domingo, 22 de setembro de 2013

sábado, 31 de agosto de 2013


DA ARDILOSIDADE DA LINHA

Sobre a minha trajetória na arte, separei alguns depoimentos para este blog, dentre eles a crítica abaixo, de Agnaldo Farias:

   “No Brasil a entrada em cena da abstração, coincidentemente ocorrida durante os anos cinqüenta, quando o país trocava sua vocação agrária em favor de um perfil urbano/industrial, é um capítulo de matizes variados e que, a julgar pela ênfase na vertente geométrica sediada em São Paulo e Rio de Janeiro, dada pela historiografia das últimas décadas, resta muita coisa ainda a ser analisada e avaliada em termos mais condizentes.
   Se os cinqüenta foram férteis para a arte brasileira em geral, anos que hoje figuram dentro da história da nossa arte, até ali não muito exuberante, como a década da nossa emancipação intelectual, em que o melhor da nossa produção passou a não depender mais de forças epifenomênicas como Segall, Guignard e Goeldi, foram igualmente decisivos na trajetória da nossa artista.
   Expondo na Ia. Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, suas pinturas e aquarelas calcadas no registro atento e delicado de cenas do cotidiano das Minas Gerais onde vivia, foi ali que Maria Helena Andrés presenciou o impacto da abstração geométrica, assistiu a premiação da obra vigorosa daquele que na altura era o seu maior representante, o suíço Max Bill, autor de “Unidade Tripartida”, peça que hoje integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, e voltou sintonizada com o debate que a faria mudar o vetor de sua pesquisa. Paulatinamente ela foi se afastando, ainda que quase nunca por completo, de um contato mais direto com o mundo, da pele e das formas das coisas que ela, sempre com grande qualidade já vinha transformando num jogo de modulações cromáticas sobreposta a um processo gradativo de simplificação formal. Data dessa fase as cenas domésticas e rurais, o interior das casas, os bichos domésticos e pássaros, todos eles reduzidos a elementos geométricos, no mais das vezes puxados de uma só linha, como um impulso que se desata pela superfície de papel, ávido no fabrico de um mundo só dele.
   Aliás, essa desenvoltura do gesto de Maria Helena Andrés, que se afirmaria ao longo dos anos, e que inclusive se ampliaria por superfícies cada vez maiores, é uma qualidade que ela lapidou já no interior do Curso Livre do Instituto de Belas Artes de Belo Horizonte, onde, sob o comando de mestre Alberto da Veiga Guignard, tendo ao lado os talentos de Edith Behring e Franz Weissmann, ela estudou de 1944 até 1947.
   A justificada admiração pelas obras de Weissmann e de Amílcar de Castro, este último colega da nossa artista, obras de caráter mais do que exato, extraídas do metal ou do correspondente projeto traçado em linhas duras e despojadas, acostumou-nos, ou ao menos para aqueles não tão bem informados e que a bem dizer formam a imensa maioria, a pensar Guignard como um professor que a considerar a diafaneidade e leveza das atmosferas que ele próprio pintava, pregava justamente o oposto do que fazia: o peso e a incisividade da certeza. Também nesse sentido, acompanhar a preciosa coleção de desenhos e croquis que a artista ciosamente conservou consigo, significará perceber um pouco mais sobre as possibilidades abertas pela lendária lição de Guignard obrigando seus alunos a desenhar com lápis de grafite duro, lápis que abre um sulco na fibra do papel, que deixa sobre ele uma marca indelével para além da trilha escura que ele vai depositando na razão da força empregada pela mão.
   Sob títulos prosaicos como “Mudança a cavalo”, “Figuras na rua”, “Boiadeiro”, “Interior de fazenda”, “Cena da via sacra”, assiste-se ao desenrolar contínuo, sem rupturas, de uma linha tão seca quanto suave, uma linha de nanquim magra como o gume de uma faca e que como tal separa os contornos de tudo o que encontra pela frente – casa, chão, cadeira, cruz; cavalo, cavaleiro, cabresto, arreio; boi, boiadeiro, vara, berrante-como se fosse possível fender a paisagem, retirar sua matéria mais estrita, mais rente, seu nervo ou seu osso. Se a linha é esquálida, o mesmo não se pode dizer da precisão de quem a leva na qualidade de um corte ininterrupto, que parece respirar apenas quando sua faina cessa. Mas o que antes nos fascina, o que enleva nossos olhos fazendo-os flutuar na cadência dada pelas linhas, é a delicadeza com que essa geometria, ciente das coisas e sobretudo de si própria, abandona-se ao flerte e ao devaneio da mão, inventando brincadeiras, deslizando para lá e para cá, deixando-se intrincar ao sabor de curvas íngremes e ângulos abruptos. Tudo isso, convém frisar, elaborado em papel de pequeno formato, área limitada e que convida ao olhar mais próximo, colado, um olhar acariciante, coerente com um traçado minucioso a um só tempo frágil e coeso, como teia de aranha ou arame dos insetos.
   Se a mudança de orientação por parte de Maria Helena Andrés, a opção por uma poética de extração construtiva não implicou, ao menos na década contemplada por essa mostra de agora, no abandono da figuração, o fato é que ela foi levada para mais longe, para uma região em que os motivos representados tornam-se mais e mais indifusos. Barcos, cidades e construções, em especial aquelas organizadas através de campos retangulares, eram as vagas referências, quase que os pretextos para a artista demonstrar a fecundidade da linha, simplificada em conjuntos justapostos de linhas verticais e horizontais, de que são exemplares magníficos os estudos para cidade iluminada, realizados a bico de pena branco sobre papel preto.
   A fecundidade do desenho da nossa artista fica ainda mais patente nas esculturas, versões atualizadas da mesma família de desenhos contínuos elaborados naqueles anos. Os desenhos fechados, série de quadriláteros enunciados exclusivamente pelas arestas, linhas que se resolvem em ângulos e quadriláteros irregulares, sobrepostos entre si, revelam-se enfim formas retráteis; transpostos para o ferro, as linhas saltam no espaço, volumetrizam-se, despacham-se no espaço abraçando-se ao ar. Na qualidade de esculturas perdem a univocidade permitida por sua leitura no plano de papel. Postas no espaço, passíveis de serem observadas a partir de ângulos variáveis, cada um único desenho converte-se agora em vários, tanto quanto os pontos de vistas de alguém que se desloca ao seu redor. Cada escultura é, portanto, um desenho plural, prova conclusiva do ardil que todo desenho, desde que produzido por mão sábia, traz dentro de si.” (Agnaldo Farias, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP)

As esculturas recentes, inspiradas em desenhos construtivistas da década de 50, estarão expostas, de 5 a 8 de setembro na Feira ArtRio através da Galeria Lemos de Sá.
Endereço: Pier Mauá, Av. Rodrigues Alves, n° 10, Saúde, Rio de Janeiro. Para mais informações entrar no site www.artrio.art.br.

*Fotos de Maria Helena Andrés e de arquivo


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013


I SEMANA DE ARTE DE ENTRE RIOS DE MINAS

 A 1° Semana de Arte de Entre Rios de Minas aconteceu agora, no final de julho, com grande sucesso, organizada por Marília Andrés, a nova presidente do IMHA.

Marília é historiadora e acredito que a sua gestão vai ser baseada na história. Teresa, nossa jovem ex-presidente renunciou  ao cargo devido ao fato de estar, de agora em diante, morando fora do Brasil, embora tenha colaborado na estruturação do evento.
Marília buscou apoio da UFMG, dali trazendo uma equipe de professores ligados às novas tecnologias. Um vídeo está sendo formalizado, com a história da minha vida de artista, focalizando de preferência a minha fase rural, onde a influência de Guignard foi marcante. Procuramos separar numa sala as pinturas e em outra os desenhos e aquarelas. Naquela época (década de 40) eu pintava à óleo, não havia ainda surgido o acrílico, mas dentro da pintura orientada pelo mestre Guignard, separei alguns quadros representativos. Para o documentário, dei entrevistas para a equipe que veio de Belo Horizonte para ministrar as oficinas da Semana de Arte.

Na minha opinião, Entre Rios está formando um grupo muito bom em vídeos, os professores são ótimos e os alunos muito interessados.

Nesta semana de arte, Marília convidou professores que conheciam o processo de fotografia Pinhole, precursor da fotografia, que remonta à época de Leonardo da Vinci.
“Uma caixinha ou lata poderá servir de câmera fotográfica”. As crianças deliraram ao aprender o processo da câmera escura e ter a alegria de verem seus trabalhos serem revelados. Pinhole é de uma simplicidade comovente. Nesta época em que as crianças recebem brinquedos prontos, a fotografia à moda antiga nos faz refletir sobre o trabalho artesanal dos antigos pesquisadores.

Visitei a oficina de musicalização infantil, linguagem lúdica da música entregue à professora Iraty Boelsums, no Villa Lobo Arte Bar. 30 crianças sentadas no chão, entoavam notas musicais acompanhadas de pandeiros e chocalhos. O objetivo era despertar a criança para o som que está em toda parte, ao redor de nós e também dentro de nós. Havia uma energia muito boa, circulando pelo espaço, em vibrações, como se um grupo de anjos estivesse descendo à Terra. Assisti ao final do curso e pude participar dos abraços coletivos de agradecimento dados pelos artistas mirins à sua jovem professora. Realmente, a música é um grande instrumento de harmonização.

À noite o bar da Cláudia voltava a ser de gente grande. Durante a semana de arte, aconteceram apresentações musicais da Seresta Rios ao Luar, do Grupo Voz e Poesia (Luciano Luppi, Ivana Andrés e Evaldo Nogueira), além de projeções de vídeos de Tuca Boelsums, Graveola e Eduardo Fillizola.

Gostaria de agradecer a preciosa colaboração dos coordenadores Pedro Duarte Lobo, vice presidente do IMHA, Evandro Lemos da Silva, da UFMG, além dos músicos Iraty Boelsums, Ralph Oliveira e Verônica Nóbrega, que doaram seus trabalhos  de forma voluntária.

Também gostaria de agradecer aos colaboradores Iara Rolim de Oliveira, Cláudia Ribeiro Duarte Resende, Tuca Leão Boelsums, Ana Carolina Novaes de Almeida, Gabriel Caram, Vinícius Odilon, Gorete Boelsums, Laura Melgaço Camilo, Mariah Boelsums, Pedro Bertal, Jonathan Serafim e Daniela Cristiane Santos.


*Fotos de Maurício Andrés


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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

sábado, 20 de julho de 2013


MEIO AMBIENTE E EVOLUÇÃO HUMANA

Maurício Andrés chegou recentemente de São Paulo, onde lançou o livro Meio Ambiente e Evolução Humana. Publicamos abaixo sua entrevista para este blog:
Em que contexto foi publicado seu novo livro?
“Meio Ambiente & Evolução Humana é título de livro publicado pela Editora SENAC em 2013, que integra a Série Meio Ambiente, coordenada por José de Ávila Aguiar Coimbra. Ele foi lançado no dia 7 de junho em São Paulo, juntamente com outros cinco livros da série, que trataram sobre meio ambiente e Escola, Economia, Química, Teologia e Botânica. Houve duas mesas redondas coordenadas pelo professor Ávila e um coquetel na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista.”
 Como  e onde teve origem esse livro?
“Este livro começou a nascer quando fui estudar na Índia como pesquisador visitante do CNPq, no Instituto Indiano de administração em Bangalore, há 35 anos. Tomei contato, então, com a obra de Sri Aurobindo e com sua concepção do ser humano como um ser em transição. Ele abordou a jornada humana a partir da perspectiva evolucionista. A Índia é uma civilização movida por valores espirituais, pela cultura védica milenar, e cuja cosmologia estimula comportamentos amigáveis em relação ao ambiente. Ali se aplica o principio da não violência, usado por Gandhi na luta pela independência e estendido ao mundo animal; o vegetarianismo; a ioga com a consciência do corpo e as posturas corporais (asanas) e consciência da respiração (pranayama). A psicologia é refinada e aceita a existência de níveis superiores da consciência: para cada palavra de psicologia em inglês há 4 em alemão e 40 em sânscrito. A civilização indiana tem grandes contribuições a nos oferecer para o entendimento mais integral do ser humano, como indivíduo, população e espécie.”
 Qual a importância de ter uma visão integral da ecologia?
 “Desde que me formei em arquitetura, envolvi-me com temas ambientais. A partir da década dos anos 90, fui gestor ambiental municipal, estadual e depois nacional.  Nesse processo, inspirei-me na obra de Pierre Dansereau, botânico e geógrafo canadense, que tinha uma cosmovisão abrangente das questões ecológicas. Eu dedico o livro a ele, um de meus grandes gurus nesse tema. Eu também me inspirei na abordagem de Pierre Weil, psicólogo que criou a Unipaz, que teve uma visão integradora das ecologias e que reconhecia a importância da ecologia interior.”
Como se pode abordar o tema da corrupção a partir do enfoque ecológico?
 “Um dos textos aplica a abordagem ecológica ao tema da corrupção. Os corruptores são predadores que tratam a sociedade como sua presa; são parasitas que sugam a sociedade que os hospeda e nutre. Há na corrupção, relações ecológicas desarmônicas de parasitismo e de predação.”
 Por que focalizar o tema da evolução humana?
 “O livro nos situa no período antropoceno da história da Terra, no qual nossa espécie é a dominante. Em seguida focaliza o homo sapiens, esse ser que produz grandes transformações no planeta. Suas motivações, interesses, desejos, emoções, sentimentos e afetos, além de pensamentos, movem suas ações. O livro examina alguns dos papeis que essa espécie tem hoje na evolução, da qual se tornou co-gestora. Procurei focalizar a ecologia do ser numa visão integradora.
Em seguida o livro focaliza a ecologia do ser, procura compreender o ser humano, como espécie, a partir da abordagem ecológica. Fala sobre o nosso corpo, que é ele próprio um ecossistema no qual vivem bilhões de micro organismos – vírus, bactérias, fungos etc. Fala da interação entre corpo, mente emoções e como cada um deles influi sobre os demais. Em seguida fala sobre a consciência, visões orientais ocidentais. Aqui novamente me inspiro nos conhecimentos que aprendi na Índia, especialmente na raja ioga e com Sri Aurobindo, com a ioga integral, uma forma de alterar estados de consciência. E também faço referencia à noosfera de Teilhard de Chardin, à noodiversidade – a diversidade de estágios e níveis de consciência e a noética.”
 O que é a consciência ecológica?
 “O livro trata da consciência ecológica, como um estado de consciência que nos faz vivenciar a unidade do ser com o ambiente. Fala sobre o mito da sustentabilidade- no sentido que lhe dá Joseph Campbell, de um mito unificador necessário para convergir energias e motivações humanas. E novamente traz conhecimentos sobre a cultura ecológica na Índia, baseada em valores e que se reflete em comportamentos e seus impactos no mundo físico e material.”
 Qual a importância do autoconhecimento?
 "Ó espécie humana, conhece-te a ti mesma e conhecerás o ambiente e o universo em que vives". Essa máxima resume o espírito do livro. O autoconhecimento é um recurso valioso que pode nos ajudar a lidar com as circunstancias desse momento de crise ecológica e de crise da evolução.”

(Maurício Andrés é autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia - www.ecologizar.com.br / ecologizar@gmail.com)

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 9 de julho de 2013


CINCO ARTISTAS, CINCO PROPOSTAS

Morar em Minas Gerais, para qualquer tipo de arte, significa persistência e dedicação ao trabalho, apesar de todas as dificuldades e resistências.
Na década de 1950, quando uma turma de jovens artistas, alunos de Guignard, se emancipou da pintura figurativa para abraçar o construtivismo, uma nova mentalidade se formou em Minas. A arte não precisava necessariamente de copiar a natureza, mas de criar uma nova idéia. Seja lá como for a denominação, vanguarda ou neovanguarda, o fato é que a arte como idéia criadora sobrevive e se manifesta de maneiras diversas, de acordo com a criatividade de cada um.
Essa exposição coletiva de 5 artistas, aberta com grande sucesso na Galeria Errol Flynn, mostra em seu conjunto a unidade na multiplicidade própria  do espírito do artista mineiro. Cada um segue o seu caminho, abraça uma idéia diferente, mas todos revelam sua ligação com a terra e a persistência do mineiro, fora do famoso eixo Rio-São Paulo.
A exposição merece ser vista e estudada. Todos se harmonizam numa trilha sonora de notas diversas, como se os sons da terra pudessem falar. Ali estão as propostas de Eymard Brandão, tiradas das cores e pedras dos chãos de Minas. Em seguida, as obras de Paulo Laender, em pintura, escultura e desenho, que estão ligadas à nossa tradição barroca. O ferro, extraído da terra é a base da escultura de Jorge dos Anjos, que faz ressurgir a inspiração dos negros em Minas. Roberto Vieira busca o solo de Minas e dali extrai a matéria necessária para fazer as suas composições e objetos de parede.
Mas, Minas tem também um outro aspecto  vindo da contemplação das montanhas. As propostas de Jayme Reis ilustram bem essa necessidade de voar mais alto, além da terra. Seus temas nos revelam a vontade de se transportar, viajar, percorrer outras regiões. Jayme nos mostra esse tema, construindo barcos, aviões, objetos aéreos. Estamos vivendo uma época de comunicações que ultrapassa os limites do espaço físico.

Viajar, percorrer outros mundos, sempre foi o sonho dos artistas. E, nessa exposição, todos já tiveram a sua experiência de se mandar pelo mundo afora e um dia retornar. Paulo Laender, através da internet, se comunica com o mundo e raramente expõe em galerias. Já o encontrei na Índia, no meio de uma confusão numa rua em Delhi. Em 1992, Paulo Laender participou de coletivas na Europa. Eymard esteve comigo em Adyar, sul da Índia, adaptou-se tranquilamente aos hábitos do indiano. Em 1982, Eymard participou de coletivas na Índia e de uma exposição em Londres. Jorge dos Anjos esteve recentemente na Alemanha e Bélgica, levando o nosso Brasil para a Europa. Roberto Vieira representou o Brasil numa coletiva de brasileiros em Bruxelas e Jayme Reis esteve presente na Espanha e participou de vários concursos de arte erótica em Barcelona.
Assim, cada um a seu modo, mesmo residindo aqui nas montanhas, já teve a sua oportunidade fora do Brasil. Viver em Minas é aproveitar o que a terra oferece, para depois trazer de volta, em atitude de reverência, a própria inspiração da terra em forma de arte.
Quem percorrer a exposição descobrirá por si mesmo, a título de participação, um pouco de nossa terra nas obras expostas.

Fotos de Tina Carvalhaes


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domingo, 30 de junho de 2013


MEIO AMBIENTE E CIDADANIA

No 11º Seminário Meio Ambiente e Cidadania promovido pelo jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte, em 12 de junho, Maurício Andrés participou de mesa redonda sobre “O desafios das mudanças climáticas – energias limpas para um planeta sustentável”.
Ali ele disse que nos encontramos num momento crucial, no qual ocorre a 6ª grande extinção de espécies. Nas extinções anteriores, foram eventos externos que as provocaram, tais como erupções vulcânicas gigantescas ou o choque de corpo celeste que extinguiu os dinossauros ao mudar o clima e suas condições de sobrevivência. Desta vez, o homo sapiens é o grande transformador do clima e do ambiente. Disse concordar com o pesquisador americano Amory Lovins quando afirma que a energia mais limpa é a que se deixa de usar. Tudo o que pudermos fazer para minimizar o uso de energia é benéfico para o ambiente: reduzir desperdícios nas atitudes e hábitos cotidianos, reduzir o consumismo (o que inclui reduzir o viajismo, o consumismo em viagens); adotar hábitos alimentares mais eficientes do ponto de vista da ecologia energética, reduzindo o consumo de carne etc.(isso ajuda a proteger as florestas e evitar o desmatamento, entre outros benefícios).
Também é muito relevante, especialmente para os engenheiros, arquitetos e designers, projetar bens que façam o menor uso de materiais e de energia para proporcionar o máximo de conforto. (Buckminster Fuller foi um mestre nesse campo do ecodesign, com seus domos geodésicos).
A biomassa é uma forma de uso eficiente da energia solar, feita naturalmente pelas plantas a partir da fotossíntese. No Brasil, é uma fonte relevante de energia, pois somos um país tropical com muita incidência solar.
Outras formas de uso da energia solar - como, por exemplo, por meio de painéis fotovoltaicos, também são adequadas em cidades, para aquecimento de água e para evitar o uso de chuveiros elétricos em horas de pico de demanda.
Da mesma forma, na mobilidade urbana, privilegiar o uso da energia humana, por meio de ciclovias e de ruas de pedestres, pode ajudar a limpar o ar das cidades, poluído pelo trânsito motorizado. Citou o premio Sasakawa recebido por Belo Horizonte, por ter criado maneira  de agir em cooperação entre moradores, empresas de serviços públicos e empresas privadas na inspeção dos 80 pontos de perigo de inundações e áreas de risco de deslizamento, zonas de desastre em potencial existentes na cidade.
Mauricio enfatizou que, além de usar energias limpas e renováveis, de mudar hábitos de consumo, ressaltando os hábitos alimentares, e de medidas de adaptação aos eventos climáticos extremos, a mais importante energia limpa e renovável é a energia da consciência humana. Ela pode imaginar e criar maneiras de lidar criativamente com as mudanças climáticas.
O seminário contou com a palestra do navegador Amyr Klink, que falou de suas experiências na Antártica e com a arquitetura naval.
Fotos da internet
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terça-feira, 18 de junho de 2013

ARTES VISUAIS EM MINAS GERAIS

A historiadora Marília Andrés Ribeiro acaba de lançar um novo livro Introdução às artes visuais em Minas Gerais onde aborda um panorama da arte mineira moderna e contemporânea desde a implantação da Escola Guignard até os projetos atuais. Marília discute o contexto histórico e o circuito artístico, e divide o livro em três momentos interligados: o modernismo (anos 1940/50), as neovanguardas (décadas de 1960/70) e a arte contemporânea (anos 1980 até o inicio do nosso milênio).
Em 1997, Marília publicou o livro Neovanguardas: Belo Horizonte, anos 60 que, segundo o crítico Frederico Morais “é uma referência bibliográfica obrigatória para todos os estudiosos da história da arte moderna e contemporânea brasileira, em um de seus capítulos mais atraentes”. No seu prefácio para o este novo livro, Frederico Morais continua: “Bastaria aquele livro sobre as neovanguardas em Belo Horizonte na década de 1960, para consagrar Marília Andrés Ribeiro”.
As neovanguardas ilustram uma passagem histórica de grande importância para a compreensão da arte como rompimento de estruturas arcaicas e incentivadora de novos caminhos. “Com efeito”, nos diz Frederico, “foi na capital mineira, entre 1964 e 1973, aproximadamente, que se levaram a cabo algumas das propostas mais arrojadas e polêmicas da plástica brasileira de vanguarda, apoiadas por uma crítica militante e criativa”.
O prefácio de Frederico, muito claro, vai mostrando os acontecimentos que impulsionaram os artistas a se manifestarem. Nos salões da Reitoria os artistas e os críticos se reuniam para combater o paisagismo repetitivo dos seguidores de Guignard, e, principalmente, a situação de extrema repressão que se instalou no Brasil com o regime militar. No itinerário das neovanguardas, Marília transmite a sua alma de política libertária.
Frederico Morais, escolhido pela autora para prefaciar seu livro, exerceu em Minas um grande papel, como incentivador de novos caminhos e defensor da liberdade de expressão. Ninguém melhor para prefaciar este livro sobre as artes visuais em Minas Gerais doque Frederico Morais, crítico e artista, radicado no Rio de Janeiro, mas grande conhecedor dos movimentos de arte que tumultuaram uma sociedade arraigada à tradição: a “tradicional família mineira”.
Neste livro atual, Marília analisa as artes visuais em Minas, acompanhando as diversas fases e mudanças que nos fizeram chegar até a arte contemporânea e a nossa mineiridade como uma energia sempre atuante fora do eixo Rio/São Paulo. De Minas para o mundo é o que eu sinto quando acompanho a nossa mutação, desde o esplendor do barroco mineiro até os dias atuais. Arte e vida sempre juntas, levantando bandeiras!
Lembramos aqui as palavras de Cecília Meirelles para o Romanceiro da Inconfidência:
“E a bandeira já está viva e sobe na noite imensa, mas seus tristes inventores já são réus pois se atreveram a falar de liberdade que ninguém sabe o que seja”.

*Fotos de Pedro Oswaldo Cruz, Maurício Andrés, Cecília Figueiredo, Elena Andrés Valle e de arquivo

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terça-feira, 4 de junho de 2013


ARTE E EDUCAÇÃO NA ÍNDIA I

Recebi de Maurício Andrés, autor do livro TESOUROS DA ÍNDIA, o texto abaixo sobre Arte e Educação na Índia.

Civilização milenar, com rica tradição cultural e filosófica, a Índia sempre priorizou o conhecimento sobre a consciência e a educação. Os acúmulos ali produzidos são valiosos no mundo moderno em busca de sustentabilidade.
Anjum Sibia, em livro sobre uma escola pioneira, diz que “A historia e a filosofia da educação na Índia mostram que o tema recebeu alta prioridade desde a pré-história, os Vedas, Upanishads, a Gita, as escrituras budistas e jainistas, até o período medieval e de domínio britânico, chegando aos sistemas pós-coloniais de educação tradicional.” Os objetivos e métodos variaram: da transmissão da literatura sagrada por meio de memorização, acentuação e entonação corretas na transmissão oral; ao ensino sistemático de leitura, redação, língua e aritmética. “Estudantes eram instruídos quanto à conduta adequada, moralidade e noções de humildade e dever, numa pedagogia oral, repetitiva e baseada em exemplos.” Os colonizadores ingleses introduziram um sistema de educação desvinculada das experiências da criança indiana, no qual os estudantes eram forçados a memorizar a informação.  Os professores exerciam a autoridade e impunham a aquisição passiva de conhecimentos pela repetição. Havia sobrecarga de informação nos livros-texto. Análise e raciocínio, pensamentos de ordem superior, não eram estimulados.

1.     Filosofias da educação na Índia

A civilização indiana tem uma concepção generosa do que é o ser humano e a criança, considerada como uma alma em evolução. Ali se desenvolveram uma filosofia e uma psicologia refinadas (para cada termo de psicologia em inglês, há quatro em alemão e quarenta em sânscrito), e se estudaram a fundo a mente e as emoções. Ali se desenvolveram praticas de respiração para tornar a mente mais lúcida e clara (a pranayama na ioga) e se desenvolveram posturas corporais que facilitam a concentração da mente (as asanas). Desenvolveu-se o estudo da mente, do cérebro, dos tipos de temperamentos, das habilidades e capacidades para aprender, relacionadas com os variados tipos de indivíduos. Essa concepção integral do ser com o corpo, mente, emoções, o eu profundo e o espírito está na base do modelo mental ali desenvolvido e daí decorrem varias praticas e técnicas para a aprendizagem.
Sábios e pensadores, tais como Sri Aurobindo, Tagore, Krishnamurti, Vivekananda, Gandhi e outros pensaram sobre a educação e seus objetivos. Sibia nos relata que Gandhi acreditava que a educação deveria representar o ethos indiano e que os professores deveriam ser virtuosos.  Para Gandhi a educação é um processo “no qual o individuo desenvolve o seu caráter, treina suas faculdades e aprende a controlar suas paixões para o serviço à comunidade”. Tagore defendia uma educação que levasse a um “desenvolvimento integrado e multilateral da personalidade humana”, que deveria ser criativa e em contato com a vida econômica, intelectual, estética, social e espiritual das pessoas. Vivekananda enfatizava a realização da perfeição no ser humano e a educação como o revelar gradual das qualidades intrínsecas dos indivíduos; defendia que nenhum conhecimento vem de fora para dentro. A educação deve desenvolver a individualidade, o processo de revelar o que está implícito no individuo e desenvolver suas potencialidades latentes até que se realizem. É uma educação compreensiva, com o objetivo de desenvolver a personalidade total do individuo em harmonia com a sociedade e a natureza.Vivekananda dizia que sem concentração da mente nada pode ser aprendido.

(*) Autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia www.ecologizar.com.br


 *Fotos de Maurício Andrés e da internet

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sexta-feira, 24 de maio de 2013


PAUL MACCARTEY EM BELO HORIZONTE


Paul McCartey cantou em BH, inaugurando com grande sucesso o nosso estádio, reservado para jogos de futebol e grandes apresentações artísticas.
Paul veio de Londres e foi recebido com carinho por uma multidão de fãs. Trouxe consigo uma banda de alta qualidade e uma produção pirotécnica resplandecente. Os fogos de artifício davam um caráter mágico à apresentação e no meio de cores e luzes, as músicas dos Beatles foram tocadas com a participação calorosa de fãs vindos de várias partes do Brasil.
Paul McCartey chorou quando chegou ao palco e viu o quanto era amado por aquela multidão. Nas arquibancadas os celulares acesos pareciam em seu conjunto um céu estrelado.
Na noite serena e fria de maio, as estrelas também aplaudiam o show.
A missão de Paul neste nosso conturbado mundo ocidental não terminou com a separação do grupo e a morte de dois de seus  integrantes, John Lennon e George Harrisson.
Paul é grande apologista do vegetarianismo, defende os animais e acha que eles têm direito à vida.
O exemplo dos Beatles levou muitos jovens a largarem o conforto das famílias para caminharem, mochilas às costas, pelas estradas poeirentas da Índia.
Paz e Amor era o slogan que esses jovens pregavam como bandeira.
Lembro-me do “ashram” (comunidade espiritualista) onde os Beatles receberam suas iniciações, situado à beira do Ganges em Rishkesh, norte da Índia.
Muitos jovens aprenderam a meditar com o exemplo dos Beatles, e suas músicas se espalharam pelo mundo como uma grande mensagem de paz.
Até hoje os Beatles continuam trazendo para todos nós a proposta de não violência, não consumismo e vegetarianismo.
A música é, sem dúvida, de todas as artes a que mais emociona.
 Escreve Edgar Poe: "Nós somos devorados por uma sede inextinguível. Esta sede faz parte da imortalidade do homem. Ela é uma conseqüência e, ao mesmo tempo, um sinal de sua existência sem termo. Então, quando a poesia, ou a mais enervante das formas poéticas, a música, nos fazem cair em lágrimas, choramos, não por excesso de prazer, e sim em razão de uma melancolia positiva, impetuosa, impaciente, que experimentamos por causa da nossa incapacidade  de discernir, plenamente, aqui nesta terra, uma vez por todas, aquelas alegrias divinas de que, através do poema ou da música, não atingimos, senão vislumbramos."
Transcrevo aqui os depoimentos de Carlos Starling e Alexandre Andrés, que assistiram de perto a apresentação:
“O show do Paul... Viagem no tempo, encontro com um amigo que não te conhece, mas te emocionou a vida inteira. Poesia absoluta! Emoção absoluta!” (Carlos Starling)
“Milhares de pessoas assistindo e cantando músicas da época dos Beatles, dos Wings e novas canções dedicadas a John, ao George e às suas antigas e atuais mulheres. Ver o meu ídolo de pertinho me emocionou muito! Impressionante aquele senhor de 70 anos que continua compondo e cantando lindamente até hoje!!!” (Alexandre Andrés)

*Fotos da internet

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quarta-feira, 8 de maio de 2013


UMA VISITA AO MUSEU DE ARTE DO RIO


Sempre gostei de desenhar e pintar veleiros. Talvez seja pela estrutura dos mastros que energeticamente sustentam a fluidez das velas – navegantes do espaço. No momento me encontro no Museu do Rio de Janeiro, junto à baía da Guanabara. Do outro lado da baía, está Niterói, abrigando outro museu, obra famosa de Oscar Niemeyer. Deste museu onde estou observando os barcos em frente, imagino o túnel que está sendo criado para se chegar até lá, onde estão outras obras de arte.
O diretor do MAR, Museu de Arte do Rio, nos mostrou os diversos espaços destinados às obras do passado e do presente.
O MAR é um grande navio parado no porto, um navio ancorado e cheio de obras primas da arte brasileira. As obras vão desfilando aos nossos olhos, mostrando o Rio desde épocas remotas, quando ainda não havia a fotografia, um Rio de Janeiro sempre belo, desde a época do descobrimento até os dias de hoje. Começamos pela parte de cima, onde estão os paisagistas vindos de outras terras, até os andares de baixo com enormes salões. Neles a arte moderna e a arte contemporânea vão descortinando outra história, a do Brasil ventilado pelo sopro da Europa, brasileiros se unindo a outras terras, num abraço confraternizador. Isto porque o abraço feito através da arte é sempre confraternizador, ele nos lembra que somos todos irmãos e não existem diferenças. Colecionadores nos mostram o quanto de amor foi necessário para reunir obras em seu precioso acervo, cedido com generosidade ao público. Acervos bem escolhidos devem ser mostrados e, no momento, parabenizo o acervo da coleção Fadel, sobre o construtivismo brasileiro. As obras da exposição Vontade Construtiva têm uma seqüência, se harmonizam em qualidade e precisão. Ali estão os meus grandes amigos do passado, Volpi, Maria Leontina, Mário Silésio, Marília Giannetti, Franz Weissmann, Amilcar de Castro. Meu quadro está junto deles e vai me trazendo lembranças da época, quando o concretismo surgiu no Brasil, para nos conduzir à disciplina do traço, da linha, das cores chapadas, da valorização da forma por ela mesma, sem necessidade de significar algo. Um passeio pelo concretismo é uma caminhada até nossa própria origem indígena e a fusão harmoniosa desta origem com a mensagem vinda de fora, do continente europeu.
“Eu nunca te encontraria, se já não estivesses comigo”. Esta frase de Saint Exupery nos faz lembrar a razão pela qual o construtivismo vigorou com tanta energia no Brasil, que já estava há séculos preparado para recebê-lo.
A coleção construtivista de Fadel é uma jóia de arte que deve ser mostrada e, sobretudo, muito estudada.Os curadores revelaram uma vontade construtiva na forma harmoniosa como colocaram os quadros nas paredes.

Fui convidada para pronunciar uma palestra sobre o construtivismo em Minas. Recordei aspectos ainda não divulgados, do nosso pequeno grupo, que abraçou com entusiasmo as novas idéias vindas de São Paulo, da 1° Bienal e assimiladas e transformadas nas montanhas mineiras. Ali estavam presentes o diretor cultural do museu, os curadores Paulo Herkenhoff e Roberto Conduru. Ao final ficou decidido que eu voltaria em junho para repetir a palestra para um público maior.

*Fotos de Marília Andrés e Alice Andrés.

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