concentrar, pois exige relaxar, deixar fluir pensamentos.
Para facilitar o estado de meditação ele propôs que todos ficassem sentados confortavelmente, em postura que permite que se medite trabalhando em frente a um computador, num banco de ônibus ou numa sala de espera. 
Explicou que deixaria o celular dele ligado não para receber mensagens, mas para apenas marcar o tempo de 10 minutos.
Propôs fechar os olhos, esticar os braços e flexionar as mãos. Depois colocar as mãos atrás da cabeça e fazer exercícios exclusivamente com o rosto. Olhar para cima e para baixo, para cada lado, girar os olhos no sentido horário e anti-horário, olhar para os dois lados do nariz. Em seguida, esticar as orelhas para cima, para baixo e para os lados. Depois, massagear as bochechas com os dedos. No rosto há muitos feixes de músculos que podem ser relaxados.
Em seguida, sugeriu observarmos a respiração, absorvendo a energia que está no ar na inspiração e deixando-a sair na expiração. Deixar vir qualquer pensamento, observa-lo e deixa-lo ir embora. Assim como peixes vivem na água, nós vivemos no meio do ar. Propos sentir o ar que envolve nosso corpo.
Ao final, pediu que todos abrissem os olhos. Haviam decorrido 30 minutos e ninguém sentiu o tempo passar. Essa prática de meditação é simples, não exige ambiente ou postura especial, é baseada no relaxamento do rosto.
Ao final, respondeu a todas as perguntas que vieram da plateia e despediu-se dizendo que sua meta é trazer felicidade para todos.” (Depoimento de Maurício Andrés)
(Maurício Andrés Ribeiro é autor de “Tesouros da Índia para a civilização sustentável”, Editora Rona e Santa Rosa Bureau Cultural, 2003.)


*Fotos de Maurício Andrés
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segunda-feira, 3 de abril de 2017


O RITMO E SUA TEORIA II

Equilíbrio racional, encontraremos na arte de Leonardo e Rafael, e, no século XX, na arte de Seurat e Mondrian. Equilíbrio emocional, ou ritmo, encontraremos na arte de Greco, Van Gogh, Munch e nos expressionistas de modo geral.

O equilíbrio de um quadro não está condicionado à sua obediência a determinadas leis estáticas, manifesta-se de modo completamente diverso, de acordo com a intenção do artista, sua personalidade, sua visão do mundo.

Não está preso a fórmulas, mas à coerência do próprio quadro.

“Compor não é apenas compartimentar a superfície, destinar um lugar para cada objeto, arrumar, determinar a proporção em que os elementos imaginários devem figurar na tela, calcular a zona possível dum vermelho ou dum azul, encher o espaço plano de acordo com um só ou com vários pontos de observação.. Se se pode dizer que há leis fundamentais da composição a que é impossível fugir, é preciso acrescentar que obedecer-lhes mecanicamente seria a negação da própria arte. Essas leis são gerais e impessoais e o conceito estético exige personalidade. É por outra qualidade, o ritmo, que a composição se aproxima gradualmente do conceito pessoal e abandona, pouco a pouco a generalidade.” (M. Dionisio)

Compreendendo que a composição renascentista, revelando a ordem e a medida de determinada civilização, procura traduzir o sentido genérico da forma, o artista saberá fazer uso dela apenas quando o seu trabalho exigir a ordem e a medida intelectuais. 
Podemos ver no início do movimento moderno, exemplos diversos no uso da composição. Seurat, cuja atitude mental exigia equilíbrio racionalista, orientava suas composições dentro do corte de ouro e dos cânones; Cézanne fundia as duas tendências condicionando-as à sua necessidade de estrutura e expressão; Van Gogh, cuja arte brotou do impulso, apegou-se ao ritmo, estabelecendo uma ligação orgânica , emocional entre todos os elementos do quadro.

A comparação entre várias tendências, objetivará de modo consciente a capacidade do aluno, permitindo que ele também possa trazer a sua contribuição à arte de nossos dias. . (Artigo para o jornal Estado de Minas, provavelmente década de 60)

*Fotos da internet

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